A Gruta do Lou

Escola da Árvore

Falar sobre A Escola da Árvore (título dado por mim) me enche de alegria, pelo que segue.
Alguns feministas não gostaram quando escrevi sobre a mulher ocupando o mercado de trabalho, em detrimento ao seu papel de mãe, educadora e gerente do lar, em meu post Família 21.
Estava pensando nisso, quando abri minha caixa postal e encontrei um E-mail da Nina Michaelis. Ela foi minha colega nos tempos de Vocacional. Quando alguém te afirmar ser um ex-vocacional, cuidado, você estará diante de um trator. Graças ao movimento do GVIVE, o pessoal oriundo dessa escola fantástica e sem igual no Brasil está se reencontrando. Assim, tenho trocado mensagens com a Nina. Ela tornou-se uma grande mulher, em todos os sentidos, especialmente, em realizações.
Engraçado, há pouco eu andava encantado com as histórias da Escola da Pedra em Portugal, contadas pelo Ruben Alves e não tinha a menor ideia de haver uma experiência tão ou mais rica, bem aqui, no sul de Minas Gerais e protagonizada por essa incrível pessoa, a Nina.
Nina MichaelisVamos ler o E-mail:“…Tenho alguma experiência com escolas mineiras. Quando vim morar aqui, a cidade mais próxima ficava a 18 km por estrada de terra, péssima e escola só até 4ª. série. Naquela época, mais pessoas, como eu, resolveram abandonar a cidade e fizemos um plano de montar uma escola cooperativa para nossos filhos. Nessa época, minha mais velha estava na quarta série e a outra na segunda. Juntamos os pais que queriam, montamos uma grade horária e dávamos aulas até embaixo das árvores. Depois, os meninos foram fazendo provas de supletivo para garantir os papéis, mas foi a melhor escola que consegui, pós vocacional. Pais e professores entusiasmados e filhos também. Com o tempo, nossos filhos foram acabando (minhas filhas acabaram o segundo grau desta maneira) e os novos professores que iam entrando já não tinham a mesma garra e os alunos já queriam convívio com outros jovens e a escola acabou. Minhas filhas mais velhas conseguiram entrar em universidades federais, pois aprenderam a estudar e, todos nós, ficamos com mais uma experiência de uma escola muito interessante, completamente informal e alternativa, mas muito rica. Hoje, meus filhos tem escola do município, do estado e, infelizmente, são completamente sofríveis.
Esta foi minha experiência de mãe e professora. Dei aula de ciências e música durante 10 anos.
Um abraço
Nina:
Competência, garra, princípios, clareza não estão a venda e, muito menos, no discurso vazio da militância política. Certo?
Será que alguém lembra do Vocacional? Alguém ai do governo já ouviu falar disso?
De lá, saíram muitas mulheres incríveis como a Nina Michaelis.
Mas, o Vocacional acabou. Foi fechado pela ditadura militar que não queria brasileiros como a Nina.
Entretanto, o papel principal na educação ainda pertence às grandes mulheres.
Você gostaria de ver seus filhos educados por uma grande educadora, em alguma unidade da “Escola da Árvore”? Procure-a em sua casa.

Por favor, não esqueça de deixar seu comentário. Clique no link comments.
# posted by Lou @ 3:45 PM

Capricornio PB

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6 thoughts on “Escola da Árvore

  1. Resisti bravamente a postar um comentário porque (1) não queria ser o único a dar o pitaco no blog do meu amigo, (2) não sou mulher nem feminista e (3) não sei nada do Vocacional além do achei no sáite do GVIVE. Além de tudo não sou casado e nunca fui, o que complica a minha situação. Mas vamos lá, que de melindres ninguém vive nem deve viver.

    Acho lamentável e de fato muito limitador (tanto para as mulheres quanto para os homens), que as mulheres tenham associado a sua “liberação” a adotarem os valores competitivos, tradicionalmente masculinos, mergulhando de cabeça no “mercado de trabalho” (como se antes disso tudo que gerações e gerações de mulheres tivessem conhecido fosse o ócio). Estou na verdade para escrever sobre isso na Bacia, devidamente incitado pelos seus posts sobre o assunto.

    Como resultado dessa aparente “liberação”, a vida ficou desbalanceada: as mulheres ganharam pouca liberdade real, as crianças ficaram aos seus próprios recursos e os homens ficaram extremamente confusos. De certa forma, todos ficaram mais solitários, e todos tem um lugar a menos ao qual voltar.

    Notável a história da escola rural dessa senhora Nina Michaelis (muito típico também o governo ter saneado uma iniciativa desconcertante que incitava as pessoas a pensarem – ou pensarem por si mesmas, o que é a mesma coisa).

    Você está muito certo em falar de um tempo em que as mulheres “gerenciavam” a casa. Como todo administrador sabe, o gerente é, basicamente, pago para ter mais tempo livre do que o empregado. Esse paradoxo se explica: o empregado só tem tempo para *reagir*, e o gerente precisa de espaço para produzir, *criar soluções* ao invés de meramente reagir. No tempo em que a mulher “gerenciava” a casa ela tinha tempo livre para iniciativas notáveis como a escola rural de Nina – coisa que as limitações implícitas no “papel” do homem o impediam de mesmo sonhar.

  2. Luis, como sempre, uma visão simples e correta. Veja meu amigo como exponho minha imbecilidade, mas aí você pode me ajudar a entender melhor certos posicionamentos do mundo moderno, se é que há o que se entender. Tenho dito e por conta disto recebido olhares de reprovação, o que eu entendo pouco diante de um mundo novo, com seus novos comportamentos etc. Penso e talvez não faça bem que apesar da boa vontade estamos caminhando para um mundo mais bárbaro do que alguém já supôs haver. Nossas mães são jovens despreparadas, mal educadas também, sem tempo para criar seus filhos, por vezes sem o amor requerido. As familias perderam a dignidade, o que lamento, apesar de alguém querer me chamar piégas, tonta. Os filhos são criados por babás, as mães são cansadas, permissivas, fazem mal sem saber. O dever foi aniquilado por um desejo de liberdade insano, que em verdade mais se parece com libertinagem do que com a liberdade tão cantada, que eu só entendo como estátua. Ninguém é irmão, ninguém pensa no grupo,na unidade familiar como um dever, com honesta responsabilidade. Nossos filhos estão nas ruas, embaixo de marquises, tornando-se nossos inimigos. As mulheres planejam a maternidade e já está incluido o berço, a babá( quando é dever delas educar, não de outro. E elas se sentem menos livres sendo mâes, quando o o cumprimento do dever é que torna o ser livre.), a madrinha, os avós, e todo mundo embala Matheus e Matheus só obedece aquele que lhe causa medo.
    Depois apague isto.
    Saudações insurgentes,
    L.
    # posted by Lux Luxo : 1/30/2006 4:33 PM

  3. Parem com isso!
    Ficar reclamando dos avanços dos tempos atuais com relação à participação profissional da mulher na atualidade é uma besteira, me perdoem.
    Está tudo errado? Sim está, mas é assim que se aprende.
    Temos é que ir adiante, o caminho é tortuoso mas hoje, a sociedade tem tudo para ser melhor que os tempos da submissão feminina de meio século atrás.
    Agora temos que aprender a compartilhar as tarefas, as responsabilidades, os tempos.
    Os filhos precisam tanto do amor das mães como o dos pais, do exemplo idem.
    Nossa geração abriu o caminho, espero que as próximas o pavimentem e tornem a vida mais igualitária.

  4. Sinceramente…acho que a liberação da mulher é usada para justificar
    grande parte das mazelas do mundo…só espero que não nos mandem pra
    fogueira novamente.

    Hum… não tínhamos pensado nisso… 🙂

  5. É Raquelzinha tem razão. E quanto ao homem? Qual tem sido o seu papel na família e na sociedade? Tem cumprido seu papel?

    Bom, ele fazem o que podem. Assistem ao futebol com o copo de cerveja na mão, sempre dão uma paradinha no boteco antes de chegar e casa e tratam muito bem as vizinhas. Mas, concordo, são meio previsíveis. 🙂

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