A Gruta do Lou

Nosso diabo pessoal

House of Cards

Todo mundo adora saber, mesmo sem crer, da existência do tal anjo pessoal. O Billy Graham ganhou uma nota com um livro sobre o assunto, apesar de Paulo (o apóstolo) ter proibido a mercantilização da Palavra de Deus.

Mas tenho fortes suspeitas de uma total desaprovação em relação à outra realidade: do diabo pessoal. Billy Grahm disse o que disse sem nunca ter visto um anjo em sua vida, muito menos olhando no espelho. Como todo mundo sabe, vim ao mundo com esse dom: ver anjos. Não sei em que momento me conscientizei disso. Desde criança eu os via e conversava com eles. Muitas vezes as pessoas me perguntavam com quem eu estava falando ou se eu costumava falar sozinho sempre. Estranhava essas perguntas sem me dar conta que os outros não podiam vê-los. Entretanto essa não era a parte pior. No dia 13 de agosto de 1984 descobri que uma parte dos seres alados discernidos por mim não eram anjos e sim diabos, ou seja, o dom era ainda mais potente do que eu imaginava.

Acho que tenho uma desculpa para meu equívocozinho de trinta e três anos, se bem que durante uma boa parte da infância, eu abria o maior berreiro quando via o capeta. Lembro de minha mãe se desculpando junto ao Dr. Lee por eu não ter ido com a cara dele. Na verdade, eu estranhava os chifres do cara, coisa que minha mãe não conseguia ver. Meu pai também tinha chifres, mas o motivo era outro. Voltando à desculpa, todo mundo deve lembrar daquela mentira secular de que o diabo é o Pai da Mentira. Pois é, ele se faz passar por anjos e engana de verdade.

Poucos têm o mesmo dom que eu tenho, ou seja, ver os tais. As pessoas normais apenas ouvem suas vozes, embora não o saibam. Assim fica fácil para eles, pois basta-lhes modificar a voz e o jeito de falar. Eles acham que os anjos falam fino e com entonações femininas, então procuram falar com voz de bicha. Todo mundo acha que os bichas são anjos. Isso não é verdade, alguns são da pá virada, creiam-me e se parecem muito mais com o demo. Acho bom você saber que os demônios são capazes de imitar a voz e o jeito de falar de qualquer um com perfeição e adoram falar ao telefone, especialmente via celulares.

A coisa se complica quando eles assumem a forma humana, o tal joio no meio do trigo como explicou o imprudente Jesus de Nazaré, e ao fazê-lo conseguem deixar sua marca maior (os chifres) invisível. Daí, só os infelizes bem dotados como eu podem ver os cornos. Eles preferem assumir a forma humana na condição de advogados, psicólogos, consultores de ONGs, funcionários de cias. telefônicas, locutores, comentaristas, repórteres e ancoras da Rede Globo, técnicos de futebol ou volei, juízes de judô e ginástica artística, atletas norte americanos, pastores de igrejas universais, padres, pais de santo, médicos cardiologistas, donos de imobiliárias, gerentes de bancos e diretores executivos de missões. A lista está longe de ser conclusiva.

Imitadores baratos e muito malandros, os seres infernais adotaram a mesma tática dos anjos, a da marcação individual. Com uma diferença, eles são perfeitos. Não há, praticamente, uma só pessoa sem seu diabo pessoal, enquanto milhares andam por aí sem seus anjos pessoais, como é o meu caso. Não fosse o Thomas que tem seu anjo pessoal, embora seja um anjo esculachado, eu não veria nenhum dos seres celestes em casa, se bem que ele nunca está quando precisamos dele. O serviço de anjos corrompeu-se depois que um brasileiro assumiu a chefia do departamento. Deus mordeu a isca daquela embromação que inventaram em Copacabana de que ele era brasileiro e assumiu a identidade. Agora o mundo está descontrolado porque o Criador passa a maior parte do tempo em férias ou em licença remunerada que ele consegue usando atestados de saúde falsos ou comprando os médicos do céu responsáveis pela perícia.

O fato é que eu sou obrigado a conviver com esse dom infernal. Para todo lado que olho vejo esses caras chifrudos. Em lugares fechados fica insuportável, além de vê-los sinto o cheiro deles. Sim eles têm cheiro de enxofre, lembram? Eu posso sentir e garanto que não é nada agradável. Por isso evito esses lugares. Vez ou outra ouço alguém reclamando: humm, está um cheiro tão esquisito aqui! São pessoas dotadas, mas sem consciência. Os dons precisam ser exercitados.

Espero que vocês apreciem essa informação. A conclusão é óbvia, grande parte do que vocês fazem ou dizem é de procedência maligna sim, devido à influência do capeta em suas vidas. A única forma de evitar esse assédio explicito e injusto, posto que é compulsório, é cada um assumir o comando de suas próprias vidas e não fazer nada que não seja resolvido de forma adulta e livre de qualquer sugestão demoníaca. Humanos não têm o poder de expulsar ou repreender os diabos, a menos que não tenham pecados, ou melhor, a culpa por algum pecado. Assim manter-nos no pecado é a garantia do emprego deles. A coisa que o chifrudo mais aprecia é fazer-se passar por anjo. Quando alguém diz: “Não sei por que fiz isso” é batata, foi influenciada pelo diabo.

Espero que você aprecie meu santo e revelador texto.

Colaboraram nesta edição:

Wormwood, Screwtape e Bloqueiatudo (meu diabo pessoal).

lousign

6 thoughts on “Nosso diabo pessoal

  1. Lou, é sério, eu sinto cheiro de incenso de madeira queimada no meu quarto, já cheirei tudo mas não identifico a origem. Será?!

    Outra coisa, meu irmão diz que fala com anjos o tempo todo, coitado, eu acho que é caso de Haldol.

    (kkkkkkkk que família heim?!)

  2. Direto sinto cheiro de cachaça…o meu deve ser pinguço…

    Como de pecado, inditosamente, eu to cheio, eles devem ter adquirido estabilidade no emprego já..

    Abraço Lou

  3. Ah !! antes que me esqueça, só os vejo materializados quando vou a uma igreja ( o que está cada vez mais raro – o cheiro de enxofre é insuportável !!!)

  4. Transcrevo conforme leio: “Eles têm preferência em assumir a forma humana na condição de…” e então você escreve as profissões que, em seu entender, são proliferação de diabos. Com a devida vênia, discordo. São modestos aprendizes de pastores. A ‘profissão’ preferida pelo “capiroto”.
    No mais, alguém já disse que o diabo mora nos detalhes. Mentira. Mora em nós; seres desenganados que damos passos largos para nos perdermos e nenhum para resistir aos diabos. De fora e de dentro.
    Abraço.

  5. Dáu

    Como meus filhos costumam dizer, não sou muito confiável. Nesse caso (as profissões), manifestei minhas diferenças pessoais naquelas onde seus representantes foram ou são os meus maiores algoses. Em outras palavras, foi uma manifestação de trauma mesmo. Em qualquer profissão pode haver a presença diabólica ou não. Eu diria mais, até pode haver algum advogado que não seja diabólico. Dizem que há uma procuradora do estado na região de Campinas que é angelical. Você acredita nisso? Pior é o caso dos consultores de ONGs onde não há nenhum vestigio de angelicalidade. 🙂

    OPS: Aproveitei sua deixa e acrescentei mais algumas. Podia?

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