A Gruta do Lou

Olha lá um elefante branco voando!

elefante-voador

Conheci um homem que adorava contar que quando os três filhos dele eram pequenos (e não estou falando de mim, antes que alguém faça a piadinha) ele olhava para o céu e gritava “Olha lá um elefante branco voando!” e depois caia na risada. Fazia isso sempre que desejava conseguir a cooperação das crianças para alguma coisa chata como tomar banho, jantar, ir para a cama dormir, ou seja, a boa e velha manipulação paterna. Cara, confesso que nunca entendi a graça disso. Além do mais, se o babaca visse um elefante voando, tanto faz a cor dele. Seria um fenômeno, no mínimo, bizarro mas nunca algo engraçado.

Aliás, quando me ponho no lugar do elefante, encho-me de tristeza e até raiva ao imaginar-me voando. Quando criança, nunca me interessei pela história triste do Dumbo. Pior do que voar seria ter as orelhas tão grandes que pudessem servir de asas. Nem que a mocinha bonita viesse me mostrar as vantagens de poder voar, eu me convenceria. Elefantes são elefantes e pronto.

Estranho essa tendência muito humana de buscar atenção, conseguir cooperação ou manipular a qualquer preço. Os caras aumentam as orelhas dos elefantes, fazem os paquidermes voarem, oferecem todos os tipos de milagres, de curas, até reconstrução da favela da Rocinha com projeto do Niemeyer e assim por diante. Se fosse só isso, ainda não seria tão mal. Pior é que atrás disso sempre há muito mais. Quando alguém anuncia um elefante branco voando, com certeza, está planejando tirar alguma coisa do pouco que temos, se não for tudo.

Jesus, aquele homem de Nazaré, não fez promessas. Muito menos anunciou elefantes brancos voando. Pelo contrário, se olharmos com cuidado, ainda avisou que seus seguidores passariam por perseguições, traições e grandes aflições. Ainda bem que ele não fez nenhum curso de marketing e propaganda. Onde já se viu anunciar seu produto com tal transparência e sinceridade?

O Galileu poderia ter subido no alto da montanha ou do templo e gritado: Olha lá um elefante branco voando! Mas não o fez. Subiu ao Golgota e fez-se aio por todos nós.

Capricornio PB

7 thoughts on “Olha lá um elefante branco voando!

  1. é fácil entender Lou…
    nós amamos enganar, enrolar.
    e isso é horrível.
    Jesus, ao contrário,
    lida conosco,
    lida com todos
    em total transparência… sem elefantes brancos!
    beijos,
    alê

  2. Ai, que se eu ver algum elefante voando vou pedir para me internarem, pois com certeza estarei louca e nao ficando louca!

    A Alê tem toda a razao no comentário dela. Aliás o Mestre rejeitou o banquete que lhe ofereceram.
    Às vezes estamos aceitando os elefantes voadores na nossa vida, nos deixando ser manipulados.
    É difícil nao sermos manipulados nesse mundao. E quando a realidade se instala é como se um elefante tivesse caido em nossas cabecas.
    Preste atencao, rs.

    A coisa aqui só tá dando erro…

    Boa semana

  3. Georgia querida, esse blog é doido sempre, deliciosamente doido aliás.
    Lou, sei que você “detesta” quando eu faço citações, mas eu não resisto (rsrsrs) lá vai:
    “Não quero ver boi voando, este comezinho milagre, tenho unhas permanentemente crescendo, a vida pede reverência, a vida como ela é.” Adélia Prado
    Xauzinhuuuuu

  4. Beth
    É verdade isso? Que eu não suporto citações? Só se você citar meus desafetos. Adélia Prado tem acesso vitalício na Gruta, uai! Ainda mais quando vem para confirmar minha história, sô.

  5. Lou

    Acho que você anda lendo demais as Insanidades…

    Quem foi quem foi ? Que falou no boi voador…manda prender esse boi (ou elefante branco) seja esse boi o que for…

  6. Olha Lou, sabe de uma coisa? Sei mesmo que sou chata. Acho que meio burra também. Não sei se percebo errado, mas na maioria das vezes as pessoas comentam os Posts, E EU NO MEIO DELAS, CLARO, com brincadeirinhas, ao invés de falar algo a respeito da mensagem que o texto trás. É,tem a história do Dumbo, mas no Nordeste o povo fala muito de “boi voando”. Jesus, foi curto e sábio, não contou lorota. Chamou nossa atenção para o que poderia nos acontecer, sempre verdadeiro, (a Própria Verdade) tentando nos abrir os olhos, para termos cuidado com o amor ao mundo e não esperarmos elefantes e bois. E para arrematar, sem conversa fiada, sem enganação, foi afinal até onde tinha de ir, cumpriu cabalmente a sua missão, se deu naquela cruz “que não era Dele, que era minha”.

    Eu logo percebi que você tinha algo a ver com aquilo.

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