A Gruta do Lou

Irrelevância, o dispositivo do idoso e o Adelfores

Irrelevância, o dispositivo do idoso e o Adelfores, têm muita relevância, se não me engano.

Há muitos falando e/ou descrevendo a situação dos idosos. Poucos idosos se manifestam. Como tenho blog, me pareceu oportuno colocar a minha colher nessa massa. Me tornei idoso segundo a lei (estatuto do idoso) em 2011, quando completei meus sessenta anos, ou seja, até ali havia vivido sessenta anos de vida. Alias, não sei porque o veinho fica velho aos sessenta anos, segundo nosso estatuto, mas não pode se aposentar, ainda.

A veiarada fica louquinha pra meter a mão na aposentadoria, mandar o chefe para … hum… inferno, etc. Por outro lado, boa parte da veiarada não se sente assim tão bem, nessa hora, se não tiver como provar que trabalhou 35 anos, recolhendo a cada mês, 8 e meio por cento de seu salário ao INSS.

Fora disso, caso você não tenha comprovantes dos 35 anos, o véio poderá requerer sua aposentadoria, caso tenha os comprovantes de no mínimo 15 anos de recolhimento.  Nesse caso, o véio receberá um salário mínimo mensal + o décimo terceiro anual.

Se não conseguir provar os 15 anos, mas tenha comprovantes de menos de 15 anos recolhidos, o INSS faculta um salário mínimo ao véio ou véia. Esse último caso é exatamente o meu.

Engraçado, para não dizer palavras feias, a partir do momento que saí lá da loja do INSS, em 2016, tendo logrado esse valor mensal fabuloso, dali pra frente, nunca mais consegui trabalho, nem os meus bicos com os quais ainda conseguia colocar comida na mesa, ainda que dia sim dia não. Quando não tinha, esquentava-se a sobra do dia anterior, ou pegava fiado aqui ou acolá pra comprar uns bifes, alguém mandava uma cesta básica, enfim, eu trabalhava e ainda tínhamos o Thomas conosco, sei lá, uns e outros davam uma ajuda pra completar, ao menos o jantar.

Nem o pastor, que também costumava me dar umas doações, além do trabalho (consertar ou fazer revisões nos computadores da família), também não continuou com essas práticas, afinal passei a ganhar essa modalidade de aposentadoria (embora ninguém a chame assim), então não precisava mais. Aliás, ele nunca mais me convidou para bater um papo com ou sem café. Nem sei onde ele mora atualmente. Nossa, eu era um estorvo legal e nem me dava conta. Vixe!

Não sei se você sabe, mas nossos corpos veem de fábrica com um dispositivo para ser usado quando chega o fim da linha. Não sei o nome disso e muito menos onde fica, mas há. Quando o corpo detecta a hora de preparar nossa saída corporal dessa vida e também de desconectar a chave geral quando estiver tudo pronto, não do nosso gosto, mas a gosto do tal dispositivo. A maioria dos véi (e nem precisa ser véi, pois muitos ligam o dispositivo muito cedo ou antes da hora) não se dá conta do dispositivo. Correm no médico, hospital, AMA, Pai de Santo, Profeta, etc., pra ver se conseguem mais um tempinho por aqui.

Mas se o dispositivo já estiver em ação, não há o que consiga parar o relógio dessa bomba. Talvez, o Papai do céu, antigamente ele desligava o dispositivo de vez em quando, mas ultimamente ele não anda livrando ninguém da dona morte, se o dispositivo já tiver em andamento.

Quando percebi a coisa feia em termos de arrumar algo pra fazer (em termos de trabalho) para melhorar as finanças da família resolvi aproveitar o tempo para fazer alguns cursos, quem sabe assim, dava um empurrãozinho na situação e, talvez, ganharia algum ponto capaz de me ajudar a encontrar algum trampo remunerado.

Então, em 2016 mesmo, fui fazer um curso de Astronomia, na USP, para veinhos. Fiquei todo animado. Não fazia ideia como astronomia poderia ajudar a conseguir trabalho, mas era um ponto a meu favor legal. Garanto que nenhum outro candidato para a vaga teria conhecimentos astronômicos.

Em 2017, me candidatei a uma vaga para fundraiser (captador de recursos) na Aliança Cristã. Passei por uma entrevista de umas três horas com entrevistadores profissionais. Só lá no fim da entrevista, um deles me questionou assim: Afinal, por que Astronomia? Nem o entrevistador encontrou um jeito de incluir algo sobre esse detalhe. O que a Astronomia ajudaria um captador de recursos onde quer que fosse? Penso eu. Imagine os caras. Falta de imaginação meu.

Um astrônomo deve fazer qualquer negócio, são os caras mais sabidos sobre a face da terra, ou melhor, do universo (Qualquer dúvida, lembre de Kepler e Galileu). Lembra daquela conversa com Abraão quando Deus diz a ele que os filhos de Israel serão tantos quantos as estrelas no céu que ele poderia ver. E Abraão nem sabia a diferença entre planetas, luas, estrelas e outros. Não imaginava que as estrelas eram só os sois.  Então, se Abraão tivesse estudado astronomia ele daria de dez a zero. Mas Deus o inquiriu usando o saber da astronomia. Veja lá:

“Então o levou para fora e disse: Olha agora para o céu e conta as estrelas se as pode contar; e acrescentou-lhe: Assim será a sua descendência”. Gênesis 15: 5

Imagina um fundraiser captando recursos com Deus e o saber da astronomia. Mostraria para os caras o tamanho do mailing que a Aliança Cristã teria para suportar, algo tal como as estrelas que as possa contar. Onde haveria um fundraiser melhor do que eu, com saber astrônomo incluso? Pois é, acharam um pastor bem mais jovem que eu, casado, dois filhos e com um estágio de três meses na Visão Mundial aprendendo a fazer o sistema de adoção de crianças (entenda, doações em favor de crianças certas).  Agora, esse jovem não faz nenhuma ideia sobre Astronomia, e deve pensar sempre porque raios Deus usou aquele argumento astronômico para convencer Abraão de sua descendência.

Enfim, não fui escolhido, então resolvi continuar estudando já que não consigo diminuir minha idade, ao contrário, todo dia quando acordo percebo que estou um dia mais velho. De lá pra cá, já fiz três cursos, dois na Harvard (Cristianismo e Cartas de Paulo) e um na Universidade de Boston (Fé & Finanças), uma vez que a Bíblia é o melhor livro sobre finanças que existe. Também, estou estudando na Universidade de Israel (a Cabala) e desisti de um sobre uma linguagem nova e revolucionária em computador. Mas ainda nada de trabalho, nem os meus projetos saem do chão, até aqui.

Nos últimos dias, reativei o Adelfores (irmandade). Quando comecei esse projeto em 1981, com o pessoal da Open Doors Mission, demos o nome de Mais que Vencedores, mas agora esse nome virou carne de vaca. Então mudei para Adelfores. A Missão desse projeto está em Apocalipse 3: 2 “Acorda! Fortalece o que ainda resta e está para morrer…” (tradução livre). Quem sabe mato dois coelhos com um só cajadada (Humm, coisa horrível de se dizer), uma missão digna e algum sustento a mais para viver uma pobreza mais digna. Afinal, muito foi dito sobre o trabalho dos velhinhos quando ninguém mais estará disponível para essas missões do fim.

Já tentei muitas outras possibilidades e não deu em nada. Tomara que essa funcione, segundo a vontade divina. Tô com medo de já ter ligado meu “dispositivo”. Estou emagrecendo, perdendo o paladar, etc…, sei não.

 

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