O homem mais rico do mundo

Nicole Kidman maravilhosa no Golden Glob.

Nicole Kidman

Sapeando as notícias por aí, bati meus olhos em um título que dizia: “Mulher mais rica do mundo diz aos invejosos: “parem de beber e trabalhem” No mesmo artigo, havia uma lista fotográfica dos caras mais ricos do mundo. Seria mais uma dessas listas supérfluas tipo Forbes, não fosse por dois detalhes, pelo menos para mim. Em primeiro lugar, minha foto não constava nessa lista e eu nunca havia pensado nisso. Segundo, para fazer parte de uma lista dessas, é necessário ter patrimônio na casa dos bilhões de dólares. Talvez por isso eu não faça parte dessa lista.

A senhora, dita a mulher mais rica do mundo, uma australiana com um visual um tanto diferente da outra australiana famosa, a Nicole Kidman, dá uma receita exótica para alguém fazer parte dessa lista dos mais ricos, se entendi direito: “Não ser invejoso (dela no caso), não beber e trabalhar”. Lendo um pouco mais acuradamente, no mesmo artigo, ela teria melhorado sua receita com coisas como “Transformem-se em uma dessas pessoas que trabalham duro, investem e constroem e, ao mesmo tempo, criam emprego e oportunidades para os demais”, recomenda a rica herdeira”, além de condenar políticas socialistas de governo.

Entretanto, tenho sérias dúvidas se eu conseguiria entrar para a lista dos tais seguindo a bula da rotunda australiana. Numa coisa nós concordamos, arrumar um emprego com salário fixo, carteira assinada, vale transporte, etc., não seria a opção. Alias, isso nem passa na cabecinha feinha dela. Quando ela prescreve trabalho duro, tem em mente gente que investe, constrói, e ao mesmo tempo cria empregos e oportunidades aos demais. Sei muito bem que filosoficamente, ou astutamente, um emprego também deveria ser capaz de produzir todas essas coisas. Entretanto, na prática, nunca acontecerá. Salvo um ou outro arremedo.

Dificilmente um empregado trabalha ou trabalhará duro, mesmo porque seria uma baita burrice. Se trabalhando duro ou mole eu ganharei a mesma coisa no fim do mês, a opção me parece clara, a não ser que o imbecil seja carregador de pianos ou algo tão pesado quanto. Salário capaz de deixar algo para investir, seja lá como for, me parece raro. Só a minha mãe conseguiu poupar ganhando uma merreca, mas as custas do filho passando fome e outras necessidades. Gerar empregos seria uma piada para qualquer empregado, o negócio desse pessoal é fazer de tudo para não arrumar emprego para ninguém, isso também seria idiotice por causa do risco de perder o próprio. Estar empregado é uma competição como qualquer outra e nego vende a mãe se for preciso para não perder a boca. Construir, só se for um puxadinho marreta para alugar a algum enjeitado, nos fundos do terreno onde moram. Oportunidade é coisa que empregado busca, jamais oferece.

Só empresários seguem a receita da manceba amiga dos cangurus. Sendo assim, o caminho para fazer parte da lista é esse, nem que seja em um negócio de compra e venda de chocolates.

Certo dia entrevistei um vendedor de chocolates no Cometa (ônibus que transporta pobres e velhos de S.Paulo para Sorocaba e vice-versa): “E aí meu, vendendo muito? Não muito, precisava vender muito mais. Por que você não expande o negócio, colocando uns caras para vender para você? Bom, eu já sou um vendedor de outro cara. Interessante”

Entendeu a diferença? Ser um vendedor ambulante não torna ninguém empresário. Para isso, você precisa ter uma capital inicial, comprar os chocolates de um atacadista, nem que seja no Makro, sair às ruas e vender tudo com lucro, separar capital do lucro, comprar de novo, etc. Para expandir, nesse negócio, seria gerar emprego, ou seja contratar gente para trabalhar como seus vendedores. Mas oh, nesse caso específico e outros tipos de comércio, seria indispensável uma ascendência judaica, turca, libanesa e/ou desses povos que ensinam as pessoas desde criancinhas na arte do comércio ou semelhante. Se você é como eu, despreparado nessa arte, aconselho não arriscar. Até sou um bom vendedor, o problema é que me enrolo com a contabilidade, sabe, minhas despesas tendem a crescer bem além das receitas, com uma frequência insuportável. O que já vendi de livros, especialmente evangélicos, e depois tive que suar sangue para pagar as editoras, é uma gradeza.

Tenho meu negócio de consultoria, a LHM – 6 Consultoria ¨ele é legal porque não lido muito com fornecedores, pelo menos não do tipo desses que fornecem produtos para revenda. Vendo conselhos, ideias, teorias, planos e sonhos. Consigo essas coisas lendo, pesquisando na Internet, conversando com as pessoas, refletindo e observando, ou seja, com investimento mínimo. Por outro lado, minha dificuldade está em conseguir clientes, ou compradores dos meus serviços. Por exemplo, entre outras, vendo a sabedoria necessária para uma organização angariar recursos para sustentar seus projetos sociais ou outros. Mas os possíveis compradores, gente que não consegue os recursos necessários, não gostam de contratar os serviços de alguém como o papai aqui, pois isso incluiria admitir que eles não sabem, pior, que precisam de alguém mais sabido e ainda pagar pelos meus serviços. Felizmente, nem todos os possíveis clientes são assim, às vezes um ou outro foge a essa regra e estou à procura desses.

Enfim, estou a caminho de fazer parte da lista dos mais ricos do mundo, apesar de ainda estar no passo 1, estar meio velho e desacreditado, inclusive no âmbito familiar e social. Mas isso são só peninhas para atrapalhar o processo de me tornar o homem mais rico do mundo.

 

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