A Gruta do Lou

Meus três alunos mais queridos

D. Bonhoeffer

17 de agosto de 1943

Antes de tudo mais vos peço que não tenhais preocupações por mim. Resisto a tudo muito bem e me sinto bem tranquilo intimamente. É tão bom que de experiências anteriores saibamos tudo um sobre o outro, de modo que alarmas não mais nos possam inquietar.


Estou descansado e contente com a noticia de que os tribunais permanecem em Berlim. No mais, tanto vós como eu temos coisas melhores a fazer do que pensar nos alarmas. Aqui na cela se aprende sem fazer maior esforço, a ganhar distância dos acontecimentos e das inquietações do dia…

Como nesses últimos 14 dias, devido à espera insegura e diária, nem mais consegui trabalhar direito, quero agora tentar novamente começar com meus trabalhos escritos. Na semana passada tentei um projeto para um drama, mas verifiquei que o assunto não é bastante dramático, e por isto, preferi a forma de prosa. Já estou trabalhando nesse sentido. Trata-se da vida de uma família. É claro que há muita coisa pessoal nesse meio…


A morte daqueles três pastores muito me comoveu. Eu ficaria muito grato se alguém pudesse comunicar aos parentes que no momento não posso lhes escrever. Sem isto não compreenderiam meu silencio. Acontece que estes três, dentre meus alunos, me eram os mais queridos. É de fato uma perda grande, pessoal, sensível até para a Igreja. Até agora podemos contar cerca de 30 alunos meus que já morreram em combate, em sua maioria, dos melhores…

Dietrich Bonhoeffer (1932)
Dietrich Bonhoeffer (1932) (Photo credit: Wikipedia)


Dietrich Bonhoeffer


In Resistência e Submissão


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2 thoughts on “Meus três alunos mais queridos

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