A Gruta do Lou

Jesus de nossos dias

Jesus em nossos dias
Jesus em nossos dias

Alguém perguntou como Jesus viria em nossos dias, caso isso fosse mesmo uma possibilidade. Penso em uma única hipótese, ele passaria por aqui desapercebido, ou só uns poucos o reconheceriam. Em uma segunda tentativa, dificilmente ele repetiria os erros da primeira. Nada de ficar andando daqui para lá e vice versa falando todas aquelas bobagens bem aventurosas ou jactando-se em milagres e exaltando-se com parábolas ridículas. Ele seria bem menos, dessa vez.

Não sei direito qual viés ele escolheria. Caso fosse o modelo rico, o mais provável, apareceria nos Estados Unidos em algum vale Saddleback qualquer ou em um desses Willow Creek da vida, não com o intuito de honrar qualquer igreja que haja por lá, mas justamente com o propósito de manter-se incógnito, pois aquela gente esnobe jamais o reconheceria, especialmente se ele usasse o nome Bill ao invés do tosco Jesus, falando inglês americano fluente com leve sotaque da Nova Inglaterra e usando um discreto chapéu de cowboy.

Caso preferisse o modelo pobre, sem dúvida a preferência recairia em um lugar como o Brasil, mais especificamente em São Paulo, onde ficaria ainda mais fácil não ser reconhecido. Com o nome de Paulo, Volney, Rubens, Fábio ou Luiz alguma coisa, freqüentaria alguma igreja na zona oeste ou no Morumbi, onde ninguém o reconheceria. Seria mais velho e experiente, mais calvo, alguma barriga e um bom cavanhaque grisalho, pelo menos.

Provavelmente manteria um blog WordPress ou Blogger com algum nome biblicamente sugestivo, tipo Bacia, Jesusblog ou Gruta e escreveria textos meio heréticos em relação ao sistema de falsas crenças adotado pelos cristãos desses arraiais e, por aí, destilaria suas falácias costumeiras. Trataria de manter-se longe dos crentes da Universal, Internacional, Mundial, Renascer, etc., onde seria reconhecido imediatamente. Nesse caso, usaria roupas do tipo esporte clássico, dirigiria um Ford K ou um Corsa 2001 e daria preferência ao Fast Food local. Se bem que ele adoraria uma bela pizza com vinho.

Creio não haver qualquer problema em sonhar, afinal nascemos com essa estranha virtude e quem teve a idéia imaginava que ela seria usada pela criação.

021314_1317_Entreafea2.jpg

4 thoughts on “Jesus de nossos dias

  1. 2000 anos…o estigma permanece…mas,como nos é permitido sonhar
    …imagino Dona Severina,lá no agreste nordestino, ela faz alguns
    milagres porretas todos os dias, tipo: com duas colheres de farinha,prepara angu para oito pessoas.

    Dona Severina, também é uma tola adorável, como a Madre Tereza. Se elas fossem calvinistas da reforma não precisariam fazer os seus incompreensíveis milagres. Era só arrumar emprego em alguma fábrica por aí.

  2. Será que o Jesusblog vez ou outra sairia do ar por problemas técnicos? entraria constantemente em reformas? Bom, uma coisa é certa, Jesus não precisaria fazer back-up, ele já salva…

    O Jesusblog seria um blog de futilidades, igual a muitos por aí, mas que são campeões de audiência e costumam ganhar os prêmios de mais acessados, segundo as revistas mais fúteis do mercado, como Veja, Isto é, Época, etc.

  3. Obrigada pela resposta em forma de post. Ficção mesmo. Na primeira hipótese, você coloca um Jesus rico,como diria o John Lennon, Imagine! Depois um Brasuca pobretão. Posso dar o meu pitaco? O Jesus de nossos dias uma vez mais estaria de mangas arregaçadas que nem nós o reconheceríamos… A meu ver,estaria acudindo os doentes, subindo morro,entrando em mocó,como disse Raquelzinha,multiplicando angu lá no sertão Nordestino, socorrendo moradores de rua, as crianças da cracolândia,ensinando as pessoas a trabalharem na preservação do planeta…

    Bobagem. Ele faria seus imprudentes discursos via televisiva, trataria de realizar muitos encontros de pastores e se dedicaria à música Gospel. Ah, assinaria um blog de futilidades, claro. O resto não resulta.

  4. É verdade,milagre não tem explicação, é milagre mesmo…
    o que conta é a atitude…salvo engano(salvo engano,sempre pode
    dar a possibilidade de não comprometimento)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *