A Gruta do Lou

Falha nossa ou de Deus?

Falha nossa ou de Deus
Falha nossa ou de Deus

Parte do meu sonho ao escrever em um blog, eufemismo de escritores incapazes de se fazer publicar, ou de puxar os sacos certos, era encontrar um caminho quando a vida parece não ter saída, seja lá qual for a sua cerca ou tsunami, e dividi-lo com os corajosos que arriscam ler minhas bobagens.

Há um contingente enorme de pessoas endividadas por aí e o problema é muito velho e é bom que os anti-capitalistas observem esse detalhe. Quando Davi refugiou-se na Gruta (Caverna é a mesma coisa) de Adulão, foi seguido por cerca de quatrocentas famílias, todas endividadas, entre outras angústias.

Certamente Davi era a esperança ou a saída deles para dias melhores e essa condição de penúria era o que mais lhes incomodava. Por que Davi? Bom, ele era o cara que aniquilou seu gigante.

Não há duvida que o capitalismo é uma grande maquina de gerar endividados e seu surgimento, muitos anos após Davi e a Gruta dele, só deu novos contornos ao problema, talvez mais satânicos de um lado, se podemos usar esses termos mais religiosos aqui. Quando fiz meu giro pelos países do leste europeu, ainda na época da vigência do muro de Berlim, notei que os povos que viviam sob regimes declaradamente anti capitalistas eram candidatos em potencial a refugiarem-se em uma Gruta com Davi ou comigo.

No socialismo daqueles dias, todos os cidadãos comuns (não membros do partido comunista) eram devedores compulsórios da nação. Trabalho, moradia, comida, água, roupas e alguma diversão eram esmolas dadas pelos ditadores de plantão, jamais um direito.

Nós, aqui nessa Gruta, somos vítimas do sistema mais capitalizado, nem por isso estamos em situação muito melhor do que aquela gente que comeu o pão pisado pelo diabo na pessoa de Stalim e seus pares ou seguidores e isso inclui o imortal Fidel. Mas creio que temos algo muito sério em comum, ou seja, sabemos que nosso caminho de saída da situação em que nos encontramos não está em nenhuma dessas duas propostas políticas e econômicas.

Para nós, essa conversa de humanizar ou pender nossa religião ou nossas crenças cristãs para qualquer um dos lados desses senhores monopolizadores da “verdade”, verdade deles óbvio, soa como a Wanusa cantando o hino nacional. Buscamos contemplar nossa esperança e sabemos que isso dependerá de conseguirmos discernir o caminho verdadeiro, que deve estar bem longe de todas essas propostas indecorosas, as mesmas que nos meteram nessa situação.

Jesus nos conhecia, dois mil anos antes de virmos ao mundo ele já estava preocupado conosco e orou ao Pai intercedendo por nós: “Pai, não peço que os tire do mundo, mas que os livre do mal”. Temos certeza absoluta que essa oração foi ouvida e atendida, basta-nos abrir nossos olhos para ver a resposta.

Certa vez, andava incomodado em saber como Deus poderia ser onipresente. Entrei em um ônibus, quase vazio, ao entardecer, coração apertado com aquela indagação e, de repente, os raios solares que entravam pelas janelas tornaram-se visíveis para mim e, naquele momento, entendi o Senhor um pouco mais, desfazendo a minha dúvida.

Há um caminho para nós, já sabemos que ele não se encontra na teologia da prosperidade, nem na teologia da libertação, nem na ortodoxia e muito menos em maluquices pós modernas integrais, relacionais ou de teísmo aberto. Assistimos todos esses filmes e eles se mostraram bonitinhos mas ordinários, em nossos casos. Me desculpem seus adeptos, mas ficamos fora de todas essas opções e soluções, mesmo quando tentamos participar. Nossa condição maltrapilha não nos habilitava.

Sinto desapontá-los, mas em nossa miserável existência descobrimos que, de alguma forma, não as que acreditávamos um dia, Deus existe, está em todos e sabe de tudo. Mas nós não conseguimos entender como e quando, na maioria das vezes, e há uma trave em nosso olho, lembra?

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