A Gruta do Lou

“fale mal ou bem, falem de mim”

Acordei com aquele faniquito que me dá às vezes, uma sensação de algo dentro do peito querendo sair, caso contrário me esmagará. Com sempre, não faço a menor idéia do que possa ser. Então sento na frente desse monitor horrível, mesmo com 17 polegadas, as marcas do supermercado doador (aquele do Geraldo) ainda estão estampadas na tela e, para ver minhas palavras, é necessário sublimar as linhas vermelhas nada invisíveis, e começo a escrever tudo que me vem à mente.

Andando por aí, constato que o pessoal continua acendendo muitas velas para defuntos, como diriam aqui em Sorocaba: “defuntos mortos”. Em outras palavras, falam demais sobre esses caras dos pro (prosperidade e propósitos). De um lado, manifestam o lixo evangélico, coisa pouco inteligente, pois quem está do outro lado não faz a menor diferença entre cristão evangélico, protestante ou não engajado em qualquer igreja. Cristão se não é católico, é evangélico e ponto, pensam eles. De outro lado, enaltecem quem não precisa de mais fama, aliás, alguns já a tem em excesso, para meu gosto.

Um conhecido político já falecido, chamado Janio Quadros, chegou à presidência da República usando um principio besta de propaganda, ou seja, “fale mal ou bem, falem de mim”, embora nunca tenha feito nada além de grandes asneiras nas muitas oportunidades que teve, deixou essa lição. A Bíblia é incansável em admoestações para ficarmos de boca fechada: “até o tolo se faz passar por sábio quando fica quieto”. Pelo menos, poderíamos não tentar limpar a sala de visitas jogando a poeira para cima, penso.

Claro, a maioria dos analfabetos funcionais já percebeu que adotar esse maldito lado, falo do lado dos politicamente corretos, poderá alinhá-los com o “Status Quo” vigente e isso sempre poderá redundar em alguns dividendos. De vez em quando, assisto conferências de certos ícones, alguns até já dividiram considerável quantidade de copos de cerveja horrível comigo (me refiro à Antartica) e digo isso para pontuar que não sou melhor do que eles e, tão pouco, vejo mal algum em tomar a seiva da cevada, desde que o bebum não seja um dependente, mas voltando à vaca fria, constato o quanto eles se cuidam para ficar garantidamente em cima do velho e bom murinho de sempre. Falam, falam e não dizem nada. A fé é isso ou aquilo, sem nunca defini-la com a mesma coragem de um Paulo, seja ele bíblico ou contemporâneo.

Creio que nem do inimigo devemos falar. A melhor tática seria ignorá-lo, tratando-o como se não existisse. Errei ao falar demais dos meus, mesmo que tenha falado mal. Deveria tê-los ignorado, aqueles pulhas. Adoro quando me vejo citado aqui e ali, gostaria que me citassem mais e mais, quem sabe arrumo uma boquinha legal ainda, apesar da idade e das, digamos, intransigências. Quem sabe assim, poderia adquirir um plano de saúde decente e livrar meu filho do tratamento do INCOR dedicado aos portadores de cobertura do SUS, ou até o meu tão sonhado Land Roover. Dizem que fazer negócios para a Petrobras pode redundar em um belo Defender, mas acho que não seria capaz disso.

Gente, falem de vocês mesmos, de suas idéias, dessas que se você não expulsa de sua alma, poderiam matá-lo. Caso contrário, permaneçam em silêncio ou falem de mim, bem o mal, não importa. Não dêem a nossa cabeça em uma bandeja para a concorrência. Eu lhes imploro.

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11 thoughts on ““fale mal ou bem, falem de mim”

  1. Meu caro Lou, muito instrutiva a sua reflexão, mas eu não consigo dar conta da lei, nem da lingua…

    Que o meio evangélico é todo igual não restam dúvidas, a diferença vai se fazer apenas no nivel da consciência ou inconsciência do modelo perverso adotado e perpetuado.

    Sim, uma perguntinha: será que os apostolos chegaram a falar pra Jesus sobre o perigo da lígua, ou só descobriram isso depois que Ele morreu na cruz???

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