A Gruta do Lou

O lugar de Deus

O Lugar de Deus
O Lugar de Deus


Olha, talvez você não tenha se dado conta, mas as pessoas quando vão à igreja estão precisando falar com Deus. Pior, os motivos delas são tremendos, situações e necessidades impossíveis para serem resolvidas pelo o gerente do banco, presidente da república, o pastor e/ou padre ou o psicólogo. O senso comum reza a Igreja como a casa de Deus e isso os atrai.

Se você acha essas pessoas ridículas ou tolas, certamente você não tem as mesmas necessidades pelas quais elas estão passando e/ou é um ímpio. Os ímpios, segundo a bíblia, não prescindem de Deus e muito menos de igrejas. Tudo vai bem na vida deles e eles não compreendem as pessoas e seus cultos igrejeiros maravilhosos. Só conseguem vê-los como fanáticos ou imbecis necessários incapazes de livrar-se dessas prisões.

Sei muito bem qual a causa da preocupação de grande parte das pessoas participantes das redes sociais, ou seja, as manifestações de rua motivadas via redes sociais. Sobre isso tenho pouco a dizer. Quando jovem dei um pouco de minha juventude em favor desse tipo de movimento, com o risco de perder minha vida, e isso não teria sido de grande proveito. Meu filho trabalha no centro do furacão e isso me tira a tranquilidade. Não por ele, pois é um cara equilibrado e sensato, mas há o tentador e eu não o menosprezo. Por último, meu resquício de predestinação me diz coisas do tipo “tudo sairá como tem de ser”.

Esses malucos (pessoal dos governos e partidos políticos) subestimaram Deus e Calvino, agora eles experimentarão aventuras incômodas, imprevisíveis e incalculáveis cuja insensatez não lhes permitiu suspeitar a possibilidade de lhes sobrevir, salvo engano. Um pouco é como aquela velha máxima “ninguém mente por muito tempo impunemente”. Então dou o maior apoio aos mais jovens e suas manifestações a partir das redes sociais e agora ganhando as ruas, em última análise, pertencentes ao povo todo, independente do status social. Chegará o dia em que todos perceberão que ir as ruas nem é mais necessário. As redes sociais podem ser, em si mesmas, tremendos movimentos sociais.

Enquanto isso, preciso me dedicar aos meus pequenos problemas. Oxalá pudesse me deleitar em favor de preços mais justos para o transporte público e outras injustiças mais contundentes existentes aos montes nesse mundo de Deus. Essa possibilidade não existe por aqui, no momento. Meus problemas começam por minha teologia e terminam com coisas mais práticas como pagar as contas, lugar para morar e trabalho, se bem que não tenho grandes esperanças nesse sentido, nessa altura do campeonato.

De novo me encontro naquele ponto onde tenho a forte impressão de não saber nada sobre Deus. Quando as pessoas se dirigem às igrejas em busca de Deus, encontram lá dois tipos de pessoas: primeiro um bando de gente com o mesmo propósito e sem saber nada sobre Deus e depois o pastor, um cara também com pouco ou nenhum conhecimento a Deus e seu séquito, geralmente, que fingem serem grandes conhecedores do divino. Acontece o mesmo com todo o sacerdócio em geral, incluindo padres, rabinos, etc. No meu caso, penso estar em estado de incredulidade mais adiantado em relação aos demais.

Estou careca (literalmente) por saber a verdade sobre Deus não estar em igreja alguma. Não condeno quem vai a Igreja para assistir um culto, especialmente desses mais modernos onde há de tudo, música, dança, números circenses, comédia e tudo mais. Em outras palavras, as igrejas podem funcionar muito bem como entretenimento, especialmente para quem não gosta de ouvir palavrões, apelação sexual e outros incômodos.

Isso tudo não significa não crer na existência de Deus. Ainda não caí tão baixo. Estou confessando não conhecer a Deus. As narrativas bíblicas me mostram Deus operando, trabalhando e/ou sendo Deus de diversas formas, mas, por outro lado, fica difícil estabelecer padrões, a atitude mais comum de quase todos os cristãos, sobretudo dos teólogos e pastores.

A mim, Deus parece agradar-se em nos surpreender com atitudes inesperadas. Esse procedimento me impede de estabelecer regras. Por exemplo, Deus não ressuscitou o filho de Davi, gerado em pecado e nem o meu gerado sem pecado, mas ressuscitou o filho de uma viúva pobre. Qual seria o padrão aqui? Ser viúvo ou pobre? Não creio. Provavelmente Ele tenha deixado de ressuscitar milhares de filhos de viúvas pobres por aí. Aliás, Deus não faz milagres a torto e direito, em verdade, raros são os milagres sob qualquer circunstância.

Atualmente, ou para ser mais preciso, hoje, agora, estou precisando de algum tipo de intervenção divina, creio. Minha situação não é nada confortável. Orei solicitando a misericórdia de Deus ou a piedade dele, coisa aprendida com um monge cristão. Por enquanto, neca de bitibiriba. Quando Deus me atende, é rapidinho. Então caio novamente na vala do livre arbítrio regado a Inteligência e, confesso, odeio isso.

Minha conclusão óbvia é: Ele quer e me acha capaz de resolver tudo sozinho, por meus próprios meios, inclusive decidir por não fazer nada, e isso pode ser sábio e eficaz, também. Em outras ocasiões, nem tanto. Difícil será saber quando e qual decisão tomar. Isso parece coisa para gente grande e adulta. Droga, me sinto tão pequenininho. Pior, não faço a menor ideia de onde seja o lugar de Deus. Deve ser em alguma parte do céu, onde ele fica incomunicável, geralmente, ou no mar, talvez em algum rio, pois adora pescar.

Enfim, devo declarar o seguinte: esse post/documento anula todas as outras minhas afirmações anteriores sobre o lugar de Deus, nos posts/documentos, até eu escrever outro post/documento capaz de anular esse. “As ideias estão condenadas à reformulação eterna”, por aqui, como ensinou o Paulo Brabo, lá no Bacia das Almas.

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