A Gruta do Lou

Inveja maluca, na beira da vida…

InvejaA inveja

Um de meus preclaros leitores, depois de ler meus parcos textos, concluiu que eu invejo o Fed Nene e o Riquinho Gordim. Olha, concordo plenamente. Estranho seria se eu invejasse o Caio, o Jabes, o Silas ou um desses pilantras quaisquer que andam por aí. Tem aquele, daquela igreja difícil de pronunciar o nome de um vale nos Estados Unidos, onde até para acessar o site do cara você precisa de cartão de crédito. Parece táxi de Sorocaba, custa R$ 4,00 só para dar uma sentada no banco do carro, sem ir a lugar algum, muito menos sair do lugar.

Eu os invejo sim, com muito orgulho. Querem ver por quê? Quando foi que fui convidado para ser preletor de algum encontro de pastores pela última vez? Nem eu lembro quando foi, só sei que foi uma vez só e houve uma única inscrição e uma posterior desistência. Alguma vez o Pava me convidou para debater com algum gringo maluco sobre pré ou pós-modernidade? A SEPAL  me chamou para dirigir algum Workshop, nem que fosse para recitar Camões ou Compés? Sabem qual foi o último congresso que fui um dos preletores? Missões, promovido pelo Jovens da Verdade, na pessoa cômica e caricatural do Jasiel, na Primeira Igreja Presbiteriana do Brasil em Carapicuiba. Eu era tão popular que um presbíteros veio me tirar da varanda da igreja, dizendo que só os preletores podiam ficar ali.

Tudo bem, como diz Thiago: em boca fechada não entra mosca, não com essas palavras, mas era isso que ele estava dizendo. Tem gente que pensa que desejo sair por aí falando sem parar. Não e não. O barato não está em falar, mas em ser convidado e aí dizer não, não posso, pois estou com a agenda cheia até 2010.

Uma vez eu liguei para o Dr. Shedd. Atendeu um gajo se dizendo secretário dele. Antes que eu dissesse qualquer coisa ele foi dizendo: O Dr. Shedd só tem datas para aceitar convites em 2008. Estávamos em 2001 e eu estava ligando para avisar que havia colocado no correio as passagens do Dr. Shedd  para a viagem dele a Gramado.  Ele seria nosso preletor no encontro de pastores que estávamos (SBI) promovendo lá. Adorei aquilo. Já pensou, só terei datas para preletar em 2010. Chique demais.

Essa é a vida do Fed Nene e do Riquinho Gordim. Não dá, não posso, agenda está cheia, não como jiló, só durmo em lençóis brancos e de seda, quero 52 toalhas felpudas em meu  camarim e um vaso com uma dúzia de rosas lilases. Vou invejar o Caio? Olha lá o adultero. Lá vem o cara falar mal do Silas. Como pode? Devia ter vergonha de ainda andar por aí se passando por pastor. Safado!

E onde anda o Edson? Estamos ou não no país da piada pronta? O sobrenome do cara é uma piada pronta! Imagine como os coleguinhas de classe o chamavam no tempo do primário? Pode? O Wagnor o convidou para pregar em Azaré. Ele foi com o carrão dele, passou em frente à igreja e foi estacionar uns três quarteirões à frente, para ninguém ver o carrão. Depois que o culto acabou, a rádio da cidade estava gritando a plenos pulmões que um carro estranhíssimo fora visto nas imediações da Igreja do Pastor Wagnor. Posso invejar um cara desses?

Não. É preciso um certo charme para ter inveja. Quero saber se o cara é pastor de alguma igreja grande e “evangelical”, se toma um vinhozinho de vez em quando, se pedala no Ibira ou no Morunba, se faz as compras no Shopping Morumbi ou, na pior das hipóteses no Ibirapuera. Onde pregou, se fala inglês fluentemente e já interpretou ou Jimmy Swaggart. Não, jamais invejarei pastor que não sabe falar uma segunda língua e não serve espanhol. Também quero saber dos mestrados. Mestrado em Teologia em universidade brasileira é uma grande piada. Mestrado na Uniso (Universidade de Sorocaba) não serve nem para currículo de porteiro de pizzaria em Moema.

