Sermão: A Parábola do Filho Pródigo

O Filho Pródigo - Rembrandt
O Filho Pródigo – Rembrandt

Tempos atrás, estava em uma Igreja aqui perto, e o pregador anunciou o título de seu sermão: “A Parábola do Filho Pródigo”. A seguir, informou que essa era a passagem bíblica mais pregada em toda a história da pregação, sem comparação a qualquer outra porção bíblica. Foi nesse exato momento que o velhinho, sogro do pastor, perdeu minha atenção.

Lembrei do Sermão de Agostinho sobre a mesma passagem e, segundo consta, o fato dele o ter pregado diversas vezes, sabem-se lá quantas. Fiquei a imaginar quem teria feito o registro dessas pregações. Depois dele, ou antes, quem mais teria pregado sobre essa parábola exótica? E quanto às outras, parábolas ou não? Quem teria registrado? Se fosse hoje, vá lá, com a ajuda dos computadores, satélites, internet… se bem que, seria necessário a cada pregador informar o CMCP (centro mundial de controle de pregações), sob controle norte americano, óbvio. No caso do pregador em epígrafe, não seria possível, pois além de arauto que só prega na igreja do genro, por questões políticas, ou seja, sempre há o risco da esposa do pastor dizer na hora H: “Neca de pitibiriba, enquanto meu pai não pregar”; plantador de feijão na região de Capão Bonito e avesso às coisas computadorizadas ou digitalizadas, tal informe jamais se daria. Portanto, se houver nesse mundão de Deus outros pregadores de Parábolas alheias e, mais especificamente, a do Filho Pródigo, ou de outras passagens, chulos ou xucros como o sogro do meu amigo, e os há em profusão, o computo do velhinho já teria ido para o espaço.

Assim, resolvi empreender meu próprio esboço de um sermão sobre a Parábola do Filho Pródigo e, como dificilmente serei convidado por qualquer igreja minimamente digna do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo para pregá-lo, resolvi postá-lo aqui. Quem sabe, sem querer querendo, meus colegas de púlpito não o copiam para pregá-lo como se deles fora.

Acompanhe esta leitura com seu exemplar da Bíblia NVI (Nova Versão Internacional) em Lucas: 15. 11 a 31

O título do Sermão: A Parábola do Filho Pródigo – A Gruta do Lou

“Os estados de ego dos cidadãos do Reino e sua contribuição para o bem estar geral”, seria a minha proposição.

Esboço
1. Estado de Ego Filho Pródigo
a.Criança Rebelde
b.Criança Livre
2. Estado de Ego Pai – Adulto

3.Estado de Ego Irmão do Filho Pródigo

1. Criança Adaptada
2. Criança Rebelde

Agostinho pensou serem os filhos a representação de Judeus e Ímpios. Ledo engano. Na melhor das hipóteses, seriam todos judeus, mas não creio que Jesus fizesse apologia favorável a membros de outra religião quando estava prestes a fundar a sua própria. Sempre que fez menção aos frequentadores da religião judaica, o fez de forma nada amigável.

O mais novo, o famoso filho pródigo doravante FP, resolveu descobrir o que é que a baiana tem sob aqueles vestidos imensos e todas aquelas anáguas e pediu ao pai sua parte da herança, no que foi prontamente atendido. Note aí, não ter havido qualquer reticência por parte do pai. Não apenas isso, mas repartiu a herança, ou seja, deu a metade de tudo ao FP e a outra metade ao irmão dele. Cada um pegou sua parte e tratou de depositar em contas próprias e, a partir daí, passou a usar como bem desejou.

O FP, pouco tempo depois, juntou sua mochila e partiu para Salvador, na Bahia, uma semana antes do Carnaval. Passou lá o Carnaval, vivendo como Sultão, gastando de modo a fazer inveja aos melhores filhos de pastores rebeldes da paróquia, sem nenhuma vergonha, com os Trios elétricos, abadás, baianas, bebidas, comidas, drogas, Viagra, etc., pulando até cair.  Só parou quando o Carnaval terminou lá no Farol da Barra.

Como sempre acontece em terras baianas, assim que o Carnaval acaba, volta o estado geral da terra, ou seja, fome, miséria e dureza em geral, menos para os descendentes do Antonio Carlos Magalhães, vulgo Toninho malvadeza. FP sem lenço e sem documento, com a conta zerada, nada nos bolsos ou nas mãos e com uma fome de dar inveja em mim, nas minhas noites de ansiedade pré segundas feiras, foi pedir emprego a um dos parentes ricos do Toninho malvadeza, que o mandou cuidar de sua criação de porcos à moda Magalhães, ou seja, o velho método do chiqueiro. A cada três bacias de vagem aos porcos, ele tratava de comer uma, contra a vontade dos seus patrões.

Nessa situação de constranger até o mais influente mendigo, entrou em crise (transtorno bipolar) e lembrou de papai e seus empregados, todos com comida de sobra em suas aljavas, enquanto estava ali, como diria meu vizinho de Botucatu, no bico do corvo. Pensou, então como adulto: Me porei a caminho e voltarei para meu pai e lhe direi: “Pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados.” Levantou e iniciou sua volta triunfal. Os cidadãos do Reino que caíram na farra nunca negarão sua origem e, na hora da onça beber água, voltarão à fonte de suas águas.

Seu pai o viu assim que surgiu no horizonte de sua imensa fazenda de gado. Cheio de compaixão, um sentimento muito perigoso, segundo Aristóteles e Nietzsche, correu para o filho, o abraçou e beijou. FP bem que tentou declamar aquelas palavras ridículas, ensaiadas durante todo o caminho de volta, mas o velho (penso que deveria ter idade na casa dos cinquenta e oito anos), não deu a mínima para suas palavras vãs. Virou para seus servos e mandou trazer-lhe roupas das melhores grifes e, após um bom banho, FP as vestiu. Ordenou ainda o velho para lhe colocarem um anel de manda chuva no seu dedo e sapatos de cromo alemão em seus pés. Deu ordens para organizarem uma grande e imediata festa, também, com garrote assado à moda gaúcha, dança farroupilha e belas gaúchas, claro, dizendo: “Pensei que meu FP estava morto e ele voltou à vida, estava perdido e foi achado”. Começou a Festa do Regresso comemorada, até hoje, num tal sábado de aleluia. As pessoas do Reino, porretas mesmo, são assim perdoadoras, indulgentes e longânimes.

Quando a música e a dança rolavam, e o insuportável cheiro de garrote assado, ao ponto, sobrevoava o lugar, chegou o irmão de FP, depois de pesado dia de trabalho. Chamou um dos empregados e perguntou o que era aquilo tudo. O criado explicou. Então o cara ficou na maior bronca. Foi daí que a mulher do Manning criou a Síndrome do Irmão do Filho Pródigo ou psicopata, como querem os psicólogos. O pai veio e insistiu para ele entrar e festejar com todos, mas ele, babando, começou a resmungar quão bom, servil e obediente era. No entanto, papai nunca lhe assara nem mesmo um gatinho, quanto mais um bezerro tenro e apetitoso como aquele. Gente do reino com essa atitude toda inclusiva é muito perigosa. Abra o olho.

Conclusão:

O pai sempre celebrará a volta do FP. Não se engane. Ele não irá surrá-lo ou colocá-lo a ferros comendo o pão amassado pelo capeta. Burros somos nós com nossa mania de andar segundo os mandamentos e essas bobagens. Olha em volta e veja quem está com o anel no dedo e as roupas de grife no corpinho, sem falar nos sapatinhos vermelhos, lógico.

Capricornio PB

13 thoughts on “Sermão: A Parábola do Filho Pródigo

  1. LH, aceita este miserável de volta?
    Essas estórias de alumbramento me dão nos nervos…

    Ué? Desde quando você saiu? Mas se você saiu, mesmo que eu não tenha percebido, assim que você aparecer no horizonte, eu o verei mandarei preparar o novilho e a festa. 🙂

  2. Lou

    O único pródigo nessa história é o pai. Não sei porque insistem em chamá-la de “filho pródigo”.

    Só uma questão técnica. A divisão de herança judaica sempre dá ao filho homem mais velho porção dobrada na herança. Sendo dois filhos, um ficou com 2/3 e outro com 1/3 (para a sua matemática, se fossem 18 filhos, o mais velho teria 2/19)

    Estou tentando levantar a bola sobre isso mesmo. Não sei se era uma família judaica que Jesus tinha me mente. Eles eram fazendeiros e criavam gado, coisa rara para judeus naquele tempo. Certo? Agostinho começa seu sermão concluindo tratar-se de uma família judia.

  3. “Sapatinho Vermelho” eu achei que estava fora de moda
    …”esse” povo continua usando? Eu não tenho olhado
    muita coisa.

    Não sei. É só um símbolo. A Dedé gosta do filme com esse título e resolvi usá-lo. Representa o sapato da moda, que não sei qual é, também.

  4. Minha grande pergunta sobre esse texto é:

    E se o filho pródigo não tivesse vivido dissolutamente, e não se visse na necessidade de voltar para a casa do Pai ? Seria justo o Pai se alegrar no sucesso do mesmo?

    Temos muitos filhos pródigos hoje que não estão na casa do Pai, mais não deixam de aplicar os seus ensinamentos, o que fazer diante disso ?

    Estou informando há alguns para irem para caverna, e não para casa!

    Observação pertinente. Além de indicar-lhes a Caverna, desviá-los do mal. Voltar para a casa do Pai, no estado em que ela se encontra pode não ser a melhor opção, mesmo. Se bem que o Bonhoeffer voltou e perdeu a vida e com isso ganhou minha eterna simpatia, o que não é pouco. Se Jesus soubesse o que faríamos com a parábola dele, não a teria citado. 🙂

  5. O mais legal é que FP tem duplo sentido ne.

    E o que tu andavas fazendo numa igreja aí perto?

    rsrsrs

    Abraço Lou

    Ah… isso foi há tempos atrás. Ultimamente, evito até passar em frente.

    Quanto ao duplo sentido não tenho nada a declarar. 🙂

  6. esse pregador ai do esboço precisa é se converter pra ser um pregador usado por deus não precisa ter conhecimento em computação ou deixar de ter oque nos torna homens de deus é ter chamada e unção não importa se é plantador de feijão ou um milionario, vai ler a biblia meu irmão voçe pode ter o maior conhecimento mais se não tiver chamada e unção voçe não é nada. ass diacono dione frança

    Está certo. Pai, perdoa-o, pois ele não sabe o que escreve. Amém.

  7. AONDE VC LEU QUE O TAL DE FP COMEU A COMIDA DO PORCO LEIA COM ATENÇÃO E PERCEBA QUE ELE

    DESEJOU E DESEJAR NÃO DIZ QUE ELE COMEU …POR UM ACASO VC TEM TUDO QUE VC QUER ????

    1. Uaireles

      De fato não li isso em lugar nenhum (da bíblia), mesmo porque isso não está escrito no texto de Lucas 15, onde há
      uma parábola semelhante a minha e com nome homônimo: O Filho Pródigo. Por falar em ler com atenção, devolvo
      a recomendação, pois quem não leu com atenção não fui eu. Se você fizesse o que me recomendou, notaria que
      meu texto é uma paródia do texto bíblico e, sendo de minha autoria, aceita o que minha criatividade desejar… ou
      comer. A propósito, não vejo qualquer problema se o personagem da parábola original tivesse comido o alimento
      dos porcos, apenas enfatizaria a miséria em que o Filho Pródigo se meteu, em sua devassidão. Mas agradeço a
      participação e espero que em oportunidade próxima, venha com mais calma e tenha a coragem de se identificar.

  8. Pregadores não precisam de criatividade para pregar o evangelho, os pregadores escolhidos por Deus e não chamados por ele, precisam ter atos de fé, amor, obediência, oração e adoração á Deus , comunhão com irmãos da igreja e prática de exortação bíblica ao impio , e isso só acontece com a unção do Espirito Santo. Ser santo, ser criativo e ser próspero são consequências positivas da fé em Jesus Cristo. A causa de sermos salvos é vinda de Deus através é claro da intervenção criadora do pai, a intervenção salvatória do filho e a intervenção consoladora do Espirito Santo.

  9. A intenção de Jesus não é acabar e nem ofender as doutrinas judaicas, Jesus não acaba com os mandamentos universais de Deus, note -se que Jesus em todo seu ministério , coloca evidencia pratica na obediência dos nove mandamentos, só o dia do sábado, que não , que ele diz que ele como filho de Deus administra todo o poder ministerial no sábado , assim como ele Jesus deu autoridade para os seus discípulos pregarem o evangelho a toda a criatura, nunca ele afirmou que era proibido pregar no sábado.
    Os dois mandamentos de Jesus Cristo, amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo , respeita os nove mandamentos, pois quem ama a Deus , ama ao próximo e quem ama ao próximo , ama a Deus, quem ama a Deus e ao próximo ,adora a Deus, não mata, não rouba, não cobiça a mulher do próximo, honra pai e mãe . Quem ama a Deus e ama ao próximo , perdoa e pedi perdão, pois faz parte de sua nova natureza , pois agora é filho de Deus e não apenas criatura. Guarda ao sábado para Jesus Cristo é um mandamento judaico e não Cristão .
    No antigo testamento , o cordeiro era o sacrificio
    dos pecados dos homens fieis a Deus.
    No novo testamento, Jesus se tornou o cordeiro que tira o pecado do mundo.
    No velho testamento havia os sumos sacerdotes e sacerdotes que levavam o cordeiro a casa de Deus para que Deus purificasse e salvasse o povo de Israel.
    No novo testamento ,Jesus se tornou o único sumo -sacerdote responsável pela comunhão espiritual entre Deus e os homens,no plano da salvação.
    No novo testamento, todos do corpo de Cristo , se tornaram sacerdotes da nova aliança , podendo cada um em oração e comunhão com os irmãos da fé , agradecer e pedir bençãos bíblicas a Deus , sem intermédio de nenhum homem com atributo exclusivo de sacerdote, o sacerdócio de Cristo para a igreja, é um sacerdócio único entre todos do corpo de Jesus Cristo, ao qual ele é a cabeça, independente se o irmão é pastor, evangelista, profeta, mestre etc.
    Jesus coloca a parábola do ponto de vista doutrinário comum entre o velho e o novo testamento .
    Nesse ponto de vista Jesus não ver os judeus apenas como um filho primogênito , povo ingrato e o filho caçula, gentios, como um povo arrependido.
    A mensagem é clara em todo o seu contexto bíblico , não importa se é Judeu ou gentio , importa a posição diante da trindade divina, aceita a regeneração do corpo,espirito e alma, pela graça do pai , pela fé no filho e pela consolação do Espirito Santo é salvo e renega toda a intervenção divina sobre a salvação humana , a pessoa é perdida.

    1. Carlos Augusto

      Agredeço a visita e seu comentário abrangente.
      Se me permite, minha sugestão é que você escreva um livro contendo sua teologia. Claro que ela será mais uma, como ensinou meu mentor Dr. Dale W. Kietzman, se todos escrevessem um livro som a sua própria teologia, teriamos alguns bilhões de livros sobre o tema no mercado, provavelmente. Como isso nunca acontecerá, não custa arriscar.
      Abraço
      Lou Mello

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