O Missionário

Albert Schweitzer


 

Outro dia, me vi envolvido em uma discussão no perfil Facebook do Oswaldo Paião com um jovem idealista. Opinei da necessidade da Igreja ser igreja, sabe como é, no velho molde jesuíta, ou seja, “A minha casa será chamada Casa de Oração”, no atual clima de manifestações e engajamentos políticos. O cara veio para cima cheio de gás argumentando a favor de uma igreja engajada com o momento político, preparando os jovens (principalmente) para participar, indo às ruas, etc. Devo ter respondido duas ou três vezes e depois achei melhor parar. Tava na cara a impossibilidade daquilo acabar com algum final feliz.

Mas fiquei pensando no assunto. Uma pergunta passou a me perseguir, ou duas ou três quem sabe: “Qual a coisa certa a fazer?” “Qual a pessoa certa?” e “Qual a hora certa para fazer?” O pressuposto básico a meu ver é: “As ações da igreja devem ser sempre espirituais”.

Não há nada espiritual em sair as ruas passeando acompanhando pessoas com ligações perigosas, se não me engano. Mesmo porque, essas ações envelheceram tanto quanto eu. Hoje, as redes em forma de mídias sociais me parecem infinitamente mais eficazes. Creio ter apoio nisso, inclusive de muitos agnósticos e/ou não religiosos.

Com a história dos médicos cubanos (e outros estrangeiros) da Dilma, uma ideia apareceu por aqui, na cuca mesmo. Há algo à mão da igreja, com a qual ela poderia responder à altura e participar com seus próprios meios, sem deixar de ser espiritual ou muito pelo contrário, sendo absolutamente espiritual.

Fui um missionário. Meia boca, sem direito a fazer parte dos anais das missões brasileiras, pelo menos não na visão da Barbara Burns por quem nutri grande respeito, durante meu tempo de militância missionária. Ela foi responsável por desenvolver o capítulo sobre a atividade missionária brasileira no livro “…Até os confins da Terra.” De Ruth A. Tucker. Lá estão vários medalhões de missões, pessoal ligado ao trabalho catequista junto aos indígenas, especialmente, Missão Antioquia da qual ela fazia parte, como diretora inclusive e uma das organizações contribuintes da minha primeira viagem à Albânia em 1979 para verificar a situação por lá. Há menção à criação da AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras) idealizada pelo Dr. Dale W. Kietzman e tendo a mim como um dos participantes da organização da reunião onde ela foi concebida, inclusive com a minha inserção como um dos membros da primeira diretoria dessa entidade. Mas a Barbara, embora me conhecesse razoavelmente bem, resolveu me limar dessa história. Nessa altura, como diria um outro companheiro igualmente limado pela irmã gringa, acredito ter sido um bem a nosso favor.

Não sei se você já descobriu a solução do meu enigma, mas vou ajudar quem ainda não percebeu. A resposta à primeira pergunta seria enviar missionários a Cuba para ver como andam os cristãos por lá de fato. Poderíamos começar apoiando o trabalho do Zigfried Zils, pois ele tem feito isso nos últimos trinta anos e é outro esquecido da Barbara. Na rota dos missionários, poderia estar incluído visitar as famílias dos médicos em terras brasílis, inclusive. Na volta, esses missionários poderiam relatar suas impressões pelas nossas igrejas, escrever artigos e posts para delírio geral.

À segunda pergunta, tenho uma resposta imediata e menos precoce. Bom, eu posso começar a viajar para Cuba, se houver apoio e mais ninguém disposto a fazer o sacrifício. Mas prefiro (a segunda opção) deixar isso por conta do pessoal mais jovem, talvez aquele neófito atrevido cuja insensatez lhe permitiu trocar algumas palavras comigo. Quem sabe se ele começar agora, quando chegar à minha idade até poderá superar a minha experiência, e faço muito gosto nisso.

Outro dia enviei novos convites para refazer os amigos do Facebook, precipitadamente, e nossa amiga e irmã Grace Alonso respondeu de algum lugar da Ásia, onde ela se encontrava naquele momento fazendo missões por conta própria.

A última pergunta é a mais fácil, a hora é agora e sempre. Na verdade, a igreja nunca foi absolvida da tarefa missionária. Ninguém lá do céu mandou algum mandato para ela alienar-se apegando-se às coisas desse mundo. Jesus foi bem enfático nesse ponto, inclusive, se bem me lembro.

Evidentemente citei Cuba por causa dos acontecimentos recentes, mas poderíamos pensar no Oriente Médio, na Ásia e, sem dúvida, na África, continente predileto pelos laboratórios norte americanos e europeus para experimentos de novos medicamentos e outras invenções mercantilistas.

Quem sabe essa atitude não nos colocaria de volta aos trilhos construídos pelo Criador? De repente, até poderia pintar uma festinha lá pelos céus. Né?



Author: Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc.

Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. Escolas e Universidades praticam o monopólio dos diplomas e a ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá.

Valorizo muito mais os meus mentores, tais como Dr. Russel P. Shedd, Dr. Zenon Lotufo Jr. e Dr. Dale W. Kietzman.

Meu espírito é missionário. Plagiando o Amir Klink, “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para desejar estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Eu viajei e ainda pretendo viajar.

Atualmente, continuo acalentando o Projeto Corações Valentes, embora ele não tenha vingado ainda. Talvez sinta falta do Thomas, tanto quanto eu sinto.

Além de lecionar (Ef. Física e Teologia), ensinei organizações não lucrativas a fazer amigos para ter sustento e, também, tentei ajudar as pessoas a crescerem através da mudança comportamental. Sonho em treinar professores em prática de ensino, quem sabe…

A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito com potencial para me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.

Gosto música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei).

Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável para mim, e ainda me surpreendo com as pessoas lendo meus escritos, comentando, enfim.

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