Meu legado

No interior de Moçambique – África

Meu legado começou a ser delineado, desde o domingo retrasado, quando o Alex Dias Ribeiro confessou na igreja, durante sua mensagem, estar na hora de entregar seu legado, confesso ter sido impactado. Nunca pensei nessa possibilidade, ou seja, o Alex como mensageiro de Deus para mim. Certamente ele é um servo do Senhor desde sempre. Foi na Igreja Cristo Salva (Jesus Save) onde me converti e só aceitei ir conhecer o local por causa do detalhe Alex. Eu era fanático por Fórmula I, embora o Alex não fosse campeão como Fittipaldi, Piquet e Senna, ele vivia lá, naquela época e trabalhava em favor do evangelho, já que não tinha carro top.

Devo ter visto o Alex na Igreja Cristo Salva uma ou duas vezes e de longe. Mas depois, alguns anos, já fora da Fórmula I, encontrei o Alex na Germine, uma organização concebida pelo amigo irmão Volney A. Faustini e quem me convidou a participar do projeto Força para Viver. A Germine se propunha ser uma chocadeira de projetos e o Alex estava lá “chocando” a Missão Atletas de Cristo. Aí, nos encontrávamos no dia a dia e conversávamos às vezes, geralmente na sala do Volney, onde eu trabalhava.

Depois dessa época, estivemos em alguns eventos ao mesmo tempo, mas sem maiores conversas, até chegar o domingo retrasado quando Deus resolveu usá-lo para me dar o recado, embora ele tenha falado sobre o legado “dele”, sem se dar conta da carona forçada através dele.

Essa hora das nossas vidas não é nada fácil. O Alex está escrevendo livros sobre Fórmula Um e vida cristã, sobretudo, sobre o trabalho junto aos atletas brasileiros Olímpicos, futebolistas, etc., enquanto divulga seu material e vai alavancando algum pro leitinho dos netinhos (isso é por minha conta), mas dou maior força para ele nesse detalhe.

Quanto a mim, o caminho foi outro. Primeiro me tornei professor de Educação Física. Não ria, por favor, hoje temos um presidente Professor de Educação Física e o povo brasileiro está pondo a maior esperança já vista no Brasil em um cara com essa formação tão desrespeitada no pedaço. Depois de ter sido diretor de duas creches diretas da Prefeitura Municipal de São Paulo, psicólogos, pedagogos, enfermeiras, nutricionistas, assistentes sociais e outras humanistas lideraram um movimento com a finalidade de impedir Professores de Educação Física dirigindo creches, como se fossemos uns beócios.

Tenho certeza de ter feito um bom trabalho nas creches, mas tinha contra mim o fato de ser homem em um lugar (as famosas Fabes) onde havia enorme e insustentável preconceito contra os indivíduos machos. Além disso, eu não era comunista e isso era um pré-requisito secreto, mas ninguém me avisou do detalhe. Para completar, era professor de Educação Física.

Essa passagem na direção de creches diretas da PMSP aconteceu na década de oitenta, a partir de 1983. Primeiro fui trabalhar na Secretaria Municipal de Esportes, lá no Ibirapuera, em frente ao hospital do servidor público do estado.

Antes disso, na década de setenta, trabalhei duro em escolas particulares, dando aulas de Educação Física para quem? Sim, justamente para crianças da chamada pré-escola de 3 a 6 anos, a mesma faixa de idade das creches (algumas são de 0 a 6). Em todas as escolas (umas quatro) fui muito bem com trabalhos muito elogiados.

Para tanto e apesar da preparação na Faculdade de Educação Física (psicologia, pedagogia, didática de ensino, etc.), essas escolas me agregaram muito conhecimento para somar à minha especialidade com destaque para os ícones do construtivismo tais como Piaget, Maria Montessori, etc.

Obviamente, quando cheguei às creches estava teórica e praticamente pronto para dirigi-las. Detalhe, antes de me formar em Educação Física, passei por uma faculdade de Administração de Empresas. Dificilmente minhas colegas diretoras eram melhor preparadas do que eu, tanto é que, liderei e fui porta-voz de todos, sem ser o único, claro.

O barato é pensar, afinal, no fato do trabalho principal com as crianças de creche ser eminentemente de cuidar do desenvolvimento físico, motor e cognitivo. Sem antes cuidar da vida delas. Afinal, quem estava mais preparado?

Entre a saída da secretaria de esportes para a Fabes, comecei a trabalhar na Missão Portas Abertas. De 1977 a 1983, estudei teologia, mais para meu próprio interesse, embora meus colegas de seminário pretendiam o episcopado, na sua maioria.

Em 1979, fiz parte de uma missão cujo objetivo era pesquisar a situação religiosa na Albânia, na época, esse país se autoproclamara um país ateísta. Casara em 1978 e quando fiz parte dessa missão, minha esposa estava grávida e não pode me acompanhar e isso nos afastou por dois meses. Voltei quinze dias antes do nascimento de nossa filha, a nossa primogênita.

Essa viagem à Albânia me alavancou para o trabalho na Missão Portas Abertas. Mas, além da experiência com aquela missão na Albânia marxista-leninista, fui convidado a cuidar da área de marketing (conhecida como desenvolvimento, por lá), embora não tivesse nenhum preparo para tanto.

O Dr. Dale D. Kietzman, vice-presidente da Portas Abertas dedicado ao desenvolvimento na missão foi quem me convidou para trabalhar lá e se incumbiu de me dar o treinamento necessário para o trabalho à minha frente.

Desenvolvimento incluía Comunicação e Levantamento de Fundos (hoje conhecido como Captação de Recursos), com vantagem de ser uma preparação dedicada à área religiosa, no caso, cristã. Reputo essa preparação ao nível de um mestrado.

Até hoje, não existe um curso como esse nas escolas teológicas e nas especializadas na área específica. Morro de rir quando vejo os professores e os programas das poucas escolas tentando dar alguma coisa nessa área, mas são risíveis, infelizmente. Salvo engano, claro.

Depois de sair da Portas Abertas, por alguma razão por desconhecida, não fui convidado a trabalhar em nenhuma outra organização similar. Lembro do Pr. Jonathan dos Santos conversando comigo e me dizendo “time que está ganhando não se mexe”.

Entretanto, ele e organização criada por ele, Barbara Burns, Pr. Décio e outros, passaram por graves problemas financeiros. Muito embora, ele tenha conseguido erigir a pirâmide dele lá no Vale da Benção em Araçariguama, São Paulo. Talvez eu pudesse ter ajudado um pouco amenizando as dificuldades, mas nunca aconteceu.

Passei por mais algumas, mas sempre por imposição minha, me sujeitando a trabalhar sem carteira assinada e sem direito a salário e benefícios, como foi no Exército de Salvação, Vencedores por Cristo e outras menores.

Só a Igreja Maná me contratou com carteira assinada, salário e pouca coisa em termos de benefícios, mas para trabalhar em TI. No meio de tudo isso, acabei me tornando um bom técnico em informática, não só para consertar computadores, mas para usá-los no controle e administração das organizações.

Nunca entendi porque nunca me convidaram para as festas de aniversário dessas organizações. Outro dia mesmo, teve a festa dos Vencedores e meu convite não chegou. Isso me faz pensar como os correios prestam um péssimo serviço.

Nem arriscarei alguma sugestão sobre as razões de não ter tido maiores oportunidades. O fato é, sem exceção, sai de todas essas organizações sem motivos aparentes.

Na Portas Abertas, por exemplo, fui convidado a me retirar, em reunião com a presença do Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor, por diferenças em relação ao tal do Roberto Jakob, o secretário executivo, uma graça de pessoa, mas não tinha o menor cacoete para administrar e pior, era casado com um psicóloga.

Nesse caso, entendi a razão, mas não acreditei. Se esse era o caso, deviam ter preterido o Roberto e não eu, a meu ver. O Dale ainda teve o desplante de me dizer: você vai sair daqui e arrumar emprego logo, enquanto o Roberto, se sair daqui, não arrumará trabalho muito facilmente”. Um atestado do que estou dizendo, né?

Enfim o DaleW. Kietzman foi meu amigo até poucos dias antes de morrer, em 2015, quando me enviou o último E-mail oferecendo todo o material dele relacionado a Desenvolvimento, mas não conseguiu enviar nada, provavelmente pelo estado da saúde dele. Não sei se chegou a informar a família desse detalhe, ou foi os correios, de novo.

Durante mais de quarenta e dois anos, em meio a tudo isso referido acima, tive a oportunidade de dedicar-me ao cristianismo (sem uma bandeira específica, pois estive com pessoal pentecostal, batistas, presbiterianos, metodistas, etc.) mais especificamente na área da espiritualidade.

A isso, concorreram com grande ajuda o Dr. Zenon Lotufo Jr., nos conteúdos práticos e o Dr. Russell P. Shedd na área de Teologia do Novo Testamento e alguns outros professores de outras áreas, como o Prof. Carlos Lachler. Também contribuíram a Dra. Louise Mchiney e John Stott (que nos deu aulas durante uma semana com os temas: Pregação Expositiva e Evangelização). Esses senhores e senhoras esbanjaram espiritualidade em meio aos seus trabalhos.

Enfim, cheguei ao tempo de legar, com recado de Deus via Alex. Professor com razoável didática nos seminários, escolas teológicas, escolas fundamentais e creches, por onde passei. Me tornei um excelente conhecedor do Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos) e, finalmente, um relativo bom Técnico em Informática.

Acho que vou legar alguma coisa escrita no formato livro, se Deus me der tempo para tanto, nessas áreas. Tentarei um ou outro curso via Internet e me disporei a fazer palestras por aí, talvez em escolas teológicas, igrejas e quem mais desejar, embora não me animo muito em nada disso.

Ficaria encantado em trabalhar em alguma organização cristã treinando futuros profissionais do desenvolvimento, com ênfase em captação de recursos, por pelo menos um salário mínimo para juntar ao meu benefício ao idoso (também no valor de um salário mínimo) e poder pagar o nosso novo aluguel, a partir de janeiro próximo.

Se quiserem me oferecer dois salários mínimos, ao invés de um, seria melhor ainda, pois assim, poderíamos comer alguma coisa de vez em quando, pagar a luz e gás, enfim essas insignificâncias.

Imagino, com isso, retribuir com um legado nada mal e sei o quanto de jovens bem-intencionados poderiam sorver tudo isso e fazer belos trabalhos por aí. Enquanto isso estaremos melhorando muito o trabalho das organizações e estou certo disso.

Fiquem todos em paz!

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Gerações diferentes


Woodystock Festival

Olha só, a minha geração é machista.

Nunca experimentamos algo parecido com as demandas LGBT, um pouco racistas (só no plano das piadinhas, no máximo), não fomos homofóbicos.

Não esqueçam, os homens do nosso tempo são machistas, gostamos de mulheres e temos amigos homens.

Baile de formatura

As mulheres de nossa geração também são machistas e nos cobram quando saímos da rota, até hoje.

Logicamente há gays e feministas na nossa geração, mas infinitamente menos do que nas gerações atuais.

Agora, entendemos as diferenças entre as gerações, mas daí, mudarmos nossas crenças e filosofias vai uma distância imensa.


Festa Junina

Vocês não têm ideia do quanto nossos pais lutaram para que os meninos se tornassem homens com H maiúsculo e as meninas, mulheres com M maiúsculo.


Domingueiras (Mingau)

Não queiram nos mudar, por favor. Gostamos do que somos.

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Coxinha de mortadela

Coxinha recheada de mortadela

Lá pelos fins dos anos oitenta, início dos noventa, dava aulas em alguns seminários. Se bem me lembro, cheguei a lecionar em quatro deles. Hoje em dia, só há escolas de teologia, com raras exceções e não conheço nenhuma.

Meu estilo de dar aulas foi muito influenciado por uma professora norte-americana, a Dra. Louise Macknney. Ela era professora lá pros lados de Wheaton Illinóis. Mas meu contato com ela aconteceu na Faculdade Teológica Batista, mesmo. Ela foi professora lá, mas estive aprendendo com ela quando veio para dar um curso de duas semanas, para professores de missões. Ela era meio liberal e nos ensinou coisas do tipo: Em uma sala de aulas, a pessoa mais importante é o professor, ou a opinião do professor não importa, importante é ouvir a opinião dos alunos e vai por aí.

Além do mais, cursei o ginásio lá no Ginásio E. Vocacional Oswaldo Aranha, tido e avido como uma escola de esquerda, afinal aprendemos pelo livre pensar, estudo do meio, estudos em equipes, participação, etc.

Esse estilo grudou na minha alma e não saiu nunca mais. Infelizmente, essa foi a minha ruina. Dos quatro seminários, não sobrou nenhum para eu dar aulas e, confesso, gostava de trabalhar naquilo, pouco importava se recebia algo por isso ou quanto me pagavam. O importante era aquele convívio, levar os alunos através do livre pensar, usando coisas do construtivismo, etc.

Dessas quatro escolas, três não sobreviveram à bomba H, digo, ao início do novo milênio. Mas um deles se renovou, justamente o único cujo zelo os levou a me despedir. Isso mesmo, rua, out, cai fora, tá despedido seu “mortadela” sem vergonha (embora não tenham me dito isso, deviam estar pensando, com toda certeza.

Interessante é ver a propaganda deles nas mídias da hora, deixando claro a opção deles por teologias mais liberais e, provavelmente, por pedagogias mais “moderninhas”.

Isso me fez pensar algo meio cômico. Pô, eles me chutaram justamente por meu estilo mais liberal, o que presume as tendências de direita deles à época. Sei não, se fosse hoje, seria despedido, também, por lá, justamente por continuar do mesmo jeito. Melhor, agora não devo parecer tão liberal como me viram lá atrás. Talvez me achariam muito parecido com um militante da direita, amigo dos milicos, etc.

Algumas semanas atrás, me humilhei de novo. Deve ser meu lado masoquista ou algo assim. Você não acreditará, mas aconteceu, acabei participando de uma escolha para trabalhar em uma ONG adepta da nova teologia (embora seja só a Teologia da Libertação com nova fantasia), embora eu não tivesse percebido antes. Dessa vez, Deus me poupou (ou foi meu aspecto de sessentão, sei lá) e não fui escolhido, embora corria o risco de ser o mais capacitado para o trem. Se me escolhessem, já seria um natimorto outro vez, se não me engano.

Sei não, eles (o pessoal daquela escola troca-bandeira) deveriam me pedir desculpas ou me fazer um desagravo, ao menos. Entretanto, caso essa ideia os incomodasse, com toda certeza diriam: ele não merece, é só um “coxinha” desgraçado.

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A conversão do Apóstolo

Conversão de Paulo

pintura de Caravaggio de aproximadamente 1600 dC

Minha intenção aqui é fazer um breve relato de minha real conversão do cristianismo católico para o cristianismo protestante. Esse tema me veio à mente durante estudo das cartas de Paulo, talvez uma das poucas ocasiões de conversão relatadas na Bíblia, em especial, no Novo Testamento.

Acima, você vê uma pintura de Caravaggio de aproximadamente 1600 dC. Você pode ver o emaranhado escuro de corpos e o cavalo em segundo plano contrastando com o brilho e a vulnerabilidade do corpo ajoelhado de Paulo, quase nu, o rosto coberto por mãos cruzadas, a boca aberta em que devemos supor que foi a dor causada pelo choque da cegueira momentânea. Os tons pálidos do corpo de Paulo combinam com os tons claros do brilho do horizonte, um lembrete da luz divina que diz tê-lo cegado.

“Mas o próprio Paulo não diz que ele estava cego, ou que seu nome mudou de Saul para Paulo, ou que um homem chamado Ananias veio para ajudá-lo, ou que ele é um cidadão romano, ou que ele é de Tarso, mesmo que todos estes teriam dado a Paulo a mais emocionante e autoria da história sobre si mesmo e sobre o seu apostolado.

Essas tradições são encontradas em Atos dos Apóstolos, capítulo nove.

Lucas, que escreveu Atos dos Apóstolos. cerca de 40 ou 50 anos depois de Paulo escrever a carta aos romanos e ser enviada, como contam a história de Paulo. Paulo tem uma história dramática e isso ele admite em suas próprias cartas. Mas não está claro ser a mesma contada por Lucas em Atos. E em termos dos apóstolos, originalmente seguidores de Jesus, Paulo não esteve com eles, não no começo, pelo menos.

Bom, voltando ao apóstolo, não o Paulo do Novo Testamento, mas o velho Lou de sempre (pronto lá vem mais um louco se intitulando apóstolo), as coisas se deram de forma diferente. Em algum lugar devo ter ouvido algum maluco dizer: para ser apóstolo só se for um dos seguidores de Jesus dentre os registrados no Novo Testamento.

Tempos atrás, aproveitei para dar uma espinafrada num dos grandes nomes do nosso tempo, se não o maior, de militância missionária, o Dr. Peter Wagner, escritor e mentor de muitas e boas iniciativas missionárias. Infelizmente ele não está mais entre nós para os necessários esclarecimentos. Essa é mais uma das razões pelas quais discordo peremptoriamente da morte.

Talvez, embora não arrisque declarar, o Dr. Peter tenha sido o doador do “sim” para todos os líderes cristãos interessados em se autodeclarar “apóstolo”. Em dado momento, já velhinho, não só se auto declarou apóstolo, bem como abriu a porteira para todos os outros após ele.

Mas, e sempre pode haver um “mas” em tudo, por isso o nosso professor de Introdução a Filosofia, o notável Pr. Irland P. Azevedo, quase sempre dizia, cuidado com os advérbios tudo, todos, sempre, etc. não seja taxativo nunca, se não quiser errar e cair em descrédito.

Estudando, tardiamente, as cartas de Paulo lá com o pessoal da Universidade Harvard, acabei aprendendo o significado da palavra apóstolo do grego απόστολοs . Já sei como você está pensando agora, bastava olhar seu dicionário de grego – português, ao invés de ir até Boston, gastar uma grana afro-descendente, etc, só por isso.

Os significados de Apóstolo são: missionário, enviado e mensageiro, tanto no dicionário quanto em Harvard. Tá certo, enfim tudo vindo de Harvard é muito melhor, não é mesmo? E daí? Daí descobri tal significado de apóstolo, ou seja, um apóstolo pode ser um mensageiro, no sentido de quem escreve uma mensagem e/ou um enviado para entregar uma mensagem e um missionário aqui e acolá. Só isso? Sim.

Cara, você até pode discordar, afinal Eva comeu a maçã e depois chantageou Adão a comer também (a chamada defesa feminina) e escancarou a possibilidade dos seres humanos discordarem, mesmo sem qualquer razão razoável, essa e milhares de outras burrices, já pedindo perdão aos burros por isso, inclusive porque eles não discordam nunca, não é mesmo?

Onde estava mesmo? Hum… Ah, lembrei. Um fato é um fato e ponto final. Engraçado é ter percebido, após mais de quarenta anos, no meu dicionário Grego – Português uma observação abaixo do significado da palavra απόστολοs, assim: “usado (a) num sentido limitado aos Doze e a Paulo, como autorizados fundadores do cristianismo primitivo, órgãos de revelação cristã; (b) missionários, como Barnabé, Lucas, etc; (c) Cristo como o enviado do Pai. Esses cristãos têm cada uma, né?

Nessa altura você deve estar rindo e chocado (a) com tantos erros, né mesmo? Quem escreveu essa observação só pode ter sido alguém da Teologia da Libertação, da Teologia Integral ou na Integra, comunistas, esquerdistas e militares. Tá na cara, só pode ser coisa de psicopata e/ou fascistas. D’accord?

Para não me alongar mais com minhas loquacidades frívolas, vamos à minha conversão. Antes de mais nada, esqueça qualquer regra para conversões. Tem uns caras, coitados, incapazes de viver sem um modelo bíblico para tudo, por exemplo: na bíblia não há nenhuma descrição sobre como ir ao banheiro, então, pasme, eles não vão nunca ao banheiro e fazem as coisas em qualquer lugar. Por isso eles têm aquele cheiro estranho, acho. São os tais fundamentalistas, típico nos comunistas, também.

Não, as conversões são únicas, assim como cada um de nós temos nossas peculiaridades e, apesar de sermos 7,6 bilhões no planeta Terra (sensos de 2017), não há ninguém igual com você. Nem os gêmeos univitelinos o são. Uma peça igual a você, jamais (em francês a pronuncia é jamé, igual cabra).

Como dizia, minha conversão única aconteceu em um momento único para mim. Estava na casa do seu Nelson (pai do Chiquinho, Zé Nelson, Marly e Fabiana) e do nada ele virou pra mim e soltou algo assim: É meu caro, estar sem nada é estar sem amor, sem dinheiro e sem nenhum contato com Deus.

Meu, pedi licença e fui para minha casa. Sem perder tempo e lembrando o conselho de Jesus, entrei no meu quarto, fechei a porta, ajoelhei na beira da cama, bíblia aberta e pensei, vamos ver agora quem está sem contato com Deus. Comecei a orar, logicamente repeti a percepção do seu Nelson para o Magnânimo e Ele deve ter ficado mordido até e continuei dizendo a Ele, só saio daqui quando o Senhor me abençoar, lembrando de Isaque.

