A Gruta do Lou

O Clichê

Tenho pensado bastante. Enquanto leio a biografia de Steve Jobs, repasso dias e anos anteriores em tentativa inglória de revivê-los à luz dos preceitos do já eterno iPresidente da Apple e ícone dos grandes inventos e lançamentos cibernéticos em nossa era. Pena não estar começando a viver agora ou não ter lido a vida desse cara há quarenta anos. Agora o leite derramou e já era, com clichê e tudo.

Passo os dias de olho na minha caixa postal a espera de algum milagre. Quem sabe via Facebook ou até mesmo os velhos e surrados telefones, fixo ou celular. Ainda na segunda-feira feira, o celular tocou cedo, eu estava sonhando que era feliz e acordei para a realidade ainda não distorcida, sob o impacto dos toques nada sutis do meu surrado e ultrapassado Sansung, que não faz mais nada além de receber e fazer ligações, imagine. Por favor, não ria, mas era uma chamada a cobrar e como estava sem os óculos, atendi sem ver o numero de quem estava ligando. Era um interno de um hospício local, como vim saber depois.

Hoje, um dia após, ao lembrar do episódio, não consigo evitar um leve sorriso. Seria trágico se não fosse cômico, com perdão pelo clichê. Suspeito que deva haver um sacana universal controlando os esquecidos desse mundo. Nada poderia ser mais irônico ou sarcástico, nesse momento, do que um louco me ligar, ou será que ele era o são e o resto do mundo está louco?

Leio que o Nelson Bomilcar esta editando livro pela Editora Mundo Cristão onde trata dos tais “Sem Igreja”. Espero que ele não tenha me relacionado a esse tema. Prefiro me ver como um não alinhado, ou melhor, membro de minha própria igreja. De mais a mais, acho que nunca me ajustei no meio das igrejas institucionalizadas. A Igreja é uma instituição que se arvora em ensinar aos outros um monte de preceitos que não deseja praticar. Outro clichê para variar: toda regra tem sua exceção. Eu não os conheço (os tais sem igreja) somente, ou estão todos vivendo em alguma gruta por aí, a espera de um Deus qualquer, que surja no silêncio, nunca no vento ou na tempestade.

Já que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, outro clichê, só me resta agir como se não fosse um igrejeiro dissidente ou um viciado em igreja em abstinência, ou seja, ajoelhar ao pé da cama e deitar orações até que o santo, que não é de barro, se sinta de saco cheio e resolva me atender. Ou isso, ou será necessário me socorrer quando as consequências começarem a pipocar, o que pode ser muito pior. Ninguém com as minhas responsabilidades consegue suportar pressões deste mundo por tempo indeterminado. Espero que o Deus da minha Igreja resolva mostrar o quanto ele é mais Deus do que os outros, das outras igrejas. Como diria o velho rei Ezequias: “Senhor! Eles creram em deuses que deuses não eram. Eram deuses de pedra, de pau e de barro. Mas tu, somente tu, és o Deus verdadeiro e em ti, creio. Ouve a minha oração, por tanto”.

Vovó diria do alto de sua proverbial sabedoria: O que não tem remédio, remediado está. Ela era a rainha dos clichês. Infelizmente, não concordo com a velhinha moribunda. Aliás, desejo ardentemente que, como todos os clichês, esse esteja errado, também. Estou à espera do meu remédio, digo, do meu milagre ou milagres. Sei lá, do que Deus quiser mandar.

Afinal, Deus sabe de todas as coisas. Eita clichê igrejeiro sô.

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