A Gruta do Lou

Memórias como quiser

Memórias como me lembro
Memórias como quiser


 

Mia Couto, escritor angolano, opina:

“O que Dona Luarmina me solicita é: exatas memórias. E isso é o que menos quero. Não é que me faltem lembranças. Estão é espalhadas em toda a minha substância. Meu corpo foi se tornando um cemitério do tempo, parece um desses bosques sagrados onde enterramos nossos mortos.”

Fonte: Livro Rubem Alves, o velho que acordou menino.

Em nossos dias, o tema “memórias” está na agenda de quase todos nós. Primeiro porque nossos computadores, smartphones, tablets, etc, dependem delas para funcionar bem. Mas não é sobre isso que pretendo escrever. Meu objetivo é discorrer livremente sobre as minhas memórias pessoais. Não tanto para revelar, embora pretenda fazer isso do meu jeito, desde que comecei a me dar conta de que elas fazem parte importante de minha vida. Agora quero revelar um pouco do como defino memórias.

A coisa, para mim, vai muito nessa linha do Mia Couto, bem como do que expos o desmemoriado Rubem Alves. Saibam todos quantos quiserem, principalmente os que não entenderam quando zoei o Rubem por ocasião do lançamento, ou melhor, relançamento de seu livro sobre a Teologia da Libertação, em uma dessas igrejas da moda que há por aí, que desmemoriados como o Mia, o Rubem e eu, não são vítimas compulsórias de Alzheimer. O que acontece conosco é que lembramos o que queremos lembrar, do jeito que queremos lembrar, talvez não quando queremos lembrar.

Claro que, como todo mundo, muitas vezes surgem em nossa mente memórias que não queremos lembrar. Vocês não sabem, mas costumamos nos livrar delas, secretamente. Geralmente, quando vocês pensam que estamos cochilando. Se isso não resolver, tomamos um bom purgante, como ensinava Aristóteles, o cara mais inteligente que pisou esse planeta.

Como disse o Rubem, quando um velho conta estórias de sua infância, a saudade mistura tudo. No meu caso, há o problema do herói. Como não canso de ressaltar, o Lou é um personagem fictício que eu inventei. Não quis criar um herói, mesmo porque, hoje em dia está meio esquisito ser herói. Na minha fase infanto-juvenil até existiu o tal de Lú, mas não me lembro quem era. Então, na maioria das vezes, conto estórias dessa fase de minha vida, mas tomo o cuidado de colocar o Lou no meu lugar. Assim, posso sair vencedor de certas ocasiões em que fui perdedor e perdedor em outras. Como dizia meu pai, muitas vezes é perdendo que se ganha, embora eu nunca tenha entendido essa frase muito bem.

Claro que Dona Luarmina também solicita memórias exatas de mim, com medo de que eu esteja mentindo, mas insisto, eu não minto, enquanto penso cá comigo, mas invento.

morcego-12

Share this:
Share this page via Email Share this page via Stumble Upon Share this page via Digg this Share this page via Facebook Share this page via Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.