Nessa altura, já estava frequentando um igreja protestante com viés pentecostal, a tal Cristo Salva (aquela já relatada aqui, autora do meu defenestramento igrejeiro). Acabei cochilando, estava ali há algumas horas, nem sei quantas e, de repente, acordei com uma voz me dizendo o número de um salmo, bem assim mesmo: Leia o salmo tal (não vou dar o número do salmo, como escrevi acima, conversões são pessoais.

Se falar, periga amanhã um monte convertidos com meu salmo) mas tem que ser rápido porque só há 150 salmos na bíblia, ou melhor, 149 porque um já é meu), olhei pros lados, pra cima, embaixo da cama, dentro do armário e nada, ninguém ali, muito menos no resto da casa. Estava só e muito desconfiado. Então lembrei da abrir a bíblia no tal salmo e quase caí de costas no chão, pois ele respondia exatamente às afirmações do seu Nelson.

Lembrei da mula de Balaão dando profecia pro dono. Seu Nelson era um senhor legal, bom pai, bom marido, trabalhador, mas entornava um mé como poucos, embora naquela noite e durante algum tempo, ele estava em abstinência. Ah, ele não era lá de ir a igrejas. Olha, a primeira ideia a vir a minha mente naquela hora foi: conversão. Deus me comprou com o sangue de Jesus naquela noite, sem sombra de dúvidas.

Claro, na primeira oportunidade, cumpri o ritual de conversão lá na igreja, por alguma razão qualquer, o pregador naquela noite foi o Pastor Eneas Tognini, a convite do Tio Cássio, nosso pastor. Mas nem um nem o outro tiveram nada a ver com minha conversão. A partir dali, tratei de seguir a receita recomendada no meu salmo, já tinha meu trabalho; achei minha esposa e nada de mais namoradas, ficantes, etc.;

Bobeei na história da nossa casa, achei de achar outra, não aquela onde morava com minha mãe e depois entendi a burrada (com perdão dos burros, de novo) e não tive perdão, meu irmão vendeu a casa e tratou de ficar com a maior parte do dinheiro, depois de dar a parte da minha mãe e eu não recebi nada. Estava certo de receber a minha casa, afinal estava escrito no salmo. Ledo engano, eu era o maior herdeiro da casa dos meus pais (70%) e não é preciso entrar em detalhes sobre isso.

Entendi, depois, só precisava lutar por aquele imóvel e ser justo comprando a parte do meu irmão quando chegasse a hora. Certamente Deus me abençoaria nisso, pois estava escrito. Até hoje não consegui ter minha casa, comprei terreno lá em Aroçoiaba da Serra, um baita condomínio e acabei vendendo para pagar os aluguéis da casa onde morávamos em Sorocaba.

Não sei se Deus irá reconsiderar enquanto eu viver. Tomara Ele me perdoe, não foi por mal, mas pela minha proverbial burrice (desculpem caros burros, outra vez). Tivemos os filhos mencionados e os netos ainda não chegaram, ainda, mas é certo: ainda os verei. Falta, também, ver a paz em Israel, mencionado no salmo. O Temer (presidente no momento e idiota o bastante para votar contra a restituição de Jerusalém como capital de Israel) já é carta marcada para se dar mal (Podemos discutir essa circunstância em outro post).

Pouco tempo após ter casado (1978), fui ungido pastor-missionário. Incluído em uma viagem missionária para verificar a liberdade religiosa em alguns países, em especial a Albânia (Nessa época era um país totalmente fechado ao capitalismo, declarado primeiro país ateísta no planeta e sob um regime ridículo denominado marxismo-leninismo).

Um domingo, antes de seguir viagem. o Tio Cássio resolveu me ungir pastor-missionário, segundo ele, porque precisaria de todos os atributos pastorais no campo missionário. Na hora achei legal, embora tenha lembrado do caso de um missionário no fim de sua vida reclamando reconhecimento da igreja. Missionários viviam pela fé, enquanto os pastores viviam em regalo…

Muitos anos depois, tendo passado pela Igreja Batista vários anos, voltei à Igreja Cristo Salva para fazer trabalhos de implantação de TI por lá. Uma noite, me dei conta de estar sem cartão do banco e dinheiro no bolso, após um sutil telefonema da Dedé. Saí andando pela igreja pra ver se achava alguma vítima e pegar algo emprestado. Quando já estava me desiludindo pensei ter ouvido algum barulho no escritório do pastor e fui dar uma olhada. A luz estava acesa e botei a cara na porta, era o Tio Cássio dando uma estudada de praxe. Depois de expressar a surpresa, perguntei se ele teria coragem de me emprestar algum com a promessa de pagar no dia seguinte.

Para minha surpresa, o pastor começou a me dar uma bela exortada, mais ou menos assim: Lou, você não deveria estar vivendo desse jeito (embora eu tivesse alguma coisinha no banco, deveria ser uma merreca para aquela noite ou pouco mais e não sei como ele sabia, talvez a sola do meu sapato estivesse me entregando ou o fusca véi, sei lá) e continuou, eu te ungi pastor, segundo a vontade de Deus e minha convicção e se você não se convencer disso, continuará sempre mendigando aqui e ali. Em seguida enfiou a mão no bolso e me deu uma graninha legal pra Dedé preparar o jantarzinho do resto da semana.

Se não me engano, até hoje não fiz segundo o pastor me exortou aquela noite, repetindo as recomendações do dia da unção. Se servir como desculpa, por onde passei na obra do Senhor, sempre fui recebido como um pastor e/ou pastor. Devo ter algum distúrbio ou complexo de inferioridade ou herdado algo dos burros.

Nessa altura você já deve estar com vontade de quebrar um prato na minha cabeça, onde se lê: você é um verdadeiro Apóstolo seu bobão, além da unção divina, houve a humana e você sempre foi um mensageiro, missionário e enviado, fora seu trabalho como professor em vários seminários. Tá bom, seguirei seu conselho. Dé, bota uma plaquinha na porta: Consultório Apostólico. Brincadeiras à parte, creio ser o blog ou os blogs o meu principal apostolado, pois aqui estão minhas mensagens e cartas.

Afinal, nos nossos dias, blogs, e-mails e sites de relacionamento fazem a maior parte do trabalho no lugar das cartas, né? Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo.

Saudação da minha própria mão, do Lou.
Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata!
A graça do Senhor Jesus Cristo seja convosco.

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Sobre dirigir automóveis


Dentre várias decepções da vida, dirigir bicicletas, motocicletas e automóveis sempre foi um ponto positivo para mim. Aí por volta dos 3 ou 4 anos, íamos de ônibus para o trabalho de minha mãe (no parque infantil D. Pedro II da prefeitura) e a condição era sentar o mais próximo possível do motorista daquela hora, sem isso não rolava.


Nesse tempo, meu pai tinha um Jeep Willys (não confundir com o deputado) 1951 e eu manobrava a direção enquanto meu pai se encarregava de engatar as marchas, acelerar e brecar o carro.


Aos sete anos (agora meu pai tinha um Citroen 1951), já na zona sul, resolvi tirar o carro da garagem sozinho, coisa que minha mãe nunca foi capaz de fazer. Era uma garagem subterrânea e não era muito fácil sair dela com o carro. Assim foi, todos os dias esquentar o motor e tirar o carro da garagem.


Mudamos para uma casa com garagem plana, no Jardim Prudência, subdistrito de Santo Amaro e o carro agora era um Dauphine 1960 e eu tinha 9. Minha mãe começou a trabalhar na Avon como promotora e eu tinha que ir junto no começo para instruí-la a dirigir no dia-a-dia na prática. Sem migo ela não saia do lugar. Claro que eu cobrava pelo serviço.


Em 63, tínhamos um Dauphine 1962 e um Fusca 62. Minhas obrigações mudaram com minha mãe capaz de dirigir sozinha. Passei a fazer as compras diárias de carro, geralmente, o Dauphine e um aumento na mesada. Numa dessas, dei de cara com uma viatura da polícia na porta da venda (uma loja que comercializava alimentos e outras coisinhas). Os policiais não acreditavam no que viam e fizeram questão de me levar até em casa comigo na direção.


Aos 18, tínhamos um fusca 1968. Era 1969, nos meus 18 anos porque era o dia do meu aniversário e no meio da festa fui levar o Euclides para casa. No caminho, uma perua Chevrolet cheia de gente dentro passou a nos perseguir e só parei na frente da casa do Clidão. Sai do carro com uma metralhadora apontada para mim. Mostrei os documentos do carro para os caras (estavam dizendo que eram da polícia e eu achei melhor não mostrar minhas dúvidas, naquele momento). Então, pediram minha carta (naquele tempo, era assim que a carteira de habilitação chamava). Obviamente esse documento ainda não existia para mim e eles resolveram me levar até em casa para buscar meu pai e irmos para a Delegacia do Detran para resolver a treta.

Dias depois, com uma boa ajuda do Edgar (o avô dele era o diretor daquela repartição pública) fiz o exame e tirei minha carta no mesmo dia (naquele tempo, levava meses para receber a carta após passar no exame). O Edgar fez questão de me entregar a carta em mãos, lá mesmo no escritório do avô dele.


Uma vez, em um treino de derrapadas aleatório na frente da casa do Clidão*, ele me aconselhou a tentar a Fórmula 1. Nunca fiquei sabendo se ele estava falando sério ou me zuando.

De lá pra cá, foi só alegria. Como nunca fui bonito, então, ter charme, dinheirinho pro cheesburguer, carro e dirigir me ajudou bem com algumas garotas (elas não gostavam muito de ônibus e táxis).


  • Clidão era o pai do Euclides, já falecido. Era um craque na direção, além de correr com automóveis, andava em duas rodas e derrapava como ninguém.

Em 1981, fiz uma viagem missionária na África. Passei por três países (África do Sul, Moçambique e Malawi). Em Moçambique, em tempos da ditadura marxista-leninista imposta por Samora Machel, viajamos de 400 kms a partir de Maputo (A Capital) para participar de um encontro histórico e clandestino de pastores, pois o regime de Machel havia decretado o ateísmo e com isso fim das igrejas por lá. Mas eles ainda estavam sob o conflito armado contra os contrarrevolucionário e não tinham como liquidar as igrejas de vez.

I don't do art for a living, neither for perso...
I don’t do art for a living, neither for personal nor professional propaganda. I don’t make any drawings for money. Thanks. (Photo credit: Wikipedia)

Fazia uns dois anos que não acontecia uma reunião como aquela e a notícia da nossa presença entre eles havia corrido, apesar das dificuldades. Saímos de madrugada usando o carro da Sociedade Bíblica de Moçambique, um Land Rover Defender a diesel. O tanque esvaziou no caminho, mais ou menos na metade do percurso e paramos no posto para abastecer, mas não havia combustível lá há meses. A saída foi comprar uma quantidade de diesel de algum caminhão, mas eles não eram abundantes, naqueles dias. Ficamos parados umas duas horas até aparecer o caminhão com Diesel sobrando enviado por Deus. Isso atrasou a reunião pois eles não começariam antes de chegarmos.

Quando a reunião terminou nos serviram um jantar e depois iniciamos a viagem de volta, só que os pastores providenciaram uma quantidade sobressalente de combustível e isso não seria um problema. Quando paramos para reabastecer o veículo surgiu um problema. O Félix, diretor da SBM dirigira desde nossa saída de Maputo e estava exausto. Alguém precisava rendê-lo. Um dos meus amigos me indicou para a tarefa sem pestanejar e todos concordaram, eu fui voto vencido. Esse veículo, além das dimensões avantajadas, tinha a direção do lado direito e o câmbio para ser manipulado com a mão esquerda, pois me Moçambique a mão de direção é a inglesa. Mas não teve jeito e dirigi, na boa, até Maputo. Ah, o país estava em guerra e havia a possibilidade de sermos alvejados por algum míssil desgovernado. Enfim, não estávamos na lista dos mortos naquele dia, graças a Deus.

Não é à toa meu desejo de ainda ter um Land Roover Defender velhão, mas com direção de gente, ou seja, do lado certo.

Desculpe ter me alongado. É um problema que tenho e já estou tentando resolver, mas ainda não consegui. 🤭🤭

Ops: Originalmente escrito para um Grupo do Facebook, em forma reduzida e sem imagens.

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A missão da Cabra Montesa no pico da vida

A Cabra Montesa

Então, ontem escrevi um texto bem transparente em termos de compartilhar minhas incucações de início de ano, consciente e interessado em saber o que as pessoas teriam a me dizer.

Algumas pessoas tiveram coragem e me deram feedbacks bem legais. Identificaram a presença dos sinais de minha depressão crônica que, geralmente, dá as caras nessa época; demonstraram sentimentos de amizade real; procuraram me dar conselhos bons e até algumas mea-culpas surgiram, para minha surpresa. A Dedé falou-me ao pé do ouvido, também.

Hoje escrevi para minha prima, uma das preocupadas, e reproduzo meu script aqui pela relevância, com alguns adendos:

“Acho estranho as pessoas viverem como se fossem eternas, a maioria sublima a morte. Pior os evangélicos com aquela bobagem de que irão para o céu, após a morte. Primeiro que céu não é lugar algum, mas um grande vácuo onde o Universo está instalado.

Poucos mencionam o Paraíso, um pouco melhor do que falar em céu, acho. Apesar de capricorniano, não sou uma cabra montesa macho, infelizmente, ainda que ela me represente, não apenas como signo, mas como missão de vida (não sou adepto da astrologia adivinhatória, antes que me perguntem).

Problema é se formos todos para o Paraíso ou onde Deus nos alojar pós mortem, será por sua bondade e entraremos nesse lugar em grande dívida para com o Magnânimo. Sei muito bem o tamanho do amor e generosidade dele, mas nos sentiremos péssimos depois de pecarmos feio durante a vida e Ele ainda nos perdoar na boa.

Pelo menos eu (e alguns outros meus conhecidos, entre eles Kierkegaard, Ap. Paulo e todos os cristãos existencialistas do pedaço) me sentirei muito mal, nesse caso.

Também não vejo como pagar pelos pecados cometidos. Nem a pior morte e/ou prisão cobriria meus deslizes no surfe dos mandamentos. E olha só, não sou o pior e nem um dos piores vagabundos picaretas do pedaço. Acabo de lembrar do Nine, não sei porque.

Enfim, só se Deus tiver guardado algum segredo para nos revelar quando lá chegarmos. Pelo menos, o Filho Dele avisou haver muitas outras revelações, mas não as faria pois não seriamos capazes de suportar naquele momento. Nisso até arrisco apostar algumas fichas da minha mínima fé.

Quem não crê em outra vida após a morte, de certa forma, sublima a morte tentando “aproveitar” ao máximo essa vida, só não entendo porque essas pessoas entendem “aproveitar” como sinônimo de pecar.

Para mim, eles estão tentando os evangélicos (não importa se protestantes, católicos ou avulsos), somente. Raros são os ateus capazes de viver suas vidas com generosidade para os outros e para si mesmos.

Quando acontece, alguns são premiados, assim perdem a remota possibilidade de ganhar o tal “Paraíso” por suas obras, segundo o Billy GraHam, pois receberam seu prêmio em vida.

Enfim, cada um vive como quer (o tal livre arbítrio). Opto pela realidade, qual seja, tenho pouco de vida pela frente, na melhor das hipóteses, uns vinte anos, com risco de boa parte deles repletos de doenças e limitações.

Isso se não me aparecer um desmancha prazeres na porta de minha Gruta, onde estarei sepultado dormindo o sono dos heróis, e me ressuscitar gritando “Lou, levanta de teu sono e sai”.

É, precisamos tomar cuidado, já aconteceu antes, principalmente se for o próprio Filho do Homem. Embora na Bíblia esteja escrito que ele não desembarcará da nave mãe, só os anjos o farão. Ele ficará observando através de algum monitor celestial, acho.

Então preciso administrar o meu tempo de vida restante da melhor forma possível. Portanto, gastar tanto tempo no Facebook e outros seria um desperdício insano para mim, nessa altura.

Pessoal me aconselhou a tentar não desfazer meu perfil só entrar esporadicamente, mas não sou confiável. Daqui para frente, necessito gastar cada minuto disponível com muito carinho.

Não tenho medo de morrer. Temo desistir de viver. Vejo as pessoas deixando suas vidas passar atrás de um smartphone, Iped, ou notebook. Todos precisam viver ao invés de esperar a morte chegar, a boca com ou sem dentes, sentados nos tronos dos nossos apartamentos ou casas apertadas.

Claro que clonei o Raul Seixas nesse finalzinho, mas não façam como ele que exagerou na dose do “viver” e enfiou os pés pelas mãos, encurtando sua vida.

O fato é, precisamos achar o jeito certo de aproveitar melhor o tempo restante de nossas vidas.”

Claro que a depressão aperta mais diante de um ano novo para quem está cheio de senões. Cada um deve se cuidar como for necessário. Não uso nem nunca usei medicamentos.

Ao invés disso, procuro ajuda na mudança comportamental e tudo isso acima tem muito a ver. Aproveito para receitar o livro do Dr. Zenon Lotufo Jr. “Crescer, caminhos para a realização pessoal” Ed. Martin Claret.

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Saindo do Facebook

Caros amigos conhecidos, desconhecidos, desconhecidos que me tratam como conhecidos e conhecidos que me tratam como desconhecido:

Entre meus objetivos para 2018, relacionei sair das mídias sociais (Facebook, Twitter, Google, Linkedin e Instagran).

Outro dia, sem mais nem menos, minha senha do Google não funcionava mais. Fiz todos os procedimentos indicados. Uma tal de Lucy falou comigo, mas pediu os mesmos procedimentos e nada. Resultado, perdi uns dez anos de troca de E-mails guardados lá e eles me recomendaram abrir outra conta, como se isso não tivesse nenhuma importância. Cara isso me entristece, fora a perda disso tudo.

A razão macro se deve à questão de tempo. Tempo que se esvai. Quando tinha quinze anos, minha sensação era “viverei eternamente”, pois não conseguia ver o fim da linha. Agora, consigo ver o fim da linha com clareza e isso ainda pode ser abreviado com algum desses “imprevistos da vida”.

Se viver mais vinte anos, em uma perspectiva otimista, morrerei com 87 anos, sem saber quem sou e muito menos quem são quem quer que seja. Qual é a vantagem? Fora o trabalho que um véi desses dá, sem falar nos custos, embora sempre sobra o benefício do INSS pro pessoal.

Com sorte, se me internarem em um asilo público, ficarão com cem por cento. Outra alternativa é “esquecer” a porta aberta e o véi sai e não volta nunca mais. Pelo menos um ano, ainda recebem o benefício, isso se não fizerem um fifiti-fifiti com o gerente da CEF. Daí, com sorte, vai longe.

Hoje em dia, o pessoal de casa já está querendo me mandar pro médico… como chama mesmo o médico de véi? Ah, Geriatra, acabo de consultar o São Google. Problema maior é quando o véi esquece a existência do São Google. Então, dizem que não estou entendendo mais nada. Eles não sabem, mas a pergunta é: eles não me entendem mais ou eu não quero entendê-los, na maioria das vezes?

Outro dia, digo, noite, levei meu filho ao Metrô, à Noite. Fomos pela BR 270 e, no caminho, fui mostrando onde estavam as placas de mudança de velocidades permitidas, radares e buracos. Nada mal pra um véi que não entende mais nada. Né?

Minha mãe sempre foi meio lelé. Quem a conheceu sabe. Mas demente (odeio essa designação, preferia gaga) ela só ficou aos 84 anos. Esquecia uma coisa ou outra, dava umas bolas foras, foi tomando água cada vez menos, etc. Enfim, ainda estou meio longe dessa fase, se não me engano. Ainda sei onde o Google está.

Tenho culpa nisso. Deveria ter preparado a família para a minha aposentadoria. Se nem eu me preparei para esse tempo, imagine a sofisticação de preparar a família. Então eles não aceitam o véi em casa. Tem que sair pra trabalhar. Onde, cara pálida? Me despi do resto de orgulho que ainda acalentava e nem assim achei nada honesto pra fazer, nem que fosse pra ficar fora de casa, durante o dia, como dizia o Martin Luther King ( e onde ele morava, nevava)

Ninguém quer saber de véi, nem os asilos. Onde acabei internando minha mãe, belo dia eles me chamaram e pediram para tirar ela de lá, pois estava dando muito trabalho. Eles queriam procuração para ficar o INSS dela, sem ela, claro. Ainda bem que ela se foi, afinal e ninguém lucrou com isso. Talvez meu irmão, que não era filho biológico dela, tenha lucrado com isso, mas não tenho certeza e espero nunca ter.

