A Gruta do Lou

Para quem acredita em anjos

Anjo Divino

 

 

Hoje, 11 de maio de 2014, como em 2008, comemora-se o dia das mães. Entretanto, para nossa família, o dia 11 de maio tem um significado muito especial, pois nosso filho mais novo, o Thomas, nasceu no dia 11 de maio, em 1988 e várias vezes, seu aniversário empatava com o Dia das Mães.

Isso não aumentava a festa, em nosso caso, simplesmente optávamos por comemorar o aniversário de nosso filho, capitaneados pela mãe da casa, a Dedé que preferia assim, antes de todos nós. Minha sogra sempre preferiu comemorar esse dia com as outras filhas e minha mãe, sempre teve horror ao papel de avó, pois isso a fazia sentir-se velha.

Este ano, é o primeiro em que havendo empate do dia das mães com o aniversário do Thomas nós não o temos aqui conosco, pois ele partiu para o céu no ano passado, vinte e um dias antes de 11 de maio. Minha sogra estará com as outras filhas, como sempre, e minha mãe está aqui em casa, mas não faz mais a menor ideia do que seja dia das mães, não se lembra do meu nome e muito menos que tem netos.

Nos últimos anos, desde que comecei a escrever este blog, no aniversário de cada um dos meus filhos eu procurava escrever ou montar uma homenagem. Nos aniversários do Thomas, escrevi textos na maioria das vezes, armazenados sob as categorias Coração Valente, Homenagens e Thomas H. V. Mello. Minha intenção era fazer isso enquanto eu vivesse, de preferência em forma de cartas.

No ano passado, o primeiro sem o Thomas, com a recente partida dele, não escrevi uma carta, mas um desabafo. Por alguma razão desconhecida, tudo que escrevi naqueles dias trágicos para o Thomas e todos nós, perdeu-se, sabe-se lá onde e como. Neste ano, ainda sob dor intensa por essa perda, segundo dizem, ela não passará nunca, decidi voltar às cartas, inclusive para ele.

Dizem por aí, que os cardiopatas congênitos são futuros anjos em treinamento enviados para certas famílias a fim de cumprir alguma missão celestial e caso tenham sucesso em sua tarefa, receberão suas asas de anjos ao retornar para o céu.

Aprendi, via Bíblia, que uma das tarefas dos anjos, ou de uma categoria deles, é a dos anjos mensageiros. O Thomas, como todo mundo aqui no planeta água, teve um anjo protetor designado para protegê-lo, era o Raniel, a quem carinhosamente eu chamava de anjo esculachado.

Se interessar saber por que, use a pesquisa do blog para encontra-lo. Talvez você tenha sorte em acha-lo sob a categoria “ficção”. Armazenei os textos envolvendo o anjo Raniel, protetor do Thomas nessa categoria para amenizar um pouco o impacto junto aos leitores, pois poderiam achar que o papai aqui estava pirando.

Aliás, nem tudo que está na categoria ficção é história inventada e, por outro, quase tudo que escrevo contém alguma ficção. É a tal da liberdade poética em andamento.

Quando o Raniel vinha verificar como o Thomas estava e trazer-lhe recados e presentes celestiais, ele fazia questão de me visitar. Eu não era uma tarefa dele, mas fazia isso por pura misericórdia, mesmo, pois meu anjo protetor fora designado para outra pessoa (um tal de Ed alguma coisa) que nasceu uns doze anos depois de mim e eu fui encaminhado para o ICSE (Instituto Celestial de Seguro Espiritual) onde você não é mais atendido por um anjo especial designado para protegê-lo, mas pelo instituto, através de computadores celestiais, senhas e consultas marcadas.

