A Gruta do Lou

O Tigre e o menino

O tigre e o menino[/caption]

Resolvi escrever esse texto a partir de um comentário que fiz no perfil Facebook de nossa querida amiga Christhiane Rodrigues onde ela menciona o infeliz acontecimento onde um menino acabou perdendo um braço ao tentar brincar com um tigre, no zoológico de Cascavel – Paraná.

Eis meu comentário, ampliado aqui:

Minha opinião sobre esse acontecimento lamentável, mas sempre previsível, vem desde o tempo em que, acredite se quiser, trabalhei (era professor de Educação Física), em várias escolas (pré e fundamental) e onde uma visita ao zoológico, anualmente, era de lei na agenda das escolas, sem exceção. Em todas as reuniões de planejamento que participei, quando a agenda era elaborada, fui voto vencido ao questionar essa atividade e outras (como os tais acampamentos e outras excentricidades), entre outras coisas, por ver falta de segurança nelas, inclusive. Sem falar que a maioria dessas atividades gerava um aumento de trabalho incalculável para o papai aqui e nunca, note bem, nunca aquele bando de sovinas me ofereceu um único centavinho a mais pela sobrecarga.

No caso dos zoológicos, você há os animais silvestres de um lado e crianças de outro que teimam em ser o que são, os animais insistem em ser animais e as crianças com aquela teimosia (vista no vídeo do menino que perdeu o braço) incompreensível de serem crianças. Sabe gente, animais são imprevisíveis, sempre, por mais bonzinhos que pareçam. Nenhum, note bem, por mais manso e domesticado que seja, está livre de um momento de raiva ou atitude surpreendente. Quem não se lembra dos dóceis elefantes atirando pedras enormes na população, na Índia ou do crocodilo que quase engoliu um menino brasileiro em Miami – Fla – EUA?

Poucas pessoas dominam a habilidade identificar quando um animal está estranhando alguém ou alguma situação. Cesar Milan, é quase único. Alguns dão a dica pelas orelhas, outros pela respiração e há os que sinalizam pela forma de olhar. Mas os tubarões, por exemplo, não têm orelhas e é difícil observar a respiração das cobras. Algumas aves eriçam as penas, mas nem todas e vai por aí. Pior é conseguir prever quando uma criança está prestes a sair da linha. Muitas vezes, nem as mães logram êxito nesse quesito.

Nós sempre criamos cães em nossa casa. Até 2009, tínhamos uma cadela pastor alemã que era extremamente dócil. Mas sempre tivemos muito cuidado para evitar que pessoas estranhas a ela se aproximassem, em especial as crianças. Uma vez ela avançou no carteiro, a vítima predileta dos cães, quase pegando o braço que ele havia colocado sobre o portão para entregar a correspondência. Foi uma atitude inédita, mas jamais imprevisível. Há quatro anos, nós adotamos uma cadela de porte pequeno e sem nenhum pedigree. Nós gostamos muito dela, tanto quanto dos anteriores, mas os cuidados continuam os mesmos. Ela avançou em uma ou duas ocasiões em pessoas que não eram da casa, surpreendemente, mas nunca imprevisivelmente. Nós nunca incentivamos, de forma alguma, esse tipo de atitude.

Imagine então, animais silvestres de grande porte, ou mesmo os menores, por melhor que eles tenham sido treinados, adaptados, educados, eles nunca perderão sua índole de animal. Se provocados, poderão ter atitudes surpreendentes. Às vezes, mesmo sem qualquer provocação aparente, eles podem atacar. Há milhares de registros a respeito.

Quando saio pelas ruas, canso de ver crianças subestimadas. Pais que deixam suas crianças andarem soltas em calçadas estreitas, sentarem ou debruçarem em lugares altos sem proteção e/ou atenção dos responsáveis. Eles não têm a menor ideia, a meu ver, de que suas crianças poderão, por milhares de motivos, surpreende-los com uma disparada, muitas vezes em direção ao leito das ruas. Uma vez eu não atropelei uma criança que escapou da mãe na calçada e atravessou à frente do meu carro. Tive vontade de estrangular aquela mulher. Depois, mais calmo, percebi que eu, como todos os demais motoristas, sou responsável por crianças que a qualquer momento podem ter uma atitude repentina e cruzar o leito carroçável. E não são só as crianças, idosos e mesmo as pessoas entre essas idades, podem fazer algo inesperado, independente da educação que seus pais lhes deram.

Já contei em outro texto sobre uma vizinha do condomínio onde morávamos que desejava proibir as crianças de brincarem na garagem do prédio. Elas faziam isso porque os espaços para elas eram escassos. Na mesma hora, sugeri tirarmos os automóveis da garagem e deixar o espaço para as crianças. Fui voto vencido claro. Todo mundo sabe e eu e muitos outros estamos, inclusive, literalmente carecas de saber, que há pouco ou quase nenhuma preocupação com as pessoas, em especial crianças, idosos e pessoas com limitações físicas. Os condomínios, prédios e até casas melhoraram, mas ainda estão longe de serem absolutamente seguros.

Morro de medo quando estou na plataforma do Metrô e lá vem uma mulher ou mesmo uma família apinhada de filhos e os deixam soltos, sobretudo quando o trem adentra o local de embarque. Não entendo porque aquilo é totalmente (às vezes parcialmente) aberto. Não custaria tanto fazer acessos fechados ficasse resguardadas dos acidentes, inclusive em situações inesperadas, não só nesse caso, mas em todos os locais de embarque e desembarque, tanto de trens quanto dos outros meios de transporte. Isso existe em muitos lugares, geralmente nos chamados países do primeiro mundo.

Existem muitos outros perigos espalhados por aí, tais como piscinas, lagos, represas, os tais esportes radicais, as trilhas, enfim, a lista é imensa onde as pessoas correm riscos, muitas vezes sem saber e também sem contar com situações surpreendentes. Sou da opinião que se não podemos fazer algo com segurança total, melhor não fazer. A relação ser humano – animais ainda é preocupante, na maior parte das vezes. Aqueles idiotas que fazem programas para a TV agarrando jacarés pelo rabo, montando leões, pegando cobras, etc., alguns até já perderam a vida praticando essa imbecilidade, precisariam ser impedidos e condenados a dar aulas às crianças sobre os riscos que essas atividades representam, no mínimo.

Para mim, nesse caso do Tigre Hu e o menino, o que está errado é essa coisa pré-histórica de colocar animais em habitats impróprios para exposição e divertimento das pessoas. Se não houvesse zoológico e animais enjaulados, muito menos um tigre que nem é próprio de nossa fauna, esse acidente (e tantos outros) não teria acontecido. Isso poderia acontecer à criança mais educada da paróquia, em um repente imprevisível de curiosidade, muito comum em crianças. Sugiro que os responsáveis por esse e todos os outros zoológicos sejam sacrificados, quem sabe sendo enjaulados e expostos à visitação pública por determinado período ou algo parecido. Se não der, que sejam obrigados a pagar uma bela indenização a essa criança (e a todas as demais vítimas), vitalícia, inclusive, se não me engano.

morcego-12

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