A Gruta do Lou

Os diálogos de Louzão

Quem nunca leu os Diálogos de Platão não sabe que o cristianismo é a representação popular deles. Não me culpem por essas palavras, se quiserem reclamar, vão ter com Niestzsche, meu filósofo preferido, diria o Ruben Alves.

Esse negócio de dizer minhas maiores verdades via meus personagens é um recurso platônico, em ultima analise. Se ele inventou Sócrates, por que não posso inventar os meus. Pode ser um ser real que morto, não possa se defender. Adoro essa técnica: Não fui eu quem disse, foi o Sócrates, aquele cafajeste. Mas ele teve seu castigo com gosto de sicuta, fique tranqüilo.

Mais brilhante foi a versão cristã, em forma de evangelho e cartas às Igrejas, sem falar na colada ao Antigo Testamento. Pronto! Cá estamos com nossas crenças e modos de vida judaicos cristãos. Olha, dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus. Os mansos e humildes herdarão o Reino. Foi assim com a turma de Davi, eram todos mansos e humildes. Tornou-se um exército capaz de derrotar o maior exército da região, o de Saul. Das duas uma, ou estavam querendo nos dizer para fazermo-nos de mortos e na hora certa pular na garganta do inimigo ou nos fazer acreditar que o melhor é contentarmo-nos com as migalhas que caem da mesa do Senhor. Tudo isso em uma boa e velha caverna.

Deus é Espírito. Nossa visão antropomórfica do Criador não ajuda muito. A fé será sempre uma relação abstrata com um deus abstrato. Pode acreditar, Ele existe, mas não o vemos ou ouvimos. O resto depende de inteligência e músculos, como diria Madre Tereza e Calvino. Duro será derrotar a preguiça, nessas horas deveríamos ser formigas. Talvez Deus tenha sido manso, humilde e aberto mão de ser carne, a fim de nos dar o privilégio. Vai saber. Jesus experimentou nossa forma de vida e não gostou nadica. Melhor é estar assentado ao lado do Pai do que aquele horror na cruz e antes dela.

Agora, os caras querem nos ver como um gigante adormecido, mansos para não reagir e humildes para não pressupor ação capaz de tirar-lhes o conforto. Como diria o Albert Schweitzer, o melhor livro escrito em língua francesa foi “O Contrato Social” de Rousseau. Ele dizia que quem não assinasse o contrato deveria morrer na guilhotina. Portanto, ler a Bíblia (Irineu), Além do Bem e do Mal (Nietzsche) e O Contrato Social (Rousseau) é fundamental, sem falar na mãe de todos: Os Diálogos de Platão (Platão).

6 thoughts on “Os diálogos de Louzão

  1. Pingback: Lou Mello
  2. Lou

    Ler suas recomendações, ou quaisquer outras, são o mínimo que se precisa para a construção de raciocínio.

    Duro mesmo são os comentaristas de apud (ouviram falar em algum lugar e já saem dando palpites).

    Mesmo quem prefere a realidade sensível à inteligível, só pode defendê-la se souber do que se trata.

  3. Lou, Deus escreveu duas vezes: a primeira na pedra dura, a segunda na areia mole. A primeira escrita foi destruída por um homem irado; a segunda o “vento” apagou. Nem um evangelista ousou publicar o que Jesus escreveu. Nesse caso vamos ler a Bíblia, Além do Bem e do Mal (Nietzsche) e O Contrato Social (Rousseau) sem falar na mãe de todos: Os Diálogos de Platão (Platão).

    Abraços.

    Bom, pelo menos, essa turma toda nos ensina sobre o que não devemos fazer em todas as situações.

  4. Bom demaisss essa dos mansos e humildes! hahaha

    É sim… o melhorzinho vendeu a mãe e não entregou.

  5. Então… eu percebi, mas nao entendi hahaha explica?

    É fácil, a maioria acredita que Deus escreveu ou mandou escrever a Bíblia. Há até um comentário acima citando o detalhe. Mas é uma grande bobagem, pois ela foi formada segundo as conveniências papais, juntando a Septuaginta ao texto chamado Novo Testamento, na verdade as idéias de Platão em linguagem teológica, segundo idéias do Nietzsche, lógico. 🙂

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