Se você me perguntar se isso funciona, nem perderei meu tempo para responder. Só serviria para irritar a nós dois. Sendo assim, o Raniel, que sempre foi um anjo meio rebelde, infiltrava-se sorrateiramente no setor de arquivo do ICSE e roubava, digo, pegava sem licença prévia, as minhas correspondências e as trazia para mim. Como nunca elas eram entregues, a minha gaveta sempre estava cheia, como ele me informou.

Duro era o fato de essas visitas acontecerem sempre nas madrugadas. O Raniel é da turma daquele anjo de Daniel que atrasou três semanas para entregar a resposta do profeta porque se envolveu numa briga com demônios no caminho. Várias vezes, chegou todo rasgado para me visitar. Eu nunca perguntava, mas ele havia se metido em brigas, certamente e, para completar, ele é um anjo notívago, dorme de dia e o resto faz durante as noites.

Depois que o Thomas se foi, não recebi mais visitas do Raniel. No começo achei que a causa era minha vontade de esganá-lo por não ter protegido e livrado o Thomas naquela fatídica e infeliz cirurgia que encerrou a estada dele entre nós. Cheguei a pensar que ele não teria coragem de me encarar.

Algum tempo depois me ocorreu que ele não poderia me visitar exclusivamente, pois as visitas que ele me fazia, sem autorização celestial, eram visitas inclusivas, ou seja, ele aproveitava as visitas ao Thomas para me visitar, também. Sem meu filho, ele não teria como justificar a iniciativa.

O negócio da proteção angelical é sério. Jesus, por exemplo, viveu cercado de anjos. O céu designou uma equipe inteira para protegê-lo e servi-lo enquanto esteve por aqui. Lembre daquela cena, quando Jesus resistiu à tentação e pôs o diabo para correr. O que aconteceu em seguida? Os anjos vieram e o serviam.

Alguém, cuja noção de Deus e suas coisas seja bem antropomórfica dirá, certamente: “Parece que esse serviço de proteção angelical não é lá grande coisa.” Mas enganam-se, eles protegem sem interferir na missão de cada um, e com Jesus e com o Thomas não foi diferente. Segundo eles, deveríamos receber os acontecimentos com fé nas decisões divinas.

Depois de um tempo sem meu filho, comecei a pensar em qual seria a missão dele e não tive dúvidas quanto a resposta. Ele deveria colocar todos os cardiopatas congênitos e suas terríveis dores em nossos corações, falo de mim e de nossa família, incluindo a Dedé, a Carolina e o Pedro e em menor intensidade, nos corações das pessoas ligadas a nós, parentes e/ou amigos.

Então, entre outras providências, nós deveríamos levar adiante a causa dos cardiopatas congênitos. O Raniel chegou a me informar que a quantidade de petições chegando aos céus via orações e diariamente é incalculável.

Um dia, não faz muito tempo, já estávamos em São Paulo, creio que tive uma visão. Estava acordado e dirigindo, mas durante alguns minutos, meu carro parece ter ligado o piloto automático, enquanto eu recebia a visita do uma equipe inteira de anjos, liderados por um anjo que suponho seja um Querubim.

A cena se deu no meu quarto, para onde fui transportado naquele momento, sem perda de timing. Eles cobriram todas as quatro paredes e vi entre eles, todos com aquelas roupas de anjos, além das asas enormes, o Thomas, abraçado com uma garota, loirinha, olhos claros, cabelos bem lisos como os da Dedé, mas mais claros, com um sorriso maravilhoso na boca e linda, como um ser celestial deve ser. Do outro lado, um anjo todo desalinhado, com cara de quem havia corrido a maratona, piscou o olho levantando a sobrancelha para mim e eu sorri marotamente.

O Querubim fez uso da palavra e me informou que estavam ali para confirmar que o Thomas havia cumprido a missão dele, o que ficara bem claro com aquelas asas enormes nas costas dele e que agora, caberia a mim trabalhar em favor dos cardiopatas congênitos pelo resto dos meus dias.

