A Gruta do Lou

Judas era um dos doze escolhidos



“A ênfase de Marcos não estava na motivação de Judas, qualquer que tenha sido ela, e sim no fato de Judas ter feito parte dos Doze.”

Marcus Borg, em A Última Semana.

Pessoal discute muito sobre as motivações que teriam levado Judas a trair Jesus, mas o ponto mesmo está no fato dele ter feito parte dos doze escolhidos pelo Galileu famoso, pessoalmente, sem contar as consultas celestiais prévias realizadas, nos montes da vida.

Uma amiga de minha família, para provocar, dizia não se conformar com a condenação de Judas. Se ele pecou, todos pecaram, porque só ele se deu mal? Era a pergunta predileta da solteirona. Se gostasse dela, poderia ter-lhe dado mais esse argumento, pois Judas era um dos doze de Jesus.

Outro dia me deparei com o vídeo de uma conferência cujo tema era “A Denúncia como estilo de vida”. Fiquei assistindo aquilo mais tempo do que deveria e acabei lembrando do inevitável: Jesus Cristo tinha exatamente esse estilo de vida. Ninguém denunciou mais e tão enfaticamente os inimigos do povo de Deus, lembrando que, para Deus, seu povo é formado por todos nós. Jesus deixou claro o quanto o imperador Cesar não valia nada, chamou Herodes de raposa e os sacerdotes, inclusive os sumos, de sepulcros caiados, entre outras cositas. Jesus foi o maior subversivo da história, coisa de fazer Che, Fidel, Lenin e tantos outros corarem de vergonha em seus pífios arroubos na arte de subverter. Acima de tudo, fez da denúncia sincera seu melhor método missionário, a meu ver.

Quando vejo “los Hermanos” gastarem dinheiro dos contribuintes em iniciativas dessa magnitude, sinto enorme tristeza. O velho pastor, pessoa da maior credibilidade, sacando do fundo de sua sabedoria aquela frase absurdamente criativa: “é, para não denunciar precisa amor, ante de tudo”. Barrabas! Errais por não conhecerem as escrituras, ele lhe teria dito, na lata.

Jesus da Galileia precisou gastar seu melhor na tentativa de fazer seu grupo de seguidores formado dos tais doze escolhidos e mais uma pá de gentes sempre presente, menos na hora do vamos ver, entender o que era mais importante. Quando chegaram a Jerusalém, o Mestre reuniu esse pessoal para revelar os acontecimentos prestes a acontecer, nos quais, ele seria sacrificado em morte vicária via cruz, para vencer a morte via ressurreição três dias depois, ou seja, um convite muito claro para quem desejava, de fato segui-lo. Mal ele acabara de dizer essas palavras, seus “doze discípulos” quase saíram na mão discutindo quem seria o sucessor dele incluindo o direito de sentar no melhor lado dele na vida eterna.

A isso, Jesus lhes disse: “Quem quer ser o maior sirva a todos os outros”. Noutra ocasião, nesses mesmos dias, o filho predileto de Deus Pai usou uma criança para mostrar-lhes como deveriam ser iguais às crianças. Em suma, seus discípulos precisariam encarar a parada de serem pessoas com o perfil de servos, escravos e crianças. Em outras palavras, inocentes, servis e despojados.

Sempre que esse pessoal presunçoso e precipitado, criadores de teologias missionais e etc., aparece com essas conversas moles para bois dormirem, sinto uma certa sensação de estar entre os alvos deles. Afinal, a exemplo do Mestre, faço da denúncia uma de minhas estratégias. Longe da dignidade e bondade generosa de nosso Senhor, de quem não sou digno de desatar os nós dos cadarços de seus tênis, evidentemente. Mas há em mim certo zelo sim e ainda tenho alguma inocência grassando em minha alma, nem que seja lá no fundão. Está longe de ser só ofensa vertical para conquistar ponto no mercado evangélico e/ou religioso, diferentemente de uns e outros.

Por outro lado, quem está entre os doze só para se dar bem e no final trair ou abandonar o Cristo Redentor não tem em si nada melhor do que gente picareta como eu, se não me engano. Iremos todos ao inferno, caso Ele resolva não usar de misericórdia conosco, os que receberam mais dele, afinal.

 

 

 

 

 

 

 

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