A Gruta do Lou

Os alienados

Michelle-Pfeifer1 Michele Pfeifer

12º Dia do Jejum em favor da abertura dos comentários na Bacia das Almas. O médico alerta para o perigo da desidratação.

“A alienação deverá portanto ser encarada como um fenômeno que por um lado, em determinadas circunstâncias, vai da estrutura do grupo humano a que pertencemos até o mais íntimo e menos verificável de nossos comportamentos psíquicos, e em outras circunstâncias vai do mais íntimo e menos verificável de nossos comportamentos psíquicos até a estrutura do grupo humano a que pertencemos. Então por este motivo, nós, pelo próprio fato de viver, trabalhando, produzindo coisas e entrando em relação com os outros, estamos na alienação.”

Umberto Eco

Doce ilusão a minha, imaginar que consegui escapar de ser um mero e completo alienado. Penso ter escapado e me tornado o grande cidadão consciente, único em minhas próprias saídas, mas aí vem esse cara, em nome da rosa, me mostrar o grande e irremediável, ou como ele mesmo diz, sem a possibilidade de suprimir esse pólo negativo.

Tolice minha, e sou mesmo um grande tolo, imaginar que um blog traria sobre mim a capa da integração e me colocaria na vanguarda da trupe. Afinal, sou um crítico mordaz e reconhecido da igreja institucional e não me vejo de beijinhos com pastores e seus asseclas. Mas quanto mais tento me safar mais preso a essa areia movediça me torno.

Acredita que estamos em meio a uma grande competição? É, isso mesmo. A velha e boa competição. De novo o Eco, as competições são todas alienantes, posto que somos levados de roldão por elas. Maledeta. Quanto mais rezo, mais assombrações me aparecem.

Tudo bem, quem sabe acho um jeito de não ser tragado por mais essa aspiração global. Estava xeretando o gospel top sites – blog, afinal queria saber onde a Gruta estava em meio à carreira, e resolvi xeretar o número um. Quase tive um infarto. O cara estava dizendo que está desempregado, perdeu as informações do site no microcomputador da empresa que o chutou e não sabe até quando terá dinheiro para pagar o provedor. E eu achando que era o único maltrapilho da terra.

Enfim, já que estou (continuo) alienado, hoje irei para mais um tour na grande e sonhada São Paulo. Pessoal aí, se liga ou me liga. Vamos tomar aquela cafezada paulistana e falar mal de quem estiver ausente. Levarei a câmera. Quem sabe consigo vencer a síndrome dessa vez. Meu Deus, só faltava levar um notebook e um Iphone. Acho que o Eco está coberto de razão. Esse cara sabe das coisas. Será que ele tem blog?

Se liga meu. Blog, Orkut e sites de relacionamento não é bem a praia da elite. Alguns até ameaçam, mas não tem tempo. A agenda não permite. Sou mesmo a ralé, ou seja, Blogueiro, Orkuteiro, Corinthiano, brasileiro, paulistano e agora, velho. Tem cara me chamando de Sukita, só porque a menina me chamou de tio, no elevador. Pode?

É isso, seu bando de alienados. Abram os olhos e livrem-se dessas camisas de força. A religião aliena também. Já ensinava o mestre Marx, no século XIX. Nem o Mestre dos mestres caiu nessa: “A minha religião é visitar as viúvas e os órfãos em sua aflição”.

Durma-se com esse barulho azucrinando a cabeça.

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8 thoughts on “Os alienados

  1. E eu então?

    Rabisco num Blog, Orkuteiro, Flamenguista, brasileiro, cuiabano, porém novo.

    Esqueci do religioso….

    Ah! e do Alienado também.

    Abraços Lou.

  2. “E eu achando que era o único maltrapilho da terra.”
    que isso, Lou, maltrapilhos existem aos milhares…milhões….
    a Gruta nao mostra isso???
    beijos,
    alê

  3. Minha alienação começou no dia em que fui assistir um filme policial com Jeff Goldblum e uma atrizinha nova, desconhecida. Ela aparece de sopetão na frente do carro do herói no pátio de estacionamento. Era a Michelle. Depois disto, não me lembro de mais nada do filme. Sei que o herói passa por poucas e boas, culpa “dela”… mas quem não passaria? Nunca mais me recompus. Alienado até hj!

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