A Gruta do Lou

Mais um admirável mundo novo

Cada vez mais, tenho ouvido falar ou leio sobre pessoas as quais deixaram de acreditar na existência de Deus ou perderam a confiança em suas próprias teologias e/ou igrejas. Hoje mesmo, li o comentário em uma página do YouTube com a postagem de um vídeo onde se vê uma entrevista realizada por um desses pastores engomadinhos da moda, de quem disseram: siga ele e o principal amigo dele e vocês verão onde irão parar. Acho provável eles estarem se referindo ao inferno. Outro, ali mesmo, escreveu: eles estão trazendo a Revolução Cultural Marxista para dentro da Igreja.

Nossa, até me deu pena da pobrezinha da Igreja. Primeiro foi a história do mundo entrando na Igreja, anunciada por um cara genial chamado David Hesselgrave, através de uma exegese do livro de Tiago realizada lá no nosso Seminário e agora esses lobinhos em pele de cordeiro querendo refazer a leitura eclesiológica com os óculos do Karl. A turma da teologia da Libertação fez essa tentativa, torrando milhares de marcos alemães. Há quem diga calúnias contra aqueles “teólogos”, tais como eles terem bebido em cerveja, vodka e whisky, mais da metade daquela grana. Mas não acredito. Pastores não bebem, pelo menos, não tanto assim. Enfim, não deu em nada antes e agora acabará no mesmo lugar, de certeza. O problema são os corpos ficando pelo caminho.

Jacque Fresco

Há um senhor, norte-americano de nascença, mas com ascendência francesa, cujo nome é Jacques Fresco, o mesmo sobrenome do meu amigo Daniel, os dois frescos só no nome, com ideias geniais sobre um novo mundo, e com ideias preocupantes sobre a igreja. Ele está com 97 anos, no momento, mais lúcido em relação a um monte de gente com 35 anos a menos. Para ele, toda a teologia, sobretudo os dogmas, só existem para manipular as pessoas. Coincidentemente, percebi rápido lá no Xingu, o quanto os pajés eram as pessoas mais manipuladoras das tribos. Os políticos também são grandes manipuladores e, em nossos dias, eles, os professores e os sacerdotes confundem-se e não conseguimos mais perceber a diferença entre eles, pelo menos em termos de manipulação. Professores não roubam, até onde se sabe.

Evidentemente, o Jacques é encarado como uma espécie de lunático, mesmo tendo um discurso obviamente coerente, assim como eu. De fato, pessoas com mania de falar coisas com algum sentido deveriam ser atiradas em hospícios. Onde já se viu. Mas o Jacques quer desconstruir, literalmente, todas as cidades atuais, para depois construí-las novamente em um modelo circular, com base em uma planta muito parecida com a da Atlântida, o continente perdido (veja aqui). Provavelmente ele leu muito a respeito de Osiris, grande cara por sinal, o deus e o mito, também. Chama-se Vênus, o projeto dele. Para variar, mais um nome astrológico, do zodíaco, bem como acontece com nosso conhecimento de astronomia e com a bíblia, universos totalmente astrológicos. Jesus nasceu em 25 de dezembro, filho de uma virgem, assim como conta uma epopeia acerca de um deus mitológico, três mil anos mais velha, segundo contam; a estrela orientando os magos; as doze tribos totalmente zodiacais e os doze discípulos, também, e mais uma infinidade de menções ao zodíaco ali contidas. Os símbolos astrológicos grassam em nosso livro sagrado.

Quando lecionava em seminários (devo ter mencionado isso anteriormente), na primeira aula quando fazíamos as apresentações, pedia para os alunos cristãos protestantes e quase beatos, mencionarem o signo astrológico deles. Alguns relutavam e ficava pior quando lhes comunicava sobre a bíblia conter e, talvez, ter sido construída sobre raízes e orientações altamente astrológicas. Talvez por isso, também, não tenho recebido muitos convites para dar aulas nessas espeluncas.

Boa hora para ratificar minha total confiança e crença na Bíblia. Não importam as ações humanas, zodiacais ou conciliares, minha relação com esse livro baseia-se em fé, pois creio no total controle de Deus sobre ele. Em outras palavras, a Bíblia é exatamente como Deus a quer, a meu ver. O Dr. Shedd pensa assim, também, se não me engano.

Da proposta do Jacques, destaco como um ponto a discordar a questão relacionada à educação. Ele continua com a ideia de escolas em seu admirável mundo novo, enquanto sou adepto da proposta do Ivan Ilisch em seu excelente livro “Sociedade sem Escolas”. Vou até mais longe, em meu admirável mundo novo não haverá nenhum tipo de organização, hierarquias e, muito menos, as sociedades, conhecidas ou secretas, inclusive os governos e igrejas. Para mim, quem deixa a igreja organizacional e seus deuses apóstolos, nem de longe, está separando-se de Deus. Apenas estarão se distanciando das falsas teologias e outras infiltrações presentes nesses antros e meandros.

Entretanto, sua proposta arquitetônica e econômica beira o brilhantismo. Sem dúvida uma utopia, mas é preciso sonhar, como bem disse o Osmar Prado. Compactuo com ele a ideia de acabar com o dinheiro e disponibilizar acesso completo das pessoas aos recursos. Essa história recente do Pré Sal, por exemplo, me causa a mais completa tristeza do jeca, a tragédia das tragédias em termos da mais completa contra-mão sobre o destino dado aos recursos naturais. Como se não bastasse todas as outras maluquices anteriores com nossos recursos, sempre em benefício dos senhores e senhoras do lucro fácil, agora mais essa.

Os recursos naturais não pertencem ao governo e não cabe a ele destiná-lo, especialmente quando o destinam segundo seus interesses políticos, ou seja, sempre. A água, a terra, a vegetação e todo o resto pertence aos seres vivos assim como eles. Quer acabar com o crime e a maior parte dos problemas presentes, basta acreditar nas palavras de Jesus Cristo quando nomeou como nosso maior inimigo a amor ao dinheiro. Elimina-se o dinheiro e corta-se o mal pela raiz. Simples assim.

Creio ter deixado uma imensa tarefa e dever de casa, se você seguir os links, além de ler essas mal traçadas linhas, meu amor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *