A Gruta do Lou

O vazio recheado de marasmo.

Tea Leone

Pessoal, assim não dá. Queremos mais sangue.

De repente pinta o vazio. É como se estivéssemos viajando por uma longa estrada e, depois de passar por uma cidade agitada, tudo que se vê é a linha do horizonte. Somem os cachorros, as bicicletas, os postos de gasolina que viram motel, durante a noite e os andarilhos do acostamento. Enfim some tudo. As encrencas ficam para trás. Parece que o Gondim, o Ed e o Nicodemus (com a Norma e os outros dois paspalhos pendurados no saco) viajaram para Caruaru, para participar de alguma conferência maçônica ou para a reunião executiva dos religiosos do socialismo petista.

Aí fica tudo sem graça. Voltamos para a nossa realidade grutense. Dureza, trabalho zero, contas atrasadas e a mesma ladainha de sempre. De repente, entra um tufão pela porta, mas logo percebemos que é um recém chegado, todo machucado e necessitando de curativos e afagos.

Acho que esses necessários órgãos de “defesa do consumidor”, tais como os SPCs, SERASA, etc. deveriam dar uma carteirinha para seus sócios, inclusive mencionando a categoria deles, se são crônicos ou eventuais, temporários ou definitivos. Poderiam organizar um tipo de bônus. Se o cara fica tanto tempo ganha x bônus e assim por diante. Nesse caso, ficaria mais fácil para admitir o pessoal na Gruta. Bastaria mostrar a carteirinha de sócio no SERASA ou no SPC. Poderíamos aceitar os sócios dos cartórios de protestos, também. Ah! Sócios dos fóruns civis e criminais teriam tratamento vip, por aqui. Se não for aqui, onde mais?

Mas voltando à vaca fria, essa semana está muito devagar. Não há fatos novos. Alguém, mais espiritual, diria: ainda bem, melhor assim, eles devem ter se perdoado e esquecido as diferenças. Deus está vendo. Só de vaidade e arrogância essa turma pesa toneladas.

Escreve um pouco aí Norberto Elias, que eu “cansei”

Toda vez que você fala assim, sinto um troço esquisito. Parece que o anjinho acusador me aponta o dedinho em riste e começa a me acusar de um monte de coisas. Aí, começo a pensar: e se eles tiverem razão? E se eu for o errado nessa história toda? Será que sou orgulhoso demais? Vagabundo demais? Vaidoso demais? Cabeçudo demais? Preguiçoso demais? Não seria um petulante insuportável que ninguém quer ver por perto? Pô, mas a Bebé não acha. Será mesmo? E se ela for a pessoa mais santa do mundo e apenas estiver me suportando por caridade cristã? Barrabás!

Mas logo retomo o trilho e caio na real. Essa gente é mesmo ruim. Eu é que sou um tremendo trouxa. Outro dia fiquei umas duas horas assistindo o Roberto Shinyashiki falar as maiores bobagens que ele chama de auto-ajuda e consegue receitas respeitáveis com isso. É dono de uma editora e já vendeu mais de seis milhões de livros. Sua agenda de eventos é abarrotada.Perto dele, o Lair Ribeiro é um intelectual e o Luiz Marins Filho digno de acento na Academia Brasileira de Letras. Mas sou obrigado a admitir, não tenho um por cento da competência desse sujeito. Sou uma grande fraude.

Hoje, não recebi um único telefonema. Nem os credores me ligaram e estamos em plena segunda-feira. Virei uma unanimidade. Não mereço nem ser cobrado, mais. Acho que ninguém acredita mais que pagarei alguma conta. Miserável homem que sou.

– Melhor você encerrar Lou. Por que você não volta a ser Luiz Henrique? Acho que esse negócio de Lou nunca deu certo. Registra um domínio com seu nome. Ninguém sabe se Lou é homem ou é mulher.

– Pois é Norba, sabe que ando pensando muito nisso? Acho que não foi carne e sangue quem te revelou isso. Outro dia, fiz um comentário em um blog e o individuo não sabia se me tratava como homem ou como mulher, por causa do Lou. Isso lembra-me do meu professor de música, nos tempos da Faculdade Teológica, o Marcilio, que foi morar em Curitiba. Ele era um tenor quase contralto. Quando atendia ao telefone, as pessoas não sabiam se estavam falando com uma mulher ou um mancebo. Capaz de eu voltar a ser o Luiz Henrique, mesmo. Tanto faz, para mim. Chamam-me de Lou, há tanto tempo que não vi maiores problemas em aceitar a pecha, digo, apelido. Você não liga se eu chamar você de Norba. Liga?

– Não.

Vamos ficar de olho por aí. Se surgir alguma nova situação capaz de nos animar e acabar com o marasmo, tratamos de postar aqui, certo?

– Certo.

Atenção!

O Norberto Elias continua esperando contribuições para participar do Congresso Comuna

 

Share this:
Share this page via EmailShare this page via Stumble UponShare this page via Digg thisShare this page via FacebookShare this page via Twitter

2 thoughts on “O vazio recheado de marasmo.

  1. Nós já enfrentamos juntos vários desses períodos de calmarias, quando o barco emperra em alto mar e não vai para lado nenhum. Mas sabemos que: nada como um dia depois do outro, pois tudo muda. Basta ter paciência e esperar. Quantas pessoas, infelizmente, ficaram pelo caminho e novas vieram para o barco? É sempre assim. Bola para frente. Falar nisso, e o nosso Corinthians? Sabia que está cheio de corinthianos aqui em Jerusalém?

    O pessoal aqui da Missão caiu na risada com esse poster do Congresso de esquerda. É sério mesmo? Me manda um E-mail com informações, por favor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.