A Gruta do Lou

Filósofos e filosofia

Olavo de Carvalho

Filósofos e filosofia são antagonistas muito antigos. Certa vez, o Dr. Zenon Lotufo Jr me disse: depois dos gregos não aconteceu nada novo nos meandros filosóficos. Abordagens, métodos, etc., sim, surgiram muitos até os nossos dias.

Temos visto no Brasil e em muitos outros países escritores, professores e pessoas se auto intitulando filósofos. Alguns até parecem com um filósofo, outros mencionam a filosofia em suas prédicas e acabam sendo reconhecidos como tal. Não entendo porque as pessoas teimam em encontrar algum meio de sobressair em seus meios. Nesse caso, a filosofia acaba sendo uma das escolhas mais comum.

No primário, ginásio e científico (modificado pelo pessoal da educação e cheios de filosofia para fundamental e médio) passei longe da filosofia. Meus professores de vocacional eram fracos em filosofia. Imagine, nós fomos obrigados a ler “A Casa das Bonecas” por obrigação de uma professora de português fascista. Fora a tríade toda do José de Alencar e sem falar dos livros do Fernando Sabino e Mário de Andrade e seu Macunaíma. Filosofia mesmo, nada.

A PUC São Paulo resolveu abrir curso de Educação Física e fiz o vestibular para isso em 1971. Passei bem colocado e em 1972 comecei. Logo de saída, a PUC inovou nos colocando no Curso Básico. Ao invés de nos juntar ao pessoal das ciências, nos juntaram ao pessoal de humanas. Nosso Curso Básico incluiu Metodologia Cientifica, Psicologia, Antropologia e Problemas filosóficos e teológicos do homem contemporâneo. Cara, me esbaldei, sobretudo em MC e APFTHC. A matéria ligada à Filosofia com Teologia foi dez.

Infelizmente, no curso de Educação Física, embora fosse excelente aluno, várias vezes o melhor da turma, acabei batendo de frente com o coordenador por causa de um acontecimento estranho com a professora de psicologia do curso básico, no primeiro semestre. Ai o coordenador marcou uma reunião comigo e não apareci. Era dezembro, o sol já estava excelente para o clube, imagine se eu trocaria isso por uma reunião babaca com um imbecil igualmente babaca.

Olavo de Carvalho

Então, apareci lá numa segunda-feira, pois era a última reunião dos professores para resolver as pendências. Ninguém me convidou, fui por ir. Eles atenderam todos e não me chamaram. Dei meia volta para ir embora quando ouvi a voz do coordenador me chamando. Ele não me convidou a entrar na sala como os outros e me perguntou o que eu estava fazendo lá. Então disse: “Você foi reprovado. Fiquei te esperando no dia marcado e você não apareceu”.

Fiquei olhando fixo nos olhos dele. Acho que ele ficou com medo, então. Também poderia ter ficado com medo, mas minha calma não me permitia ser violento, mesmo nas piores situações. Poucas vezes perdi a calma na minha vida, mas nunca para machucar ninguém. Virei as costas e fui embora. Nunca mais vi aquele pateta. Tranquei minha matricula e resolvi estudar engenharia mecânica na FATEC. Fiquei lá um ano para perceber falta de talento para aquilo, então voltei para Educação Física, mas não na PUC, aliás, o curso de EF havia fechado por lá, também, com aqueles caras no comando, só poderia dar errado. Mas o Curso Básico valeu. Depois dele, fiquei filosófico.

Mas foi só quando fui fazer Teologia na Faculdade Batista de São Paulo quando encarei não apenas a Teologia Cristã Protestante, também a Filosofia, começando pela Introdução à Filosofia. Estudei os gregos (Sócrates, Platão, Aristóteles, Sêneca) Cícero (de Roma), os embates entre Kierkegaard (um dos meus prediletos e um gênio incomparável), Schopenhauer (outro predileto, me legou vários conhecimentos, entre eles, seu livro “A Arte de Escrever” se onde recebi a melhores lições dele), Friedrich Nietzsche (outro, embora preferisse ser contado como um filólogo), Hendel ( antagonista frustrado de Kierkegaard, coitado) e vai por aí. Nessa altura, já estava andando com meus próprios pés e havia deixado, o meu caro professor de Introdução à filosofia, professor e pastor Irland Pereira Azevedo.

Com tudo isso, não galguei nada além de uma base mínima de filosofia. Aprendi ontologia, metafísica, etc, enfim a divisão da filosofia: Teoria da Ciência, Teoria dos Valores e Concepção do Universo. Ano passado, fui entrevistado com vistas a um cargo em uma ONG cristã e meu entrevistador me perguntou por que estudar Astronomia. Sorri quando ouvi a pergunta e respondi “bom, primeiro porque eu deveria ter seguido  em direção a ela e, depois, porque a filosofia e a teologia me encantaram como a Astronomia. Deus é o Senhor do Universo, sem dúvida”.

Interessante a virada ocorrida no Brasil com a eleição para presidente de 2018, com a saída dos comunistas vermelhos e o levante dos chamados “conservadores” (liberais capitalistas e militares). Não foi uma tomada com sangue. Antes, foi uma tomada de poder pacífica, no voto e, acima de tudo, uma conquista liderada pelo filósofo Olavo de Carvalho, dinamitando as crenças marxistas e gramscistas plantadas nos ditos pilares da nossa sociedade ( Igreja, família, escola, mídia e governo).

Só agora, começam a levantar ditos filósofos de carteirinha, chorando o choro dos perdedores, os quais insistiam em colher uma revolução armada, cheia de gente morta, confisco de propriedades, proibição religiosa e todo o modelo Leninista. Engraçado, os caras também conseguiram ganhar o governo via eleição, embora tenham fraudado os pleitos utilizando urnas eletrônicas manipuladas e, mesmo assim, ainda pretendiam fazer uma revolução sangrenta.

Esses filósofos de universidades brasileiras (das piores nos ranques mundiais) foram engolidos por um filósofo formado em jornalismo e astrologia, mas um leitor de filosofia compulsivo, falo ainda do Olavo de Carvalho. Meu melhor aprendizado veio nos tempos de professor de Teologia e por que não, da Educação Física, também. Aí vale a máxima: “a diferença entre o professor e o aluno está no fato do professor estudar a aula primeiro e o aluno depois”. Nos últimos anos, tenho me divertido com ele e mais alguns outros, como o José Monir Nasser (p.ex. A Arte de Ler; As sete artes: “Retórica, Lógica e gramática” etc.).

O Olavo percebeu o vácuo e entrou na brecha. Compôs um personagem bem agressivo, usando palavrões, fumando o tempo todo, se já não era assim, mas contribuiu para conseguir os ouvidos carentes de direção.

De alguma forma, ele acredita em Deus, na versão católica, isso ajudou de alguma maneira e logrou êxito. Nem sempre o dinheiro resolve tudo. Às vezes, até uma mula pode ser usada por Deus, quando necessário. Por que não um homem experiente, bom leitor não poderia fazê-lo?

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