Parábolas e Enigmas

081109_1517_ParbolaseEn1

“Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo”

Mateus 13:35

Jesus, apesar de jovem e inexperiente, tinha lá suas excentricidades. Talvez tenha lido demais o livro de Isaías e os Salmos e acabou acreditando ser o Filho de Deus.

Isso aconteceu com um rapaz   lá da Igreja do Tio Cássio, também. Como tal, Jesus tentou viver e algumas de suas atitudes chegavam ao limite do paradoxal, como essa bobagem de falar por parábolas.

Ainda bem que ele não decorou direito o versículo de salmo 78:2, pois da maneira citada, fala em parábolas e coisas ocultas, mas o texto original diz: “em parábolas abrirei a minha boca, proferirei enigmas do passado”.

Se ele tivesse lido com mais atenção, provavelmente seria muito parecido com o Robert Langdon, protagonista de Dan Brown em Código Da Vinci, um cara meio psicopata e compulsivo por enigmas. Jesus só foi fissurado em falar por parábolas, em termos de expressão, já que sua grande fixação era ser reconhecido como o Filho do Homem.

Talvez isso não tenha maior importância, afinal, de médico e de louco todos nós temos um pouco. Acontece que essa brincadeira parabólica de Cristo deixou marcas profundas por aí. Até hoje os estudiosos alemães estão babando em busca do significado delas.

Para mim, o pior foi ter dito para seus discípulos que as pessoas, as quais ele se dirigia, eram um bando de ignorantes mentecaptos, porque vendo, eles não viam e, ouvindo, não ouviam e muito menos entendiam e só a eles, os discípulos, foi dado, por quem não sei, o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não.

Isso soa muito engraçado porque os discípulos nunca entenderam as parábolas do Mestre, inclusive, logo após dizer essas palavras, precisou traduzir a última parábola proferida, que mesmo tendo recebido o tal “conhecimento” eles não eram capazes de decifrar. Se bem que o Nazareno traduzia a parábola com outra parábola e  os  meninos continuavam sem entender  bulhufas.

Agora, essa afirmação no meio das frases: “a eles não” foi uma catástrofe. Os discípulos, embora não soubessem o significado do tal Reino dos Céus, trataram de guardar o segredo a sete chaves. Em palavras mais degustáveis, pois a você é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, Jesus nunca mandou ninguém pregar o evangelho, as boas novas do Reino e todas essas insignificâncias. Era, segundo o nazareno, para guardar tudo em segredo.

Claro que isso foi um erro monumental de Jesus. Ele não entendeu nada em seus parcos estudos bíblicos. Provavelmente, estudou em algum seminário parecido com os   de Arujá ou Atibaia e só aprendeu essas baboseiras fundamentalistas. Ainda bem que os papas corrigiram esses equívocos Cristicos.

É preciso pregar o evangelho, até enxertaram o texto dos Atos dos Apóstolos (leia-se atos dos papas) para o pessoal sair evangelizando a partir da Judeia, Samaria e ir até os confins da terra, lugar que o Indiana Jones está procurando até agora e impede ao coitado do Harisson Ford de se aposentar.

A primeira matéria para a qual me convidaram a lecionar, em uma dessas escolas teológicas excêntricas e místicas, foi Crescimento de Igreja. Na época, o tema estava na moda, graças a um velhinho do Fuller Seminary, lá de Orange Califórnia, lugar muito perigoso, um tal de Donald Macgravan.

Naquele tempo eu acreditava piamente em tudo o que Jesus teria dito, segundo os evangelhos e sai ensinando conforme o texto, ou seja, para os caras não pregarem porcaria nenhuma, muito menos na Índia onde o povo é muito mais espiritual que nós e onde nós só teríamos a aprender, como no Tibete ou em Assis.

Talvez por isso os donos do negócio tenham preferido dispensar meus serviços ou teria sido por eu mandar tocar “Imagine” enquanto eu lia a tradução da letra,  na formatura em que fui paraninfo, não importa, tudo aconteceu há séculos.

Um pequeno tempo durante minha peregrinação professoral, pelos seminários paulistas, foi calcado em expressões parabólicas e foi tão desastroso que acabei abandonando essa prática, não sem levar uns bons cascudos eclesiásticos. Pelo menos serviu para entender um pouco a, digamos, o transtorno mental do salvador.

Onde já se viu falar por parábolas, nem ele entendia o que dizia e muito menos os infelizes dos seus discípulos. Só gente insana faz essas coisas. Isaías e os salmistas não regulavam nada bem e causaram isso no pobre filho de José, um  carpinteiro meia boca da Galileia.

OPS: Se eu sumir, não liga não. Será devido a um probleminha  não resolvido com o Pai Celeste.

lousign

7 thoughts on “Parábolas e Enigmas

  1. Pingback: Lou Mello
  2. Eu sou uma cabeça dura para entender o trivial da vida,imaginem parábolas,enigmas…mas vou fazer um esforço para entender o enigma: “Se eu sumir não liga não.Será devido a um probleminha não resolvido com o Pai Celeste”.

    Nada muito complicado, só uma conta daquelas que corta tudo, mas estamos confiantes, certamente o Senhor proverá, em tempo. Obrigado por perguntar. Abs.

  3. Se preocupa não, Ele entende você, quem não entende sou eu. Tudo bem,agora descobri que nem os apóstolos entendiam Ele, eu já desconfiava de Paulo, mas João e Pedro… tô pasma!

  4. O Elienai diz que as palavras são limitadas. Não se dá pra dizer o que se precisa. Por isso a poesia. O mito diz verdade demais, que não seria possível ser dita de forma descritiva.
    As parábolas ajudam muito porque a gente diz o que não é possível ser dito e ninguém entende porque se não pode ser dito não pode ser entendido (lebrei de Wittgenstein). Mas que foi dito foi…

    Também creio assim, ele disse e não queria que uma pá de gente entendesse ou precisasse sofrer para entender.

  5. Lembrei também de Wittgenstein, mas de outra maneira, como em os limites de minha língua são também os limites do meu pensamento, logo, do meu mundo. O texto do Lou pode também sugerir que Jesus não compreendia nada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *