A Gruta do Lou

O fim do emprego e do salário

Tempos atrás, iniciei um mestrado em Educação e ainda tenho planos de terminá-lo. Meu objetivo não é ostentar outro diploma na parede ou enriquecer meu currículo. Antes de qualquer coisa, quero me manter estudando e aprendendo, pois tenho medo que meu cérebro atrofie por falta de exercício. Nada pior do que um velho burro. Outro desejo secreto, com isso, seria dar aulas em alguma faculdadezinha menor e inocular meu veneno subversivo por aí. Mas juro que não tentarei impor meu status de mestrando através de algum tipo de verborréia não usual, só para evitar que os leitores não se esqueçam de minha condição mestranda, como fazem uns e outros depois de defenderem suas teses irrelevantes em uma universidadezinha mediocre qualquer. Sim, eu os invejo.

Em primeiro plano, estaria meu secreto projeto de subverter o processo educacional brasileiro. Apesar de que, ele já esteja subvertido desde o seu nascimento. No século XVIII, quando nosso monarca obeso decidiu acabar com o ensino jesuíta e criar o ensino público e laico, ferrou a nossa educação com uma única penada. Até hoje vigora essa porcaria e as tais leis de diretrizes e bases só serviram para perpetuar esse monstruoso sistema.

Só para você sentir, a primeira grande rachadura nessa estrutura pífia é sutil, para a grande maioria das pessoas, veja o seguinte: trata-se da incapacidade de discernir sobre a diferença entre duas palavras: educação e ensino. Por mais incrível que pareça, elas possuem significados diferentes. Talvez isso até possa dar algum desconto ao imperador, homem instruído na Europa. Há uma possibilidade de que ele entendesse a diferença e tenha elaborado uma proposta menos presunçosa, ou seja, assumir o ensino formal que incluiria a língua pátria, aritmética, história, geografia, direitos e deveres cívicos e latim. Deixando à família a incumbência de educar as vítimas.

Com o tempo, e cada vez mais, as famílias incorporaram a crença de que ensino e educação eram a mesma coisa e deixaram ao estado e seus capangas (as escolas particulares) a tarefa de educar. Ninguém se fez de rogado e a fissura virou verdade absoluta, consequentemente uma catástrofe educacional, aceita pacificamente pela grande maioria. O movimento feminista viu nisso, a certa altura, uma grande porta de saída para libertar as mulheres de sua escravidão doméstica que as obrigava a educar seus filhos, além de fazer todo o serviço pesado da casa e  serem obrigadas a satisfazer o apetite sexual de seus maridos barrigudos cheirando a suor.

Se bem que as mulheres que iniciaram o movimento só tinham a seu cargo a educação dos filhos, pois repassavam o serviço da casa às empregadas, mulheres contratadas a preço em dinheiro para tanto. As outras mulheres, a maioria, não tinham tempo para, sequer, tomar consciência do movimento pró liberação feminina em curso.

Assim chegamos aos nossos dias, onde ninguém mais acredita que compete à família, particularmente aos pais, a tarefa de educar seus filhos. Vivemos em meio a uma geração instruída, e muito mal, pois é incapaz de escrever e interpretar textos, não domina as quatro operações básicas, alguns nem somar são capazes e absurdamente sem educação. Os que terminam o chamado ensino médio só estão preparados para o tal exame vestibular, mais nada. Pessoal não liga a mínima para o fato de terem presidentes laicos e ignorantes, igual a eles.

Tanto é que, tornou-se comum às senhoras psicólogas tratar jovens com síndrome de vestibular, gente que mesmo tendo conseguido uma vaga, ou não, entra em depressão por não conseguir satisfazer mais a compulsão por um examezinho básico. Tem gente que já tem mais de quarenta anos e não consegue parar de fazer vestibular ou exame de seleção para qualquer coisa, só para satisfazer o vício.

Mas meu propósito nesse texto era mesmo outro. Nunca na história da educação desse país, fez parte do currículo oficial uma das partes mais relevantes da educação, no frigir dos ovos, ou seja, o ensino financeiro. Muito menos, os pais têm consciência de que essa é a grande prioridade, depois de convencer seus filhos da necessidade do auto-conhecimento, do ensino religioso e das boas maneiras.

Pessoalmente, incluiria no currículo doméstico, também, a filosofia, ética, as artes e a Educação Física, todos abandonados pelo ensino laico estatal. Claro, coisas elementares e insignificantes como o amor, compreensão, bondade, alegria, paz, generosidade, honestidade, etc, uma boa empregada poderia suprir, caso a família pudesse pagar uma, correndo o risco de sofrer um processo trabalhista a qualquer momento, como apregoa o PT às senhoras da labuta em lares alheios. Sem elas, os pais (pai e mãe) devidamente empregados em regime de tempo integral, imaginam que a Internet, a TV ou os violentos videogames supram.

Enfim, estão todos aí sem saber e muito menos entender como funciona o mundo em que vivem, todo incluso em finanças, inclusive a igreja e seu time de futebol. A maioria esmagadora das pessoas acredita que resolve sua situação com um emprego, salário e carteira assinada. A falácia dessa crença se evidencia com qualquer crisezinha babaca que apareça, como a última que aconteceu lá nos States por causa da eleição do primeiro presidente negro por lá, como se isso fosse motivo para tanto. Os africanos tem esses presidentes negros há tempos e não mudou nada, continuam em crise eterna, se bem que, o norte-americano seja formado em Harvard. Os robôs são outra ameaça seríssima a essa gente obnóxia. A primeira coisa que os empresários fazem quando a palavra crise aparece no Jornal Nacional é despedir funcionários que acreditam nessa história de emprego, por nunca terem sido educados tendo em vista o mundo das finanças em que vivemos.

Infelizmente, só descobri isso na aurora de minha meia idade, que na verdade é o terceiro terço da minha vida, se não me engano. Dificilmente poderei mudar o meu quadro. A minha obra fechou, deixando de ser uma obra aberta como prefere o Umberto Eco. Talvez consiga convencer alguns dessa verdade, a começar pelas cabeças duras aqui de casa. E você, continuará acreditando nessas mentiras todas? Jesus Cristo nunca trabalhou com carteira assinada e muito menos dependeu de salário. Como ele disse certa vez, os pobres sempre estarão aí. Temo que ele estivesse se referindo aos trabalhadores assalariados.

lousign

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4 thoughts on “O fim do emprego e do salário

  1. ácido e humorístico como sempre … boa mistura, o sucesso da Gruta

    Rapaz, você foi tão rápido no comentário que o fez em cima do texto não corrigido. Se puder, faça nova leitura e desfrute de algumas vírgulas a mais e outras correções. Abraço e obrigado.

  2. Opa .. re-leitura feita .. apenas corrija o nome do Umberto Eco .. faltou o M.

    ahhh o texto continua com as características acima citadas….sempre quando vc publica o link no twitter, eu já venho para cá realizar a leitura nesse espaço herético profético (profético no sentido original da palavra, nas dos movimentozinhos proféticos de hoje é claro)

    Big abraço meu caro

    Nome do Eco corrigido. Sempre aparece mais, letras faltando, acentos equivocados, vírgulas a mais ou a menos e até complementos necessários. Às vezes corrijo textos de mais de um ano atrás. Obrigado pela ajuda. Abração.

  3. Eu também estou no terceiro terço. Mesmo sem ter rezado o primeiro…
    A sorte da humanidade é que as crianças tem um incrível poder de transformar o ruim em coisa boa, e ótima capacidade de recuperação. Então, os malefícios do sistema educacional e péssimos pais são em boa parte anulados. Como dizia Twain: “sabão e educação não são súbitos como a guerra, mas mais mortíferos com o tempo”.

    Nossa! Twain… às vezes me lembro de casos dele no meio da noite e penso: Vou publicar isso no blog, mas acabo esquecendo. Se bem que devo ter publicado alguma coisa camuflada, não estou certo.

  4. Palavras demais me confundem
    Meus (2)neuronios dão um nó
    Separar ensino de educação
    pra mim é o mesmo que separar farinha da mandioca
    Jesus fazia o que?

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