A Gruta do Lou

O valor real do dinheiro

“Ninguém é mais escravo do que aquele que se acredita livre”.

Johann Wolfgang won Goethe

Você não acreditará, mas ando preocupado com o dinheiro. Claro, é uma velha preocupação de todos nós. Fique tranquilo, esse post não é nenhum pedido de ajuda ou captação de recursos. O que tenho em mente, atormentando muito, é bem mais abrangente do que as minhas lutas diárias com esse vil instrumento de trocas.

Gastamos toda a nossa vida, sem passar um dia sequer, às voltas com dinheiro. Não sei se há outro objeto ou atividade igual nessa vida. Aliás, ele pode ser concreto ou abstrato, concreto quando está em nossos bolsos ou carteiras na forma de notas ou moedas. Abstrato quando na forma de números registrados, dando a ideia de algum valor contido. Entretanto, não recebemos nada ou quase nada de instruções prévias para estarmos aptos para tanto.

Quando moramos nos Estados Unidos, a Meca do dinheiro em nossos dias, minha filha frequentou a escola e aprendeu alguma coisa, do tipo, a cara do dinheiro e sua finalidade básica. Foi tudo, mas muito mais do que eu recebi, ou seja, nem isso me mostraram, jamais. Então precisei me virar com as informações domésticas, mesmo.

Meu pai era do tipo desligado, cuja filosofia maior a respeito da grana era: “o dinheiro foi feito para gastar”. Ele, pelo menos, não costumava gastar além do que tinha, mas viveu no sistema gangorra, ás vezes lá em cima e outras cá embaixo. Minha mãe, aderiu à outra filosofia: ” quem guarda tem”. Ela passou a vida toda juntando seus “tostões”, como ela sempre se referiu ao dinheiro. Do ponto de vista estritamente técnico, a filosofia de minha mãe era melhor do que a do velho. Problema é que, para os filhos, a filosofia do meu pai sempre foi muito mais confortável e bem vinda. Só não sabia o quanto ela me atingiria.

Outro dia, conversando com meu amigo Jorge do blog Canto do Jô, que não gosta de textos longos, ele me disse às tantas: “vc não é pobre e contar-se com o que se tem é uma grande filosofia de vida”, e me dei conta, com se um raio estivesse caindo em minha cabeça, com essa frase, que ele estava coberto de razão. Uma grande filosofia do dinheiro, sem dúvida.

Agora, duro mesmo, é viver com o dinheiro que não se tem. Aí sim quero ver quem tem garrafa vazia para vender. Pior, não vejo como elaborar uma filosofia: “viver com o dinheiro que não se tem. Aí, o Pedro, um dos meus muitos filhos e que virou bom blogueiro, ao contrário do pai, postou um vídeo no perfil dele do Facebook, muito interessante (link abaixo). Isso me fez lembrar de minhas velhas convicções anti monetarismo. Não sei como nem porque, aqui, além de mim e do Pedro, só o Lula pensa assim. se não me engano. Foi só ele sair e os caras voltaram às velhas práticas monetaristas, elevando a inflação, baixando juros, emitindo dinheiro, etc. Deve ser porque nós nunca passamos nem perto de Harvard.

Mas voltando ao vídeo, ele me fez lembrar que dinheiro, na verdade, não tem valor algum. Por principio ele é apenas um símbolo, ou seja, representa o valor nele expresso. Nesse sentido, vale tanto quanto o valor expresso no seu “Saldo” bancário descrito em seu extrato ou site de consultas. Nesse caso, nenhum dos três (meu pai, minha mãe e o Jorge) todos “gente muito boa”, está certo. Agora pasme, só eu estou certo, embora às avessas e de forma quase inconsciente, vivo a mais de vinte anos com o dinheiro que não tenho.

Não fique triste se você algum dia me enviou uma oferta ou uma esmola, sem ofensa, claro. Sou muito grato por isso, você sabe, principalmente quando veio para nos ajudar no tratamento da saúde de nosso filho. Certamente não é à sua intenção ao me enviar esse não dinheiro específico que me refiro, pois isso sim teve valor.

