A Gruta do Lou

Governado pelo Evangelho


“Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. Pois, o que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou que daria o homem pelo resgate da sua alma?” Marcos 8: 35 a 37

A decisão de assumir o compromisso de viver e propagar o evangelho, começando por introjetá-lo completamente, antes de tudo, só será validada pela mais completa e irrestrita dedicação ao próprio evangelho. Isso implica em deixar (abandonar totalmente) e voluntariamente todas (sem exceção) as suas outras ligações nesse mundo e/ou na minha vida, repito, não como dogma, mas por dedicação consciente e de desejo próprio.

No tempo em que trabalhei no Centro Municipal de Esportes do Ibirapuera, no programa Adote Um Atleta, lá pelos anos oitenta, um de meus colegas de trabalho acabara de voltar da União Soviética, onde fez um estágio na central onde preparavam as equipes olímpicas. Segundo ele, todos os atletas russos passavam por uma entrevista onde lhes requeriam total e irrestrita devoção ao esporte, sem qualquer outra atividade (inclusive namoro) enquanto estivessem a serviço da nação, como atletas.

O fato é que o evangelho não admite meio termo, ele requer tempo integral, dedicação de 24 X 7 e fé, pois todas as coisas vos serão acrescentadas e não trabalhadas ou produzidas pelo interessado. O que daria eu por minha alma? Na verdade, como vimos no post anterior, nem religião ou mesmo uma crençazinha básica poderá roubar lugar ao evangelho. Fé e evangelho são irmãos gêmeos e siameses.

Meus anos de verdadeira fé e evangelho começaram em meados do final dos anos setenta e entraram anos oitenta adentro. Mas a revelação maior veio lá por 1984, não sei se foi coincidência ou não, e acho que até Orwell duvidaria, mas aconteceu durante um seminário dirigido pela Dra. Louise Mackney, nas instalações da Faculdade Teológica Batista, em Perdizes – S. Paulo. Imagine que ela veio com aquela história de que o professor não era a pessoa mais importante em uma sala de aula. Isso juntou-se ao livre pensar aprendido nos anos Vocacionais e a total subversão solicitada por Cristo para fazer o evangelho e bum! Explodiu igual uma bomba dentro de mim.

Claro que meu ego continuou lutando bravamente para não me perder para qualquer evangelho furtivo. Meu interior virou uma gangorra. Já era um pouco, e virou muito mais na dança de alto a baixo e vice-versa. Então fui lecionar em um desses seminariozinhos brasileiros que dá vergonha até de mencionar o nome, o que já é uma incompreensível incoerência. Sem me fazer de rogado, fui logo trabalhando na vertente do evangelho via livre pensar mais total dedicação aos alunos samaritanos, como se eles fossem gente. O maior servindo a todos os menores. Não demorou muito para vir a demissão sumaria. Na virada do ano me informaram que eu não estava mais nos planos deles. Também, um herege desses, que seminário me incluirá nos planos sacrossantos dele. Bom, mas foi tudo em nome da rosa, claro.

Mas isso ainda não era evangelho, quando prostrado adorei ao senhor e perguntei em oração o que era, a resposta veio como o véu que se rasga de alto a baixo enquanto o vento sacode a calha solta: “larga o seminário onde se dizem coisas, que coisas não eram”. Lembrei então dos tempos da missão e, pela primeira vez, me dei conta que de lá também sai por causa do evangelho e como qualquer um que larga algo por causa do evangelho, esse igualmente o salvará.

E tem gente chorando Twitter afora pela perda disso e daquilo, a posição que muito me afama ou poder me dá. Para trás de mim Satanás, eu quero é me agarrar ao evangelho e minha alma salvar. Não é musica que qualquer um cantará, muitos serão chamados e poucos serão escolhidos. Não falo de salvação, mas de servidão. Evangelizar é servir e servir é fé.

Agora estou aqui, agarro-me à vida querendo salvá-la outra vez. Mas meu destino é evangelizar e se a ele me perder, ele me salvará, novamente e outra vez. Ah, Senhor, até quando me suportarás, até quando terei sua permissão para em ti me perder? Agradeço por experimentar um pouco de sua cruz, por me deixar beber da água de seu poço e, ainda por pouco, ser homem de dores.

Ai, chorando me aproximo do meu Mestre, e sinto parte das dores daqueles por quem ele entregou seu corpo e seu sangue. Ai, sangrando olho no espelho e vejo que sou um deles, também. Ai, miserável homem que sou.

Que bom saber das boas novas, como as aves no céu, e as árvores na terra, o senhor a todos alimenta e veste. Serei como um deles, também… pouco depois.

Arrependam-se, pois o Reino de Deus chegou. É só o que nos basta.


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1 thought on “Governado pelo Evangelho

  1. Uowwwwww…quero ser um desses que entregam suas vidas e as perdem…será que consigo??

    Jesus Cristo achou que você não conseguiria e pagou a sua conta, ele mesmo.

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