A Gruta do Lou

O fim dos empregos


Um abismo chama o outro. No post anterior, mencionei a questão do emprego, embora meu tema principal não fosse esse. Os milhares de leitores, entretanto, deram muita atenção ao assunto e a menção à minha esposa me cobrando posicionamento, também.

Imagino, preocupado, a real importância desse tema. Como faço habitualmente, procurei colocar-me como um pecador na história (o que sou de fato). Mas, não menti e já deu para perceber como sou sincero (iche). Minha Carteira de Trabalho (sic) não vê um registro há muito tempo. O último foi em 1995. Isso não significa ausência de trabalho.

Fiz muitas consultorias, dei muitos cursos e treinamentos, participei de vários projetos e ações nesse tempo. Houve um ano ou outro mais difíceis. Os outros, ficaram na média. Planta-se de manhã, colhe-se a tarde para comer à noite e vamos indo.
Na verdade, essa área de minha vida tem sido uma das mais claudicantes e, penso ter semeado isso.

Quando dava aulas pelos seminários, costumava brincar com meus alunos perguntando a eles porque trabalhavam, já que a maldição de Adão havia sido redimida por Jesus (às mulheres a dor nos partos).

Outra verdade é o difícil relacionamento com meus patrões, ao longo de minha jornada trabalhista. Minha mãe e minha sogra diziam ser necessário ter “jogo de cintura” para não perder o emprego. Esse negócio sempre soou desonesto em meus ouvidos. Ta ra ta ta, o chefe me dizia algo fora do tom e, claro, eu ia pra rua, depois de fazer alguma ironia e/ou sarcasmo.

Os anos passaram, a idade aumentou e comecei a ter a impressão de haver tratamento meio preconceituoso comigo. Sou mesmo muito desconfiado.

Fico me perguntando por que a sociedade se organizou assim. O pessoal de esquerda, no governo atual, defende a tese de toda a família trabalhando (menos o pai, óbvio), cada um ganhando um pouquinho e no fim todos juntos obtendo um salário capaz de sustentar a casa. Penso o contrário, um só trabalhando (o pai) por família e ganhando o suficiente para manter a casa. Isso diminuiria a demanda por emprego em quatro ou cinco vezes.

Não entendo a razão dos jovens partirem em busca de trabalho, cada vem mais cedo, em detrimento de uma formação mais sólida (e resolvendo a questão da falta de vagas em universidades). Com isso, cada vez mais, o tempo de permanência dos homens, no trabalho, se abrevia.

A mulher no trabalho. Outra questão polêmica. Vejo as mulheres deixando seu papel maternal (privilégio delas) em função do emprego. Em civilizações anteriores, a mulher fora do papel de mãe tornou-se a causa da deterioração dessas sociedades.

A presença da mulher no trabalho diminui o espaço dos homens e estabelece competição entre os gêneros. Na Europa, há muito tempo, é grande o número de mulheres sustentadoras entre os casais.

Isso faz crescer a quantidade de divórcios e, por melhor que seja o desempenho dos homens nas tarefas domésticas, há uma, para a qual, eles estão incapacitados, obviamente. Não sou contra a mulher no trabalho, quando isso se faz necessário. Todos nós conhecemos a competência delas.

Jeremy Rifkin escreveu um livro muito chato (O fim dos empregos), mas com uma tese correta. Cada vez mais, o número de empregos disponíveis se reduz, a demanda de gente procurando por trabalho aumenta e o capitalismo selvagem se fortalece. Não há nada que os capitalistas gostem mais do que uma imensa reserva de mão de obra para pressionar os salários para baixo.

Por que não podemos mais, simplesmente, andar descalços sobre a areia da praia, tomar mais sorvetes (humm), comer mais pizzas, tomar mais vinho (ou choppinho no calor), namorar mais (estamos velhos, mas não mortos), dançar mais, rir mais e vai por ai.

Sei que não somos capazes de conceber uma sociedade sem trabalho, dores, escravidão e tristeza. Mas como seria bom! Numa cultura eminentemente católica isso soa a heresia. Quem não trabalha não come.

Não me importaria em trabalhar todos os dias de minha vida (caso conseguisse trabalho) para manter meus filhos na escola até a completa formação deles, sustentar minha esposa em todas as suas necessidades e atividades e a casa. Serviços domésticos podem ser reduzidos e compartilhados. Mas temo o futuro. Sei que continuaremos nesse tipo de organização social e a exclusão e a falta de empregos só crescerão.
Que o Senhor volte logo.
# posted by Lou @ 2:02 PM

Capricornio PB

2 thoughts on “O fim dos empregos

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