Inveja é coisa séria. Não dá para ficar invejando qualquer um não. Eu tenho vergonha na cara e só invejarei as figuraças,  enquanto viver. Afinal, isso é o que me resta.

lousign

12 thoughts on “Inveja maluca, na beira da vida…

  1. Lou, bom dia!

    A sua escrita dispõe-me bem mas dá-me que pensar…o que eu acho que são duas coisas muito unteressantes…

    Quando comecei a ler o seu texto, chamei o meu marido que é pastor, para ele apreciar e deliciar-se com o seu desempenho.

    Sabe que sou uma “velha” amiga do Dr. Shedd!? Quando ele, bem jovem ainda,esteve em Portugal.Ele vivia com a esposa – que eu achava lindíssima – e com os dois filhos pequenos, aqui bem perto da minha casa e, cada vez que passo no local lembro-me com muita saudade deles. Eu era visita frequente da casa, e tornei-me numa grande amiga da esposa e…confidente! Lembro-me de ela me contar que era aluna dele e foi aí que se conheceram e se amaram.
    Enfim, parece que o mundo é bem pequeno, não é?
    Por cá consideram que foi uma perda enorme ele ter ido para o Brasil. Que Portugal perdeu um grande homem. Eu creio que houve por aqui algum desaguisado com os pastores dirigentes, não sei o quê.
    Nunca mais o vi. Soube que ele esteve cá o ano passado como convidado num encontro de Pastores,mas não tive oportunidade de estar com ele.

    Bom, chega de prosa.

    Desejo-lhe um bom dia com muita alegria.

  2. É isso aí Lou, não pode se pode invejar qualquer coisinha por aí, é preciso saber escolher..rsrssss… agora, que eu adorei o “Camões e Compés” lá isso eu adorei mesmo !!!…. (ai que inveja do seu jeito de escrever – heheheeeee)
    Abraços e uma ótima sexta pra você.
    Alice

  3. Lou,

    uma coisa tenho que adimitir: você é o maior barato. Temos que continuar aquele papo pra ver se rende alguma coisa.

    Abrçs.
    Roger

  4. Concordo, Lou. Posso afirmar sinceramente que não tenho inveja de você, por exemplo. Nem do Brabo, da Vilma, do Volney, da Georgia, do Alysson… nem de mim!
    Não invejo ninguém da Gruta, porque já estou nela. Agora, caso não estivesse… morreria de inveja de todos!!!

  5. Se for pra sentir inveja, que seja deles!

    Estranhei vc nao citar nosso amigo brabolino!

    Ser grutense também é invejar “os caras”.

    Abraços

  6. Lou,
    seu humor está cada vez mais aprumado…
    só quem não te conhece mesmo….
    e olha, que quando eu tenho que dizer, lanço papo brabo mesmo, como vocês dizem por aí…
    Passei por aqui só para lembrar que ainda que muito, muito ausente mesmo, você e sua família estão presentes nas orações da manhã…
    GOD BLESS YOU.
    T.

  7. Peço a todos vocês permissão para fazer uma réplica única a todos os comentários até aqui, nesse post. Ontem, passei o dia em São Paulo, viajando à casa do Pr. Neto, depois ao Poupa Tempo na Praçã da Sé, de volta à casa do Pr. Neto, outra vez ao Poupa Tempo e de lá para o escritório do Adalberto e, finalmente, de volta à bela Sorocaba. Quando cheguei estava “estropiado”. Precisei de uma boa noite de sono para reassumir minhas funções na zeladoria da Gruta.

    De fato, Viviana, o Dr. Shedd foi quem mais influenciou minha formação teológica. Não sei se isso é motivo de orgulho para ele, com tantas bobagens teológicas que costumo destilar, por aqui. Mas ele e sua esposa são pessoas especiais demais, sem dúvida. Se não houver outra razão (e acredito que hajam milhares) ele precisou vir para o Brasil para me preparar ao ministério profícuo que desenvolvo aqui nesse lugar esquecido pelas hostes celestiais, na periferia de Sorocaba.
    Irei ao desafio da Alê e, a qualquer momento, continuarei o papo via MSN com você, Roger, outro brasileiro em terras de Lutero.
    Wander, como disse o Rubinho, nós não invejamos grutenses e a carteirinha de sócio remido do Brabo na Gruta foi uma das primeiras emitidas, só não é mais velha do que a minha e a do Volney, salvo engano.
    Chris, você nunca nos surpreenderá com suas maltrapilhices, pois estamos todos no mesmo barco, certo?
    Finalmente, meus agradecimentos mais que sinceros à Alice, Tinoca, Jorge e a todos vocês que têm um lugarzinho reservado para nós em suas orações matinais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *