A Gruta do Lou

Eterno e fiel

 

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Pedidos – Tibet


Passado o encontro e diante dos planos futuros, resolvi voltar a ele. Havia lido o excelente post do Tuco e lembro de ter pensado sobre voltar a falar dele.

Afinal, esse é o grande propósito, enquanto brinco com as ideias existentes a respeito do bom velhinho. Trato-o assim devido nossa intimidade. Mais de cinquenta anos caminhando juntos. Foram muitas as situações onde estivemos lado a lado. Fico lembrando envergonhado das coisas faladas em momentos críticos, das perguntas tolas e infantis diante da morte ou do risco iminente e da constatação pura e simples sobre sua natureza não ser nada daquilo imaginado.

Quando assisti pela primeira vez “A Felicidade Não se Compra“, filme de um dos maiores diretores vistos pelo mundo do cinema, Mr. Frank Capra, tomei o maior susto quando o anjo explicou a George Bailey, personagem de James Stewart, o fato de não existir dinheiro no céu e, devido a esse detalhe, ele não poder resolver o problema financeiro do protegido com grana. Para mim, aquela revelação soou precisa. Claro! Não poderia haver dinheiro no céu. Espantou-me ainda a simplicidade do anjo ao revelar sua impotência diante do ferido e desesperado senhor a seu lado.

O Raniel me lembra muito aquele anjo do Capra. Embora ele já tenha suas asas e ande com aquelas roupas de soldado romano, pelo menos é assim para mim, é atrapalhado, pouco ou nada pontual e fala pra cachorro. Quando estamos juntos, se você nos visse, diria ser eu o anjo e ele o protegido, não fossem as asas e aquela indumentária ridícula, mas muito vistosa. Ando com saudades do Raniel, pode? Ele visitou o Thomas algumas vezes e saiu sem falar comigo. Eu sei bem por que: pura vergonha! Por não saber nada sobre minhas inquisições acerca de nossa volta a São Paulo, trabalho/finanças e a saúde de nosso filho caçula. Cheguei a vê-lo de relance duas vezes, logo depois de ter feito o curativo no pé. O Thomas sentou frente ao PC e vi o Raniel fazendo as mandingas dele na ferida. Preferi não atrapalhar aquele momento.

Enquanto isso, ele anda por aí. Está por todos os lados. Nossa finitude causa-nos a sensação de, por estar em muitos lugares ao mesmo tempo, não estar conosco. Dia desses, um velhinho de ascendência japonesa, creio, ficou enroscado na porta do ônibus urbano onde eu estava. O veículo andou arrastando o ancião nipônico por uns vinte metros. Juro tê-lo visto abraçado ao homem, quando paramos. O motorista desceu e perguntou várias vezes se ele estava bem, já em pé encostado a um poste de luz, enquanto uma mulher daquelas, dizia alto: Ele está machucado, impossível não ter se machucado. Mas não estava.

Parece não estar aqui agora, quando estou precisando tanto dele, mas está, talvez não da forma como gostaria, ainda assim, está em muitos lugares e de muitas formas, abraçando, consolando, exortando, amparando, iluminando e aqui também. Talvez ao lado de minha esposa, motivando-a a continuar acreditando em mim.

Claro, falo de Deus, não como o concebemos, mas como teima em ser, um amante eterno e fiel desses seres falhos que somos.

lousign

6 thoughts on “Eterno e fiel

  1. LInda foto,linda imagem. O que é?

    Ô Lou, você conseguiu ver o meu anjo?

    A foto sugere uma espécie de livro vivo de orações. Mas precisaríamos da ajuda de um budista para elucidar. Quanto ao seu anjo, não o vi porque houve uma outra reunião na sala ao lado da nossa, dos anjos. Parece que eles aproveitaram para resolver algum imbróglio celestial no atendimento do povo, enquanto resolvíamos o nosso.

  2. O Raniel foi muito bem retratado pelo John Travolta naquele filme sobre o anjo esquisito. Não é?
    Falar de Deus, “não como o concebemos, mas como Ele teima em ser…” é uma tarefa esplêndida e difícil, especialmente para mim, que só consigo concebê-Lo, pois não fui agraciado conhecê-Lo, como Jó o foi…

    Você deve estar se referindo ao Michael. O diretor e o roteirista me ligaram pedindo as informações e fiz uma breve descrição do Raniel, mas pedi para não usarem o nome real, sugerindo Miguel. O que gostei foi o lado mulherengo/briguento. Perfeito. Mas o Raniel detesta as nossas roupas e banho, por isso evita encarnar. Quanto a conhecer o Deus de Jó, o caminho é o sofrimento. Como o Deus de José, Moisés e Jesus. Melhor conhecer o Deus de David, o ideal.

  3. DEUS está aqui…Não importa de que maneira for…Só temos que agradecer a DEUS por nos amar sendo o que somos..

    Abraços Lou..

    Ufa, ainda bem. Sim ele está aqui, bem dentro de cada um de nós.

  4. kkkkkkkk o pior você não sabe, que do seu ângulo você não viu: quando eles sairam, um deles tropeçou feio num degrauzinho, se desequilibrou e quase caiu, ou seja, havia um anjo atrapalhado entre eles.

    Anjo atrapalhado, só conheço um. Bota atrapalhação nisso.

  5. Lou

    Vim aqui hoje esperando um foto de kiwis descascados no mesmo estilo da foto das laranjas e é isso que você me oferece.

    Você combina bem com esse anjo…KKKKKKK

    A moça do kiwi não é para o nosso bico. Cache altíssimo. 🙂
    Na verdade, uma das causas secretas de tantas pessoas engrutadas é o corpo, especialmente os cristãos. Essa relação costuma estar em frangalhos, devido ao bom serviço de pastores e familiares. Sem descambar para a promiscuidade ou pornografia grotesca, temos publicado fotos contendo nú artístico de mulheres. Como bom machista, não suportaria um corpinho sarado masculino por aqui. Mas quase publiquei uma foto ótima de um senhor nú, de costas. Na última hora, pintou arrependimento e tirei.
    Fique de olho, outras laranjas virão. Precisamos tratar das questões relacionadas ao corpo, especialmente as ligadas a sexo e aceitação, do meu e do outro. Salvo engano.

  6. Lou amigo,

    belo texto!
    Acabei de escutar e ver sua mensagem do autor do Evangelho Maltrapilho. Quem sabe já está na hora de você nos presentear com mais uma?
    O Volney colocou ontem duas de uma vez sobre a conspiração.

    Abrçs,

    Roger

    Vi as mensagens do Volney, também. Pretendia soltar mensagens frequentes em vídeo, mas não consegui manter regularidade, ainda. Essa que você viu, foi um trabalho não planejado a seis mãos, pois o Ricardo do Diversitá encontrou, o Volney fez a tradução e eu gravei. Na época, não havia o original do Manning com legendas. Depois o Ricardo subiu. Mas foi uma experiência bem legal. Qualquer hora sai algo por aí. Agradeço seu incentivo. Espero que esteja tudo bem com você.

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