A Gruta do Lou

O Segredo do Natal

Madre Basilea Schlink

Palavra de introdução a esse post por Lou H. Mello

“Lendo o livro “Encontrei a Chave do Coração de Deus” de Basilea Schlink dei de cara com um parágrafo cujo título é “O Segredo do Natal”, entre muitas outras importantes vivências. A irmã Basilea com sua irmandade descobriram “o segredo abençoado do Natal”, mais um, se posso me arvorar nesse terreno.

Entretanto, maioria dos cristãos, pouco valoriza ao Natal, não o natal dos vendedores de presentes e os receptores, diria ser uma oportunidade de comércio e nada a ver com o Natal do nascimento de Jesus Cristo.

No andar do texto abaixo, encontrarão a questão do “segredo abençoado do Natal” mas há muito mais, ou seja a Gruta onde nasceu Jesus, em Belém, outro importante segredo dos evangelhos, aliás, ali tudo é segredo a ser descoberto a quem crê por acreditar em Deus Pai, Filho e Espirito Santo.

Gostei muito, me ajudou tremendamente e desejo ver cada leitor feliz ao descobrir grandes mistérios. É um texto um pouco longo e um tostão de um excelente livro, ou mesmo um belo presente, capaz de mudar suas vidas para muito melhor e depois a vida eterna com Ele.”

 

O Segredo de Natal

 

Madre Basilea Schlink – Irmandade de Maria

 

Durante os primeiros meses de reclusão, antes do Natal de 1952, as semanas foram longas do Natal de 1952, as semanas foram longas e escuras.

Mas ocasionalmente, Deus na Sua graça, me concedia uma luz. O segredo abençoado do Natal – Deus encarnado – me foi revelado de maneira totalmente nova. Subitamente eu tive um relacionamento mais profundo com a Criança da manjedoura, que se tornou muito real para mim. Muitas vezes, era acordada à noite e, apesar do sono, compunha hinos sobre o Menino Jesus, sob a inspiração do Espírito.

Para a maioria de nós, na Irmandade, o segredo do Natal havia sido questão intelectual até aquela época: um conceito, um pensamento, um fato, uma tradição, mas não um acontecimento vivo ou uma fonte de vida divina. Deus queria preparar-nos um Natal capaz de mudar nossos corações e traria uma nova dimensão às nossas vidas espirituais.

Os hinos me haviam dados pelo Senhor, como parte do Seu plano para despertar um amor mais profundo e mais adoração por Jesus, a Criança da manjedoura.

Apesar desta época de preparação espiritual para o Natal, a ansiedade apareceu no meu coração. Será uma repetição do Natal decepcionante cuja celebráramos dois anos atrás? Naquela época, 1950, a comissão de Deus de construir uma capela começara a se realizar, e o amor despertara no meu coração um desejo de Deus recebendo adoração.

Para aquela festa de Natal recebi em oração vários poemas e hinos de adoração ao Menino Jesus. Tentei descrever em cores vivas às Irmãs como o menino Jesus conquistaria nossos corações, despertaria amor em nós, nos encheria de alegria profunda ante Sua vinda, e acenderia em nós a chama da adoração.

Mas quando o Natal chegou, nem conseguia acreditar. Não havia chama alguma no coração de minhas filhas espirituais. Os hinos não haviam sido ensaiados; não havia profundidade na adoração e prevalecia um atmosfera de monotonia. Fiquei muito triste! Como poderíamos construir uma capela, se o amor de Jesus não ardesse em nosso coração, e se não houvesse um espírito de adoração?

O Senhor não me mostraria o fato de termos um coro de Irmãs cantando canções de adoração no poder do Espírito Santo? O céu e a Terra inspirando muitos outros a se unirem em adoração. Mas no Natal de 1950 não havia sinal desse espírito de adoração.

No Natal do ano seguinte, 1951, foi preciso suprimir o coral temporariamente, porque os cânticos, a que faltavam fervor, vida divina e espírito de adoração, me pareciam mais um insulto a Deus. Consequentemente, ficamos sem coral por vários meses, durante os quais oramos e sinceramente imploramos ao Senhor nos livrar de todos obstáculos a fim do Espírito pudesse repartir nova vida à nossa música e louvor. Seria diferente o Natal de 1952?

Quando saí do recolhimento para celebrar o Natal com minhas filhas espirituais, meu coração se encheu de ansiosa expectativa e amor pelo Menino Jesus. Uma vez mais, porém, um grande peso caiu sobre nossa Capela de Sião na véspera e no dia de Natal.

Era meu desejo profundo o Menino Jesus receber verdadeira adoração de nossa parte dessa vez e o céu descesse a nós. Foi então, no segundo dia de Natal, houve uma transformação – um milagre do Espírito Santo. Nossa Capela de Sião não era mais apenas um lugar de encontro, onde se fazia uma palestra sobre o segredo do Natal, quando minhas filhas poderiam ouvir atentamente e depois cantar alguns hinos e canções de Natal.