Agora, ficar no Facebook pra que? Me esforço em dar motivos para meus amigos e bicos pensarem, não embarcarem em frias, especialmente nas frias inventadas pela “Agenda”. By the way, o Mark Zurcherberg (o cara que inventou essa geringonça por causa de uma mina que chutou o traseiro dele) é principal nessa história da “Agenda”, segundo dizem. Tomei um ou outro pé na bunda de namorada, mas fiquei foi deprimido e nunca produzi nada sob a influência desse tipo de motivação. Pro ceis verem como o cara é louco. Gente assim, faz tudo ao contrário.

Claro, não é só o Mark. Os caras do Google, da Apple, Microsoft, Mozilla Firefox, George Soros, Bildebergs, Clintons, Barak Obama, etc.). A Globo divulga a “Agenda”, mas não acredito que faça parte. Deve ser mais por entender que ser politicamente correto dá mais dinheiro. Se não for o “Pai de Santo” deles.

Entrei nesse troço (Facebook) há muito tempo. Ficou parado um bom tempo, pois preferia o Orkut, então. Aos poucos fui entrando, navegando e, pouco a pouco, os “amigos” foram aumentando e quando me dei conta, já chegava a dois mil. Obviamente, a maioria eu não fazia ideia quem era. Só então parei de aceitar todos os convites. Que me lembre, devo ter convidado nem dez por cento desse número. Ano passado, cortei todos os “amigos” sobre os quais não tivesse referência alguma, ainda assim, sobraram mais de quatrocentos.

Mais chato ainda é ter amigos (bem conhecidos) com os quais nunca falo. Gente dos tempos de juventude, escolas, trabalhos, igreja, clube, etc. mas com os quais não sai contato, nem com reza brava. Isso me incomoda porque pode ser que eu seja um chato de galocha pra eles e não esteja me mancando. Que me lembre, só tenho uma “amiga” que preferia não ter, pois nunca a vi mais gorda, mas ela está sempre presente e isso me constrange. Como dar reciprocidade num caso desses?

Bloqueei uns e outros, é verdade, tipo Gondim, Ari e cia. comunista. Mas eles também me bloquearam e primeiro. Se perder meu lugar no Paraíso e acabar no inferno, ficarei feliz em encontrá-los por lá, eles Nine, Michel, Barak, Hilary, Primeira Dama e uns e outros (as).

Enfim, isso nem é o principal. Só não quero continuar politicamente correto. Isso me incomoda muito. Mas, como já disse, tá faltando tempo de vida para esses estereótipos.

Continuarei com meu blog. Quem quiser ler meus textos, sempre super bem escritos e relevantes (???) é só aparecer no meu blog “A Gruta do Lou” onde você está agora.. Aqui tem lugar para comentar, deixar recado, etc.

Além da Gruta, tem outro blog o Lou H. Mello, mais voltado para o trabalho. Nem preciso dizer que é o menos visitado ou quase nunca visitado.

Por último, mas o mais importante é o site do Projeto Coração Valente, onde procuro contribuir com os cardiopatas congênitos e seus familiares.Tá faltando gente disposta a fazer parte lá. Se isso lhe disser algo: Go there!

Tenho mais alguns projetos, mas pouco acionados. Quando puder manter uma plataforma NING, junto tudo e podemos criar uma rede maior do que a do Mark. Espero não precisar tomar um pé no traseiro para tanto.

Vou dar um tempo para essa ideia de sair do Facebook maturar, até dia 07 próximo. Caso o ato se confirme, pouparei todos vocês da obrigação de me parabenizar por meu aniversário no dia 08, assim. Melhor para os “amigos” que o fariam, mas constrangidos ou os que não o fariam, mas ficariam constrangidos, igualmente.

Meus amigos têm o número do meu celular e sabem qual é meu E-mail. Também preciso dar uma folga para eles, que já devem estar extenuados de tanto pagar minhas contas nos restaurantes, fora convites e outros gastos.

Espero não magoar ou entristecer ninguém. Não costumo ser falso. Pra mim ou é ou não é. Certo.?

No mais, um abração a todos, tipo Brabo, tão apertado que tira o fôlego dos desavisados.

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Efeito Vida

Ontem, domingo, passei boa parte do dia revisando e completando minha linha do tempo.

A razão disso é meio desconfortável. No próximo dia 08 completarei 67 anos de vida, se tudo caminhar bem até lá. Não sei se não estou tão acabado como penso, mas as pessoas mais próximas ainda esperam de mim mais do que imagino fazer no meu tempo restante, sobretudo na questão trabalho.

Ainda não cheguei no fim desse trabalho (estranho chamar isso de trabalho), não sei como ninguém ainda perguntou se não era melhor parar com isso e arrumar um emprego. Se não falaram, pensaram, certeza.

O que já está devidamente mencionado, se somado, chega a quarenta e um anos de trabalho. Mas ainda não relacionei o tempo de trabalho com meu pai e o trabalho de técnico em informática. Aliás, esse último chegou a ser bem pródigo, em certo momento da vida.

Consertando micros, hardwares e softwares pudemos colocar muita comida em nossa mesa (modo de falar, claro). Se acrescentar esses itens (e outros devem haver) passaria fácil de cinquenta anos de trabalho.

Se levarmos em conta o tempo de escola, concluo ter tido jornada dupla de trabalho durante bom tempo. Pelo menos nos tempos do Centro Municipal de Esportes no Ibirapuera, isso se deu, mas até hoje não vi a bufunfa, do trabalho noturno.

Entretanto, o pessoal não está satisfeito. Alias, os mesmos que vivem me enchendo o saco toda vez que esqueço meu nome ou demoro para lembrar o nome dos meus filhos, são os que mais clamam ao pé dos meus ouvidos para eu voltar a trabalhar. Fácil né? Apesar de que, não sei se é por dinheiro ou para diminuir a minha presença, seja onde for.

Converso de vez em quando com o Stephen Kanitz. Ele é, ainda, um pouco mais velho em relação a mim. Se não me engano, nasceu em 1946, enquanto eu nasci em 1951. Não chega a ser uma conversa convencional. Ele fala pelo perfil Facebook ou pelo blog dele e eu respondo pelo mesmo caminho.

Outro dia enviei um ‘messenger’ prá ele e a resposta foi: ‘Estou em Miami e na volto olho’ (isso é uma mensagem programada, salvo engano.) Coxinhas são incríveis, invejo eles. Enfim, ele estava me dizendo algo do tipo: os homens encerram suas carreiras aos cinquenta e cinco anos, na média e as mulheres aos cinquenta.

O que? Você discordará, mas quando chegar sua vez, se já não chegou, perceberá essa realidade. Geralmente, homens são dispensados de seus postos de trabalho nessa idade e não me venha contar o caso do vizinho que tá com sessenta e dois e ainda está no posto de trabalho dele.

Dê um pulinho lá e pergunte a ele como isso se dá. Corto o meu… dedo mindinho se ele não responder: Estou só esperando dar o tempo de me aposentar. Certamente passa o dia no Facebook, jogando paciência ou escrevendo algum blog escroto, digo, chato.

Geralmente ele é convocado pelos diretores para atender algum ex-empregado que aparece para uma ‘visitinha’ por lá ou para coordenar uma campanha filantrópica qualquer para melhorar a impressão da empresa diante dos consumidores.

Os caras demitidos aos cinquenta e cinco anos, viram consultores, autores de livros tardios ou corretores, depende do pedigree deles. As mulheres de cinquenta resolvem empreender, fazer comida pra fora, vender Avon, Boticário, etc., ou manter um blog cheio de bebelozinhos.

Com raríssimas exceções, nada disso virará, fora a poupança jogada no lixo. Isso se não virarem comida elas mesmas. Desculpem, mas não estou num bom dia, segundo meu biorritmo, claro.

Pior é tentar argumentar com essas pessoas sobre esses probleminhas. Elas não fazem ideia de quantos ‘nãos’ já tomamos tentando acreditar no que elas nos fazem acreditar que acreditam. Chega uma hora, a gente se enche de um último sopro de amor próprio e decide não ouvir o próximo ‘não’. Já chega!

No meu caso, cometi vários errinhos durante a vida e, entre eles, não poupei para minha aposentadoria e, muito menos, paguei a previdência (INSS) com rigor necessário. No ano passado fui lá, todo faceiro, imaginando pegar uma aposentadoria de acordo com minhas realizações trabalhistas.

Só com uma das minhas empresas de consultoria (a primeira, abri em 1991, com 40 anos, imagine) tinha 25 anos de trabalhos. Claro, tinha dívida com o INSS, mas isso poderia ser acertado.

Então fiquei sabendo que a Anta Dilma, como vocês a chamam, havia ‘baixado’ minha empresa, sem falar comigo. Por que? Você diria isso e aquilo, mas na verdade ela baixou milhares de empresas como a minha, justamente para não nos pagar aposentadoria.

Acredite se quiser, caso contrário, não estou nem aí. O fato é, não havia nenhuma informação de recolhimento em favor da empresa e, obviamente, eu também não tinha mais os comprovantes. Reclamar como? Muito oportuno perder esses dados, né?

Ainda bem, peguei um atendente de mais ou menos cinquenta e cinco anos e ele me conseguiu um benefício ao idoso, com base na LOAS. Acredita? Assim é, e graças a Deus por isso, caso contrário, estaria morando com o Dino, sob uma ponte qualquer. Brincadeira.

Só não estou lá porque tenho Deus, Jesus, família, irmãos em Cristo e amigos. Só quero ver até quando eles terão paciência comigo. O Chaves, por muito menos, já tinha acabado o estoque de paciência dos outros. Logicamente não descartei a possibilidade de um milagre.

Mais uma coisinha, além desse babado do trabalho (auto-sustento), tem toda a indústria da ‘saúde’ com seus psiquiatras, medicamentos, procedimentos, hospitais, casas de repouso (sic), etc. a nos molestar. Essa gente descobriu os velhinhos para ganhar um bom dinheiro com suas mentiras. Quer saber, dá pra prolongar uma vidinha mais ou menos independente se não nos obrigarem a essas torturas.

Envelhecer, por si só, já é um processo bem sacana, agora, nos obrigarem essas torturas é muito demais. O que precisamos é amor, paz, tranquilidade, bondade, solidariedade, sorrisos, respeito, otimismo, companhia, a nossa comidinha predileta, nosso cantinho e vai por aí. Espera você chegar até aqui pra por seus métodos em ação, com você mesmo ué (a).

Bom, me desculpe, mas tenho muito a fazer por aqui. Estou escrevendo dois ou três livros há alguns anos e espero termina-los ainda nessa vida. Também tenho uma lista nada modesta de livros a ler e continuo aguardando convites para uma consultoria ou para fazer palestras, muito embora ande pouco otimista com essas duas últimas possibilidades. Fazer o que? Ah, tenho os blogs também (A Gruta, LouHMello e Projeto Corações Valentes), mas é trabalho não remunerado.

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Nosso Segredo, do Irmão André, George Muller e eu

Irmão André

 

George Muller e suas crianças

 

Dois heróis da fé marcaram minha jornada pela senda cristã. Primeiro o Irmão André, fundador do trabalho missionário atrás da Cortina de ferro que redundou na criação da Missão Portas Abertas. O Segundo foi o George Muller que edificou casas para a moradia de milhares de crianças que viviam abandonados pelas ruas de Londres e cercanias, no século XIX.

Tanto um como o outro, mesmo sem nunca se conhecerem e muito menos se encontrarem, mesmo porque,viveram em séculos diferentes, tinham os mesmos hábitos dos servos fiéis e missionários. Descrevendo a formação do George Muller, certamente estarei descrevendo a do Irmão André, também.

Sua fé começou a olhar além do homem na direção de Deus e na direção espiritual, bem como para as necessidades físicas. Este foi um passo à frente em sua peregrinação da alma. Foi uma lição de confiança que o jovem discípulo teve que experimentar antes de mais nada. Deus estava pronto para usá-lo. Ele já tinha sido convencido, embora sendo um estranho na Inglaterra, ele não precisava ter ansiedade por suas necessidades temporais – “enquanto eu realmente procurando servir o Senhor … quando procurasse o Reino de Deus e sua justiça, estes meus desejos temporais me seriam acrescentados”.
Através da leitura, as promessas bíblicas tinham sido esculpidas em sua memória, e essas promessas, que ele acreditava, eram fontes de suprimento divino. Ao fazer esta decisão que altera a vida, ele encontrou os seguintes versículos de especial importância:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Mateus 7:7

E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. João 14:13,14

Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? Mateus 6:25,26

Do livro George Muller, Man of Faith & Miracles – tradução do autor desse texto.

Comecei minha vida ministerial com esse segredo na mente e no coração.

Nessa etapa experimentei grandes feitos, tais como atravessar o oceano com uma única nota de cinco cruzeiros na carteira.

Se o avião tivesse aterrissado no mar, teria grande dificuldade de pegar um ônibus para chegar à América do Sul, mais propriamente, no Brasil; ou ter passado dois meses na Europa, em especial, uma visita de duas semanas na marxista-leninista Albânia, em 1979 para rodear os muros que mantinham três milhões de pessoas escravizadas, sem as liberdades individuais, dentre elas, a liberdade religiosa, e tocar as trombetas para que os muros daquela prisão viessem abaixo.

Tudo isso, sem um tostão meu. Deus providenciou tudo que precisei, com conforto e cuidado. Na volta, terminei o ano letivo na escola onde trabalhava, na época, e fui convidado para trabalhar na Missão Portas Abertas.

Mais quase três anos sem me preocupar com o que comer, beber, morar, etc., tanto para mim, como para minha família. Ali aprendi como mobilizar fundos, dentro desses preceitos bíblicos e com ética.

Após deixar a MPA, fui convidado a dirigir uma creche da prefeitura de São Paulo. Mais três anos de treinamento, dessa vez, aprendi a gerir um trabalho específico no cuidado de crianças carentes. Mais uma vez, não precisei me preocupar com o que comer, vestir, etc., tínhamos o suficiente.

Era óbvia a intenção divina, todo mundo percebeu, menos eu. Então comecei o tempo de correr de Tarsis. Pior do que Jonas, ao invés de pegar outro barco, no sentido contrário, fiz como Paulo e fui para o deserto, onde mana a competição, o samba do crioulo doido, onde o melhor é aquele que vende a mãe e não entrega.

Deus é sagaz, não desiste nunca, e colocou um filho para viver comigo que me fazia lembrar todos os dias da minha missão. Me revoltei contra Deus e sem aceitar seus métodos nada ortodoxos, tentei viver por minha conta e risco durante mais de duas décadas e meia. Quando meu filho se foi, não sei se por vontade de Deus ou não, a revolta só fez aumentar.

Mesmo assim, me mantive perto de Deus, claro que nas sombras, entristecido e insatisfeito.

De uns tempos para cá, Ele vem conversando comigo. Sabe aquela fala mansa. longânima e toda amorosa dele? Então, pouco a pouco fui voltando, voltei a ler a Bíblia com mais atenção e intensidade. Outro dia, me deu vontade de ler os livrinhos com as biografias do Irmão André e o do George Muller. Li e reli duas vezes, cada um, em português e em inglês. Meu coração se aqueceu.

Apesar da idade bem diferente da que tinha quando ele começou a me preparar, acho que Ele ainda não perdeu a esperança em mim e para minha surpresa, parece estar decidido a me usar em alguma missão voltada às crianças e não duvido que ele me queira fazendo mais em favor das crianças com cardiopatias congênitas, sem preterir as outras, claro.

Bom, meu treinamento é esse que está descrito acima. Não tenho com que me preocupar, mas muito a solicitar diante Dele.

Que seja feita a vontade de nosso Senhor, então.

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Esquerda, direita ou coisa nenhuma


Assim como nos perguntaram (ao Paulo Brabo e a mim), muitas vezes, se éramos membros de alguma igreja, também tenho recebido a pergunta se sou de esquerda ou de direita, outras tantas vezes. Imagino que o Brabo também seja alvo dessa pergunta, bem mais do que eu. Ele defendeu a pergunta sobre a igreja braba… digo bravamente e eu tentei fazer o mesmo, algumas vezes.

Agora, em meio à crise política cheia de consequências ruins para a economia do país, obviamente, com enormes feitos consequenciais às populações mais sofridas, por serem mais carentes, ainda mais, quando somos obrigados a desalojar um governo dito de esquerda, maior responsável pelo atual estado de coisas, sem deixar de lembrar a contribuição dos governos antecessores para tanto, torna-se inevitável sermos chamados de oposição reacionária.

Se não me falha a memória, e já estou entrando naquele fase em que minhas lembranças estão ficando mais lentas, o último pleito no qual participei foi aquele plebiscito sobre a forma de governo (monarquia, presidencialismo ou parlamentarismo). De lá para cá acho que voltei no primeiro turno de uma eleição e não votei no segundo turno. Nem me lembro quando e para que e muito menos em quem teria votado, no primeiro turno. Mais provável que tenha sido em algum candidato que não tinha chance nenhuma, então a mãe dele e eu não o deixamos pagão. Coitado, deve ser muito chato não receber voto algum. Mas não faço a menor ideia de quem seria. Sou muito cético e bem informatizado para acreditar em urnas eletrônicas em um país onde enganar é o nosso jogo predileto.

Minha única indignação nessa crise é com a corrupção, especialmente nos níveis em que as coisas foram levadas. Nosso país ultrapassou todos os limites conhecidos nesse quesito e, dificilmente, será alcançado nos próximos séculos. Com isso, nós, nossos filhos, netos e seguintes vamos ter que conviver com esse barulho em nossos ouvidos, do povo mais corrupto da Terra.

Sou mais ligado às coisas espirituais. Para mim, a vida não se define em bens e/ou contas bancárias. Talvez tenha exagerado nisso e devesse ter amealhado um pouco mais, evitando constrangimentos à minha família. Por outro lado, tivemos algumas aventuras do tipo fio-da-navalha. Nesse caso, talvez pudesse ter feito mais por nosso filho que se foi, vai saber. Fato é que, após três anos, ainda não durmo direito por causa disso. Às vezes ainda choro no meio do dia…

O C. S. Lewis, autor de quem gosto muito, escreveu no seu livro “O Problema do Sofrimento” no capítulo da “Bondade Divina” que Deus se fez homem e vive como uma criatura entre as Suas próprias criaturas na Palestina, Sua vida é então de supremo auto sacrifício e o leva ao Calvário. Um moderno filósofo panteísta declarou: “Quando o Absoluto cai no mar se transforma em peixe”; do mesmo modo, nós cristãos, podemos apontar para a Encarnação e dizer que quando Deus se esvazia da sua glória e se submete àquelas condições únicas sob as quais o egoísmo e o altruísmo têm um claro significado, Ele é considerado como inteiramente altruísta.

Amar, meu caro, não é bem o que Vinicius de Morais dizia em sua visão tacanha de homem mundano, a saber “Que o amor seja eterno enquanto dure”. Para Deus, o amor será eterno quando formos capazes de dar nós mesmos em favor dos seres amados por toda a eternidade, sempre e sempre, se me permitem a redundância.

Estou convencido que nem a direita e muito menos a esquerda sobreviverão a uma revolução assim. Tão pouco os que se esvaem junto com suas imoralidades verão a glória de Deus. O moralismo não é condição, torna-se mais um aspecto do que não é, apenas, quando se desmancha nas entranhas dos egoístas.

O Paulo Brabo afirma que o blog dele é o lugar onde as ideias estão condenadas às reformulações eternas. A minha proposição desde os tempos de ginásio vocacional é bem parecida e, nesse caso, vou na linha do Vinicius, ou seja, minhas ideias são eternas enquanto não forem modificadas por algum novo saber.

Portanto, mesmo se assumisse alguma posição política, ela seria temerária, pois estaria correndo sério risco de ser traída a qualquer momento. Melhor não. Prefiro deixar o rio livre. Certamente ele encontrará o caminho para o mar qualquer dia desses.

lousign

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Mais um vale da morte vencido?

Oh, ontem 8 de abril dia mundial do combate ao câncer, que cheguei a acreditar ser meu dia de sorte, por algumas coisas boas que me aconteceram nessa data, fui ao INSS como estava agendado desde o meu aniversário (8 de janeiro), para entrar para o rol dos aposentados desse instituto público. Em 2013, o mito de que o dia 8 de abril era meu dia de sorte caiu por terra. Foi nesse dia que entreguei meu filho para morrer nas mãos de um médico famoso e seu séquito infernal.

Peguei minha senha e fui sentar em uma das cadeiras situadas na frente das mesas de atendimento, em forma de auditório. Não pude evitar perceber a gritante desproporção entre as dezenas de cadeiras de espera e as pouquíssimas cadeiras de atendimento.

Saquei meu livro da vez, já quase no fim da leitura e tentei me concentrar na leitura, mas uma discussão entre um cidadão e a atendente da mesa 9 não o permitiu. A mulher tratou o senhor como lixo e olha que ele tinha mais aspecto de petralha do que de coxinha.

Quando chegou a minha vez de ser atendido (com a senha BO209) por um descendente de asiáticos (sou descendente de portugueses, africanos e índios), jovem, mal-encarado e meio sujo, tive alguns segundos de indecisão e tentei pensar algo inteligente, enquanto sentava bem devagar, na frente daquela figura paradoxal. Ele perguntou o que eu desejava. Isso me surpreendeu. Um cara com 65 anos (data limite para pegar a aposentadoria), tendo passado por uma entrevista prévia, quatro meses antes e o indivíduo me faz aquela pergunta…

Tentando manter a calma, abri minha mochila e tirei o papel contendo a lista de trabalhos realizados e o tempo de serviço, que me fora entregue ali mesmo, quatro meses antes. Como estava registrado, eu tenho uma carência de 124 meses, enquanto o limite mínimo é de 180 meses, embora tenha começado a trabalhar muito tempo antes de 1998, quando esse limite foi restabelecido e não deveria ser enquadrado nele, conforme reza a lei.

Bom, mas essa informação já me fora dada na primeira entrevista. Faltava contar o tempo de trabalho maior que foi dedicado às duas empresas próprias, a LHM (1991 a 2015) e a Servibras (1986 – 2015), que o governo petista baixou compulsoriamente e sem qualquer consulta aos sócios delas.

Como eu não tinha o cálculo desse tempo, a funcionária me orientou a levar o Contrato de uma dessas empresas no atendimento de ontem que eles fariam o cálculo para mim na hora. Infelizmente aquela atendente não estava por lá ontem. Levei o Contrato da LHM. Ele perguntou se eu havia levado os carnês de pagamento ou, um ao menos, que houvesse sido pago em dia. Com tantas mudanças em nossas vidas (Estados Unidos, Sorocaba, etc.) perdemos muitas coisas, entre elas, os carnês. Durante os primeiros anos, o INSS foi recolhido em dia, mas, e agora você não acreditará em mim, o INSS não tem o registro desses dados ou, prefere não nos ajudar fornecendo-os, talvez.

Antes que eu pudesse passar o contrato para a figura, ele tirou o papel que me fora fornecido anteriormente e me informou: você (veja bem o tratamento) trabalhou na prefeitura e vai precisar do documento ( @#$%%¨¨¨¨&&&¨%%$(* ) que eles fornecem lá. Estive na prefeitura e fiquei sabendo que precisava solicitar o tal documento, com o detalhe que isso poderia demorar de sete meses a mais de um ano pro trem ser entregue. O detalhe é que com isso, eu ainda ficaria longe da meta dos tais 180 meses, sem falar que esse tempo eu já havia incluído na nos 124 citados.

Argumentei isso com o imbecil, mas ele demonstrou desprezo e já deu sinais de que estava na hora de eu ir embora. Ato continuo, comentou com a funcionária vizinha, aquela da mesa 9, com ar debochado, que eu estava querendo pagar o INSS atrasado da minha empresa para conseguir me aposentar. Ela respondeu olhando para mim, até de forma educada, que isso não adiantaria nada e até poderia me complicar. Completou me aconselhando a tentar conseguir um benefício da LOAS (um salário mínimo sem 13º destinado a indigentes, doentes, etc.) sem me informar que, caso haja alguém trabalhando em sua casa, com carteira assinada, eles não darão o benefício.

Acho que já deu para entender. O que interessa, caso você vá requerer sua aposentadoria, é o que você pagou e não o que você trabalhou, legal né? Guardando a papelada na mochila, tentei um velho e surrado argumento, e agora faço o que? Ele deu de ombros, literalmente. Pediu meu CPF (o documento) e começou a digitar algo no PC dele. Me informou que a data mais próxima para eu pedir a LOAS era em algum dia de junho próximo, às sete horas e em outra loja do INSS. Imprimiu o papel, jogou na minha frente e levantou do lugar, para conversar com a colega da mesa 9.

Saí de lá com todos aqueles sentimentos normais para essas ocasiões (frustração, autoindulgência, impotência, raiva, comparação, auto-imagem esfacelada, sem auto-estima, etc.). Mas hoje, depois de reclamar seriamente com Deus, me ocorreu que, talvez, no último dia 8 de abril (2016) eu fora vítima do maniqueísmo instalado em nosso país. Aquilo foi um embate entre um cara das elites e um petista filho-da-p… (apesar de ter seguido o conselho de um amigo e ter me apresentado mal vestido, barba por fazer e sem adereços), pois por mais que tente disfarçar, sou mesmo um membro das elites, apesar de ser um durango contumaz.

Acredito que nem todo petista é como esse aí, embora eu não conheça nenhum. Se não for isso, geralmente é muito parecido a um robô teleguiado, incapaz de pensar por si mesmo. É golpe, como se não fossem eles os golpistas, não esses, mas o Grande Irmão e sua presidenta.

Bom, cada um se consola como pode.

Por fim, acabei reconhecendo que nunca deveria ter entrado naquele lugar. INSS não é feito para mim e/ou gente como eu. Pertence ao PT e aos petistas. Não sou oposição ao PT ou aos petistas, mas não os quero mais em nenhuma das esferas de governo do meu país, pelo conjunto da obra que eles fizeram, até aqui, com corrupção, aparelhamentos, fisiologias, nepotismo, etc., com os que destruíram o pouco que estava funcionando bem. O fato é: essas opções tem preço e preço alto. Errei em não me precaver antes de tomar a decisão de discordar deles.

Agora precisarei, mais do que nunca, continuar trabalhando (no Projeto Coração Valente e/ou em qualquer outra opção) poupar para os anos em que não puder mais trabalhar e esquecer o INSS e isso inclui minha esposa, pois ela sempre foi minha sócia fiel nessas minhas empreitadas capitalistas neo liberais. Acho que processar o INSS agora não é inteligente. A justiça também está nas mãos deles, se não me engano, apesar do Moro.

Problema é que missionários velhinhos sem uma boa igreja que os sustente, estão lascados para galgar a senda missionária.

Concluo que ainda estou atravessando mais um dos meus vales da morte. Segundo o Pr. Nivaldo Nassif, e a Bíblia Sl. 23, Deus está comigo e a vara e o cajado dele me protegem. Ele também estava comigo entre os dias 8 e 20 de abril de 2013, como também está agora. Problema é que as perspectivas dele (Deus) não sejam as mesmas para mim, pois Ele pode ver o todo enquanto eu só vejo o que está à minha frente.

Vamos ver até onde vai o Vale da Morte atual ou não.

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Aí Tigrão

Tigre

Nome chinês:HU
Número de ordem:Terceiro
Horas governadas:3 a.m. – 5 a.m.
Direção do signo:Leste – Noroeste
Temporada e Mês:Inverno – Fevereiro
Signo ocidental:Aquário
Elemento fixo:Madeira
Tronco:Positivo


No Oriente, o Tigre simboliza a potência, a paixão e a ousadia. Rebelde, expressivo e imprevisível, impõe a todos reverência e respeito. É um lutador ardente e destemido, e seu signo é respeitado porque conjura os três desastres mais graves que podem ameaçar a uma família: o fogo, os ladrões e os espectros.

É uma sorte ter ao lado um nativo Tigre, desde que esteja disposta a aceitar toda a atividade que comporta sua personalidade dinâmica. A vivacidade e a impulsividade do Tigre são contagiosas. Seu vigor e seu amor pela vida são estimulantes. Suscitará nos demais sentimentos de todo tipo, mas não a indiferença.

Em conclusão, o fascinante Tigre ama ser o centro das atenções.

Inquieto e imprudente por natureza, o Tigre, em geral, se vive pelo desejo de entrar em ação. No entanto, por causa de sua índole desconfiada, tende a vacilar e a tomar decisões apressadas. Para um nativo de tigre, é difícil confiar nos outros e frear suas emoções. Quando está transtornado, deve dizer absolutamente o que pensa. Mas como é impulsivo, também é sincero, afetuoso e generoso. E, principalmente, tem um maravilhoso senso do humor.

Todos os nativos Tigre têm em si mesmos um verdadeiro espírito humanitário. Ama os meninos, os animais e tudo aquilo que pode atrair sua imaginação e seu atendimento no momento. Quando se deixa envolver, seu interesse é total. Todo o resto, inclusive respirar, passa a um segundo plano, por trás do objeto de seu interesse. Quando se compromete nunca deixa as coisas ao meio e pode estar seguro que se entregará 100 % ou inclusive mais, se o considerar necessário.

Com frequência, são os tipos mais sensuais, na juventude, pois têm uma paixão pela vida boêmia. Alguns não a superam jamais. São os tipos aventureiros que vão a Paris em procura de uma existência romântica, os pintores de primeiras armas que expõem seus quadros nas esquinas das ruas, os complexos diletantes…. além de serem otimistas, o Tigre não é materialista e não tem obsessão pela aspiração da segurança. No fundo, o Tigre não é um romântico. É engraçado, apaixonado e sentimental, tudo ao mesmo tempo.: é uma experiência inesquecível amar ou casar-se com um deles. Adicionalmente, tende a ser muito possessivo e pelejador quando se põe zeloso.

 

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Ando Devagar


Santo Antão e São Paulo Tebas

Por D. Velasquez

  • Se desejar ler ao som da música de Renato Teixeira cantada por Almir Sater clique no fim da página para iniciar.

“Ando devagar porque já tive pressa,

Levo esse sorriso porque já chorei demais,

Hoje me sinto mais forte

Mais feliz, quem sabe…”

Renato Teixeira

Creio que as palavras do poeta do campo traduzem minha sina dos últimos anos. Uma das consequências evidente, inclusive, foi a diminuição do meu ritmo nas escritas desse blog. Entretanto, começo a sentir comichão, por que não dizer culpa por ter sucumbido naquilo que mais me agrada fazer, depois dos prazeres óbvios.

Nesses tempos de pouca produção, sucumbido às preocupações com todas as coisas que virão de qualquer jeito após buscar o Reino de Deus, andei vendo minha agenda de vida sendo cumprida em outras vidas, não sem sentir uma ponta de inveja, sinceramente. Obviamente, vários itens dessa agenda foram eliminados, mas ainda há alguns que gostaria e pretendo realizar, nos anos que me restam.

Alguns desses itens surgiram de minhas leituras. Um exemplo é minha vontade de conhecer Avalon, ou melhor Glastonbury.

“A cidade de Glastonbury é particularmente notável pelos mitos e lendas a respeito da colina próxima dali, a Glastonbury Tor, que reina solitária em meio ao resto completamente liso da paisagem de Somerset Levels. Esses mitos são a respeito de José de Arimatéia, do Santo Graal e do Rei Artur.

A lenda de José de Arimatéia diz que Glastonbury foi o local de nascimento do Cristianismo nas ilhas britânicas e que a primeira igreja britânica foi construída lá, para guardar o Santo Graal aproximadamente 30 anos após a morte de Jesus. A lenda também diz que um José mais jovem havia visitado Glastonbury com Jesus quando este ainda era pequeno. A lenda provavelmente tem origem na Idade Média, quando relíquias religiosas e peregrinações eram negócios lucrativos para as abadias. No entanto, William Blake acreditou nessa lenda e escreveu o poema que deu suas palavras à patriótica música inglesa “Jerusalém“.

Fonte: Wikipédia Glastonbury

Há também os Padres do Deserto que via Anselm Grun, despenseiro da abadia beneditina de Munsterschwarzach e seu livro O Céu começa em você prepararam meu coração e mente para o que me estava reservado e pretendo continuar sorvendo enquanto viver. Provavelmente, incluirá uma visita ao Egito, também:

“Os Padres do Deserto ou Pais do Deserto foram eremitas, ascetas, monges e freiras que viviam majoritariamente no deserto da Nítria (Scetes), no Egito a partir do século III d.C. O mais conhecido deles foi Santo Antão (ou Santo Antônio, o Grande), que mudou-se para o deserto em 270-271 e se tornou conhecido tanto como o pai quanto o fundador do monasticismo no deserto. Quando Antão morreu em 356, milhares de monges e freiras tinham sido atraídos para a vida no deserto seguindo o exemplo do grande santo. Seu biógrafo, o doutor da igreja
Atanásio de Alexandria, escreveu que “o deserto tinha se tornado uma cidade” [1] .

Os Padres do Deserto tiveram uma enorme influência no desenvolvimento do cristianismo primitivo. As comunidades monásticas do deserto que cresceram destes encontros informais de monges eremitas se tornaram o modelo para o monasticismo cristão. A tradição monástica oriental, representada em Monte Atos, e ocidental, sob a Regra de São Bento, foram ambas fortemente influenciadas pelas tradições iniciadas no deserto. Todos renascimentos monásticos da Idade Média buscaram no deserto alguma inspiração e orientação. Muito da espiritualidade do Cristianismo Ortodoxo, incluindo o movimento hesicasta, tem as suas raízes nas práticas dos Padres do Deserto. Mesmo renascimentos religiosos mais modernos, como os evangélicos alemães, os pietistas da Pensilvânia e o renascimento metodista na Inglaterra foram vistos por estudiosos atuais como tendo sido em alguma medida influenciados pelos Padres do Deserto[2] .”

Como disse acima, esses são dois exemplos de itens constantes de minha agenda. Mais jovem, depois de ler o livro do Ricardo Semler (e isso não é uma piada), “Virando a Própria Mesa”, elaborei a minha primeira agenda para a vida onde inseri vários itens, alguns pitorescos outros exóticos, entre eles, coisas como correr uma São Silvestre (que acabei abandonando porque a Rede Globo destruiu o glamour da prova) e voltar a Jerusalém para, em companhia de Laila e Kalil, refazermos o caminho por onde o Mestre andou.

Enquanto isso, preciso seguir escrevendo pois, mesmo que não consiga implementar nenhum desses sonhos, através desse mundo sem limites que escrever me permite, eu possa ir a esses lugares e fazer todas essas coisas.

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Por que não escrevo mais?


Essa pergunta surgiu de todos os lados, nos últimos dois anos, quando minha produção na arte de escrever diminuiu sensivelmente. Com isso, venho adiando responder a essa pergunta, também.

Primeiro, não é verdade que deixei de escrever. Quem anda pelo Facebook e Twitter sabe muito bem o quanto escrevo nessas porcarias úteis. Mas me tornei mais amargo porque me vi obrigado a sucumbir a essas geringonças. Ando falando, digo, fazendo ousadas asseverações sobre o que não entendo, ou seja, de política, especialmente em um país onde ela é exercida sob as práticas de mentir e enganar. Como me disse um ex-político que virou morador de rua lá em Sorocaba: “Não fique triste, ninguém, nem eu, entende porque é tudo mentira nessa área, como em tudo por aqui”.

Também é fato conhecido o quanto nossos blogs foram desprestigiados em favor dessas horrorosas mídias sociais. Mas pelo menos, ficou claro qual era o verdadeiro interesse da macacada, ou seja, relacionamento. Isso é importante, embora vivamos em uma terra onde mana banana e água, e todo mundo diz em prosa e verso que somos os reis do relacionamento, provavelmente mais uma mentira. Na verdade, mostramo-nos carentes de afagos, beijinhos e sexo. Engana-se quem pensa ser diferente para os caras que buscam as igrejas ou a autoajuda, em minha opinião.

Evidentemente, a partida precoce de nosso filho me abateu profundamente. Uma vez um aluno meu do seminário me perguntou porque eu tinha tantas olheiras. Seguramente eu não esperava uma pergunta imbecil dessas e isso ocorreu enquanto ele ainda vivia. Por mais que revire a minha memória não me lembro o que respondi, provavelmente fui irônico com ele, sem nem ao menos considerar que a pergunta poderia até ser um gesto de bondade. Mas não penso ou acredito que esse fato terrível que se abateu sobre nós seja boa desculpa para a interrupção das minhas escritas. Escritores são seres muito complicados e, via de regra, quanto mais se deprimem, melhores escritores tornam-se. Isso se não se suicidarem antes. Fique tranquilo, com já declarei antes, sou suficientemente covarde para ser capaz de pôr fim à minha vida, quase inútil.

Para ser franco, a melhor parte de escrever não é ler um texto depois de tê-lo acabado e regozijar-se com minha conhecida capacidade inacreditável de produzir algo tão incrível de bom. Aliás, isso pouco se me dá, pois dificilmente gosto do que escrevo, a não ser quando leio muito tempo depois e me pego pensando: “Nossa, isso até parece bom!” O que mais importa mesmo é saber quantos desavisados leram meus textos, em que pese minhas declarações enfáticas de que escrevo para mim mesmo. Copiei isso do Brabo, sem cerimônia. Talvez ele o faça, de verdade. Há muitos indícios nessa vida de que o cara caminha resoluto para ser um dos raríssimos monges em terras brasilis. Embora seja bom continuarmos cautelosos, ele é brasileiro e escreve como poucos.

Dizem que Deus criou a melhor terra do planeta aqui e depois colocou nela o pior povo da Terra. Coitado de Deus, não haveria acusação mais injusta, insana e incorreta do que essa. Foram os portugueses, ajudados pelos holandeses, alemães, franceses, norte-americanos, italianos, espanhóis, japoneses mais as igrejas evangélicas e católica os verdadeiros culpados, se não me engano. Todos eles enviaram para cá a escória, com meus avós e bisavós inclusos. Deu nisso, entregamos a Copa e jogo contra a Alemanha e nem sabemos por quanto, e caminhamos a passos largos para entregar o resto, também. Ninguém mais, nem os cubanos ou os russos seriam capazes de tamanha picaretagem. No ano que vem, ficarei muito triste se a Portela (a minha escola de samba predileta) não vier para a avenida com o enredo “Transamos com os alemães” e, dessa vez, com as baianas vestindo sós as famosas saias, sem nada da cintura pra cima.

Depois os caras querem que nós ainda continuemos escrevendo como se nada houvesse acontecido.

Mas ainda acalento o desejo de continuar escrevendo e muito. Escrever é igual gostar de muié, diz um outro amigo escravo das duas, da escrita e das muié: “Quanto mais apanha ou é enjeitado mais a gente gosta”. Não será a falta daqueles quinhentos ou seiscentos leitores dia que irão me derrotar, bando de traidores e amantes de mídias fáceis onde não é preciso pensar para ler. Sei muito bem que vocês leem essas porcarias, mas é no meu blog que estão pensando. Isso sim é traição deliciosa.

Capricornio PB

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Excluido mas não vencido.

Eu trabalho pouco por exclusão, mesmo e não por safadeza.

Não estou atrás de esmolas, pois sou suficientemente orgulhoso para evitá-las, mas sou, também, bastante humilde para aceitar ajuda quando o que importa não sou eu, mas alguém que amo e não posso socorrer, por mim mesmo.

Capricornio PB

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Que falta faz um bom missionário!

Dia desses, fui ao banco e, para minha surpresa, fui atendido pela gerente, finalmente. Mulher tem poder e é dificílimo conseguir alguns minutos para falar dos meus muitos milhões depositados ali. Conversa vai, conversa vem, ela sem pressa nenhuma e eu meio espantado meio sem graça, me perguntou qual era a minha ocupação. Pergunta difícil essa, para mim. Pensei em consultor, mas um amigo advogado acabara de me aconselhar a não dizer essa palavra a ninguém, muito menos a gerentes de bancos, juízes e policiais. Então me ocorreu minha mais nova aposta de trabalh0 (só faz uns trinta anos que faço isso), só que agora estou imaginando ganhar alguma coisa concreta com isso, mas continuei com medo em declarar essa atividade, também. Me tocando que a moça continuava ali, aguardando minha resposta, pacientemente, resolvi poupá-la e mandei: Missionário.

Até eu me surpreendi com aquela declaração, saiu quase involuntariamente. Enfim, já estava declarado e agora só me restava aguentar as consequências. Mas a jovem gerente estava disposta a conversar e não demonstrava nenhuma pressa, para piorar mais aquele meu ato falho ou algum problema de comunicação com meu computador central. Então ela mandou outra pergunta inconveniente: E que faz um missionário?

Ave M… digo Jesus, salva-me agora. Como responder essa sem mentir, enganar, fraudar, tapear, etc.? Afinal, missionários não mentem (sic). Veio a minha mente, como se alguém tivesse assumido o controle dela, temporariamente, algo assim: Ah, missionários cuidam de viúvas idosas que não têm quem cuide delas, dos órfãos, enfermos, famintos, abandonados, sem esquecer sua missão principal, ou seja: pregar as boas novas aos pobres de espírito e proclamar liberdade aos presos, a recuperar a visão dos cegos, libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor. Naquele momento, consegui quebrar um pouco o conforto dela. Minha resposta havia causado algum assombro nela.

Recuperando-se rapidamente do pequeno assombro, fez mais uma pergunta: E onde o senhor faz isso ou em qual organização? Outra pergunta difícil, danada. Então me ocorreu citar o Projeto Coração Valente. Era a minha única verdade a respeito, se bem que não passe de um site de informações, por falta de recursos, no momento.

Pediu algumas informações sobre o Projeto e eu fiz um breve resumo para ela. Então, graças a Deus, ela se deu por satisfeita.

O problema maior começou quando sai dali. Não consegui mais parar de pensar no que havia declarado à aquela mulher. Sou um Missionário! Caspite! E o que estou fazendo com isso? Jesus enviou seus discípulos como missionários lhes dizendo dando orientações bem específicas (veja em Mateus cap. 10: 5 – 20). Hoje em dia, não vemos mais missionários cumprindo suas missões sob essas perspectivas, muito menos eu. Jesus era mesmo um cara muito bem humorado, ressuscitar mortos, curar enfermos, só podia estar brincando. Confesso viver me perguntando: E se Ele estiver falando sério? Não consegui curar meu próprio filho e muito menos ressuscitá-lo, aliás nem lembrei disso naquela hora. Nesse caso, teria desapontado a Deus, ao meu filho e a mim mesmo, fora o tantos outros importantes para mim. Que falta faz um bom missionário!

Enfim, agora a Inês é morta. Até ela se foi sem qualquer socorro missionário. Resta-nos sair por aí em busca daqueles necessitados que ainda não pereceram, se ainda houver um mínimo de vergonha na minha cara. O problema é que minhas próprias necessidades me consomem e o Senhor orienta: “o trabalhador é digno de seu sustento”.

Haja fé para enfrentar o que me foi designado. É fazer ou morrer. A outra opção é não fazer e, igualmente, morrer.

Capricornio PB


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Nossas imagens sombrias

Oliver Sacks

 

O neurologista Oliver Sacks revelou, recentemente, estar com câncer terminal. Essa notícia levou a Consultora de Empresas Beia Carvalho a lembrar-nos do excelente documentário “Janela da Alma“, onde há vários depoimentos lindos sobre o tema, inclusive do próprio Oliver. É o tipo do vídeo que você não poderá ver uma única vez. Há muito ouro ali.

As diferentes capacidades de visão, começando com a dos seres humanos que é limitada, se compararmos à visão das aves de rapina, como o falcão, a águia e até o nosso velho e bom urubu, nós passaríamos como seres próximos à cegueira. Mas o documentário foi a campo e trouxe o depoimento de alguns cegos, entre outros depoentes com algo diferente em suas visões, que conseguem enxergar mais do que a maioria dos humanos, usando outros sensores, como a audição, o tato, paladar e o melhor, a alma.

Quem lê as bobagens que escrevo nesse blog, será sempre testemunha de quanto venho insistindo nessa questão das nossas imagens sombrias, em especial, nos temas mais teológicos e/ou relacionadas a Deus e às coisas espirituais. Nós acreditamos naquilo que somos capazes de ver, entretanto, não nos damos conta de que nossa visão é parcial. Há várias razões para isso, desde do tipo de visão que a espécie humana possui, passando pelos problemas físicos e emocionais que podem interferir, até as diferenças existentes dentro da própria espécie. É sabido que os orientais e os esquimós possuem visão mais ampla em relação aos ocidentais, em termos físicos.

Entretanto, a raça humana tem se destacado em completar sua capacidade de ver através de outros meios, internos e externos, por um lado, e por outro tem se fechado em “cavernas e grutas” permanecendo e se contentando em ver as sombras nas paredes desses lugares fechados como se fossem as imagens plenas e reais.

Hoje é sábado e estou escrevendo por volta do meio dia. Nessa altura deveria estar terminando a primeira parte de um WorkShop cujo tema era as “Finanças Pessoais”. Mas o grupo de pessoas que havia confirmado presença não efetivou suas inscrições e a empresa organizadora não teve outra alternativa, a não ser cancelar o evento. Me preparei muito (cerca de seis semanas) para poder proporcionar uma oficina bem legal para quem participasse. Como não sou economista e muito menos contador, meu enfoque seria um pouco diferente. Evidentemente, não havia como escapar de algumas definições essenciais como as questões relacionadas aos ativos e passivos, bem como do orçamento e seus componentes receitas e despesas. Mas era justamente sobre as imagens e os enfoques que residiriam minhas ênfases, ao examinarmos mitos e lendas, a maioria deles determinados por visões equivocadas e agravados com falsas crenças, a partir daí.

Dito isso, resta-me acrescentar que o dinheirinho (havia feito um precinho bem camarada para ajudar o pessoal) que adviria daí, provavelmente, me fará uma falta incomensurável. Bom, isso se pensar só no que estou vendo, visão possivelmente bem parcial, pois naquilo que não sou capaz de ver, pode residir muitas possibilidades capazes de me salvar de mais essa.

Capricornio PB

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Duti fa niente pio

 

Anjinho Missão Coração Valente

Por esses dias, declarei em uma rede social que escrevo em meus blogs quando me dá na telha. Essa declaração (como a maioria delas) surgiu de minha indignação em relação a esses caras, contumazes humilhadores de pobres e oprimidos escritores da periferia das letras, onde sou sócio militante e remido. Eles vivem propagando seus troféus e conquistas, entre elas, aquelas declarações horrorosas onde informam em quais veículos de comunicação escrevem diariamente, semanalmente, mensalmente, anualmente, secularmente. Isso me dá uma raiva…

Menos mal se vivo em uma época onde há redes sociais cibernéticas, blogs e magogues como diria meu quase esquecido amigo Paulo Brabo. Esse conseguiu editar alguns livros com seus escritos, menos mal, merece e é bom lembrar que se trata de excelente escritor. Embora essa boa notícia revele parte de minha incompetência, pois nem isso fui capaz de fazer a meu favor. Sei que isso soa negativamente, com cheiro de inveja e egoísmo. Mas escritores de respeito são exatamente assim, ou seja, escrevem e publicam para eles mesmos. Leitores não passam de detalhe em nossas obras.

Comecei a escrever meu primeiro blog no final de 2005 e escrevi assiduamente até o falecimento de meu filho Thomas. Depois disso a inspiração parece ter minguado. Talvez a tenha perdido junto com a vontade de viver, trabalhar, amar e me alegrar, com essa perda dolorosa. No período fértil de minha escrita até produzi um ou outro texto que, quando leio, me pergunto quem o teria escrito por acha-lo razoável, às vezes, até bom. Como bom pessimista, não tenho auto imagem muito boa e nunca me classifico como capaz de fazer qualquer coisa direito. Meu terapeuta diagnosticou isso como a principal causa de minha procrastinação crônica.

Em meu momento atual, celebro o fato de estarmos perto do fim do ano, a melhor desculpa para não fazer nada, no momento. Estou me preparando para começar no ano que vem, mas confesso já estar de olho no próximo carnaval e até na semana santa, uma quaresma depois, como meus próximos bodes expiatórios para meu “duti fa niente”.

Hoje, resolvi escrever alguma coisa, mesmo sendo meio na marra. Como ensinou o Guilhermo Arriaga, sentei e comecei a digitar, sem qualquer rumo prévio. Enquanto escrevia, o Dr. Adib Jatene agonizava no hospital até a morte. Uma perda irreparável para a comunidade do Coração. Fatos como esse me fazem lembrar o padre do filme “O Destino do Posseidon”, pendurado em um registro corta-água e gritando a Deus: “Quantos mais o Senhor ainda pretende levar?” Impressiona, se não fosse mais uma falsa teologia. Ontem, em minha conversa com D. Arlete Batista ela declarou “Para mim, Deus não leva ninguém.” Um colírio para meus olhos, pois partilho da mesma crença. Deus é o Criador, o Deus da vida. Embora insistamos em não acreditar, a morte entrou no mundo por obra humana, ou você acha que a história de Adão e Eva no Genesis significa o que? Por nosso intermédio o pecado entrou no mundo e com ele a morte. Simples assim, só nos resta chorar. Mas não se irrite, você ou eu no lugar deles teríamos feito a mesma coisa. Faz parte do livre arbítrio ou Deus calculou mal nossa fidelidade.

Enquanto choro a morte de meu filho caçula, Deus chora a morte de milhões de filhos perdidos, sem falar no predileto dele, assassinado pelos homens, logicamente. Só que nesse caso, embora eles não desconfiassem, Deus estava abrindo um caminho para todos nós. Há vida após a morte e Jesus Cristo a inaugurou para todos os que vieram depois e antes dele. Por muitas razões, os evangelhos conhecidos não relatam, de forma completa, a morte vicária de Cristo seguida de sua Ascensão. Parece não terem tido a permissão para escrever tudo, os evangelistas. Não me pergunte por que, pois não faço a mínima ideia. Por isso paro a exposição de qualquer evangelho na crucificação e não vou adiante. O que há depois ainda não foi revelado. Fica então a crença na vida eterna, pela fé, embora isso seja uma certeza.

Fazer o que, então? Como atestou D. Arlete, ontem, minha missão é o Coração Valente e a ela (A Missão) devotarei os dias que me restam. Como disse, minha tarefa enfatizará a questão espiritual, além de me dispor a compartilhar a minha experiência com aqueles que estão lutando na senda dos problemas relacionados às enfermidades, começando com as congênitas do coração e estendendo a todas as outras, conforme a direção de Deus. Dicas, terapias, helps, o que precisarem, sobretudo, orientação espiritual. Sou daqueles que acreditam sermos um pouco mais do que simples razão ou como diria Pascal: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Não tenho a menor intenção em confrontar os serviços de saúde e seus agentes. Mas pretendo ser um contraponto às vítimas dessas misérias provendo conforto espiritual consistente a elas. Há poucos dias, uma mãe aflita me relatava as palavras de um médico que decretou o fim próximo de sua filha, pois não haveria nada mais a ser feito por ela, segundo sua ótica médica. Isso me arrepia, pois mais uma vez um médico esqueceu que há vida fora da medicina e desprezou o Criador dela, da filha de nossa amiga e da própria vida. Se Deus não leva ninguém, muitas vezes ele alonga nossos dias e, em outras, ele nos liberta, como nos casos em que a morte já é iminente e sobreviver seria um castigo.

Enfim, há todo um universo a desbravar nesse campo e, quem sabe, um novo caminho para muitos posts, textos e artigos. Né?

Ciao “duti fa niente pio”.

morcego-12

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Saltimbancos na Gruta


Não tenho conseguido tempo para escrever, nos últimos tempos, como gostaria. Muitas ideias e pensamentos passam por minha mente sem que possa dar-lhes asas. Ando absorvido com os desdobramentos advindos do falecimento de minha sogra, a deterioração da saúde de minha mãe, nova mudança de residência e outras atividades e preocupações menores. Além disso, continuo em minha marcha ao lado dos MST (Movimento dos Sem T…rabalho) uma manifestação silenciosa que atinge, sobretudo, gente mais velha. Mas Deus, ainda que inconstante e seletivo (Ele costuma dar mais atenção a pessoas diferentes de mim) não tem me deixado chegar na penúria total. Volta e meia, faço algum trabalho esporádico, recebo algum troco inesperado ou aparece alguém ou alguma situação para me salvar, sobretudo nas pequenas causas.

Ontem estive na cidade onde minha mãe está internada em um “Lar” para idosos mantido por uma igreja protestante. Eles me chamaram lá para comunicar que não estão contentes com o comportamento dela. A velhinha anda muito indisciplinada, com atitudes inaceitáveis para uma idosa cheia de demência e Alzheimer, segundo me informaram. Deram prazo para ela adaptar-se (leia-se: não dar problemas) ou irão me devolve-la, lembrando-me que o Estatuto do Idoso (mais uma dessas “leis” excrementosas produzidas pelo nosso “Congresso corrupto e comunista”) prevê que eu, como filho único dela, sou obrigado a cuidar dela, sob pena de prisão e não interessa se tenho família, trabalho, comida e condições de cuidar dela, mesmo que fosse minimamente. A grana que ela pagou a vida inteira ao estado nem de longe tornou o estado obrigado a proporcionar-lhe lugar para viver em seus últimos dias. Disseram mais, se eu não o fizer e for para a cadeia por tanto, meus filhos herdarão o abacaxi, digo, minha mãezinha doidinha da silva.

Enfim, da Vila Constância para a Vila Canaã, tal qual nosso pai Abraão que saiu da Constância onde não havia maiores preocupações para encontrar sua Canaã, terra onde devia manar leite e mel. Até hoje a descendência do velhinho está procurando o tal leite com mel, fora que até agora não conseguiram tomar posse do lugar, como Deus lhes prometeu. Claro que a culpa é deles, quem mandou serem desobedientes.

Tudo bem, quem sabe não sou um novo Abraão e consigo fazer melhor do que o velho pai do povo de Deus fez. Pelo menos não darei minha mulher para rei nenhum traçar. Coisa mais besta sô.

morcego-12

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O peregrino rumo à Terra Santa

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Quando li na Bacia das Almas o Brabo dizendo que escrevia para ele mesmo, fui ao deleite, então tratei de surrupiar aquelas palavras para mim e as transformei em minhas. Sei que o Brabo fez o mesmo ao lê-las em outros autores, Borges por exemplo, que também deve tê-las surrupiado de outros e assim por diante. Veja bem, depois de alguns textos iniciais, batizei esse blog como A Gruta. Aos poucos, os leitores deram-me uma pequena contribuição afinando ainda mais essa denominação para A Gruta do Lou.

Tudo que eu queria naquele momento era encontrar um lugar onde pudesse me refugiar, tipo me esconder mesmo. Nada mais apropriado do que uma Gruta, um lugar onde não chove dentro, excetuando uma ou outra estalagmite, onde ninguém me censuraria e me julgaria, muito menos, onde não teria obrigações como trazer o pão nosso de cada dia para uma família inteira, não precisaria pagar aluguel, não sofreria processos de despejo e não precisaria arrumar explicações para explicar o inexplicável.

Bobagens como: porque não consigo trabalhar e, consequentemente, porque não sou capaz de obter o necessário sustento, dever de todo homem que se preza. Fora as impotências que isso causa no homem cercado por essas limitações.

Evidentemente, falhei redondamente nessa vida. Acredito ter chegado a isso, principalmente quando tomei a mais equivocada das decisões. Aos vinte e poucos anos, ainda aluno da Escola de Educação Física de Santo André, decidi entregar minha vida a Jesus Cristo. A partir daí, minha vida desandou ladeira abaixo e pior, arrastei outras pessoas comigo para dentro desse precipício.

Nos tempos de escola, em todos os níveis, nunca fui um bom aluno, pelo menos não nos moldes esperados por pedagogos, psicólogos, professores, pais, policiais, políticos e pastores. Fui um daqueles alunos problema, desses que tem QI alto, mas inexplicavelmente nunca se ajustam aos sábios programas escolares oferecidos à manada de estudantes incapazes de pensar e muito menos rebelar-se.

Então, me converti a aquele cristianismo apócrifo, tanto quanto todos esses cristianismos que andam por aí, desde a Igreja Católica, passando pelas igrejas dos lobos batistas, presbiterianos, metodistas até as ultra neo pentecostais da prosperidade como a Universal e a igreja da Graça, chegando às caóticas igrejas da esbórnia de Malafaia, Waldomiro e muitas outras.

Acabei com minha promissora vida de professor de educação física para descobrir (ou admitir) aos sessenta e três anos, depois de quarenta anos de militância, que era tudo fogo de palha, mentiras e falácias sob altas doses de emocionalismos baratos, mas muito poderosos em casos de carência latente.

Praticamente, as pessoas envolvidas nessas religiões nutrem-se de estímulos capazes de gerar serotonina em doses altíssimas (pode ser outro ou outros hormônios, não sou especialista na matéria), muito além do que se pode conseguir fumando baseado, crack ou cheirando pó, ou sendo um “workaholic” (viciado em trabalho), se não me engano.

Completamente embriagado com altas doses desse hormônio, segui durante muitos anos. Em minhas fantasias via Deus nos outros, nas situações, nos sons e nas imagens, sempre acreditando na existência desse ser inexplicável e magnânimo que ninguém nunca viu, de fato, embora, muitos como eu, jurem existir.

Não se empolgue imaginando que estou desconfessando minha confissão de fé, continuo viciado nessa droga. Como todos os dependentes estão carecas de saber, não há cura para a dependência química. É “só por hoje”, e olhe lá. Dependentes químicos não são viciados em cocaína, ópio, maconha, crack, etc. São viciados nos hormônios que eles próprios produzem com a ajuda dessas drogas, que servem como estimuladores, apenas, em minha opinião.

Cristianismos, espiritismos, budismos, islamismos e todas as formas de religião são altamente viciantes, quanto mais radicais pior e não só fazem mal à saúde, elas também matam e causam impotência ou ansiedade sexual.

Em pouco tempo, mas já casado, abandonei meu trabalho digno de professor de educação física e me tornei um missionário, propagador do tal evangelho de Jesus Cristo. E o fiz em alto estilo, trabalhando logo em organização multinacional.

Totalmente dopado com altas doses de cristianismo pentecostal, atravessei o atlântico várias vezes, para oeste, norte e nordeste, indo parar na Albânia do tempo de marxismo leninismo, África das práticas animistas e América do Norte, as principais nascentes dessas porcarias.

Quando essas oportunidades começaram a diminuir, tornei-me professor em várias escolas formadoras desses dependentes e ajudei a colocar muitos desses pobres infelizes no caminho do mal.

Enquanto isso, não recolhi os impostos e tributos necessários a garantir meus dias de idoso. Talvez tenha sublimado esse tipo de preocupação como qualquer dependente faz, devo ter imaginado ou sonhado que jamais me tornaria um desses bizarros seres cheios de anos, além de mal de Alzheimer, demências e pouco cabelo.

Ainda não cheguei a isso tudo, mas estou chegando lá, o cabelo já era. Espero não perder a consciência antes de, utilizando uma última dose de dignidade e honra que mantenho guardada em lugar secreto, por fim à minha vida, como bem fez Hernest Hemingway e, mais recentemente, minha sogra. Virar um peso e tormento às pessoas que me cercam é o que não pretendo.

Com isso (minha dependência), consegui ganhar a mais completa falta de respeito (e, muito provavelmente, de amor) de minha esposa e dos meus filhos. Eles não esperavam um grande pastor e missionário chegando em casa cheio de histórias de gente convertida ao cristianismo. Tudo que desejavam era um pai e marido com uma sólida conta bancária que garantisse, casa, comida e todos os itens ditados pelo modo de vida de nosso mundo globalizado, como fazem todos os homens bem adaptados, equilibrados e livres das drogas.

Parece que não existe ninguém ou algo mais broxante do que teólogos e gente que vive por aí, lendo bíblias, alcorões, torás, talmudes, bhagavag guitas, evangelho segundo Kardec e similares).

Pelo menos eu não tenho notícias de colegas religiosos capazes de manter nem mesmo um medíocre relacionamento sexual com suas esposas e, menos ainda, um lar bem provido e estável. Por isso não estranho quando dado teólogo transforma seu ministério em um negócio próspero. Ao menos assim, diminui o prejuízo sexual ou então, opta pelo homossexualismo, sei lá.

Homens capazes de manter a inspiração ideal para o sexo e a vida trabalham duro em empregos duradouros e ou à frente de negócios prósperos que remuneram bem, sobretudo para manter os cartões de crédito de suas esposas e os caprichos contemporâneos de seus filhos.

Esses super-homens bem alinhados, bebem muito vinho e/ou whisky importado, tomam Viagra e correm feito loucos em academias e até pelas ruas de seus condomínios luxuosos e não deixam de ser amados, enquanto viverem. Quando morrem, e eles não costumam ter vida longa, são logo esquecidos em meio à luta de suas famílias pela divisão da herança que acabam deixando. Mas nunca serão lembrados como fracassos humanos.

Mas dependentes químicos como eu, ex-viciados (ainda completamente intoxicado) em igreja mais especificamente em cristianismo, costumam ser abandonados por suas mulheres, ou no mínimo, acabam vivendo sob o mesmo teto em grande conflito, silencioso ou violento, não importa.

Pior se, ainda por cima, você tiver o azar de ter agravantes como a obrigação legal de tratar de sua mãe completamente demente e desmemoriada em casa, sem qualquer outra opção. Isso se você não tiver perdido algum filho pelo caminho, vitima de alguma grave doença, pois além da dor insuportável e eterna que sentirá, ainda será considerando o grande culpado por tanto.

Além de você, culparão o maldito deus que você inventou, pois na hora mais necessária, ele não deu as caras. Afinal, gente assim, perdeu a chance única de ser um alinhado e com isso, direitos essenciais como aposentadoria, respeito, oportunidades de emprego e/ou trabalho e, no fim, a vida eterna nos jardins do crematório de Vila Alpina e/ou similares.

Não sei quantos lerão esse texto sublime. Houve um tempo em que muitos vinham à Gruta ler minhas bobagens pessimistas. Agora são poucos os que ainda persistem e menos ainda se a postagem não for propagada no Feicebuqui e no tuite. Como não sou tatu, esse é o tipo do post que não propagarei, devido à alta dose de componentes suicidas que ele comporta, evidentemente. Assim somos nós, os peregrinos atuais rumo à Terra Santa. Fuja disso, como o diabo foge da cruz.

Acredite.

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A velhice e a fraude

Uma idosa qualquer

Estranho chegar à idade onde nos sentimos excluídos. Não estou me referindo à minha família e alguns amigos, obviamente. Refiro-me à sociedade na qual vivo. O sentimento atual não é bom. Por outro lado, o tratamento da sociedade é bem ambíguo. Você não serve para fazer a maioria dos trabalhos para os quais é altamente capacitado, mas só você acredita nisso, aparentemente.

