A Gruta do Lou

Nem todo abismo é um abismo

Rowan-AtkinsonRowan Atkinson interprete do personagem Mr. Bean.

“Então para que escrevo isto? Para que eu e todos os que lerem essas palavras, pensemos de que abismo profundo se deve chamar por Vós. Que coisa mais próxima de Vossos ouvidos do que um coração arrependido e uma vida de fé?”

Confissões de Agostinho Livro II – 3

Em um sábado, em meio a um feriadão, onde a frequência à blogosfera anda em baixa e há certo esgotamento dos escritores, posto que não é fácil cumprir uma rotina diária composta de alimentar seu (ou seus) blog e visitar os outros blogs amigos, deixando em cada um, cuidadoso comentário, e ainda cuidar de servir ao Pai da Mentira. Assim, surge a inevitável pergunta: O que postar?

Enfim, nem todo abismo é um abismo. Olhei para a estante da esquerda e ali estava Agostinho, em meio às suas Confissões e às voltas com os problemas advindos do maniqueísmo. Mal sabe ele que esses problemas continuam, ainda hoje, enfim perguntei-lhe se tinha alguma sugestão para um post, considerando as peculiaridades expostas. Então ele me saiu com essa sugestão.

Na verdade, tudo que é necessário para ganhar a atenção do Pai Celestial é um coração arrependido e/ou uma vida de fé. Moleza né? Mas não é bem assim.

Coração Arrependido lembra Mateus ou Zaqueu, pecadores bíblicos que estavam dispostos a reparar seus erros com recompensas muito maiores do que seus arroubos originais. Tentei lembrar de algum coração arrependido de nossos dias e não lembrei de nenhum. Eu me arrependo de muitas coisas, entretanto estou muito distante desse estado idealizado por Agostinho. Ainda sinto prazeres secretos por vários dos meus pecados.

Uma vida de fé me leva direto a Tereza de Ávila e todas às suas discípulas e discípulos, dos quais destacaria Tereza de Jesus ou Edith Stein e São João da Cruz, outro que foi impressionado pela freira. Minha vida não tem qualquer similaridade com esses gigantes da fé. Não levo uma vida de fé. Meu negócio é mais fast food, mesmo. Vivi como galinha ciscando no terreiro, algo para comer e para dar aos meus filhos. O tempo passou e esse sistema se mostrou pouco ou nada recomendável.

A premissa básica para adquirir a condição de alguém com acesso a Deus é sair do sistema. O Mestre Galileu estava certo nisso, pois não há comunhão entre a luz e as trevas ou ninguém pode servir a dois senhores. Escolhemos ou fomos oferecidos como sacrifício a Mamon e nosso destino está traçado. Atribuo a isso à orientação de Jesus para que pedíssemos a Deus que não nos deixasse cair em tentação. Uma vez nas garras dela, é muito difícil escapar.

Sei como ninguém, o que pensa a turma do triunfalismo. Gostaria de ser mais ignorante e crer como eles. Infelizmente não vejo saída que não seja a infalível misericórdia final do Criador, com base na graça alcançada pelo precipitado filho que Ele enviou ao mundo. Não tenho nada a oferecer agora. Sou presa pior do senhor desse mundo, posto que não sou nenhuma coisa, nem outra. Não reúno as condições necessárias para ter minhas orações ouvidas e, também, não sou capaz de me virar no sistema desse mundo. Bah!

Já entendi a sugestão de Agostinho. Ele falou comigo, de forma específica. Estou na beira do abismo, mas ainda é cedo para ter o favor divino. Talvez, se descer mais, consiga chegar ao lugar ideal, de onde se pode clamar e conseguir a atenção do Pai.

Música Tema de Cinema Paradizo

Capricornio PB

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3 thoughts on “Nem todo abismo é um abismo

  1. Estamos no mesmo barco, no fundo do mar…
    Talvez o Divino nos ouça somente quando tomarmos atitudes como a de Mateus ou Zaqueu…..
    Enquanto isso…
    permanecemos por aqui…

  2. “Não reúno as condições necessárias para ter minhas orações ouvidas e, também, não sou capaz de me virar no sistema desse mundo.”

    Se isto serve como conforto: somos dois.

    Maravilhoso esse som, do Cinema Paradiso.

    Abs.

  3. Pingback: Lou Mello

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