Transformaram-se num “salão de festa celestial”. Como os pastores se apressaram a ajoelhar e adorar a santa Criança em Belém, assim as Irmãs se ajuntaram em pequenos grupos ao redor da manjedoura no centro da sala, cantando ao Menino Jesus em fervoroso amor.

Até muito tarde cantávamos os hinos de Natal bem conhecidos, além dos novos hinos o Espírito de Deus me houvera dado para este festival, enquanto estava em recolhimento.

 

Bebê maravilhoso,

Por anjos engrandecido,

A glória irradias

Que vem do Deus Altíssimo!

O infante, clara imagem

Do imenso amor de Deus.

Que ousem pecadores louvar-Te

Como fazem os anjos!

Desde a nós desceste,

O céu parece tão próximo;

Trouxeste-o para perto de nós,

O radiante Estrela da Manhã!

O amor desceu contigo.

Para entre nós habitar;

O êxtase para os pecadores.

Sua sede satisfaz!

 

Compúnhamos versos de improviso, cantando-os ao Menino Jesus louvando-O por tudo Ele é e por tudo nos trás – perdão dos pecados, alegria, amor uns pelos outros e assim um vislumbre do céu.

Volitaríamos então à manjedoura, cheias de louvor e adoração por Deus ter assumido a forma humana, tornando-Se um bebê por amor de nós. Nossa adoração não tinha fim, renovava-se constantemente.

O menino Jesus era real para nós; aquele acontecido em Belém há muito tempo atrás tornara-se um acontecimento presente. Naquele ano celebramos o Natal, o festival de louvor e adoração como nunca dantes. Tudo estava envolvido pelo brilho do céu.

Tudo estava envolvido pelo brilho do céu. Como o Natal era muito curto, continuamos celebrando até a Epifania. Todas as noite reuníamos adorando a santa Criança até de madrugada. Durante aquelas duas semanas de Natal passei com minhas filhas espirituais, realmente tivemos uma previsão sobre como será o céu. Como estávamos felizes juntas – a alegria compensava mais pelos tempos e passávamos separadas.

O Menino Jesus nos transformou em crianças – felizes espontâneas, simples e carinhosas. Ele havia começando e livrar-nos de nossa gravidade, orgulho e sofisticação. A semente verdadeira adoração estava plantada em nosso coração.

Não mais podíamos ficar em volta da manjedoura como “adultos”; ajoelhávamos diante dela como crianças, enquanto apresentávamos nossa adoração. O Menino Jesus é Amor eterno, Amor encarnado, havia escolhido para amarmos umas às outras, vivendo juntas em completa reconciliação.

Mas não foi só isso. O amor acende uma nova vida. Uma enorme comissão cresceu a partir desse dom divino recebido no Natal de 1952.

No ano seguinte convidamos os amigos e vizinhos para adorarem conosco e enquanto estava em recolhimento, o Senhor me inspirou a escrever uma peça natalina, muito simples executada por nós na Capela da Casa Principal em 1953.

Não tínhamos qualificações para executar ou produzir teatro religioso, muito menos talento ou experiência, mas o amor pelo Menino Jesus foi a inspiração dessa peça, uma resposta à oração urgente dos outros também trouxeram e Ele seu amor, sua gratidão e adoração, passando a viver em amor e reconciliação.

Lá pelo fim da peça, algumas das Irmãs vieram à manjedoura e estava na capela e, em pé ou ajoelhadas, cantavam hinos de adoração. Então uma das pessoas da congregação se adiantou para acender sua vela e outros o seguiram.

Enquanto cantavam hinos de oração ao Menino Jesus, algo maravilhoso aconteceu. Duas famílias em tempo de brigas, reconciliaram ante à manjedoura. Que vitória maravilhosa para o Menino Jesus e sendo Amor eterno!

Ele viera à Terra para o amor triunfar. Jesus provou ser o Senhor vivo e ainda hoje modifica a vida das pessoas, permitindo viverem em amor. Na verdade, quando Jesus recebe amor e adoração, os resultados são de longo alcance.

Desde o mistério do Natal nos fora revelado, seu impacto tem sido crescente dm muitas vidas. Durante o tempo de recolhimento, antes do Natal de 1952, quando o Menino Jesus se aproximou tanto de 1952, quando o Menino Jesus se aproximou tanto de mim, inspirando-me a compor hinos a Seu respeito, recebi a segurança interior dele começar Sua marcha triunfal. E foi isto mesmo o acontecido.

Alguns anos mais tarde, as repercussões daquele Natal se fariam sentir até na Gruta Natividade em Belém. Quando nossas Irmãs começaram seu ministério no Monte das Oliveiras, em Jerusalém, compartilhei com elas minha tristeza pelo fato desta Gruta ser cenário de rivalidade entre várias denominações, manifesta principalmente na véspera de Natal justamente na época quando o amor e a reconciliação deveriam ter a primazia.