Mas quando levo minha mãe demente e em grau avançado de Alzheimer, eles dizem que o problema é meu e isso inclui cuidar dela, em todas as circunstâncias possíveis imagináveis, incluindo higiene pessoal, alimentação, etc. Para tanto, a idade não é empecilho, na cabeça dessas antas desonestas.

Estranho uma pessoa pagar uma quantia incalculável ( também depois de tantos planos econômicos, nem Einstein conseguiria), durante sua vida, coisa de uns 40 a 50 anos de contribuição, e longe de ser das menores, a agora não tem direito nem a uma internação minimamente digna, primeiro porque o beneficio não chega nem a metade do necessário (preço praticado pelas clínicas para idosos, 90% particulares) e depois porque o governo não acha necessário providenciar casas de abrigo e tratamento para idosos. Mandam seus lacaios dizer aos familiares que o problema é deles.

Em um país católico isso funciona por causa da culpa e o pessoal aceita esse tipo de coisa sem reclamar, com a consciência no chinelo (havaianas, obvio) Tive o desprazer de ouvir uma menina, mais nova que minha filha, me dizer esse tipo de coisa com os olhos cheios de raiva e desprezo, como se eu fosse um crápula por ter dito a verdade a ela, ou seja, que não sou capaz de cuidar de velhinha como ela precisaria.

Tomara eu consiga ter a nobreza de livrar meus familiares desse castigo antes de perder a razão. Não é atoa que a maioria dos velhinhos está endoidando (caso para qual inventaram um monte de eufemismos, como Alzheimer, demência, etc.), quem não endoidaria imaginando o que lhe espera na velhice inevitável. Ninguém merece, ou melhor, seria uma boa pena para o pessoal do mensalão, trabalhar cuidando de idosos em algum asilo público. Todo dia na hora de limpar o banheiro de mamãe eu me lembro deles. Na hora de dar banho nela (você nem imagina a complicadíssima técnica que inventei para fazer isso sem ver a nudez de mina própria mãezinha) penso mesmo é na presidenta.

Mas o que me causa maior contrariedade é o total descaso de Deus, nas duas frentes, na impossibilidade de seguir trabalhando porque a sociedade não quer e não deixa e depois, ser obrigado a cuidar de uma mãe igual a minha (vocês não têm ideia da figura, especialmente o que ela foi aos bons tempos dela). Como sempre, Ele sai pra pescar e não tá nem aí com sua obra prima.

Outro dia, li um texto escrito por algum idiota que dizia algo mais ou menos assim: “Mesmo sendo difícil entender o que está lhe acontecendo agora, tente pensar que isso está contribuindo para o propósito muito maior que Deus tem para você”. Putz, se Deus ainda tem desgraça maior reservada para mim, quero descer do mundo já. A minha paciência está muito além do suportável.

Imagine você, em meio a tudo isso, ainda visto a armadura completa de cavaleiro, monto no Roscinante, chamo o Sancho Pansa, escrevo um bilhete para a Dulcineia e saio por aí fantasiado de D. Quijote, brincando de ajudar os cardiopatas congênitos com o meu Projeto Coração Valente, pois isso é o que compete a um cavaleiro andante, um trem no qual só eu acredito existir, apesar do site e tudo. Sou mesmo uma fraude e ainda por cima, uma fraude velha e careca.

Esse é o universo de um idoso em andamento em um mundo onde não há lugar para idosos.

Pior, sonho em editar um livro com os textos contidos nesse blog. É coisa de louco ou não é? Não tenho nem mãe mais para comprar pelo menos um exemplar caso isso se desse. Provavelmente eu mesmo compraria a edição inteira e queimaria para depois dizer que edição estava esgotada. Que ridículo.

Ops: Essas palavras me foram ditas por um vizinho que, além da mãe, mora entre duas outras famílias que estão convivendo com velhinhos nessa situação, também.

morcego-12

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Qual é o seu plano de morte?


Não que tenha tempo de sobra, apesar de estar desempregado, pois meus dias são repletos de atividades. Tenho que dar café da manhã para minha mãe, uma operação complicada quando a pessoa está le lé. Provavelmente esteja fazendo tudo errado, essa foi outra atividade que se me impôs para a qual a vida não me deu treinamento algum e nessa altura do campeonato, não seria capaz de aprender esse tipo de coisa. Mais, tarde antes do dia acabar, ainda volto para dar outra refeição, e fazer o encerramento do dia da velhinha ga ga. Dureza meu, espero ser capaz de não me deixar ser assim nem um dia sequer e dar esse trabalho para meus familiares. No afã de viver eternamente, ou sem crenças religiosas melhores, as pessoas não planejam suas mortes e é preciso morrer, principalmente, quando seu ciclo de vida acabou.


Ernest Hemingway suicidou-se aos 61 anos enfrentando problemas de hipertensão, diabetes, depressão e perda de memória. A mãe dele lhe enviou a arma que o pai dele usara para suicidar-se, algum tempo antes dele acabar com a própria vida, sem dizer nada e nem era preciso, acho. Algumas tribos de índios no Brasil, não sei quantas, incluem em sua cultura uma sabedoria sobre a morte que a maioria do brancos não consegue entender. Eles cultivam uma erva venenosa a ser usada pelos idosos para encerrar suas vidas quando chegar a hora. Segundo eles, não é obrigatório, pois só os índios de mente elevada é que são capazes dessa iniciativa, segundo me disse um Xamã. Indigenistas sempre tiveram dificuldade em lidar com esse fato. Tentam impedir os índios idosos de empreender esse ritual, mantendo-os longe da erva e sob severa vigilância, mas sempre são vencidos pelos velhinhos indígenas. Certamente, os índios idosos recebem ajuda do resto da tribo para cumprir seus ritos de passagem e a morte é um deles e dos mais respeitados por esses povos.

Mas nós, gente sem sabedoria alguma, consumistas e materialistas não dispomos de lhufas para os inevitáveis fatos da vida, especialmente quando o assunto é a morte. Fico pasmo com minha própria dificuldade com questões inevitáveis como essas e outras. Olhando minha mãe nesse estado, entendo o que nos aguarda. Ela mesma jamais admitiu que morreria, algum dia. Ao contrário viveu até aqui sem nunca encarar esse fato, talvez cultivando alguma esperança de que tal nunca viesse a acontecer-lhe. Diante disso, concluo: esperar ou deixar que o próprio corpo tome essa decisão é irracional demais.

Por outro lado, essa é uma decisão a ser tomada exclusivamente em relação à nossa própria vida, embora a possibilidade do resto da tribo, digo, família discordar possa ser enorme. Estamos proibidos por um dos mandamentos de Deus de decidir encerrar a vida de qualquer outra pessoa, além de nós mesmos. Se bem que, nos damos ao desfrute de tirar a vida dos animais, quando os vemos terminais. Afinal, Deus não fez menção a eles na lei. Talvez ele mesmo estivesse velhinho demais quando escreveu o mandamento e esqueceu dos infelizes, que havia criado para viver no mesmo espaço que imaginamos ser só nosso. Mesmo se Nietzsche estiver certo e Deus já tiver morrido, certamente por decisão própria, devemos continuar vivendo sob a obediência da Lei dele. Ele sabia das coisas, afinal inventou a maioria delas, antes de Steve Jobs, Bill Gates, Lula e o Ed Rene virem para o nosso mundo, claro.

No caso de mamã agora, não tem mais jeito, ela só irá quando o corpo dela decidir. Pensando bem, assim ela viveu toda a vida dela. Minha mãe nunca foi uma pessoa do tipo pensador. Tinha verdadeira e enorme preguiça de pensar e agora, lelezinha da silva, não pensa mesmo e tem a desculpa inventada pela ciência com o nome de Alzheimer. Só não entendo porque não damos um nome mais brasileiro para essa doença aqui. Por exemplo: “Mal de Sarney”. Certamente assim, todo mundo entenderia do que estamos falando: “Aquela doença das pessoas que esquecem todas as outras menos delas mesmos”. Pensando bem, a alternativa seria chamá-la de: “Mal dos Egoístas”. Mas é duro admitir que nossa mãezinha querida tenha sido uma tremenda egoísta. Eu assumo, a minha sempre pensou só nela mesma, às vezes e raramente em algum filho dela, mesmo assim, em segundo plano, obvio. Lembrando que sou filho único dela. Ela ajudou a criar meu irmão que não é filho biológico dela, sabe-se lá como isso se deu. Bom, ele está vivo e isso não é pouco, mas é outro baita perdedor. Ah, ele também não pensa em morrer, se é que pensa em alguma coisa, além dele mesmo.

Imagino precisar manter-me são até ver minha família (esposa e filhos, por enquanto) abrigada e com alguma segurança contra os demônios desse mundo. Em meus desatinos, ainda imagino ser capaz, ou pelo menos espero ser, de ajudar a construir essa situação, coisa que não fui capaz de fazer a vida inteira e agora que estou com dois anos mais do que o Ernest tinha quando encerrou a vida dele, cheio de razões para tanto. Bom, cada louco ou demente portador do Mal de Sarney com sua mania.

Visitar uma boa tribo de índios não me sai da cabeça. Problema, honestamente, é que essas decisões nada “normais” como planejar a própria morte, ainda que seja como fez a honorável Dercy Gonçalves, mandando construir seu túmulo como se fosse uma faraônica, requerem honra e não sei se tenho esse tipo de coisa no meu estoque de caráter. Não tinha muito apreço pelo ator Walmor Chagas, mas ele ganhou meu mais sincero reconhecimento quando pôs fim à própria vida, livrando seus familiares da desconfortável tarefa de trocar suas fraldas cheias de merda, fora dar banho, cortar as unhas dos pés, etc. Coisas que me nego a fazer para minha mãe, diga-se de passagem. No máximo, dou o meu jeitinho bem brasileiro nessas situações, o que já é terrível de se ver.

Enfim é isso. Entendi a necessidade mais honrosa de decretar nossa saída de cena a permitir que as outras pessoas o façam por você. Melhor ainda, agir de forma a não deixar nenhuma conta para nossa tribo, digo, família pagar e mais ainda, não me tornar um peso para ela, muito maior do que já fui até aqui. Já avisei todo mundo que não quero ficar hospitalizado, muito menos ligado a tubos e processos químicos oferecidos pela desumana medicina. Nesse caso, não dispor de grana para adquirir algum desses planos de saúde imbecis, que os caras compram por verdadeiras fortunas, muitas vezes, em prejuízo dos próprios filhos, será de grande serventia. Gente assim eles eutanaziam rapidinho, com a desculpa de estarem precisando do leito. Bem fiz eu de não ter me tornado médico. Também já orientei algumas pessoas que ainda tem algum apreço ou outro desses sentimentos menos nobres por mim, que se eu perder a razão feito minha mãe perdeu, façam-me o favor de me ajudar a sair de cena, de algum jeito inteligente. A dica seria ir buscar a erva dos sábios índios para me preparar um delicioso chazinho pro além.

morcego-12

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Mudanças e Incompetências

Ainda menino, me sentia muito desconfortável em dias de mudança de casa. Não mudamos muitas vezes, mas detestei cada uma daquelas mudanças. Meu pai fazia questão de alugar um caminhão e ele mesmo arrumar as tranqueiras na boleia, enquanto nós fazíamos o papel das formigas indo e vindo com as coisas nos braços, costas, onde desse.

Infelizmente, depois de casado, a primeira grande burrada que cometi foi concordar em vender nossa casa 600m² no Brookyn Paulista. Mal sabia eu quantas mudanças de casas, esse tipo de asneira nos ocasionaria. Embora morasse naquela casa com minha família (Dedé, Carolina e eu) resolveram não nos incluir na partilha do produto da venda e fomos morar em um apartamento alugado e foi preciso um irmão da Igreja, o amável e solidário Mário Mingone, assumir a condição de nosso fiador.

Meu pai sempre se destacou por fugir de imóveis alugados e, graças a esse princípio morou a maior parte da vida em casas próprias. Por alguma razão que só meus psicólogos e terapeutas poderiam explicar, não me permiti adotar essa crença e valor paterno e passei a vida pulando de galho-em-galho, digo de imóvel alugado para outro imóvel alugado, fora o fato de que não consegui herdar nenhuma das casas dos meus pais.

Bom, posso dar uma boa notícia aqui, agora acredito na importância de possuir um imóvel próprio para morar. Mas só há um probleminha, acho que passei da hora e perdi várias (ou todas) oportunidades para tanto. Não sei.

Com isso, as mudanças se multiplicaram, mas consegui fazer, de quase todas as nossas mudanças, momentos de contestação e vingança contra meu pai, sempre contratando boas empresas do ramo de mudanças para cuidar das paradas.

Com exceção de nossa ida para Sorocaba que o irmão Inácio, responsável por eu ir trabalhar no Esquadrão Vida daquela cidade, resolveu enviar o caminhão da organização para fazer a mudança, pequeno demais para todas as nossas coisas, e quando voltamos para São Paulo, no ano passado, quando o pessoal de uma igreja que ajudei a fundar enviou um caminhão e foi, mais ou menos, igual à da ida, ou um pouco pior.

Nos tempos em que sonhava ser um pastor (sim eu sonhei com isso, mas já passou faz tempo, fique tranquilo), por alguma razão só explicável pelos discípulos de Freud, imaginei alguns planos para situações de mudanças de imóveis dos membros da minha igreja. Pretendia formar uma comissão permanente para mudanças a fim de atuar nesses casos.

Nesse meu plano, a família não faria nada nesse dia. A comissão assumiria tudo, tudo mesmo, não só contratar o transporte, além disso, preparar o novo imóvel (pintura, reparos, etc.) enquanto a família seria encaminhada para um dia completo de lazer, distante da mudança e deixaríamos, inclusive a despensa da casa, geladeira, etc., plenamente abastecidas. Fora deixar o imóvel antigo como se fosse novo. Se não me engano, vi algo parecido em um filme, desses que assisto na TV, nas madrugadas de preocupação.

Evidentemente, na condição de pastor, insistiria para nosso pessoal morar em casa própria sempre e trataria de formar outra comissão na igreja, capaz de orientar os membros quanto a isso.

Seria uma doce união entre pressupostos socialistas e capitalistas, com a comunidade trabalhando pela propriedade privada. Mas meu capitalismo, em termos de propriedade para por aí, casa é um dos poucos itens que deveríamos possuir, nessa vida, se não me engano.

Aos 63 anos estamos mudando de novo. Não sei se serei fiel ao meu propósito de vingança contra meu pai e suas maravilhosas mudanças. É triste, mas se depender das possibilidades atuais, será uma daquelas mudanças para esquecer, pior, ainda não será para uma casa própria. E pode ser ainda muito pior, pois a quantidade de serviços a serem realizados, tanto na preparação da nova casa, quanto no transporte e em deixar a antiga em ordem, supera em muito nossa capacidade familiar de suprir tudo isso, de todas as formas.

Não creio em um Deus capaz de me fazer sofrer e pagar pecados via mudanças, muito menos com essas picuinhas. Ele me parece meio negligente às vezes, mas sempre tem bons motivos nessas ocasiões. O problema é comigo mesmo. Incompetências, autoestima ruim e outras restrições devem fazer parte das raízes do mal.

morcego-12

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A igreja da qual acredito fazer parte


“Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derrubarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens”.
Marcos 14:58

 

Esse texto pode ser considerado o capítulo dois de “Enfim a revelação: A Igreja do Lou Mello”, post hit do blog nesse mês.

Todo mundo, especialmente a parte do mundo leitora da Gruta, está careca de saber sobre a minha mais completa dissidência da Igreja. Lá se vão mais de 18 anos. Geralmente o pessoal ligado à igreja considera anátema, gente como eu. Entretanto, nosso grupo (sim, somos um grupo e tanto), dos dissidentes da igreja (ou “Os sem igreja”, como quis o Nelson Bomilcar em seu necessário livro) só faz crescer.

Talvez, e com grande probabilidade de ser a interpretação correta, nós somos os “caras”. Repare no versículo bíblico acima, veja o detalhe das mãos, ele falou essa frase olhando para o templo de Jerusalém, construído por Herodes O Grande, judeu amancebado com o império romano, dominador da região à época, as tais mãos dos homens. Em seguida, completou a frase com uma das mais enigmáticas frases dos evangelhos: “e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens”. Três dias, o tempo da morte e ressurreição de Cristo, ocasião em que a igreja verdadeira foi concebida. Não feito por mãos de homens, sim pois seu templo real é formado de pedras vivas, que somos nós e o construtor e arquiteto cujas mãos edificam esse novo templo é, ninguém menos, o pai de Jesus, a saber: Deus.

Pegou a ideia? Se não, leia novamente até aqui, quantas vezes forem necessárias, até a coisa toda fazer sentido em sua mente. Certifique-se disso. Agora vá e solicite o desligamento de sua igreja, especialmente se ela for a mesma que era a minha. Espera um pouco! Calma. Estou brincando, ou melhor, se você é membro, frequenta, vai, etc., em algum lugar denominado igreja, onde há cultos, estudos bíblicos, ceia, casamento, apresentações e louvor (música com letra alusiva a Deus e coisas celestiais), não há mal a priori. Só não se engane, o verdadeiro “Templo” ou igreja não é definido por uma construção a mais de dois mil anos. Ele se define pelo conjunto total de pessoas vivificadas por Cristo em seu corações, independentemente de onde estiverem.

O post nº 1 dessa série de dois causou celeuma e esse é o tipo de fenômeno que um blogueiro profissional adora, pois redunda em aumento significativo da frequência. Nesse caso, o fenômeno nem foi gerado por alguma heresia habitual contida em minhas mal traçadas linhas. Aconteceu mais por ajuda do Facebook, através do link gerando automaticamente em meu perfil sempre que há postagem nova aqui. O pessoal caiu de pau em mim e/ou na igreja. Com isso, muitos vieram conferir, nem todos, é bom dizer. O propósito do texto era romper definitivamente com a igreja.

Ocorreu que, depois do velório (sem velas) do meu filho nas dependências daquela igreja, quando o pessoal lá, nos deu tratamento excelente, fui incentivado a voltar lá para um agradecimento mais intenso, por um amigo comum. Ao fazer isso, conversa vai, conversa vem, ofereci ajuda à igreja dentro das minhas competências e isso foi recebido efusivamente pela pastora da igreja. Nunca foi minha intenção voltar a fazer parte ativa daquela igreja, na verdade. Daí para frente essa possibilidade não rolou e acabou em uma trágica reunião onde fui defenestrado, seguindo-se o post nº1 e suas repercussões negativas no Facebook, contra os dois lados.

Houve quem me aconselhasse a procurá-los com pedido de perdão. Por consideração a quem fez tal sugestão prometi pensar a respeito e o fiz, concluindo não ser o caso. Afinal, devemos pedir perdão quando pecamos contra Deus e/ou o próximo e não foi o caso. Tão pouco esperaria da parte contrária tal procedimento, seja lá pelo que pudesse ser.

Nada disso se deu no âmbito humano. Não foi um fato do Templo reconstruído em três dias por Jesus. No Templo das pedras vivas não há desarmonia, nem nunca haverá desarmonia. Tal acontecimento entre nós, só vem a comprovar que essa igreja cheia de desarmonia nada tem a ver com o verdadeiro Templo de Deus. Também nos ensina o quanto precisamos crescer espiritualmente. Esse tipo de templo foi aquele desconstruído por Jesus e nunca mais foi construído.

Ontem à noite, enquanto jantávamos, meu amigo Daniel Fresnot me perguntou sobre o final dos tempos. Tomara que ele não chegue agora, pois não estamos prontos, ainda, respondi ao amigo.

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Enfim a revelação: A igreja do Lou Mello


A pergunta mais ouvida pelo meu sistema auditivo, disparada, é: qual a seria a minha igreja? Para encurtar, costumo responder: olha, não faço parte como um membro de alguma igreja, há mais de dezoito anos. Ressalve-se o fato de eu ter andando, ao longo desses anos, sempre às voltas com os acontecimentos delas e seus participes.

Lá em Sorocaba, meu melhor amigo era o Pr. Eliseu Rodrigues. Ele dirige uma pequena denominação chamada Igreja Paz e Amor com algumas unidades pela região. Cheguei a pastorear uma dessas igrejas, a de Tatuí, durante alguns meses, por exemplo.

Muitos dos atuais pastores são colegas dos tempos de seminário ou ex-alunos dos seminários onde lecionei, nas décadas de oitenta e noventa, século XX.

Mas há outra resposta para essa pergunta, utilizada em outras ocasiões, ou seja, minha igreja é a Cristo Salva. Foi a igreja onde me converti oficialmente em março de 1976, em Indianápolis, São Paulo.

