Homem de três pernas, educação e família

Agora, quando só não sou um homem de três pernas (a terceira é a bengala, ela chega na terceira idade, para alguns) por ter boa saúde, tirando uma coisinha aqui outra acolá, gasto muito tempo pensando em todas as coisas não realizadas em minha vida, até aqui. Tive oportunidade de escrever, várias vezes: “fui enviado ao mundo sem o manual do fabricante”.

Esse negócio existente tentando transformar a Bíblia em um manual é um tanto ridículo. No início, a ideia era juntar os textos existentes, desde o tempo de Matusalém, rigorosamente, passando por Jesus e seus discípulos, para os sacerdotes utilizarem em seus ministérios. A chegada das bíblias nas mãos do povo é recente.

Além disso, ainda é um livro de difícil compreensão, muito difícil para crianças e adultos com QI limitado. Ainda hoje, pastores com formação em teologia, muitas vezes com grau de doutorado, possuem imensa dificuldade em compreender esse livro. Imagine você, há um grupo enorme, dentre esses, se dizendo calvinistas e adeptos da predestinação. Absurdo. Não penso mal de Calvino, totalmente. Ele escreveu alguns comentários muito bons, como o de Gálatas.

Seria muito mais fácil se tivéssemos um roteiro de vida em mãos e só precisássemos segui-lo. Pelo jeito, o maioral tinha outros planos para nós. Dizem ser tudo culpa de Adão e Eva, pois desobedeceram ao velhinho de barbas brancas, comeram o único fruto proibido e complicaram a vida de todos os habitantes posteriores a eles. Ficassem na deles e boa.

Segundo os sabidos de plantão, ao tornarmo-nos como “um de nós”(Palavra do Pai ao constatar o desvio de conduta do casal primata , significando: Pai, Filho e Espirito Santo) passamos a nos guiar pelo raciocínio + conhecimento. Problema é, conhecimento é adquirido passo a passo, com auxílio do raciocínio. Tirando um ou outro chinesinho capaz de tocar consertos ao piano com cinco anos de idade, o resto leva anos para angariar o saber necessário.

Como não sou chinês, nem quando era criança, demorei a aprender as coisas. Pra falar a verdade, não somei muitos dados no meu HD, se olharmos pelo resultado. Cometi muito mais erros do que desejaria. Meus mestres me ensinaram: Se não é seu, não era para ser. Mas não acredito nisso, apesar de acreditar em quase tudo ensinado por eles. Perdi por ser burro (ainda que os burros não mereçam isso).

Se o casal beleza do Genesis não tivesse dado aquela mancada, eu e você teríamos feito tudo certinho e bunitim. Eu, por exemplo (adoro me citar como exemplo) não teria me envolvido com tantas meninas na escola. Teria dito a elas: “Olha, não sou bonito, muito menos rico e devagar para aprender as coisas ensinadas aqui. Então, apesar de ser menino, cheio de testosterona, melhor me dedicar a estudar, jogar bola e bagunçar, ao invés de namorar hoje e, amanhã, sofrer feito um cão largado sozinho, por levar um fora. No meu caso, não foi um, mas vários.

Trataria de entrar logo para as escolas de Judô, Caratê, Kung Fu, tiro ao alvo e arco e flecha, isso evitaria menos surras dos meninos mais velhos e bem maiores. Também faria curso de inglês, francês e russo, mais piano, guitarra e canto. Descobri há pouco, essa história de precisar ter dom para dominar essas coisas é falaciosa, ou seja, qualquer um pode falar outras línguas, tocar instrumentos e cantar, até melhor que o Pavarotti e o Paul McCartney juntos.

Il Sindaco Pariali consegna le chiavi della ci...
Il Sindaco Pariali consegna le chiavi della città a Pavarotti (Photo credit: Wikipedia)


Faria o curso fundamental em oito anos corridos, médio em três e uma graduação no máximo de quatro anos, aqui no Brasil. Depois, um mestrado em Harvard em dois anos, nos Estados Unidos e um Doutorado em Edimburgo na Escócia, em quatro anos. Pós-doutorado, só se fosse professor. Sabendo das coisas, jamais seria professor. Depois disso, montaria um negócio na área financeira altamente rentável ou faria carreira no City Bank ou em qualquer outro banquinho desse quilate.

Mas, como você já sabe ou advinha, não fiz nada disso. Se tivesse observado meu pai, e aí creio que minha mãe tenha dado uma de Eva, minha vida teria sido muito mais tranquila e bem organizada. Mas acabei acreditando, ou melhor, não acreditando em meu pai. Acontece o seguinte, nosso pai nos ensina tanto no acerto quanto no erro. Hoje posso dizer aos meus filhos, olha não faça como fiz nesse caso, sem problemas. Fará bom para eles, tanto quando nossos acertos.

Então qual é a pergunta que não quer calar: como alguns fazem a coisa certa e a maioria não?

Minha conclusão é óbvia, mas me parece muito relevante. São filhos de Pais capazes de lhes transferir experiência. A família é a célula “mater” da sociedade. Posso até preconizar: jamais qualquer outra fórmula de organização não vingará entre a raça humana, muito menos as comunas.

Esses dias estávamos pensando na questão do aumento de pessoas homossexuais. A psicologia tem orientado os pais a deixar os filhos crescerem, sendo criados sem sexo determinado, até que cada um faça a sua opção sexual. Entretanto, a orientação sexual em uma família é óbvia, ou seja, os filhos se espelharão na mãe (as meninas) e no pai (os meninos). Se mãe e pai estiverem organizados de forma natural, mãe educará os filhos e gerenciará a casa e o pai trabalhará para conseguir o sustento da casa. Quando os filhos estiverem educados e alcançarem a etapa autônoma deles, as mães poderão exercer alguma forma de trabalho para compor a renda e/ou satisfazer algum desejo de realização.

É uma pena não termos caminhado na direção certa como raça humana. Nossa vocação seria bem outra, quando a vida familiar seria muito mais desenvolta, sem a necessidade do trabalho como o vemos hoje, e a interação familiar muito mais intensa e saudável. Nossa vocação é aprender de forma solidária, os pais passam seu conhecimento e experiências aos filhos, e eles, em sua vez, fazem o mesmo com os próprios filhos.

Fui diretor de creches municipais da prefeitura e aprendi vendo com meus próprios olhos que ali não é o lugar para aquelas crianças serem deixadas. Lugar de cada criança é com sua mãe, pai e irmãos, em suas próprias casas. Creches são um quebra galho mequetrefe e capaz de desmantelar a estrutura psíquica das vítimas que passarem por lá.

A ideia por trás das outras hipóteses ou mecanismos é eliminar a família e a igreja por serem obstáculos para a globalização do planeta.

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Ops: Meu objetivo agora, seria apascentar ovelhas em uma congregação e/ou dar aulas de teologia. Além do cumprimento ministerial, um prazer e uma forcinha na renda familiar um pouco aquém do necessário.

Claro, sempre disposto a ajudar Igrejas e ONGs cristãs na captação de recursos.

 

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