A Gruta do Lou

O Mito Emprego

Enquanto o jogo não começa, resolvi escrever mais um post. A razão é o mito emprego. Em meus anos de mendicância, tenho recebido o inédito conselho para arrumar um emprego, de várias formas, vias diretas, indiretas, cibernéticas, etc. Claro que eu nunca havia pensado em uma opção dessas antes desse conselho. Isso jamais me passaria pela cabeça. Certamente, o cara precisa de um QI muito mais elevado do que meus parcos 128 pontos, para ser capaz de pensar uma solução tão elaborado quanto essa. Bom, incompetências à parte, desde que li o livro “O Fim dos Empregos” comecei a desenvolver uma série de pesquisas e teses sobre o tema. Minha única motivação para tanto, confesso, sempre foi meu próprio infortúnio. Depois de iniciarmos a Gruta, hoje Caverna, esse blog que só me dá alegrias, tirando as tristezas, comecei a admitir a possibilidade de abençoar mais gente, além de mim mesmo. Sabe como é, caverna lembra refúgio de endividados e se há uma característica comum entre esses párias, sem dúvida, é o desemprego ou o subemprego. Estranho, mas emprego pode não ser a melhor solução para um endividado. Primeiro porque se o nominho dele estiver no SERASA, SCPC, cartórios e todas essas porcarias a serviço do capitalismo selvagem (e não estou pregando o socialismo) o cara está meio morto e dificilmente arrumará um trampo com carteira assinada e as costumeiras enganações do sistema trabalhista do senhor Getúlio Vargas, aquele pulha. Depois, serão objetos de cerceamento a idade, o estado civil, a aparência e por último competência e experiência ou a falta delas, sem falar na diminuição significativa dos postos de trabalho, em escala generalizada. Pessoal não acredita, mas, há uns oito anos, mantenho meu currículo em dois dos maiores sites de busca por empregos da internet tupiniquim. Não pense você que limitei a busca só para vagas relacionadas à minha formação, mas o resultado tem sido frustrante. A melhor indicação de vaga que recebi deles  foi a de gerente de loja de calçados na baixada fluminense, o que considerei algum tipo de gozação, obviamente. Só faltava os caras me oferecerem vaga para vender sapatos na Biafra. Entretanto, o melhor dessa história são as minhas experiências antropológicas. Certa vez, dez anos atrás, estava na av. Prestes Maia Celso Garcia, ao lado do templo da Igreja Universal e vi uma placa pendurada no balcão da recepção de um prédio, informando haver vaga para zelador. Fui lá e pedi para falar com o responsável sobre o trampo. O cara quando me olhou de cima a baixo, disse na lata: o senhor me desculpe, mas estamos procurando alguém mais jovem, de qualquer modo, deixe seu telefone e ligarei depois. Em 2006, o posto de gasolina aqui perto de casa estava recrutando frentistas, a R$ 480,00 por cada, então fui lá e me candidatei ao cargo. Passei por uma minuciosa entrevista de uns três minutos, devido a interrupções constantes do caras querendo troco, e o responsável me informou que, infelizmente, todas vagas tinham sido preenchidas antes de minha chegada. Deixei meu telefone para ele me informar assim que houvesse uma nova e, até hoje, ele não me ligou. Poderia relatar mais umas muitas tantas outras situações desse tipo. Tudo isso tem contribuifo muitíssimo para a minha auto estima, especialmente se considerarmos as minhas capacidades.  A verdade é que tenho muito trabalho a fazer com o Projeto Coração Valente e o Cleaner. O problema é meu trabalho não ser remunerado, e assim, meu sustento fica na dependência de esmolas, pelo amor de Deus. Caso você tenha um emprego a me oferecer, pode entrar na fila do pessoal que está querendo me ligar com a mesma finalidade. Quem sabe você tem mais sorte do que eles.

6 thoughts on “O Mito Emprego

  1. Pingback: Lou Mello
  2. É exatamente assim… E felicitações pelo humor!
    Acho que o problema não somos nós dois. Nem esse outros ali…
    Tudo tem mudado muito. Desde finais dos 70 os valores tem sido trocados por….nada! vazio! buraco negro!
    Adão conseguiu!!! O poder é nosso!!!Não há trabalho. Não há dignidade. Não há respeito. Não há objetivos, nem projetos, nem desejos, nem sonhos… Kafka também conseguiu: todos não somos mais que baratas!!!!e tontas!!!!
    Nós, cristãos, será que não somos mais os encarregados de fazer a diferencia?…a maioria não…Se apropriam do Evangelho como de um catálogo da Bloomendale…escolhem o que acham que precisam, só falta indicar o número do credit card…pois Deus para muitos virou griffe!!!!
    Só resta clamar com Bartimeu: Jesus Cristo, Filho do Deus Altíssimo, tem misericórdia de nós!!!!

    Tenho uma vaga esperança de que ainda seja possível à igreja resgatar alguns valores fundamentais. Só peço a Deus que não seja através de outra daquelas guerras hediondas cuja história está repleta.

  3. Lou, quando eu fiquei desempregado por mais de 2 anos também recebia várias vezes esse conselho. As pessoas imaginam que não consideramos a possibilidade de trabalhar. Tudo o que um desempregado não precisa é que alguém o aconselhe a procurar emprego.
    E você tem razão. Há muito, muito trabalho no mundo, mas remuneração que é bom, necas.
    Esse mundo é cruel. Criamos as relações de trocas mediadas pelo dinheiro, mas não dispomos de meios para obtê-lo. O dinheiro é um farsa, assim como o é o emprego.
    Outro dia eu indiquei pra você um concurso, acho que pra professor de educação física. Quero que você saiba que nunca me passou pela cabeça estar aconselhando-o a procurar emprego. É simples, cargo concursado não é emprego. Eu o vejo como uma forma de garantir uns trocos com uma boa margem de segurança, sem o fantasma da demissão fungando nas costas.
    É claro que para anarquistas como nós é um contrasenso querer trabalhar para o Estado, mas, como diz um amigo meu, já que estamos no prédio errado, não importa em qual andar vamos descer. Tanto faz.
    E assim vamos. Eu trabalho num banco, que vende dinheiro a desesperados, cobrando caro, e que põe o nome das pessoas no serasa. Não sei se Deus terá misericórdia de minha alma.

    Ah, ah, ah…, você me fez dar boas risadas. Eu escrevo essas coisas pensando na sogra, não na mãe da minha esposa, mas no estereótipo, sabe aquela mulher dizendo: vagabundo, vai procurar trabalho, etc. Juro que sua amável oferta nem me passou pela cabeça. Inclusive, o Robson Ramos me mandou as diretrizes para um concurso e fiz a inscrição, só que o protocolo chegou dois dias depois dos exames. Minha benção não está nisso, definitivamente e, como você disse em seu paradoxo, “não sei se Deus terá misericórdia de nós’.

  4. Eu sou doida por um emprego, mas só tenho trabalho árduo.

    Já pensou em pensamento positivo? Dizem que funciona. 🙂

  5. The secret?
    Lou, se eu for embarcar nessas coisas daqui há pouco estou no candomblé.

    Não tem importância. O candomblé deve ser uma religião como outra qualquer, onde você recebe pouco e tem que dar muito. 🙂

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