Lá foi celebrado meu casamento com a Dedé, fui enviado em viagem missionária sendo previamente ungido ao ministério pastoral pelo Pr. Cássio Colombo, conhecido como Tio Cássio, meus filhos foram apresentados a Deus, trabalhei em diversas oportunidades para e com eles, tanto no ministério quanto em atividade específica, como no caso do processamento de dados e, recentemente, até de forma ocasional, meu filho mais novo faleceu e foi velado (sem velas) no templo dessa igreja.

Essa igreja foi meu respaldo espiritual nos tempos em que trabalhei na Missão Portas Abertas, Vencedores Por Cristo e Exército de Salvação e a referência aos meus clientes cristãos em meu trabalho de consultoria em desenvolvimento (comunicação e captação de recursos).

Também fui membro de igrejas batistas, mas nunca formei vinculo ministerial algum por lá, embora tenha pastoreado duas congregações, uma ligada à Batista do Sumarezinho e outra à Batista de Perdizes. Restaram algumas boas amizades, dessa passagem.

A Igreja Cristo Salva foi resultado do ministério evangelístico do Tio Cássio. Ele deve ter sido o evangelista número um do Brasil, se não me engano. Esse tipo de ministério caiu de moda e, a continuar assim, não haverá outro igual.

Pessoal abandonou princípios bíblicos onde o mais importante era salvar almas para o Reino de Deus, conforme ensinamento de Jesus Cristo registrado nos quatro evangelhos canônicos.

O viés social, uma tentativa antiga iniciada pelo discípulo traidor Judas, ganhou fôlego em nossos dias e virou moda, igrejas agora, estão voltadas ao planeta e suas mazelas da vida presente e ao show business, em geral, perdendo sua finalidade espiritual e divina. Isso à revelia de próprio Cristo que alertou, “os pobres sempre os tereis convosco” e “façam isso, sem esquecer as outras, ou o mais importante”.

Atualmente a Igreja Cristo Salva não é mais um polo evangelístico relevante. O Tio Cássio faleceu em 1999 e foi substituído no pastorado da igreja por sua esposa, a Tia Noely, que sempre esteve ao lado dele. Ela foi de uma nobreza ímpar durante o velório de meu filho, algo que jamais esquecerei.

Eles possuem alguns projetos com objetivos sociais e abrigam um projeto tocado por um pastor especifico que utiliza a modalidade esportiva do Surf para evangelizar, mas é quase um trabalho paralelo, ligado a uma organização que realiza este tipo de trabalho e possui apoio de outros ministérios.

Sobra o show business que eles fazem razoavelmente com cultos bem cantados e uma pregação eloquente, embora sem substância relevante, pela Tia Noely, na maioria das vezes.

O Tio Cássio não era chamado assim por acaso, esse era o perfil dele, ele era nosso tiozão. Ele não tinha treinamento teológico, era um autodidata no estudo bíblico e sempre faltou-lhe a capacidade de mudar o patamar de crescimento das pessoas que frequentavam a igreja. Depois de algum tempo sem crescimento algum, as pessoas deixavam (e isso continua acontecendo) a igreja, cansadas de só serem evangelizadas.

Apesar de ter um grupo de pastores a seu serviço, a Tia Noely, também sem qualquer treinamento específico, não conta com ministros capazes de mudar o nível espiritual da igreja, ou seja continuam sem crescimento.

Com isso, há ainda um outro probleminha e como era de se esperar, a renda da Igreja anda aquém do necessário e/ou esperado. Sentindo isso, me propus a ajudar. Em um primeiro momento, não se tratava de empregar técnicas de captação de recursos, como pude constatar. O recomendado seria partir imediatamente para o treinamento dos poucos membros entre 35 e 55 anos, nas questões teológicas relacionadas à espiritualidade, da qual a contribuição é uma das partes relevantes. Depois o mesmo com os demais membros.

Mas, segundo a Tia Noely me informou objetivamente, seu grupo de pastores optou por não contar com minha ajuda, em especial um dos pastores cujo ministério, entre outras coisas, ocupa-se de treinamento de judô, corrida de fundo (maratona, São Silvestre, etc.), coaching, tudo muito bom, mas nada a ver com uma igreja e a bíblia. Um cara bacana, a quem considero como um irmão e até sou devedor pela atuação dele durante o passamento de meu filho, mas que me decepcionou, nesse caso. Não tanto por mim, mas não teve a grandeza necessária para privilegiar a igreja em detrimento de seus interesses particulares, seja o que for.

Enfim, essa é a minha igreja. Ela não me quer, então não me culpem por não frequentá-la. Dirijam-se à Tia Noely e seus auxiliares e reclamem a eles, embora espero que não o façam. Pretendo continuar tendo a minha igreja sem que ela tenha a mim.

Em Tempo:

Esse texto foi propagado no Facebook através de um link automático movido por um plugin do WordPress que equipa o blog. Com isso, várias pessoas deixaram comentários lá, a favor ou contra e alguns foram muito agressivos em relação à igreja ou a mim, aos quais eu repliquei, também. Por esse motivo, resolvi excluir a postagem lá no FB, embora ela só tenha repercutido no primeiro dia (10/02/14).

Quanto ao texto aqui no blog, que é pessoal e expressa meus pensamentos e sentimentos, resolvi manter o texto na integra, depois de pensar em reformular. Alguém tratou de fomentar discórdia levando à Pra. Tia Noely as informações sobre o ocorrido, já que ela não havia visto as postagens. Ela não entrou em contato comigo diretamente, mas fez chegar a mim sua indignação através de amigos comuns, embora ela não tenha lido o texto, até agora.

Fiquei pensando em ter errado ao escrevê-lo, embora expresse exatamente minhas crenças sobre a igreja. Se não escrevesse evitaria esse desgaste, sem dúvida. Por outro lado, se não o fizesse, ninguém estaria se importando comigo, como me senti sendo chutado mais uma vez, pois outras ocorreram no passado, sem falar na frustração por não ter dado certo o trabalho que vinha acalentando.

Honestamente não creio ter feito nada merecedor de algum pedido de perdão. Talvez seja duro para essas pessoas, com as quais já mantive relacionamento eclesiástico estreito, ler críticas até contundentes, mas repito, amigo é o que fala a verdade e não o que adula com mentiras e subterfúgios, embora o texto contenha elogios sinceros, igualmente. Reconheço sim, ter escrito ainda sob inspiração do constrangimento vivenciado, mas isso também contribuiu para eu ser mais verdadeiro.

Esse é o meu jeito e a minha verdade. Outros preferem omitir-se, mas é o jeito deles e os respeito.

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Madre Benedicta est

Caterine Deneuve in la belle de jour

 

Há dias desejando postar algo no blog e nada. Não é por falta de assunto, não. Talvez sejam as forças ocultas atacando de novo.

Concluo por mais uma importância da leitura. Sem dúvida, escrevo muito mais e melhor quando estou lendo. A recíproca é verdadeira, quando paro de ler, escrevo menos, ou paro de uma vez.

Nem bem enterrei meu filho, trouxe para casa um outro problema cabeludo, no duplo sentido: minha mãe, quase surda e le-lé. Ela não poupa ninguém, está enlouquecendo a todos nós, mesmo insana. Constato o fato, ela sempre foi assim: manipuladora, egoísta, individualista, tirana e má. E olha, não estou falando de nenhum pastor ou petistas.

Há alguns dias, ela vem me cantando para eu leva-la para passear. Você não tem ideia das dezenas de imagens de minha infância andando por minha mente diante desse pedido. Todas adequadas aos melhores enredos de terror.

Alguém disse: “isso só pode ser Deus te provando”. Se for verdade, estou sob sério risco de ser reprovado em mais uma das provas divinas. Cara, minha impaciência com minha mãe só perde para a dela comigo, nos tempos de criança. Ela sumia de casa e me deixava com as empregadas. Claro, isso tinha lá um lado positivo, embora impróprio para menores de dezoito anos. Oh, Deus! Por que me desamparaste? Você só tinha essa mulher para imputar-me como mãe? Tá mal meu.

Mães sem vocação materna e muito menos, convicção em relação à sua feminilidade nunca deveriam ter nascido com aparelho reprodutor. Isso evitaria grandes problemas, entre eles, eu. Esse é outro ser não palatável para mim, mulheres sem convicção de seu gênero. Como já declarei diversas vezes, sou homofóbico assumido, embora não militante de movimentos contrários. Fico na minha. Não é a sexualidade dos caras o incomodo maior, mas essa falta de convicção com o gênero, acho.

Minha mãe nunca foi homossexual. Ao contrário ela foi só sexual demais, os chifres do papai que o digam. Embora ele também não ficasse muito em casa e desse preferência às pererecas das vizinhas, se não me engano. Pelo jeito não herdei quase nada dele, a não ser essa cara de barbeiro à moda antiga. As pererecas das vizinhas até poderiam ser muito atraentes, mas ao mesmo tempo, um grande desrespeito para com minha esposa.

Estranhamente, talvez devido a grandes falhas de caráter, sou e gosto de ser familiar, ser o homem da casa para a mulher da casa, pai dos meus filhos, enquanto vejo minha esposa como mãe pelos cantos da casa protegendo nossas crias. Não me interesso pelas vizinhas e ela prefere ficar em casa a vagar pelas ruas em busca de aventuras em favor de pobres chifrudos necessitados. Dizem por aí que homens dados à aventuras com mulheres infiéis costumam ser bi-sexuais. Não sei se há alguma lógica nisso.

Só posso concluir essa droga de uma maneira: Não sei de onde vim e custo a acreditar que essa mulher seja mesmo minha mãe. Pior, sou obrigado a cuidar dela enquanto viver, é a lei.

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Excluido mas não vencido.

manifestacao

Trabalho pouco por exclusão mesmo e não por

safadeza.

Não estou atrás de esmolas, pois sou

suficientemente orgulhoso para evitá-las, mas sou,

também, bastante humilde para aceitar ajuda

quando o importante não sou eu, mas alguém

amado e não posso socorre-lo por mim mesmo.

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Aprendendo a decidir

Réplica do Paternon de Atenas-Grécia em Nashville, Tennessee, Estados Unidos.

Nos últimos oito anos, escrever um blog alegrou a minha vida e, em alguns momentos, chegou a ser minha única fonte de prazer. Infelizmente, foi só um vento passante como tantos outros e, rapidamente, as pessoas partiram fugindo do inverno. Não sei se em outras línguas há continuidade. Ouço, aqui e ali, sobre a existência de mais de quinhentos milhões de blogs e fico perplexo. Minha sensação está mais para a quase inexistência dos blogs, hoje.

Dia desses, assisti à entrevista de um amigo blogueiro em um desses programas de TV na Internet, cuja ocupação principal e negócio é um blog. Se fosse no teatro, poderíamos classificar o blog dele como teatro de revista, algo de consumo fácil e com capacidade de manter as pessoas sintonizadas. O cara parece estar se dando muito bem.

Nosso caso, falo da Grotta (Era Gruta, antes), envolve um blog mais voltado à polêmica, como o rumo torto tomado pela igreja, de modo geral, os temas complexos, coisas como a existência de Deus, da vida eterna, na teologia; uma proposta mezzo anárquica em política; e certa tendência à filosofia dos velhinhos gregos, um tanto ultrapassada.

De vez em quando, arriscamos algum palpite sobre algo do dia-a-dia. Pelo jeito, um ar meio confessional copiado de Agostinho consegue atrair a simpatia, ou conseguiu durante algum tempo. Essas providências ajudaram de alguma forma. Entretanto, essa opção não funciona em termos de marketing, pois mantém a maioria da audiência possível à distância.

Paralelamente ao caminhar do blog, minha vida caminhava e caminha às duras penas, por diversas razões importantes. A meu ver, a razão de tantos desencontros tem como causa maior as “decisões equivocadas”. Viver implica em decidir o tempo todo, mesmo quando a melhor decisão é não decidir nada.

Em uma das minhas recentes decisões, por exemplo, posso ter ajudado a diminuir o tempo de vida de meu filho mais novo. Claro, minhas intenções eram as melhores, mas isso não serve como atenuante, na maioria das vezes, como nesse caso. Agora tenho uma culpa imensa para transportar até o dia final, ou sei lá até onde. Pessoal não dá mole e, vira e mexe, me lembram disso para evitar momentos menos duros para mim. Para piorar meu lado, dou razão a eles.

Entretanto essa não foi a única decisão errada de minha parte, evidente. Talvez a pior, mas antes e depois dela, tomei muitas outras decisões equivocadas e/ou precipitadas, sempre cheio de boas intenções, lógico. Começava a gostar de estar de volta a São Paulo, entretanto o capeta já tratou de lembrar-me o quanto essa decisão foi equivocada, outro exemplo.

Começou com os problemas na casa escolhida, acreditei na funcionária da imobiliária quando me informou, sem cerimônias, sobre o “excelente” estado da casa, depois das “reformas maravilhosas” realizadas pelo antigo inquilino. Mudamos e descobrimos a falácia da mulher, ou das mulheres, pois a moça só cumpria ordens de sua chefe, obnoxiamente, uma mulherzinha horrorosa, mal educada, arrogante, mal resolvida e petulante, se não incluir a desonestidade, também, em seu lindo caráter, como vim a descobrir, semana passada.

Para piorar tudo, comecei a trabalhar como corretor na mesma imobiliária, antes de conhecer o terreno a ser pisado e as pessoas envolvidas, evidentemente. Logo o conflito de interesses tornou-se flagrante e, juntando-se a isso, a proprietária da casa e a mulher mal educada são amicíssimas (declarado pela própria). Mais uma péssima decisão como se vê, fora o extorsivo valor do aluguel. A conclusão óbvia inclui uma ideia horrorosa, ou seja, talvez fosse melhor ter permanecido em Sorocaba, em uma boa casa, talvez melhor até, pela metade do preço. Mais culpa para o papai aqui levar sobre os ombros.

Longe de mim contar com a compaixão dos leitores. Continuo bem aristotélico nesse item, como dizia o sábio grego, compaixão não passa de um sentimento negativo próprio dos fracos, dirigido aos mais fracos ainda. Continuarei a receitar laxante para os acometidos desse mal, como fazia o velho mestre do Paternon.

Se alguém me solicitasse um palpite para melhorar a educação, quer em casa ou nas escolas, diria: ensinem as pessoas a pensar e a decidir. That’s it.

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Minha Presença Eterna

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Nunca se sabe quando ou de onde virá a lembrança comovedora, aquela capaz de nos contorcer e fazer-nos lembrar de tudo como naquele dia fatídico, quando aconteceu essa mudança radical e insuportável em nossas vidas. Hoje, levantei mais cedo para esperar o pedreiro e ver se minha mãe estaria bem e precisando de alguma coisa. Depois abri o PC e conferi as principais notícias e as mensagens.

Havia algo do Ricardo Oliveira no Google, uma mídia social pouco acessada por mim. Ele fez mais um vídeo musical legal, com seus amigos cantando “Singing in the rain“.

Quando o vídeo terminou, atualizei meus amigos e fui ao meu perfil onde dei de cara com o quadro de fotos onde destacou-se sobremaneira, para mim, a foto do Thomas, ainda presente ali. Clicando na foto e entrando no perfil dele, você só encontra a alegria dele com a Turma do Chaves. Então desabei.

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O desempregado recalcitrante

Desde que me vi sem trabalho, apesar de não desejar essa situação e viver como aquelas empregadas que ninguém contrata, afinal empregada que bate à nossa porta não pode ser boa coisa e, no meu caso, batendo de site em site, pois sou todo informatizadinho, presenciei a minha credibilidade moral e intelectual escorrendo ladeira abaixo e era inevitável que isso atingisse aqueles que mais amo, inclusive.

A bíblia já havia me avisado desse perigo. Quem sabe, na próxima encarnação, se houver, sigo mais os conselhos bíblicos.

O mais aterrorizador é continuar sem ver nenhuma perspectiva no horizonte, nem a longo e muito menos em curto prazo. E mais, ainda não estou preparado para assumir um emprego qualquer, só para dirimir a desconfiança geral de que seja um vagabundo inveterado qualquer. Picareta intelectual sim, vagabundo jamais.

Ainda sinto as dores provocadas por alguns “amigos” que me aconselharam soluções que eu jamais seria capaz de imaginar sem a ajuda deles, como um emprego de garçom, porteiro de prédio, corretor de imóveis, motorista de taxi, pastor de igreja neopentecostal, copeiro de lanchonete de estação rodoviária, ou abrir um comercio próprio como me recomendou o venerável Pr Jonathan Santos (Pai) do alto de sua incomensurável sabedoria, do tipo lanchonete (boteco); e vai por aí.

A lista é tão grande que nem me lembro da metade dela, mais. Pior é que eu e meus familiares até tentamos uma ou outra dessas opções, para nos frustrarmos ainda mais, diante de nossa incapacidade para essas honoráveis e respeitáveis funções.

De mais a mais, sou um grande empresário, tenho uma empresa que tem até site, a saber a “LHM-6 Consultoria” (nome atual). Ela funciona provisoriamente aqui em casa, até que as vacas engordem e eu possa montá-la na Av. Paulista, na Av. Luiz Carlos Berrine, em São Paulo, capital ou em algum desses lugares menos nobres, nem por isso, menos importantes.

Como diria minha avó, “quem nasceu para tostão, nunca será um vintém”. Não sou capaz de realizar nenhum desses trabalhos citados e um monte de outros. Meu negócio é Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos) em organizações sem fins lucrativas cristãs, Educação Física e microcomputadores, desses que já entraram em extinção. No máximo, poderia arriscar uma coordenação de porra nenhuma ou crítico de carteirinha. Fora disso sou zero a esquerda.

Tem mais, já passei dos sessenta, sou ranheta, irônico e sarcástico. Estou mais para o pessimismo, como se pode notar e não brinco em serviço. Embora todo mundo que tenha trabalhado comigo, menos os petistas obvio, afirmavam que eu tinha o poder de deixar o clima de trabalho melhor. Isso me faz lembrar do Cinésio, nos tempos do Força Para Viver, lá na Germine do Volney, que agora é cidadão Paratiense. Aquele cara me fez um dos melhores elogios que já recebi na vida.

No dia em que me despedi ele disse: “, você não pode ir embora, pois é o responsável pela paz de espírito e cordialidade em que estamos vivendo aqui”. Achei que era um exagero dele, claro, mas o elogio repetiu-se noutras oportunidades e por parte de outras pessoas e acabei me envaidecendo para sempre.

Às vezes tenho a impressão que forças ocultas não querem ver-me trabalhando e curtem muito me assistir dando nó em pingo d’´água, diariamente, para arrumar o pão nosso de cada dia com maior intensidade nos fins de semana. Fora situações críticas como a que se avizinha, falo da cirurgia do Thomas que deverá acontecer em São Paulo. Eles devem estar apostando a rodo que vou me ferrar todo durante esse tempo. Tudo bem, quem não pode se ferrar é meu filho.

Pior de tudo é falar disso e despertar nas pessoas algo mais do que vontade de orar e/ou torcer por mim. Você não acreditará, mas alguns tentam me dar ideias, como se eu já não as tivesse em quantidade insuportável.

Pior é agradecê-los por nada e perder o amigo (a), mais um que sairá a campo para testemunhar a favor do inimigo que me acusa de vagau (eufemismo de vagabundo), há anos. Estive no INSS, não uma, mas duas vezes, para ouvir a mesma ladainha, que não posso me aposentar antes de sessenta e cinco anos e, quando isso acontecer, só terei direito a um salário mínimo vigente, por causa do tempo trabalhado sem recolhimento (mais de trinta anos de trabalho).

Ao todo, eu trabalhei uns quarenta anos, aqui e ali. Desses só daria para recuperar o tempo com minha empresa (desde 1991), mas eu não recolhi meu próprio INSS como deveria e alguns contadores esqueceram-se de recolher o tributo, algumas vezes, embora tenham recebido a grana. Talvez conseguisse fazer um acordo para pagar o atrasado, pelo resto da vida. Mas não sei se o resultado valeria a pena.

Enfim, sou o tipo do cara que precisaria de um milagre, se milagres existissem, fora do âmbito das enfermidades de nossos entes queridos, claro. Não que eles não tenham existido, apenas entraram em extinção, devido a falta de fé dos cristãos.

Jesus até se esforçou em casos como o meu. Seus discípulos experimentavam as mesmas dúvidas trabalhistas que eu. Então o mestre lhes deu a receita pronta de uma oração tipo “tiro-e-queda” para essas dificuldades, chamada de Pai Nosso. É sim, você nunca rezou essa? Ela diz, às tantas, “o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoa as nossas dívidas…, não nos deixe cair em tentação e livra-nos do mal”. Tudo a ver com meu problema de trabalho”.

Noutra oportunidade em que seus discípulos estavam matando cachorro a grito e precisavam pagar o imposto de renda, o mestre os mandou pescar, avisando que encontrariam dentro do primeiro peixe que pegassem a grana para pagar o imposto deles todos, inclusive o do Mestre, que com isso, livrou-se e uma pesca cansativa. E foi batata, a grana estava lá mesmo.

Em outra ainda, quando seus discípulos voltaram de uma pescaria sem pegar chongas, pensando o que iriam dizer lá em casa, para evitar mais uma noite sem sexo, rock and roll e drogas, Jesus os mandou voltar para o mar e lançar de novo as redes. Como eles não tinham coragem de contrariá-lo, assentiram com uma ou outra ironia, do tipo: “Tendo lançado nossas redes a noite inteira, não pegamos nada, mas sob a tua palavra o faremos”. E não é que pegaram tanto que nem podiam transportar.

Só comigo que isso não acontece.


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Na hora da tempestade, melhor ter lastro disponível

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Algumas pessoas declaram seu status religioso, por aí, como ateu ou agnóstico e o fazem com certo orgulho. Provavelmente haja certo menosprezo pelas pessoas mais ligadas à religião, como se essa opção fosse própria dos mais fracos, dos primitivos ou dos indecisos.

Desde menino vivi minha vida reservando algum espaço para as práticas religiosas. Vim de um lar simples, acho que pertencíamos à classe média baixa, tínhamos casa própria, quase sempre dois carros e até uma casinha vagabunda lá na Vila Mirim, na Praia Grande, para as nossas férias. Meus pais foram funcionários públicos da prefeitura de São Paulo. Meu pai era um artista, com passagens pelo circo, rádio, TV e cinema. Tinha alguns talentos, principalmente o domínio da arte de pintar, o que deu a ele a capacidade de ganhar bom dinheiro quando usou isso para fazer Outdoors, pelas redondezas. Minha mãe sempre trabalhou fora de casa e teve uma passagem importante pela empresa Avon Cosméticos Ltda. durante uns quinze anos. Isso nos deu momentos de tranquilidade e algum prazer, mas nunca perdemos nossa simplicidade. Não precisei trabalhar antes dos dezoito anos, exceto uma ou outra ajuda no trabalho do meu pai, nos momentos de mais atividade.

Para mim e meus amigos, ira à igreja aos domingos pela manhã era programa obrigatório em nossa agenda. Fiz todo o curso primário em uma tradicional escola católica e cheguei a participar de alguns movimentos católicos, quando jovem. Mas até aí, era uma militância comum, um tanto equidistante. Aos vinte e cinco anos me converti ao protestantismo e iniciei uma etapa mais religiosa em minha vida. Estudei teologia e mergulhei em uma leitura quase compulsiva da Bíblia e dos assuntos relacionados, incluindo boa parte da Filosofia que se fez necessária. Foi o desenvolvimento de uma espiritualidade pouco comum e incluiu uma grande e profícua convivência com inúmeras pessoas com excelente estatura nas coisas de Deus.

Durante muito tempo, se você me perguntasse por que estava tão interessado em tudo aquilo, não saberia responder ao certo. Essas coisas sempre me encantaram, a história da vida, ministério e via sacra de Jesus Cristo me fascinaram, desde sempre, e a própria história da Igreja, também. A história de Israel foi uma grande descoberta para mim e acabei me tornando um conhecedor acima da média de tudo isso. Nunca pensei a respeito como algum tipo de exercício primitivo. Muito menos, senti alguma espécie de superioridade em relação aos ignorantes no tocante a Deus e seus caprichos, mesmo quando gastei meu tempo com inutilidades como lecionar em escolas teológicas ou frequentar igrejas ditas evangélicas.

Entretanto, chegou o tempo de compreender porque Deus, a Bíblia e a vida cristã vieram a fazer parte do meu dia-a-dia. Quando situações complicadas, algumas muito difíceis, vieram a fazer parte do meu viver, percebi que esse embasamento espiritual, se não resolveu, me permitiu atravessar a grande tormenta com mais lastro e equilíbrio. Nosso Tsunami ainda não passou e suspeito que possa demorar a passar. Mas acho interessante mencionar que é muito bom poder contar com Deus quando me vejo diante de problemas que a ciência não pode solucionar ou que nem dinheiro, igrejas, pessoas generosas ou maldosas e muito menos políticos, advogados, psicólogos e sacerdotes com ou sem prosperidade sejam capazes de fazer algo capaz de minimizar ou muito menos eliminar meus problemas.

Talvez alguma coisa relacionada a trabalho e moradia até poderia ser equacionado se houvesse gente de boa vontade e caráter generoso de fato. Mas, dificilmente alguém consegue estender a mão ao próximo sem humilhá-lo, como faria Jesus, por exemplo. Sendo assim, na maioria das vezes, prefiro optar por uma atitude aparentemente orgulhosa e dar uma de D. Quixote e seu viés cavalheiresco, não mencionando minhas dores, ainda que pelas feridas me saíssem as entranhas. Só sucumbo a alguma atitude pedinte se a necessidade envolver outras pessoas sob minha responsabilidade, em termos de saúde.

Estou certo que minha guerra e cada uma de minhas batalhas só poderão ser vencidas se Deus vier em meu socorro, mais ou menos como ele fez naquela passagem envolvendo o grande profeta Ezequiel (Ez. 37:5): “E assim falou o Senhor Deus a esses ossos: Eis que farei entrar em vós o sopro de vida e vivereis.” Poucas pessoas ou coisas sobre esse planeta poderiam me salvar ou mesmo amenizar minhas dores.

Meu conselho nessas horas, se tenho alguma permissão para tanto, às pessoas em meio a esses furacões que não disponham de alguma fé, que seja, é buscar socorro junto aos que tenham experimentado essas travessias logrando êxito através da providência divina e corram daqueles que sobre o que não entendem ou não experimentaram, fazem ousadas asseverações.

De outro lado, confesso sentir um misto de prazer e pena quando vejo um desses “ateus” diante de graves problemas que ciência e dinheiro não podem ajudar. Taí uma situação triste de ver. Pior é que o divino, com o humor que lhe é peculiar, certamente nos usará para socorrê-lo. Como disse Paulo, o apóstolo: “para consolar com as mesmas consolações com que fomos consolados”.

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E a Águia tem razão

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Querido diário:

O dia começou quente. Sempre há alguém de plantão a nos lembrar que não compensa, e chega a ser imprudente, não assumir completa e restrita responsabilidade pela própria vida. Isso inclui fazer das tripas coração e manter todos os seus pintainhos sob as suas próprias asas, também.

Sensato será imitar a Águia que treina seus fDiáriofilhotes nas artes de voar e caçar para dar-lhes independência e quando estão prontos para cuidar de si próprios e assumirem a responsabilidade por suas próprias vidas, sem prescindir da ajuda de ninguém, toca-os do ninho.

Em outras palavras, pelo sim pelo não, é imprescindível tratar de manter todas as áreas de vida sob controle restrito. Ai daquele que permitir a interferência de outrem, seja como e onde for. Com raríssimas exceções, lamentará eternamente.

Engraçado é que, apesar de estar careca de saber desses detalhes, sempre acabo sendo apanhado de surpresa. De repente, me dou conta de haver colocado algo importante e que só diz respeito a mim, em mãos alheias. Nesse caso, sou o único culpado e mereço a pena, nem precisa levar o caso ao juiz. Sou mesmo uma anta.

lousign


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O Deus que nunca conheci

 

Morgan_Freman

Se você ler qualquer coisa escrita ou ouvir qualquer coisa dita por mim dando a ideia de eu conhecer a Deus, por favor delete.

Eu não conheço Deus.

Pelo menos não como ele deve ser, de verdade. Na bíblia, ensina-se que Deus é Espírito, ou seja, invisível, não pode ser visto, portanto. Na mesma fonte, encontramos informações sobre três pessoas conhecedoras de Deus com experiências únicas em relação aos outros mortais. O primeiro foi Moisés, ele viu uma luz, depois Elias, esse ouviu um som e finalmente Jesus e ele acreditava ser o Filho de Deus e, portanto, deve ter conhecido seu Pai em outro plano e não sabemos se, encarnado, tinha algum tipo de foto do velho na memória.

Por outro lado, também creio em Deus, não o conheço, não faço a menor ideia de seu formato ou onde ele vive, mas acredito ser ele um velhinho muito bondoso, misericordioso, generoso, perdoador e mais um monte de coisas boas. Sobretudo, ele adora fazer milagres, creio, embora desconfie de seus critérios, ou melhor, para mim ele não tem critério algum, pelo menos não algum possível compreender com nossas mentes finitas e medíocres.

Depois de muito pensar, de ouvir incontáveis horas de pregações apologéticas sobre Deus, ler carradas de livros sobre o Criador e mais um monte de apologias minuciosas sobre Ele, por todos os meios disponíveis, conclui: tudo isso não passa de especulação e eu não sou menos culpado dessa prática.

Toda a teologia, não só a nossa, é especulativa, afinal ninguém conhece a Deus. Dou certo crédito a Jesus, a quem admiro muito, embora não o tenha conhecido pessoalmente, apesar de toda a minha capacidade de transladar-me no tempo e no espaço, coisa de fazer inveja ao J. J. Benitez, mas sempre quando vou e volto, a imagem dele se desvanece. Acho necessário melhorar a nossa máquina do tempo. Talvez seja oportuno dar uma sapeada nos primeiros capítulos do projeto de um futuro livro meu “O Galileu Errante”, até para eu saber se vale a pena mesmo termina-lo.

Não sei se não estaria deixando de exagerar se dissesse ser, a maior parte do material didático disponível sobre Deus, um amontoado falacioso, incluindo aí, as bobagens Calvinistas, luteranas, arminianas, etc.,

O fato é: não consigo mais, não importa quanto me esforce, sentar na frente de um cidadão cuja intenção primária seja me tomar uma hora, ou muito mais, falando sobre um cara nunca visto por ele mais gordo e, sobre o qual, fará um monte de suposições.

Por outro lado, posso ser pescado facilmente para ouvir alguém capaz de mencionar, logo a saída, a intenção de refletir sobre Deus, um ser do qual ele não faz a menor ideia ou não pretende definir, portanto.

Posso estar redondamente enganado, mas Deus é só para ser crido. Sabe aquele negócio de Fé? Eu creio nele, mas não posso falar nada sobre Ele, sem o risco de me lambuzar todo. Eu mesmo posso já ter me enrolado nesse breve texto ao confessar minhas convicções sobre um Deus bondoso, etc.. De repente não é nada disso, mesmo porque, esse negócio de bem e mal ou de bom e mau é muito terráqueo e/ou antropomórfico para o meu gosto.

Pelo menos eu, prefiro imaginar um Deus criador de todo o universo, semelhante ao descrito pelo autor do Gênesis, o livro, não a banda, “o criador dos céus e da terra”, querendo dizer todas as galáxias. Lá vou eu conjecturando de novo.

O David Icke é um senhor inteligente e me divirto além de me informar com as conjecturas conspirativas dele, muitas semelhantes às minhas, mas ele se embaraça todo quando fala sobre Deus, por fazê-lo com base nas bobagens teológicas aprendidas por aí. Imagine nós, então, um bando de obnóxios dos senhores desse mundo, não estaríamos sujeitos a fazer nesse terreno.

Por fim, sempre fui tido e havido como um contador de histórias, ou de “causos” como dizemos por aqui, um mentiroso autorizado, na verdade e, como tal, tenho grande prazer em ouvir outros mentirosos como eu, se estiverem prévia e devidamente identificados, claro.

Então se for falar de Deus e estiver interessado na minha atenção, mencione, antes de começar, sua intenção de fazer algumas conjecturas sobre o Deus desconhecido, mas alguém em quem você apenas acredita nele pela fé, um espírito, sem forma, sem cor e que ninguém jamais viu, muito menos você, salvo algumas encarnadas via corpos de outros, como ele vive fazendo através do Morgan Freeman.

Afinal, melhor será ser contado entre os que não viram e creram.

Capricornio PB

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Pastor da Caverna…de plantão

071109_2028_PastordaCav1Maria Madalena da Caverna

Clique na foto se desejar assistir ao vídeo

Outro dia, em um desses inúmeros congressos, dos quais sou obrigado a participar, em igrejas e auditórios improvisados nas principais favelas e periferias de pequenas cidades, me perguntaram como cheguei a ser pastor da Caverna. Por um instante, hesitei em responder, pois a primeira ideia a surgir em minha mente foi a de uma resposta longa, imprópria naquele momento. Depois respondi com a velha evasiva da promessa de escrever a respeito no blog, qualquer dia.

Essa semana recebi um E-mail de alguém me cobrando o tal texto. Ao ler, senti uma ponta de hostilidade naquelas palavras e achei melhor postar logo e parar de embromar.

Bom, antes de mais nada, há trinta e muitos anos, fui orientado pelo Dr. Shedd sobre o embasamento necessário a um pastor de caverna. Segundo ele, após o domínio da língua inglesa, deveria estudar Teologia, particularmente teologia sistemática e dogmática, além da Bíblia, para a qual seria importante definir-me por um dos dois testamentos, já que seria impossível, em uma única vida, dedicar-me aos dois. Depois, incluir a história da igreja e a ética cristã. Em seguida, entrar pelo terreno da Filosofia, não esquecendo da Filosofia da Religião. Feito isso, dedicar um mínimo de dois anos pastoreando em congregações de beira de barranco, sem remuneração. A seguir, escolher um pastor renomado, ativo em alguma igreja grande e trabalhar como co-pastor do dito cujo. Alguma experiência em missões internacionais e nacionais seria bem vinda no processo, talvez servindo em uma agência missionária por uns três anos. Estranho, não me lembro de Davi ter cumprido essa agenda toda, sobretudo a parte teológica, enfim, palavra de Dr. Shedd não se discute, cumpre-se.

Catei essa agenda e sai por aí a tratar de cumpri-la. A parte do seminário foi mole. As escolas de teologia por aqui são fraquíssimas e não exigem quase nada, além de funcionarem durante período noturno, na maioria dos casos. Para ser fiel a orientação de meu tutor, estudava muito além do cronograma das matérias e fazia leituras complementares em larga escala. Na verdade, não havia nenhuma escola com um currículo capaz de contemplar aquele programa, então procurei adaptar o melhor que pude. Matriculei-me no CEL- LEP e voltei a estudar inglês, abandonado desde os tempos de ginásio.

Então me engajei no movimento de missões na cortina de ferro, viajando primeiro por minha conta e risco, e logo depois fui contratado para trabalhar na Missão Portas Abertas, devido a essa experiência. O barato é que meu chefe lá, não sabia nada de Bíblia e sua maior viagem havia sido uma descida da serra para Santos, a fim de comer frango com farofa na Praia Grande. Como todos sabem, acabei sendo defenestrado desta e fiquei alguns meses na rua da amargura.

Mas, firme em meu propósito de vir a ser um pastor de caverna (ou gruta), arranjei um emprego na prefeitura para dirigir uma creche. Isso preenchia com vantagens a exigência de experiência em missões nacionais. Consegui completar dois anos nisso, antes de ser banido do serviço graças aos agentes secretos do PT, devidamente instrumentados pela ANA, com a devida anuência do prefeito à época, um safado (em minha opinião) chamado Mário Covas, todos ateus confessos.

Logo consegui licença para pastorear uma congregação em uma pequena favela em Vila Madalena, que funcionava em uma casa prestes a desmoronar e acabou sendo demolida, tempos depois. Com o fim dela, a escola providenciou-me outra, dessa vez em Morro Grande, na divisa de São Paulo com Osasco, mais uma vez, em uma favela e das grandes.

Concomitantemente, comecei a dar aulas de teologia em quatro escolas de qualidade duvidosa. Tudo isso, trabalhando do jeito que dava, dando aulas de educação física ou em algum negócio próprio. Nesse tempo já era casado e já tínhamos a Carolina e o Pedro. Então fui aos Estados Unidos, para uma temporada por lá. O plano era trabalhar enquanto reunia mais condições para chegar ao glorioso cargo de pastor de Caverna (ou Gruta).

Voltamos de lá, o Thomas nasceu e precisei adiar meu ingresso nesse pastorado, para ajudar a cuidar dele. Assim foi, indo e vindo em missões e desafios, no Força Para Viver com o Volney, Exército de Salvação, Igreja Maná, Esquadrão Vida, Refúgio, Casas Taiguara, etc. até quatro anos atrás, quando finalmente fui admitido ao pastorado da Gruta, a famosa Caverna … de plantão.

Fui convidado por uma junta de anciãos que avaliou meu currículo, considerando-me apto nesse quesito, faltando apenas eu concordar com as condições. Pensei tratar-se de grandes exigências, mas não era. Segundo os velhinhos, deveria pastorear com humildade, devoção e longanimidade. Sempre que possível, deixar o fruto do Espírito (Amor, pra quem ainda não sabe) dirigir minhas ações e palavras, além de me conformar com um público cibernético e a famosa simplicidade do espaço. Ah, sem remuneração, claro. Só isso. Antão fui consagrado ao pastorado da Caverna (ou Gruta).092613_1537_AGrandeTent2

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Fala Sério

Lou na Play Boy

O Roger fez uma afirmação preocupante em nossos comentários: ‘Lou, nunca sei quando você está falando sério”.

Fiquei pensando nisso, nos intervalos da novela, do jogo do Corinthians, seriado, etc., óbvio. As primeiras coisas a virem à mente são as frases feitas na câmara do inferno reservada aos psicólogos, como: Será que eu me levo a sério? Meu pai era ausente e mamãe mais ainda. Estou vivo graças às empregadas, apesar dos pedágios. Ao me confrontar com minha mãe hipotética, na terapia, fiquei mudo. O Zenon perguntou: Não gostaria de dizer nada à sua mãe? Sim, uma pergunta: Quem é essa senhora? Ele desistiu. Não, isso não resolve o enigma Roger. Talvez a teologia, outra câmara lá do inferno B3.

Honrar pai e mãe é um mandamento e você está em pecado. Gente sempre às voltas com ironias e bom humor crônico está camuflando pecados enraizados. Vixe! Confio cada vez menos nessa gente. Seu filho nasceu assim devido a algum pecado não confessado, me disse o Pastor Eliezer. Custei a entender de quem ele estava falando, como ele era pastor, Deus achou melhor carimbar o meu filho. Mamamia! Filosofia? Pode ser.

O que é a morte? Boa pergunta. E a verdade? Humm…. A moral? É tenho muito a ler, estudar, conversar, blogar… Mas tem as responsabilidades, comida na mesa, contas a pagar e algumas coisinhas mais urgentes como salvar umas vidas. Não há tempo para Sócrates agora. Mas ainda tenho mais uns dez ou quinze anos, talvez vinte, para cuidar disso. Melhor dar uma resposta curta e grossa, sem perder a ternura jamais:

“Sempre estou falando sério”.

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Há algo de podre no reino da Dinamarca!

Hamlet
Hamlet

“Ser ou não ser, eis a questão! Que é mais nobre para a alma: sofrer os dardos e setas de um destino cruel, ou pegar em armas contra um mar de calamidades para pôr-lhes fim, resistindo? Morrer… dormir; nada mais! E com o sono, dizem, terminamos o pesar do coração e os inúmeros naturais conflitos que constituem a herança da carne! Que fim poderia ser mais devotamente desejado? Morrer… Dormir!” Hamlet

Não resta dúvida, há algo de podre no Reino da Dinamarca, do Brasil, da Gruta e do mundo.

Seguimos isolados, não tanto pela falta dos meios de comunicação (telefone e internet) em casa, mas pela completa ausência de interesse das pessoas, grutenses não inclusos. Tudo bem, afinal não representamos quase nada, a não ser o fato de atestarmos que Deus não é Deus. Em outras palavras, Ele não existe na forma que o concebemos.

Se me fosse dado algum direito para mexer na teologia, não hesitaria em mudar bobagens como as “onis” (onisciência, onipresença e onipotência). Deus é um pescador. Quando mais precisamos dele, ele sai para pescar e desliga o celular. Só aparece quando precisa de algum trouxa para ir anunciar as boas novas na Albânia marxista leninista ou na esquecida África cheia de AIDs e tuberculose.

Isso eu aprendi com um amigo missionário capado quando servia a Deus em Angola. Minha amiga Neuza, missionária na Índia, que perdeu a vida através de um câncer causado pela alimentação condimentada da região, também pensava assim, pouco antes de seu fim trágico.

Estou aproveitando o tempo para desenterrar meu programa SMI (Sucess Motivation Institute), uma forma antiga do Segredo, e muito mais elaborada. Nesses momentos é melhor deixar essas coisas que não funcionam (Deus, Calvino, oração, culto, igreja, pastor, Warren, etc.) de lado e partir para os métodos que dão resultado. Minha opção é pela mudança comportamental, muito indicada pelos autores da autoajuda e pelo Zenon. Virou moda salientar: “eu odeio livros de autoajuda”; também os odeio, principalmente porque eles acabam com a minha fé ao se mostrarem eficazes.

Assim que sair dessa embrulhada e me tornar um próspero cristão, voltarei a pregar o evangelho e a escrever textos positivos, afinal os pregadores precisam ser prósperos e sem defeito. Não viram o Ed e o Gondim? Se não der certo, sempre tem o caminho mais shakesperiano de Hamlet: Morrer… Dormir.

morcego-12

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