A Gruta do Lou

Alugar, só se for direto com o proprietário… do mundo.


Quando me propus a escrever a série Sete passos que Jesus não daria em nosso lugar, conclui por minha inconsistência em abordar, por exemplo, algo como alguns já fizeram por aí, brilhantemente diga-se, desenvolvendo escritos sobre o que Jesus faria em nosso lugar. Foi o caso do Brabo e seu excelente “Em Seis Passos o que faria Jesus”. A Bíblia está recheada de coisas que Jesus não faria se vivesse nossas vidas, assim como há inúmeras narrativas bíblicas sobre milhares de atitudes que os profetas, reis, juízes e outros embaixadores de Deus não fariam, vivendo nossas realidades.

Na verdade, isso tudo é um pouco frustrante porque vivemos uma cultura nada bíblica e isso dificulta tudo. Não penso em propor rotinas baseadas no livro sagrado dos cristãos e/ou judeus. Tenho combatido tal desatino nos últimos trinta e cinco anos. Entretanto, certo sentimento negativo me acompanha, algo semelhante a uma incerteza e sempre que faço as coisas mais à moda globalizada e pós moderna fico com gosto de jenipapo rondando meu paladar.

É o caso desse negócio de alugar ou comprar um imóvel para morar. Claro que preferiria não precisar me meter nesse tipo de batalha a essa altura do campeonato. Mas o caso não é opcional, mas é compulsório, tem prazo e dos mais curtos, geralmente.

Sabe, as coisas que Jesus (ou qualquer um de seus colegas bíblicos) não faria em nosso lugar nos impede de fazer orações de solicitação por elas. Já imaginou chegar lá no pé da cama, joelhos no chão, olhos fechados, mãozinhas com palmas postas e rogar: “Senhor, me abençoe aí com uma casa (ou ap) legal, rapidinho, para minha família e eu morarmos”. Certeza que ele viria com aquela piadinha sem graça dizendo que: “os lobos tem seus covis, os cães seus canis, mas o Filho do Homem não tem onde repousar sua cabeça”.

Sendo assim, sei que posso e devo afirmar solenemente: “Em nosso lugar, Jesus não compraria ou alugaria imóveis, muito menos”. Aliás, o nazareno não comprou, nem alugou nada durante os longos trinta e três anos em que viveu. Como pôde? Isso é inimaginável para mim. Não passo um dia de minha existência sem comprar alguma coisa, nem que seja uma Coca Cola Zero. Falo mais com o Geraldo, dono do supermercado Dia aqui ao lado do que com meus filhos.

Dizem por aí coisas tais, dando conta de miríades de pedidos de badulaques chegando ao céu por minuto. Dentre eles, muitos têm a ver com imóveis, dos quais, grande parte, de gente arriscada a morar sob a ponte mais próxima, se tiver a sorte de encontrar algum espaço disponível lá, se suas orações não forem respondidas e abençoadas com soluções anti-bíblicas.

Quando voltamos dos Estados Unidos, dente outras características, eu não me enquadrava nem de longe no perfil ideal para um locador de imóveis, quiçá de comprador. Entretanto, em um sábado pela manhã, saímos e fomos a um dos bairros mais nobres de São Paulo (Perdizes) olhar uns imóveis. Coisa de gente louca e anátema. Encontramos um muito bom, cujo valor do aluguel era proibitivo para nós, alias, imagino que naquela época qualquer valor seria, e com uma placa singela anunciando que os interessados deveriam tratar com o proprietário. Pegamos o endereço com o zelador do prédio e fomos lá na segunda-feira. Quando chegamos, no fim da tarde e depois de combinar o encontro por telefone, o homem ainda não havia chegado. Fomos recebidos por uma menina de uns oito anos de idade, filha do proprietário que ficou fazendo sala para nós até o pai chegar, com uma conversa para lá de interessante. Quando ela ouviu o pai abrir a porta, correu na direção dele e disse: “Pai, as pessoas que querem alugar o apartamento estão aí, aluga para eles vai”… Seguiu-se uma conversa sobre temas gerais e no final ele nos disse: Podem morar no apartamento, as chaves estão com o zelador e avisarei para entregar-lhes. Ousei perguntar sobre um contrato e ele respondeu: Depois você passa em uma papelaria, compra um daqueles formulários prontos para esse fim, preenche e me traz. E o fiador? Perguntei, e ele respondeu: Fica a seu critério. Depois disso, tivemos onde repousar nossas cabeças por quatro longos anos.

Talvez eu deva acrescentar que, mesmo sendo não bíblico, desses negócios que Jesus jamais fez, ainda assim, Ele pode nos surpreender com alguma solução tão fora de seu script quanto, resolvendo o nosso problema sem mutilar suas próprias convicções. Ele sabe que não somos capazes de viver como Ele viveu, talvez por isso tenha pago a conta toda sozinho. Ele era o único capaz de viver como deveríamos fazê-lo. se não me engano.

Da Série: As Sete Coisas que Jesus não faria se fosse você

OsNão Divulgue as suas curas.

Não evangelize em hipótese nenhuma

Alugar, só se for direto com o proprietário… do mundo.

Mas eu vos digo:


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