Em verdade, nenhum dinheiro, concreto ou abstrato tem valor. Ele apenas representa (ou deveria) algum valor. Antigamente, o governo tinha um lugar chamado Casa do Tesouro Nacional, onde guardava-se ouro. O dinheiro era emitido em valor proporcional ao ouro estocado na Casa do Tesouro. Agora se você ou eu destruíssemos qualquer nota ou moeda, isso não mudaria nada, em termos do valor do ouro contido lá no Tesouro Nacional.

Para surpresa nossa, esse ouro desapareceu e ninguém parece saber onde foi parar. Nem a Casa do Tesouro existe mais. Agora, em um lugar estranho conhecido como Banco Central, há um valor em moeda americana, ou seja em dólares. Vale para essa moeda americana estocada no Banco Central o mesmo raciocínio, ou seja, o dinheiro deles vale tanto quanto o nosso, ou seja, nada.

Agora, o nosso dinheiro passou a valer duas vezes nada, primeiro porque é dinheiro e dinheiro não tem valor algum em si. Segundo, porque o lastro que deveria designar o valor do nosso dinheiro, antes ouro, agora é dinheiro que também não vale nada. Se os dois dinheiros forem totalmente destruídos, não haverá mudança alguma para os Estados Unidos. Só o nosso país (e todos os outros que fizeram a mesma inexplicável loucura) ficará na tanga, a menos que alguém apareça com todo aquele ouro que desapareceu e tudo que foi extraído de nossas minas oficiais, depois.

Se, destruirmos (pode ser a troca total do dinheiro como já aconteceu diversas vezes) o nosso dinheiro, isso não mudará nada no dinheiro estocado lá no Banco Central, pois lá há dinheiro norte americano. A única exceção sem grande importância, nesses casos, é o povo, que se dormir no ponto e não passar o dinheiro banido para frente em tempo, não será restituído.

Bom, mas tudo isso é uma grande bobagem e a maioria das gentes não está nem um pouco interessada. Não estou nem arranhando a monstruosidade desse probleminha. Muitos por aí, se soubessem a verdade do sistema financeiro sob o qual vivemos, poriam fim às suas vidas, tamanha a decepção que teriam.

Tudo isso, de fato, tinha só um objetivo, declarar que a minha filosofia é a única que existe, ou seja, todos nós vivemos com o que não temos, não importa quanto dinheiro tenhamos ou não no bolso ou na conta bancária. Ter dinheiro no bolso ou no banco significa muito pouco e possui uma segurança tênue. Talvez você me diga que o ideal seria ter ouro. Há seis milhões de judeus no cemitério que poderiam servir de testemunha de que isso não seria prudente. Os nazistas se especializaram em tomar o ouro deles.

O pastor mais sábio que conheci foi o Tio Cássio e não estou brincando. Como ele mesmo costumava dizer, Steve Jobs e Bill Gates não estavam com nada quando o assunto era viver. Em certo sentido ele usava a filosofia do viver sem dinheiro. Uma vez, quando meu filho passou por uma grande cirurgia, eu precisava pagar uma grana altíssima pelo serviço e não tinha nada. Primeiro fizemos uma campanha entre os irmãos cristãos, amigos e parentes. Não chegamos a arrecadar nem vinte por cento e olha que gente da pesada como o Apóstolo Estevan Hernandes contribuiu e ainda fez propaganda. Então o Tio Cássio me ensinou como eliminar a divida sem dinheiro e sem burlar a lei. Fiz o que ele disse e pimba, deu certo.

Para encerrar, a bíblia encerra uma palavra de Jesus, com uma sugestão heterodoxa que me parece muito plausível: “Não acumulem para vocês tesouro na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”. Mt. 6:19 a 21

Esse sabia das coisas, se não me engano.

morcego-12


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