A Gruta do Lou

Os políticos de Munique

Daniel Fresnot – Diretor Executivo da Moradia Associação Civil, mantenedora das Casas Taiguara

Nos anos 1930, os povos da Europa viam com apreensão Hitler rearmar a Alemanha e anunciar abertamente seus objetivos expansionistas. Os dirigentes da Inglaterra e da França, que eram consideradas as grandes potencias democráticas vitoriosas da primeira guerra mundial, nada fizeram e deixaram Hitler tornar-se cada vez mais ameaçador. Estes políticos, o Frances Deladier e o britânico Chamberlain principalmente, passaram para a história como “Muniquenses” depois da vergonhosa entrega a Hitler da Checoslovaquia, na cidade de Munique em 1938.

Chamberlain morreu desgostoso vendo a aviação alemã bombardear Londres e Daladier, que quase foi condenado por traição, viu seu país ocupado pelos nazistas. Os homens públicos de hoje estão repetindo a façanha e, dentro de poucos anos, poderão ser chamados de “Muniquenses” por não tomarem medidas sérias contra o efeito estufa.

Lula, Sarkozy, Obama, assim como seus predecessores, não estão dando a devida importância ao aquecimento global, e só tomam meias medidas ou fazem campanhas “para inglês ver”. A prioridade é dada ao crescimento econômico, enquanto que as catástrofes climáticas são cada dia mais fortes e numerosas… e têm um impacto econômico e humano cada vez mais devastador.

Nenhuma luta séria contra os gases de efeito estufa pode esquecer que os automóveis são uma das principais causas da emissão. Acredito que os ecologistas, embora fossem os primeiros a alertar o mundo desse risco, falharam ao não concentrar seus esforços na denúncia do papel dos veículos. Greenpeace ficou defendendo as baleias e se esqueceu dos carros e motocicletas. Em 2010, estamos esperando os carros elétricos, ou a gás, ou hidrogênio, que não são produzidos em larga escala. O etanol, embora diminua a emissão de gás carbônico (mas não totalmente) tem também um custo ambiental no plantio da cana de açúcar. É melhor do que nada, mas não é a solução ideal.

Além dos veículos, também sabemos que mais de um terço da emissão de gases pela indústria , no estado de São Paulo, é feita por apenas cinco ou seis grandes usinas, principalmente siderúrgicas. Falta uma vontade política, no Brasil e no mundo, para enfrentar realmente o problema com decisão e coragem.

Os dois candidatos à sucessão do Lula também não declaram sua vontade de implementar soluções reais, se estas forem “incomodar” os grades agentes econômicos. Quase todos estão a reboque do crescimento econômico, não é mais a economia que está a serviço dos homens. Esta cegueira, esta falta de vontade política, está repetindo o “crescimento dos perigos” dos anos trinta, quando os simples cidadãos viam mais claramente do que os seus dirigentes, à chegada da catástrofe.

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1 thought on “Os políticos de Munique

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