A Gruta do Lou

Fim de semana


Mais uma semana chegando ao fim. Foi agitada. Aprendemos novos fatos da vida (Quem diria?), conhecemos melhor algumas pessoas e fizemos descobertas importantes. Saldo positivo.

Na sala de espera da dentista da Dedé, folheei uma revista Você S/A, ali à mão. Muitas frases organizacionais me chamaram atenção. Divulgaram o orçamento e o fluxo de caixa pessoal de uma jovem advogada solteira. Na coluna dos ativos, lia-se: Automóvel= R$ 40.000,00, Poupança= R$ 20.000,00 e outros itens menores. A coluna do Passivo estava zerada. A Receita básica dela era um salário de R$ 2.500,00. Na coluna despesas (esta nomenclatura não estava muito correta) o item poupança aparecia de novo= R$ 250,00. Ou seja, ela poupava 10% de sua receita, mensalmente. Outro item nessa coluna me chamou a atenção: Roupas= R$ 600,00.

Inevitavelmente, comparei o balanço dela com o meu. Não entrarei em detalhes, pois, meus números são impublicáveis, no momento, sobretudo se houver algum fiscal da receita por ai. Mas, causa vergonha tanta discrepância. Primeiro que a minha coluna zerada é a dos ativos. Depois, as receitas são imprevisíveis. Costumamos chamá-las de: “De vez em quando”. De vez em quando tem e na maioria das vezes não tem. Nossas despesas são parecidas, apenas, muito mais expressivas, pois somos cinco, mais cachorra, calopsita e coelha. Depois, não depositamos nada na poupança há anos, apesar do Apóstolo Jorge Tadeu ensinar, enfaticamente, que quem não tivesse reservas não era digno da igreja dele. Vai ver foi por isso que não ficamos com ele. No item roupas: aparece um traço. E para acabar de sacanear, no meu ativo, desapareceu o item automóvel.

Já decidi, não mexo mais em revistas de sala de espera. Nem no dentista, nem no médico e muito menos na barbearia.

Daqui a pouco, após o almoço (dos outros) iremos à imobiliária. Eles querem receber os aluguéis atrasados. Coitados. Na tentativa de evitar uma inevitável ação de despejo, pretendo pagar com um cheque pré datado que, no momento, não tem fundos. Chama-se “cheque pela fé” (nunca façam isso).

Fui informado, extra oficialmente e verbalmente, que o dinheiro do nosso projeto deve sair no começo de novembro. Essa é nossa única alternativa, por enquanto. Muitas vezes, nessas ocasiões, fiz a coisa conforme a orientação pastoral e falei a verdade. Resultado, entraram com a maldita ação. Meus amigos, mais versados nas coisas desse mundo aconselham diferente: “Seja esperto e trate de ganhar tempo”.

Claro, se vocês orarem por mim, Deus poderá fazer algum milagre e me livrar do cheque sem fundos. Por exemplo, a imobiliária, através da Dra. Flávia (uma advogada solteirona sem convicção) está me esperando e poderia dizer: “Não se preocupe, volte quando receber seu dinheiro e nós não faremos nada até lá.” Deus te abençoe, ou ainda, “ deixe esses aluguéis para pagar no final, pague só o próximo que vencerá em 10 de novembro” com a graça do Senhor. Se nada disso acontecer e o cheque for a única solução, saberei que ninguém orou por mim.

No mais, apareçam. Comigo não tem essa de bom fds. Estarei aqui sábado e domingo. Também, para onde iria eu se só tu tens as palavras da verdade.

PS: Isso não é uma despedida de sexta-feira. Quando voltar, relatarei a visita à imobiliária, se possível com fotos e tudo (se a Dra. Flávia topar) e muito mais sangue e violência.

3 thoughts on “Fim de semana

  1. Sangue, por favor. E pancadaria.

    Você tem as manhãs de sair da imobiliária pela janelinha do banheiro, como o Jackie Chan?

  2. Eu deveria ter ligado para ele. Realmente, não tinha como sair pela janelinha. No meu caso, só se fosse uma janelona.

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