A Gruta do Lou

O Silêncio

Segundo Paul Tornier, todo conselho esconde uma crítica velada, a menos que tenha sido solicitada. Gostaria de parar de falar, responder quando for perguntado, apenas, como o Mack de A Cabana ou o pai de Kenneth Hagin que passou os últimos quarenta anos de vida sem dizer qualquer palavra. Gosto de falar sobre Deus e mais um ou outro assunto, mas a poucos interlocutores. Minhas idéias pobres e meus raciocínios primários não interessam a ninguém ou seria péssimo constatar alguém agindo segundo minhas tolas indicações, suprimindo a capacidade básica do ser humano, ou seja, o pensar.

Perguntado no programa Roda Viva sobre o pensamento positivo, Patch Adams saiu-se com essa: “Pensar positivo seria um luxo, se conseguirmos levar uma pessoa a pensar, apenas, obteremos um ganho fantástico. Minha sensação me diz que respostas prontas ou o compartilhar de minha experiência impede as pessoas de pensarem e isso é péssimo.

Cada vez mais, encontrar uma pessoa capaz de pensar torna-se algo raro. As pessoas buscam respostas fáceis e tem preguiça de pesquisar as respostas dentro delas mesmas. Registro flagrantes de mim mesmo fazendo isso, o tempo todo. A minha memória enfraquece. Quando tento lembrar de qualquer fato, tudo que consigo lembrar é o Google.

Não tenho nada a dizer-lhe esta manhã. Nada que você mesmo não seja capaz de pensar. Meu melhor conselho é o meu silêncio.

15 thoughts on “O Silêncio

  1. Constantemente eu tenho essa sensação…paramos de
    pensar? Ficamos só observando, pesquisando resultados?
    É uma realidade muito estranha…mas é real.
    Vivemos cada um no seu casulo, tudo muito prático, tudo
    muito à mão.
    Com quantas pessoas eu conversei hoje? Pra quantas eu
    dei um olá, um sorriso, um abraço?

    Se pensarmos descobriremos um universo à nossa frente.

  2. Silêncio é bom e descansa o cérebro para os futuros pensamentos. Caso contrário não veríamos a placa silêncio nas bibliotecas.
    Meu jeito filosófico sem sentido de fazer silêncio.
    Psiiiuuuu!

    Nada a dizer, só silenciar.

  3. Já Gandhi disse que o homem arruína mais as coisas com as palavras do que com o silêncio.
    Continuo a acompanhar-te … em silêncio! 🙂
    DTA

    Mas suas palavras fazem uma falta…

  4. Perguntaram pra Madre de Calcutá: o que a senhora diz em suas orações a Deus? Ela: nada, eu só escuto. E Ele, o que diz? Nada, Ele só escuta.

    Essa era uma velhinha arretada. Pena que Deus a tenha levado tão cedo.

  5. Essa é uma boa copilação de excelentes sacadas que, antepostas ao seu pseudosilêncio, me fazem pensar por que não havia pensado nisso antes…

    Que história é essa de pseudo silêncio? Por acaso você está insinuando que falei, dizendo para não falar? 🙂

  6. Olá Lou, meu amigo

    Há já bastante tempo que não vinha até aqui.

    Porém continuo a achar que este é um lugar muito bom para se vir…

    Quanto ao Silêncio,sou adepta a cem por cento.

    Eu para andar bem…necessito do meu tempo de silêncio diário.

    E falou em pensar?

    Pois saiba que eu até tenho receio de estar gastar demasiado tempo a fazê-lo.

    Mas é muito bom pensar.

    È mesmo excelente pensar.

    Desejo-lhe um bom entardecer

    um abraço

    viviana

    Olá Viviana, bom ter você aqui conosco. Todos os dias confiro seu blog. Infelizmente não consigo comentar como antes por falta de tempo, mas não se iluda, o patrulhamento continua, como diria meu amigo Brabo.

  7. Peraí Lou ,eu só não entendi porque você citou o pai do Kenneth Hagin,queria que ele fizesse o que? Coitado ser pai do Hagin não deve ter sido nada fácil.

    Oh, Aleluia! Não sei se você foi o único a ler tudo, mas estava aí o tempo todo e só você notou. Se a Nelson Publisher tivesse enviado uns livros para presentear nossos leitores, (como faz em blogs menos expressivos 🙂 ) você teria ganho um por essa sua perspicácia única.

  8. Um dia Henry James me deu uma folha em branco e sussurou em meu ouvido: quer aprender a escrever? esse é todo conselho que posso te dar.

    Sou-lhe imensamente grato.

    Pelo jeito ele acertou em cheio.

  9. Taí Lou.

    Chegamos no post que deu origem ao meu sumiço.

    Silêncio. É o meu grande problema, ou melhor, a falta de.

    Estive desde que o li, praticando a frase do Patch: antes de pensar positivo bete, tente pelo menos pensar.

    Tão difícil para uma mente agitada e doentia como a minha, tão difícil…

    Entregar-me a calmantes, será abdicar de um restinho de vitalidade, necessária para ser o motor de algumas gentes que moram aqui comigo. Então o que fazer?

    E tem também o problema do problema. Minha mente agitada me é útil, em muitos momentos. Minha excelente memória já me salvou de muita encrenca em ambiente profissional. Minha rápida associação de idéias me proporciona momentos bons.

    Encontrar o divisor de águas nisso tudo é o meu dilema.

    Fora que não sou realmente muito boa em pensar, muito menos em verbalizar. Uma vez meu filho pequeno me pediu que falasse de um tema que não me lembro, pra ele desenvolver uma redação. Eu dizia, filhinho, não sei, não sou capaz de dizer nada, me dá um papel que eu escrevo. Ele insistia que eu dissesse, eu insistia em que ele me desse um papel, ele achando que era má vontade. Quando ele finalmente me deu um papel, eu desenvolvi o que ele queria.

    Mas o meu problema, Lou, é que eu não posso andar com um pedaço de papel pela vida. Então eu vou levando desaforos, ouvindo opiniões idiotas que não consigo refutar, coisas assim, e isso embaralha demais a minha cabeça. Então nos momentos de solidão, falta silêncio. Ai, desculpe, fiz terapia.

    Essa eu não posso perdoar. Terapia? Mamamia! Me sinto péssimo. Mas assumo a culpa. Esqueci de avisar que não era para ser nada radical. Só praticar o silêncio, calar mais do que falar, não ter medo de ficar sozinho consigo mesmo e não se surpreender quando descobrir quem você é realmente.

  10. Uai, foi o que eu fiz dôtor… exatamente isso, quer o pagamento como? de repente posso ir até aí e tipo, lavar umas vidraças…

    Acho que você sabe bem o que fez. 🙂

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