Além disto ficava triste por Jesus também, ao verificar a maioria dos turistas passava rapidamente pela Gruta, sem um pensamento a respeito daquele (Jesus) nascera ali, até mesmo naquela noite santa.

Minhas filhas, também, levaram a sério esta situação. Fizeram, como assunto principal de oração e alvo de fé, o pedido de muitas pessoas, todos os anos, durante o Natal na Gruta, fossem despertadas pelo amor do Menino Jesus, sendo levadas a oferecer-lhe gratidão e louvor. Contrariando todas as expectativas humanas, o incrível aconteceu. Multidões de turistas normalmente passavam apenas alguns minutos na Gruta, tirando uma ou outra fotografia, permaneceram cativas pela presença do Menino Jesus, enquanto nossas Irmãs cantavam hinos de louvor e adoração.

Logo a Gruta se transformou em um lugar santo de adoração. Durante muitas horas, hinos de louvor transbordavam de corações reverentes, de pessoas representando muitas nacionalidades. Cristãos e não Cristãos, inclusive muitos jovens, juntaram-se à adoração e até o guarda muçulmano esqueceu o seu dever.

Depois de ouvir durante duas horas, ele voltou-se às Irmãs e disse baixinho:

“Sabem, vocês estão fazendo agora, nunca permitiram antes?”

Esta cena de adoração e louvor, porém, tem-se repetido a cada véspera de Natal, em Belém. Nossas Irmãs não somente cantavam hinos de louvor na Gruta, mas também puderam espalhar a alegria do Natal nas ruas de Belém, apinhadas de turistas e peregrinos, inclusive muitos judeus atraídos pelo segredo do Natal, além de alguns hippies espiritualmente famintos. Enquanto nossos cumprimentos de Natal eram feitos, era fácil notar a apreciação principalmente nesses jovens, cujos rostos tristes se iluminam por um instante.

Madre Basilea Schlink com Madre Maryria

 

Deus se tornou homem, nasceu como criança. Em muitos lugares, o segredo da encarnação era redescoberto e compartilhado. Como raios de luz que entram em ruas escuras ou lugares , remotos a gloriosa mensagem do Natal, os hinos de louvor e adoração se espalharam. E não foi apenas em Belém.

Aqui na Alemanha, no centro de nossa cidade, as irmãs armaram uma manjedoura com o Menino Jesus em uma das praças principais. No meio do corre-corre das compras de Natal, ouvia-se o cântico de hinos enquanto crianças se ajuntavam alegremente ao redor da manjedoura, jovens desnorteados completavam a cena ansiosamente e adultos passaram a participar dos hinos de adoração.

Em um mercado de Berlim, num espaço entre mercadorias de Natal, nossos Amigos de Canaã montaram, também, em uma manjedoura e cantaram hinos de louvor. Outros ajuntavam a eles, pois sua atenção era desviada dos anúncios vulgares e espalhafatosos: a Criança na manjedoura captava toda a atenção.

Os efeitos de tal louvor e adoração foram de longo alcance. O Menino Jesus ganhava corações em muitos lugares: Inglaterra, no centro de Coventry, onde foi montada uma manjedoura: nos bairros mais pobres de nossa cidade: nas reuniões com amigos grego-ortodoxos em Tessalônica; entre os convertidos da Itália e Jerusalém; em programas de Natal no Arizona (Estados Unidos); e em programas de rádio através de emissoras militares, dirigidas e tropas americanas na Europa.

Os hinos de nossos discos de Natal, nossas caixas mensageiras (que continham folhetos e cumprimentos de Natal), colocadas em lojas e salas de espera e nossas cartas de Natal enviadas a muitos países, tudo isto ajudou a levar o Menino Jesus a muitas almas. Os tristes se alegravam, os adultos se transformavam em crianças, porque o Menino Jesus tem todo o poder e glória. Um bispo, um cientista e um antigo ator, por exemplo, se ajoelharam ante a manjedoura para cantar hinos de louvor ao Menino Jesus.

Muitos hóspedes de nossa casa de retiro. “Alegria de Jesus” aprenderam novamente, ante a manjedoura o que significa adorar a Deus com alegria como Ele mesmo requer de nós.

A Bênção recebida naquele Natal parecia não ter fim. Aquela simples peça de Natal apresentada em 1953 por nós, deu origem a nossas ‘Peças Heráldicas” tem sido usadas para levar a mensagem da qual Deus nos encarregou a milhares de pessoas no decorrer dos anos. Através dessas peças, muitos ouviram o chamado do Senhor para segui-Lo, aprendendo a confiar no Pai.

Qual das minhas filhas poderia ter imaginado em 1952, quando estive separada delas, sozinha no meu quarto, que a comunhão do amor de Jesus durante o tempo de recolhimento teria efeitos de tão longo alcance?

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