A Gruta do Lou

Low Profile

Hero


G
osto desse filme. Embora seja de uma fase mais comercial de Dustin Hoffman, há nele, algumas coisas interessantes. Mais uma vez, Dustin faz um anti-herói, também com aquela cara, fazer o que, mas, com a extraordinária performance de sempre. Seu personagem, mesmo não sendo um herói, salva dezenas de vidas em um acidente aéreo, sem a menor intenção de fazê-lo. Depois passa o resto do tempo dizendo: I’m a low profile. E esse é, de fato, seu estilo de vida.

Tenho insistido, nos últimos posts, em deixar claro que eu sou um “low profile”, autêntico. Talvez, nem seja por vontade própria. Mas, por vocação mesmo. Não fosse assim, teria mais de 1,90 mts de altura ou a altura do Volney, olhos azuis, cabelos fartos e não faltos, escreveria melhor que o Paulo Brabo, cantaria melhor do que a Cíntia e pregaria melhor que o Ed René. Mas, a minha realidade, como a maioria sabe, é bem outra. Nasci para “low profile”.

Desejo enfatizar que a Gruta é o refúgio de gente assim: “Low profile”. Um bando de eminências pardas (Um dos melhores livros que já li: Eminência Parda de Aldus Huxley) carentes, humildes, pequenos, fracos, enrolados, maltrapilhos, perdedores, fracassados. Na Gruta, evidenciam-se as falácias. Até o Warren, se vier, vai ficar com cara de pecador safado.

O engraçado disso, é perceber o desconforto de alguns em lidar com isso. Sentem-se pior do que o gay ao assumir a homossexualidade. Tá todo mundo duro, mas, na hora de pagar a conta, todos sacam o Visa Mastercard, como no anuncio.

Na Gruta ninguém é herói. A Maria Carey pode se esgoelar de cantar Hero e não vai convencer ninguém (Se bem que ela canta p’ra cachorro, digo, bem pacas). Grandes heróis, aqui, já entram avacalhados. Estão na gruta, lugar de Low Profile, como eu.

4 thoughts on “Low Profile

  1. Hero é um filme extraordinário em mais de um sentido – um eficaz espetáculo sobre a eficácia do espetáculo, uma farsa a respeito da farsa.

    Impagável ver o Andy Garcia no papel de usurpador da glória alheia dizendo para as câmeras “somos todos heróis”, e a Geena Davis descascando filosoficamente (também diante das câmeras) a sua cebola.

    Somos todos, evidentemente, aquela cebola: um nada cuidadosamente embalado e protegido por fedidas camadas protetoras.

  2. Não sei porque, mas me lembrei da mulher que disse pra Jesus que ela se contentaria com as migalhas que lhe caíssem da mesa. E do salmista, ao dizer no Salmo 131: “Não necessito de grandes assuntos, nem de coisas elevadas demais para mim”.

  3. “Esta é a Vitória que vence o mundo: a nossa FÉ” I João 05:04
    É muito bom e cómodo esconder-se na gruta.
    Também é muito estúpido, porque ninguém se pode esconder de Deus.
    Mas nós humanos somos assim mesmo.
    Precisamos de ir à gruta, porque não temos fé suficiente para nos vermos como gigantes maiores que os outros gigantes.
    Olhamos para a matéria, pouco para o espírito.
    Que na gruta, possamos nos encontrar, e, sairmos da gruta, e, enfrentarmos o mundo.
    Que na gruta, não nos tornemos preconceituosos, quando já fomos alvos do preconceito.
    Que na gruta, possamos aceitar os que querem entrar, mas pensam de maneira diferente.
    Que na gruta… aprendamos algo!
    Respeitosos Cumprimentos.
    T.

  4. Você é um Lou pro Fáile? Acho que você é Lou pra todo mundo mesmo.
    Gosto que indiquem bons filmes. Vou procurar assistir a esse.

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