A Gruta do Lou

Lembrete de Natal 2017


Olavo de Carvalho

De cem a cento e cinquenta mil cristãos continuam sendo assassinados anualmente em países islâmicos e comunistas, e número aproximadamente igual sofre toda sorte de humilhações, boicotes e constrangimentos nas democracias ocidentais.

Aí a retórica anticristã da mídia, das universidades e dos organismos internacionais torna-se cada vez mais ostensiva e desinibida, denotando uma intenção clara de passar, em breve, do genocídio moral e cultural ao assassinato em massa.
Ser cristão tornou-se tão perigoso que já não concebo outra saudação de Natal para enviar aos meus amigos e leitores senão a boa e velha advertência de que não nascemos para este mundo, mas para a vida eterna.

Foi não apenas para trazer, mas para cumprir esse aviso que Nosso Senhor veio ao mundo e morreu por nós. Seu Nascimento não faria sentido nenhum sem a Sua Morte, e Sua Morte sem a Ressurreição.

Também a Ressurreição não faria sentido se não tivesse deixado outro sinal na Terra senão a lembrança na mente de umas poucas testemunhas, dois milênios atrás. Mas as marcas da presença de Jesus no mundo são tantas e tão constantes que a única maneira de as ignorar é desviar os olhares e tapar os ouvidos.

Sempre vejo algum humorismo involuntário quando me falam na “fé em milagres”. Um milagre, por definição, acontece no mundo físico e é percebido com os cinco sentidos, sem nenhum apelo ao auxílio sobrenatural da fé.

Afinal, o paralítico andou ou apenas acreditou que andou? O cego enxergou ou apenas pensou, com muita fé, que enxergava? Lázaro ressuscitou ou apenas, no fundo do túmulo, acreditava erroneamente estar vivo?

Também me parece que, se em vez de fazer o Sol dançar diante dos olhos de todos, Nossa Senhora tivesse, num estalar de dedos, instantaneamente, feito apenas oitenta mil pessoas acreditarem nisso sem ver nada, teria sido um milagre mais extraordinário ainda.

Só há um meio de negar os milagres: é negar-se a olhar os fatos, é trocá-los por pensamentos. É trocar, como diria o Bruno Tolentino, o “mundo como rapto” pelo “mundo como ideia”.

Infelizmente, noventa por cento dos filósofos não fazem outra coisa.
Tanto quanto os milagres, o mal e horror do mundo nos falam, e o que dizem é a mesma coisa: não somos daqui, somos da eternidade.

Que nenhum de vocês se esqueça disso são os meus mais sinceros votos de Feliz Natal neste ano de 2017.

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