A Gruta do Lou

Foglio in Mano

Acho que deixei escapar a tartaruga em algum momento, o fato é que ela sumiu. Nos meus tempos de Portas Abertas, o Roberto não conhecia a piada e nós, maldosamente, o deixávamos no escuro. Era um tal de fulano deixou escapar a tartaruga para lá e para cá e o coitado não entendendo nada. Chegou, inclusive, a queixar-se a membros da diretoria de que estaríamos conspirando contra ele. De certa forma estávamos, afinal, quem não queria assumir todas responsabilidades da missão, pelo mesmo salário e sair do “dolce far niente” que desfrutávamos lá. O cara não entendia nada mesmo, não era só a piada.

Nesses meus giros do desespero, que vira e mexe pratico, indo a São Paulo cumprir uma espécie de Via Crucis, da  captação de recursos pessoal, que não seria necessário se a maldita tartaruga não tivesse essa eterna mania de sumir, com toda aquela rapidez e agilidade que lhe é peculiar, sempre lembro da tartaruga, não sei por que. Pior quando é quando esse ato tresloucado não redunda em nada e ainda tudo fica um pouco pior. Dizem que Deus dá o frio conforme o cobertor, mas creia-me, isso não é verdade.

Já percebi que meu velho italiano, aquele que minha avó insistia em me ensinar quando eu era um mero bambino e não fazia nenhuma questão em aprender, anda querendo aflorar. Toda hora me aparecem frases italianas inteiras na mente. Outro dia, olhando para o nome de minha velha empresa, sim eu tenho uma, mas é só um registro, a menos que você me veja como um empresário ecológico, desses que fazem do campo seu lugar de trabalho. Enfim, percebi que minha empresa, em dezenove anos de existência, nunca teve um nome, pode? O nome do registro é o meu mesmo. Coisa mais personalista, impossível. Então resolvi batizar a empresa, não me venha com piadinhas do tipo: “Já sei, vai mudar de Luiz H. Mello para Lou Mello”. Nada disso, resolvi dar um nome legal para ela, quem sabe ela começa, finalmente, a cumprir a finalidade para a qual foi concebida. Espero que Deus não resolva fazer comigo o mesmo.

Em verdade, houve outras tentativas, nada conscientes, chamei-a de LHM Desenvolvimento, LHMBrasil (imitando o Washinton Olivetto), mas sempre com meu nome no logo, percebeu? Depois vocês não sabem porque odeio psicologia. Ridículo, coisa de gente narcisista, tá louco. Aí, comecei a imaginar como poderia chamá-la, um nome de verdade, só dela, capaz de fazê-la nascer de novo, como Deus fez com Jacó, rebatizando-o com o nome Israel, esse nome tão badalado até os nosso dias, ou como Jesus fez com Simão, com o novo nome Pedro, confundindo todo mundo até hoje.

Enquanto pensava nisso, até pesquisei listas de expressões idiomáticas, tentando achar algo com a mesma força de Bacia das Almas, Resumo da Ópera ou Mar sem fim, subiu à minha mente uma expressão italiana que me pareceu ajustar-se plenamente ao que eu procurava: Foglio in Mano.

Tudo bem, sei que você mai me dizer que parece nome de pizzaria, especialmente se você não capisca niente pio de italiano, como o Brabo e eu, capiscamos. Mas está muito longe disso. O nome é perfeito, pois significa Papel na Mão, coisa muito peculiar às empresas de consultoria.

Não sei quanto tempo de vida útil Deus ainda reserva para mim, se é que ainda há algum nos planos dele, mas nem que seja mais uns cinco só, gostaria de gastá-los em um projeto com esse título. Já pensou? Alguém me pergunta onde trabalho e respondo cheio de orgulho: “Na Foglio in Mano”! Acho que, de hoje em diante, nunca mais será necessário fazer minha via crucis, viverei do fruto do trabalho de minhas mãos, digo da Foglio in Mano.

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4 thoughts on “Foglio in Mano

    1. Rubinho, pão e vinho

      Per me, in verità caberia muito bem uma pizzerie ou uma patasuita ou tudo junto, per manjare. Come parlava minha nona, Luijinho, manja, manja che te fa bene.

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