Eu sabia

Estou triste por ter profetizado o adeus de nossa seleção da Copa 2010 e tão pouco me sinto orgulhoso desse feito, preferia pagar minhas contas em dia. Aprendi com o Jampouski a preferir ser feliz do que estar certo. Portanto, teria sido melhor se nosso melhor time de jogadores, jogando no melhor estilo brasileiro, com ginga, ritmo e muita malandragem, estivesse em campo nos enchendo de alegria.

Então resta-nos, apesar do sabor de derrota desnecessária, a esperança de termos enterrado, finalmente, a era Dunga, do tal futebol de resultados, iniciada na Copa de 1982, com a desistência do nosso futebol arte em favor dessa porcaria, que nos deu as inexpressivas copas de 1994 e 2002, apesar de Romário e Ronaldo, que destoaram nessas oportunidades. Apesar de que, talvez o futebol jogado para frente vença a presente Copa, caso dê Alemanha ou Argentina, ou Holanda e Uruguai que parecem estar a meio caminho disso, também.

Tudo que estou reivindicando é sermos nós mesmos. Em muitas atividades e áreas da vida precisamos imitar outros povos e culturas, cujo desempenho, nesses casos, seja melhor do que o nosso. Mas ninguém joga esse jogo como nós jogamos, acreditem. Não sei bem por que, talvez seja a conjunção de vários fatores, como clima, ritmo, biotipo, mesclagem de raças, sei lá. Em campos brasileiros, qualquer um de nós era mais um, no máximo. Mas quem teve o privilégio de bater uma bola com pessoas de outros povos, percebeu nossa afinidade espantosamente destacada com a jabulani.

Bom, agora a Inês é morta e não adianta chorar o leite derramado. Clichês? É, mas quem poderia evitá-los a essa altura? Se você viu e ouviu os jornais sobre a desclassificação de nossa seleção da presente Copa, recebeu uma dose excessiva deles. Afinal, quem está a fim de pensar, mesmo que seja um pouco, nas razões mais profundas desse acontecimento inesperado.

Agora só nos resta a antipática e inoportuna atitude de torcer pelo insucesso da Argentina. Prefiro continuar acreditando que todos esses resultados já estavam escritos nas estrelas, pela pena da máfia do futebol. Ah, não fiquem bravos comigo por ter feito essa previsão tão negativa. Profetas são assim, ossos do ofício.

Para completar, acabei discutindo com um vizinho novo que durante os jogos da nossa seleção resolveu municiar um grupo de adolescentes com poderosas bombas de artifício e depois da desclassificação, a molecada resolveu explodir as lixeiras da rua. Quando chamei atenção dos meninos por esse detalhe insignificante o cara resolveu me encarar e a discussão teve lugar, inclusive ele me convidou para sair e dançar com ele no meio da rua. Mas achei melhor não aceitar, primeiro porque a essa altura a Dedé estava me puxando para dentro de casa e depois porque o elemento não fazia mesmo meu tipo.

Bom, essa eu também serei obrigado a debitar na conta do Dunga, aquele excomungado.

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2 respostas para “Eu sabia”

  1. Lou, você tem razão. As pessoas pensam que Deus é brasileiro e que faz gols… Deus não é brasileiro e não faz gols; se fizesse, a Africa já tinha mandado muita gente pra casa, inclusive o Brasil ! Se existe um continente que precisa de gols, esse continente é a Africa. A seleção não precisa de religião e sim de psicólogo; não precisa de pastor e sim de professor ! 50 dias na prisão, é insuportável. Precisamos de diversão. A diversão nos livra da luocura. Se o Jorginho quer ser pastor, que procure uma igreja…

    Assino seu texto em baixo de quase tudo, menos do psicólogo, eles têm o inferno inteiro para cuidar. hi.hi 🙂

  2. Na próxima copa,vamos dar um jeito de manter o Lou isolado,em algum lugar,incomunicável…pelo menos uns dois meses antes dela começar…só será liberto, quando acabar tudo.
    É duro ver uma profecia,anunciada na véspera,acontecer.

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