Nosso Segredo, do Irmão André, George Muller e eu

Irmão André

 

George Muller e suas crianças

 

Dois heróis da fé marcaram minha jornada pela senda cristã. Primeiro o Irmão André, fundador do trabalho missionário atrás da Cortina de ferro que redundou na criação da Missão Portas Abertas. O Segundo foi o George Muller que edificou casas para a moradia de milhares de crianças que viviam abandonados pelas ruas de Londres e cercanias, no século XIX.

Tanto um como o outro, mesmo sem nunca se conhecerem e muito menos se encontrarem, mesmo porque,viveram em séculos diferentes, tinham os mesmos hábitos dos servos fiéis e missionários. Descrevendo a formação do George Muller, certamente estarei descrevendo a do Irmão André, também.

Sua fé começou a olhar além do homem na direção de Deus e na direção espiritual, bem como para as necessidades físicas. Este foi um passo à frente em sua peregrinação da alma. Foi uma lição de confiança que o jovem discípulo teve que experimentar antes de mais nada. Deus estava pronto para usá-lo. Ele já tinha sido convencido, embora sendo um estranho na Inglaterra, ele não precisava ter ansiedade por suas necessidades temporais – “enquanto eu realmente procurando servir o Senhor … quando procurasse o Reino de Deus e sua justiça, estes meus desejos temporais me seriam acrescentados”.
Através da leitura, as promessas bíblicas tinham sido esculpidas em sua memória, e essas promessas, que ele acreditava, eram fontes de suprimento divino. Ao fazer esta decisão que altera a vida, ele encontrou os seguintes versículos de especial importância:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Mateus 7:7

E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. João 14:13,14

 Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? Mateus 6:25,26

Do livro George Muller, Man of Faith & Miracles – tradução do autor desse texto.

Comecei minha vida ministerial com esse segredo na mente e no coração.

Nessa etapa experimentei grandes feitos, tais como atravessar o oceano com uma única nota de cinco cruzeiros na carteira.

Se o avião tivesse aterrissado no mar, teria grande dificuldade de pegar um ônibus para chegar à América do Sul, mais propriamente, no Brasil; ou ter passado dois meses na Europa, em especial, uma visita de duas semanas na marxista-leninista Albânia, em 1979 para rodear os muros que mantinham três milhões de pessoas escravizadas, sem as liberdades individuais, dentre elas, a liberdade religiosa, e tocar as trombetas para que os muros daquela prisão viessem abaixo.

Tudo isso, sem um tostão meu. Deus providenciou tudo que precisei, com conforto e cuidado. Na volta, terminei o ano letivo na escola onde trabalhava, na época, e fui convidado para trabalhar na Missão Portas Abertas.

Mais quase três anos sem me preocupar com o que comer, beber, morar, etc., tanto para mim, como para minha família. Ali aprendi como mobilizar fundos, dentro desses preceitos bíblicos e com ética.

Após deixar a MPA, fui convidado a dirigir uma creche da prefeitura de São Paulo. Mais três anos de treinamento, dessa vez, aprendi a gerir um trabalho específico no cuidado de crianças carentes. Mais uma vez, não precisei me preocupar com o que comer, vestir, etc., tínhamos o suficiente.

Era óbvia a intenção divina, todo mundo percebeu, menos eu. Então comecei o tempo de correr de Tarsis. Pior do que Jonas, ao invés de pegar outro barco, no sentido contrário, fiz como Paulo e fui para o deserto, onde mana a competição, o samba do crioulo doido, onde o melhor é aquele que vende a mãe e não entrega.

Deus é sagaz, não desiste nunca, e colocou um filho para viver comigo que me fazia lembrar todos os dias da minha missão. Me revoltei contra Deus e sem aceitar seus métodos nada ortodoxos, tentei viver por minha conta e risco durante mais de duas décadas e meia. Quando meu filho se foi, não sei se por vontade de Deus ou não, a revolta só fez aumentar.

Mesmo assim, me mantive perto de Deus, claro que nas sombras, entristecido e insatisfeito.

De uns tempos para cá, Ele vem conversando comigo. Sabe aquela fala mansa. longânima e toda amorosa dele? Então, pouco a pouco fui voltando, voltei a ler a Bíblia com mais atenção e intensidade. Outro dia, me deu vontade de ler os livrinhos com as biografias do Irmão André e o do George Muller. Li e reli duas vezes, cada um, em português e em inglês. Meu coração se aqueceu.

Apesar da idade bem diferente da que tinha quando ele começou a me preparar, acho que Ele ainda não perdeu a esperança em mim e para minha surpresa, parece estar decidido a me usar em alguma missão voltada às crianças e não duvido que ele me queira fazendo mais em favor das crianças com cardiopatias congênitas, sem preterir as outras, claro.

Bom, meu treinamento é esse que está descrito acima. Não tenho com que me preocupar, mas muito a solicitar diante Dele.

Que seja feita a vontade de nosso Senhor, então.

Author: Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *