A Gruta do Lou

Meu Brasil, brasileiro e terra dos sábias

Sabiás
Sabiás

Quando fui à França, visitei Paris, marinheiro de primeira viagem, fui visitar a Torre Eiffel, e fiquei apreciando-a de um Café, pois não sou Tatu de subir nessas coisas. Conheci o Louvre, principalmente para ver os Rembrandts e a Madona. Depois fui até lá mais algumas vezes, e sempre para ver museus, vestígios da Revolução Francesa e outras coisas das quais os franceses se orgulham muito.

Na Inglaterra, fui ao Palácio de Buckingham, mas a rainha não quis me receber, nem a princesa Diane, viva naquela época, mas ainda não sonhava em ser princesa. Conheci o Big Ben e a Abbey Road, aquela rua que os Beatles atravessaram descalços. Aproveitei para acertar meu relógio, que nem uso mais e fiquei com cara de boi frustrado porque aquela rua não tinha nada demais, muito menos os Beatles. Os caras podiam colocar algum monumento lá para os turistas beijarem ou jogarem algumas moedinhas.

Em Viena, visitei o Castelo Imperial, lindíssimo. Assisti jovens tocando instrumentos de verdade (violinos, violoncelo, etc.) nas ruas da cidade e comi muito cachorro quente com salsichas verdadeiras e sem corantes. Na Alemanha, depois de Frankfurt e Munique, fiquei hospedado em uma cidade pequena, na casa de uma velhinha simpaticíssima, que me honrou com o melhor quarto da casa. De manhã, nos serviu um café da manhã fantástico e tocou piano enquanto saboreávamos nosso desjejum.

Em Huntsville, Alabama, o Pr. Don Pendergrass passou quase uma semana me levando para cima e para baixo, sempre para ver coisas bonitas e interessantes. Entre elas, visitamos a NASA e tive a oportunidade de sentar no banco de comando de uma Gemíni, por alguns minutos. Em Nova York, estive no Lincon Center onde assisti concertos, no Central Park, com direito a passeio de charrete de gigante e na Estátua da Liberdade, a qual também apreciei com os pés no chão, enquanto o povo fazia fila para subir na tocha. Ainda tive tempo para visitar o World Trade Center que só escalei até a metade, onde havia uma lanchonete padrão americano e me recusei a pagar mais $15 para ir ao terraço sentir vertigens.

Em Lisboa, os Ratos me levaram para conhecer a história da Portugal e até onde começava a nossa, com direito a uma conversa rápida com ninguém menos que José Saramago, em um café ao lado de uma famosa livraria, ocasião em que compartilhei com o velho ateu e sábio autor meu projeto de escrever meu primeiro livro, cujo título seria A Caverna e onde adquiri meu exemplar do Evangelho de Tomé, em português de Portugal.

Na África do Sul, em Johannesburg, conseguiram me fazer subir ao terraço de um prédio de 40 andares, mas também me levaram a um passeio fantástico em uma Mina de Ouro, onde desci a 200 metros e entrei na mina. Depois fizemos um tour por uma lindíssima reserva onde vivem animais lindíssimos que eu pensava só existirem nos filmes hollywoodianos. Fantástico!

Nenhum desses países me mostrou suas inadequações, suas incoerências e paradoxos. Nós sabemos que todos eles as têm.

Bom, você já entendeu que sou um cara viajado, mas minha intenção verdadeira não é contar vantagens sob esse aspecto, mesmo porque , hoje estou longe de repetir uma dessas façanhas ou turismos prazerosos, embora desejasse muito, mas continuo não entendendo porque todo mundo que vem visitar o Brasil, faz turismo em favelas. O que eles vão fazer lá? Cara, não entendo isso. Parece a história do Homem Elefante.

Nosso País tem uma vocação natural para o turismo sem igual, há um dos maiores e mais lindos litorais do planeta, banhando nossas terras do sul ao norte. O pantanal com belezas naturais indescritíveis, o Cerrado sem igual e há o estado de Minas Gerais, um arquivo com riquezas incalculáveis sobre a nossa história e a nossa deslumbrante arte barroca, com destaque para as obras de um dos maiores artistas que pisou o solo terrestre, o Aleijadinho, sem falar nos outros. Todas as vezes que estive por lá, me emocionei muito, em várias cidades, com destaque para Congonhas do Campo, Ouro Preto, Tiradentes e Codisburgo com a Gruta de Maquiné e as histórias de João Guimarães Rosa. Adoro uma boa Gruta, como é de conhecimento geral.

Claro que o Rio de Janeiro deve ser um polo turístico importante, mas precisa ser restaurado e despoluído de vários sentidos. É um risco altíssimo para os turistas, por enquanto, até mesmo para os cariocas, que não merecem o que fizeram por lá.

São Paulo não tem belezas naturais, mas é rico em museus, construções pitorescas  e históricas e/ou emblemáticas assinadas por arquitetos famosos do mundo inteiro. Além disso, tem uma das melhores cozinhas do planeta. Também sofre com a violência, mas por mais que a Rede Globo insista, não se compara ao que acontece no Rio e em outros centros urbanos onde isso se tornou uma praga.

Temos, ainda a Ilha de Itaparica, Natal, Fernando de Noronha, Recife, João Pessoa, Fortaleza, Florianópolis, Ilha Bela e mais um cem número de locais paradisíacos. A Bahia tem mais belezas, mas depois de Rui Barbosa e Jorge Amado, não merecia ser conhecida como a terra de Gil, Caetano e Bethânia, que nem vivem lá.

Penso ainda que nosso melhor item turístico ainda é o povo, mas precisaríamos nos redescobrir, com nossas vocações cem por cento pacíficas, nosso inigualável senso de humor e a … nossa malemolência lindíssima. Deixar que nos explorem sexualmente, particularmente as nossas crianças, é um dos maiores crimes que já se cometeu contra a humanidade. Somos mais do que algumas malocas e favelas.

Nossas danças folclóricas são maravilhosas, do sul ao norte é possível apreciá-las. Nada contra a capoeira e o bumba do Olodum, como uma manifestação legítima do imigrante, desde que isso não substitua nossas expressões de raiz.

Às vésperas de uma Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos por aqui, creio que deveríamos repensar nossas crenças turísticas, um pouco. De fato somos abençoados por Deus pelo privilégio de vivermos nessa parte da Terra. Pena não sabermos direito o que fazer com tantas maravilhas.

Agora os caras querem multiplicar usinas atômicas e caças bombardeiros, pra que? Nosso negócio não é a guerra e se quiserem nos invadir por causa de nossas riqueza, venceremos nossos inimigos com nossas armas mortais, ou seja, beleza, água de coco e brasilidade.

Se quiser mais detalhes, acompanhe as narrativas turísticas do Rubinho e sua esposa.022414_1556_Omachadonoc2.jpg

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