A Gruta do Lou

Falsas Igrejas?

 

Templo de Salomão da Igreja Universal

Creio não haver muitos que não se impressionem com as mega igrejas brasileiras dos nossos dias. A começar por aquelas cujo impulso maior deu-se via televisão. Mas há outras, muito grandes também, capazes de viver sem o apoio televisivo e, igualmente, grandes em termos do número de pessoas adeptas que elas são capazes de agregar.

A pergunta mais frequente, sobre essas igrejas, diz respeito à espiritualidade delas, ou seja, até que ponto acreditar e confiar nelas?

Em minha opinião elas não são igrejas, de fato. Trata-se de organizações forjadas sob intenções puramente mercadológicas. Evidentemente, paira sobre elas a dúvida se estão cometendo algum tipo de estelionato e/ou falsidade ideológica ou não.

Não é tão fácil determinar isso. Se assim fosse, outras organizações do mercado (se não todas) também estariam seriamente comprometidas. O fato é que todos os competidores inseridos no mercado estão ali para fazer dinheiro, antes de mais nada, e algumas até conseguem fazer alguma coisa boa para as pessoas, mas são raras. A maioria delas fala em ética, mas quando precisam decidir entre ética e lucro, o dinheiro fala mais alto, não importando a natureza da proposta.

Essas organizações não deveriam chamar-se “igrejas”, a meu ver, mas agora é tarde, elas já surripiaram a denominação. Às outras cabe, agora, achar outro nome, se desejarem diferenciar-se ou deixar claro o fato de não terem nada a ver com essas igrejas. Tive oportunidade de sugerir o nome Eclésia (tradução em português de uma palavra grega, cujo significado é assembleia), para esse grupo. Muito embora, isso não signifique que essas também não existam com o mesmo fim das outras.

Estou certo que existem muitas organizações eclesiásticas com propostas sérias, ou seja, verdadeiramente espirituais, mas, ainda assim, a minoria. De qualquer forma, estas ainda serão igrejas niilistas e adeptas da moralidade. A mídia e as pessoas não oriundas ou militantes de igrejas costumam chamar todas essas igrejas de “evangélicas” e isso também não será fácil de alterar, nessa altura. Alguns pastores espertinhos estão tentando fazer isso declarando não serem evangélicos. A mim parece que a maioria das pessoas não faz ideia do significado original da palavra evangélico. Pensam sim, ser sinônimo de aproveitadores que usam o nome de Deus em vão.

Quando estava no Seminário, nosso professor de Novo Testamento costumava afirmar que boas igrejas não deveriam ter mais do que cem (100) membros, pois isso inviabilizava o trabalho pastoral. Se isso servir como indicativo, poderemos dizer que igrejas maiores estão correndo o risco de não ser igrejas verdadeiras.

A meu ver a questão da ganância, também, por parte das igrejas não chega a ser o problema maior dessas casas de culto e oração, sejam elas evangélicas ou ligadas a outros segmentos religiosos. Para mim, a oposição moral e do cristianismo ao “mundo” e à política é uma pseudo-oposição que oculta uma conivência básica: a moral é o meio no qual padres e pastores fundamentam o seu poder, ou seja, tiranizam as massas e arregimentam as manadas.

“O projeto histórico do cristianismo consiste justamente numa gigantesca mistificação, graças à qual, os mais niilistas, os mais impotentes, os menos capazes da criação tornam-se donos do mundo em nome de entidades transcendentes que eles mesmos geram e administram.

Nietzsche é, portanto, o filósofo de uma oposição forte, mas não das oposições fracas, pois é assim que lhe parecem o socialismo, o anarquismo e o feminismo. No entender dele, estes movimentos representam apenas a continuação leiga da moral cristã, assim como a filosofia é a continuação da teologia. Tudo prometem, mas nada cumprem. Nascem e se desenvolvem num estado de profundo mal-estar em relação à realidade, e transformam esta situação mórbida num privilégio e até mesmo num dever; estão desprovidos de uma força autônoma e vivem de ressentimentos, compaixão, indignação, apenas. Pretendem “direitos iguais” para todos e, desta foram, eliminam de saída, as diferenças entre eles. São, portanto, movimentos de renúncia que se contentam com promessas e esperanças, que têm em relação à vida uma atitude projetiva, pois sempre colocam o essencial alhures, num futuro que nunca se realizará, provavelmente. A própria reivindicação de um direito apresenta, do ponto de vista de Nietzsche, um aspecto ingênuo ou hipócrita, pois, com efeito, nenhum direito será reconhecido, a não ser, que tenha força para tornar-se reconhecido, caso tenha essa força. O fato de apresentar-se como “direito” enfraquece-o em lugar de fortalecê-lo”. (Citado de O Anticristo maldição do cristianismo, Edição Integral)

Creio não ser necessário declarar minha mais completa desistência do anarquismo, embora continue anarquizando por aí, na opinião de alguns. Para mim, ficou bem claro, graças ao irmão Nietzsche, tratar-se de mais uma oposição fraca, apenas.

Nunca é demais citar umas das frases de Nietzsche que mais aprecio: “A moralidade é uma conspiração das ovelhas destinada a convencer os lobos de que é imoral usar a força”.

Essas igrejas, megas ou minis, existentes em nossos dias, para vergonha nossa, nem estão com toda essa bola. A maioria (acima de 96%) está, mesmo, é atrás de grana e muita.

Claro que isso é uma análise muito mequetrefe, do tipo blog. Evidentemente, meu objetivo é só pontuar para não dizer que não lhes falei das flores, digo, falsas igrejas.

Capricornio PB

1 thought on “Falsas Igrejas?

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