A Gruta do Lou

Origem da Páscoa

Ontem, domingo chamado de Páscoa, olhei alguns textos que abordavam esse tema. Não encontrei muitos, entre os blogs relacionados em meu Bloglines, mas todos, sem exceção relacionavam o evento à uma prática cristã envolvendo a Jesus Cristo.

Sem dúvida, o Filho Unigênito de Deus tem tudo a ver com ela, mas ele não criou o fato, apenas o consumou.

Em nossa cultura e religião, adotamos o estranho hábito de comer chocolates em formato oval que deveriam ser trazidos durante a madrugada do sábado de aleluia para o domingo pascal, por algum super coelho maluco com capacidade de transportar uma carga imensa, talvez usando algum truque de magia. Um pouco por isso, mantivemos em nossa casa, por seis anos, uma coelho, mas ele não se mostrou adepto dessa prática, ao longo do tempo. Negócio dele era ração e água, sem falar em suas mordidas, nada prazerosas.

Aqui em casa, os tais ovos de chocolate não apareceram, cheguei a verificar a caixa de correio e a rua na frente de casa e não havia nada. Parece que a única forma de obtê-los teria sido a tradicional via capitalista e neoliberal, ou seja, algum supermercado (ou mini super mercado – sic) da vida. Na páscoa, o povo judeu (depois de cear , na verdade, um cordeiro macho sem defeitos, do qual tiveram que saborear tudo, inclusive a cabeça, as patas e as fressuras, sem deixar nada para o dia seguinte, conforme instruções prévias dadas por ninguém menos que o Pai de Jesus, via Moisés/Arão) foi liberto do cativeiro egípcio, deixando as terras de Faraó através de um inverossímil ato de abertura do mar ao meio, a fim de dar lugar à travessia do povo escolhido preconceituosamente pelo Criador, para ganhar o deserto e um novo modelo de vida.

No deserto, Deus liquidou com o modelo capitalista e neoliberal egípcio no meio de seu povo. Nada de produção em massa, transgênicos ou confinamentos. Ao invés dessas práticas destruidoras de planetas, iniciou um novo modelo econômico onde ele era o produtor de maná, codornizes e água de pedra, produzidas em algum canto do céu, e fornecia tudo ao povo grátis, ou pela graça se assim preferir, durante seis dias, sendo que no sexto dia, mandava dose dupla para cobrir o necessário ao sétimo dia, também e evitar que, nesse dia, o povo tivesse que sair para apanhar seu suprimento e, ao invés disso, descansasse. Igualzinho ao método bolado por Adam Smith e sua turma, né? Bom, se quiser se aprofundar ou verificar esses dados, você encontrará tudo em Êxodo 12 e nos textos correlatos indicados por sua bíblia, se ela não for uma dessas bíblias mixurucas feito a NVI que tenho aqui em mãos. Se preferir, espere sentado pelo livro que pretendo escrever a respeito.

Nesse ponto você deve estar pensando algo do tipo: Então a Páscoa não é só o negócio da ressurreição de Jesus ou o comércio de chocolates ovais? Exatamente, seria a resposta adequada à sua pergunta tão perspicaz. Embora Jesus tenha tudo a ver com ela, afinal no imaginário sacerdotal cristão ele foi ou é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, embora eles não enfatizem muito a parte de que o cordeiro deva ser comido inteiro, inclusive as partes duras de engolir (cabeça, pernas e fressuras), a páscoa deveria significar muito mais. Mais ainda? Aqui caberia mais um “exato”, como resposta. A Páscoa poderia ser a grande chance de nos libertarmos da escravidão egípcia exercida em nossos dias pelo capitalismo (Estados Unidos, Tigres Asiáticos e União Européia) e outros modelos escravizantes (vide China, Cuba, Coréia do Norte, Irã, etc).

Para seguirmos de uma economia neoliberal de mercado para essa economia mais bíblica, bastaria cearmos na páscoa o cordeiro macho sem defeito, em nosso caso, Jesus Cristo, deixando o chocolate de lado, e sairmos em direção ao deserto das incertezas onde não haveria supermercados, bancos, cartões de crédito, shoppings centers, notebooks, etc., e trabalho, muito menos. Nosso sustento cairia do céu ou sairia da pedra mais próxima, Just like that, desde que no sábado, aceitássemos descansar e comer a porção dobrada colhida um dia antes. Mas qual mente culpada suportaria viver sem chocolate e ainda ser obrigada a descansar um dia inteirinho, sem falar no ano sábatico e no jubileu, onde o descanso era anual.

Tá bom, não precisa me xingar. Nem o povo judeu viveu assim por muito tempo, logo eles voltaram à escravidão neoliberal, esquecendo as diretrizes bíblicas divinas ou deixando-as para lá. Entre outros motivos, Deus acrescentou a essas excentricidades coisas do tipo, perdoar as dívidas dos devedores no ano do jubileu e devolver as terras adquiridas a preço de banana de devedores de auto-estima ruim. Aos poucos eles se afastaram disso e também da provisão e voltaram à velha prática capitalista da produção em massa às custas do trabalho escravo dos incautos. Hoje em dia, como é sabido, nem esse privilégio, o trabalho escravo, eles querem manter. Estão substituindo homens por máquinas sem explicar quem consumirá seus produtos maquinofaturados.

Bom, agora sairei ao campo para colher minha porção diária. É rápido, meia horinha e estou de volta.

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4 thoughts on “Origem da Páscoa

  1. Pingback: Lou Mello
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  3. Lou,

    Maravilhoso texto! A Páscoa fala da libertação da escravidão do povo de Israel no Egito. Mas como disse, o capitalismo nos coloca em uma nova escravidão.

    Abraço.

    Quem for o primeiro a testar a fórmula ficará com a incumbência de convencer a todos nós,… se voltar vivo. Abraço. 🙂

  4. Realmente, deixar o chocolate de lado e ir para o deserto, onde não há nem internet, é pedir demais! Eu até topo o restante – a incerteza, a ausência de empregos, a eliminação do capitalismo neoliberal – que nunca me assustaram. Mas, ficar sem chocolate e internet é dose!!!

    Rubinho
    Deus disse que fecha com sua contra proposta.
    🙂

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