Segundo o chefe angelical, eles estavam a caminho para atender parentes e amigos das vítimas da boate Kiss, em Santa Maria – RS e que a inclusão do Thomas (que agora tem um nome de anjo, mas ainda não sei qual seja) no grupo fora antecipada, por causa daquele acontecimento, mas resolveram dar uma parada para falar comigo rapidamente, a fim de nos consolar um pouco.

Então me deu licença para abraçar o Thomas, que para mim continua sendo meu filho com o mesmo jeitinho carinhoso de sempre, depois do longo e poderoso abraço (como se ele ainda tivesse corpo de carne e ossos) ele fez questão de me apresentar a linda garota que estava com ele:

-Pai, essa é a Laila, minha irmã! Exclamou.

Por um instante fiquei sem entender, mas logo lembrei. Entre a Carolina e o Pedro, houve uma gravidez que não chegou a termo. Então, era a Laila, que não vingou aqui, mas vingou lá.

Na virada de ano entre 2012 e 2013 o Thomas me deu de presente dois DVDs, contendo dois filmes dos quais gosto muito, um no natal e outro no meu aniversário que acontecem bem próximos. Eu tinha esses dois filmes em mídias muito antigas e ele fez questão de modernizá-las, pois esses filmes encerram mensagens muito importantes para mim, talvez já sentindo que sua partida estava próxima.

Um deles é um filme do Frank Capra, cujo título traduzido é “A Felicidade Não Se Compra” onde há uma mensagem central sobre a importância de granjear amigos e todo um contexto envolvendo o Céu, Deus e os anjos, com destaque para o Clarence que vem à essa vida cumprir sua missão com vistas às suas futuras asas de anjos alados.Você já deve ter entendido as razões dele.

O outro filme é “Wall Street, poder e cobiça” de Oliver Stone, um libelo contra a insistente e equivocada busca por poder, dinheiro e coisas materiais. Assim o Thomas reforçou a importância de minha comunicação com os anjos e de nunca confiar nessas bobagens materialistas, mas viver pela fé como convém aos justos, não dando ocasião ao diabo e seus ilusionismos cascateiros.

E eu pensando em deixar herança ao meu filho e, no fim, ele é quem me deixou essa valorosa herança. Nada poderia ter sido melhor. Prometo fazer o possível para disponibilizar esses vídeos para download aqui no blog.

Assim tratei de aproveitar para dizer a ele que havia entendido os recados e trataria de mantê-los em epigrafe. Desculpe, estou meio antiquado hoje. Olhando para o Querubim, reiterei meu desejo de cumprir a missão que me foi ensinada e dada via Thomas, com a confirmação naquele instante e agradeci pelo privilégio. O alado sorriu magnificamente e completou: – Isso fora o serviço de tradutor e interprete entre anjos e seus protegidos. Rindo gostosamente.

Então tivemos as despedidas extremamente emocionantes e eles partiram, deixando claro que os contatos continuariam, sobretudo devido ao meu dom de ver anjos. Quando voltei à realidade estava exatamente no mesmo lugar e o semáforo onde havia parado antes da visão começar, ainda estava vermelho e o relógio não andara nem um minuto sequer. Coisas celestiais, né?

Alguns dias depois, pensando em todo esse acontecimento, me dei conta que não recebi visitas do Raniel e nem vi nenhum anjo durante bom tempo porque minha fé sofrera grande abalo com o falecimento do Thomas. Quando tive a revelação de que a fé começa quando o amor não pode mais resolver a parada, seja qual for, e voltei a buscar minha fé, comecei a voltar à senda da fé, culminando com essa grande e magnífica reunião.

Carta ao Thomas

Se desejar ler a minha carta desse ano ao Thomas, basta clicar no link. Assim como podemos receber mensagens do céu trazidas pelos anjos, eles também têm a função de levar nossas mensagens de volta. Então deixei essa carta no blog para o primeiro anjo que passar por aqui a leve e entregue para ele.

lousign

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