A Gruta do Lou

Enlevar, nunca arrasar

Essa interessa ao pessoal que busca a Caverna e Davi, mestre do enlevo.

Conversei duas vezes com um amigo, ontem. Ele é um cara bondoso, generoso e solidário. Mas insiste em tentar me convencer sobre a existência de algo muito errado em mim. Afinal, faz tempo que não emplaco um trabalho consistente. Ele repetiu várias vezes a necessidade de me adaptar, ser mais flexível, enfim, o velho jogo de cintura. De repente me senti como o Kevin Costner na pele daquele jogador de basebol, grande arremessador que sofreu séria contusão na mão principal, ao fazer trabalho em uma serra elétrica e não se conformou com uma mera aposentadoria. A certa altura, se deu conta que seu massagista, sua namorada, seu técnico, seus amigos e a imprensa o estavam levando para baixo e para o fim. Mandou todo mundo para a ponte que partiu, pediu desculpas e explicou que seu objetivo era voltar a jogar. Também me sinto cercado de gente me puxando para baixo.

Davi não era nenhum primor como professor de auto-ajuda. Ele era bom em enlevar, seu dom encantava as pessoas e elas sentiam que poderiam voar, ao lado dele. Ele não buscava mudar as pessoas, não tentou mudar Saul e muito menos a seu filho Adonias, aquele crápula. Amou Bate Seba e Jônatas porque eles não tentaram modificá-lo, tampouco. Se pudesse, meu amigo me reformaria por inteiro, mas precisaria entrar na fila dos meus pretensos reformadores. Acho melhor a filosofia do personagem do Kevin do que a do meu amigo, pois pretendo voltar a jogar. Talvez esteja um pouco enferrujado, também com tanto tempo de estaleiro não podia ser diferente. Entretanto, pretendo voltar sendo eu mesmo, velho nos princípios e moderno nos métodos. Que meus credores me aguardem.

Certo mesmo é que tentarei, com todas as minhas forças, ser mais parecido com Davi e enlevar as pessoas à minha volta. Deixarei com os outros o papel de arrasar.

8 thoughts on “Enlevar, nunca arrasar

  1. Pingback: Lou Mello
  2. Já não era sem tempo!
    Os animais feridos ficam lambendo as feridas nas tocas, grutas, cavernas e buracos da vida necessários à terapia.
    Re-bem-vindo!
    Tem um mundo aí esperando quem os enleve.

    Um abraço.

    É, eu que o diga. Pastorada anda ocupada contando ofertas e dízimos (há exceções) e os feridos sobram pelas esquinas.

  3. Não importa o que fazemos, nem como fazemos. Importa se o fazemos para o bem do próximo, por amor.

    Ah, mas que o pessoal cobra alinhamento, conformismo e bico fechado, isso cobra. Né não?

  4. Como eu já sou reformado não preciso de mais gente me propondo alterações também.

    Mas se precisar é só falar, tenho um monte de sugestões que não sou capaz de mudar em mim mesmo. Quer? 🙂

  5. Hi…o mundo está cheio de gente com “boas intenções”,
    sempre querendo “melhorar alguém”…ou será que era o inferno?

    Pessoal tenta mudar os outros para não ter tempo de olhar para si mesmo. Aqui em casa ou faz como eu quero ou mando para as galés. 🙂

  6. É uma situação do caramba, me identifiquei bastante com o que você falou. Eu também tenho escutado essa história e esses questionamentos, até sugerindo que perdi a humildade e tudo, mas o caramba de tudo isso é saber que a adaptação ao meio ambiente só vai fazer dele o mesmo que é, ser pioneiro é coisa de maluco, mas, uma vez que você é chamado pra isso, o negócio é lamentar a situação e seguir, sei lá quem sabe um dia a gente é convencido de verdade que estamos errados ou alguma coisa acontece.
    força cara!

    Essa a história da minha vida. Na Escola de Educação Física, prova prática de basquete, fui o melhor jogador na quadra, palavra dos meus colegas, e ganhei uma nota baixa. Segundo o professor, autor da avaliação, eu estaria com cara de displicente. Meu, você sabia que os displicentes não podem jogar basquete? A regra é clara.

  7. O ideal é deixar o rio seguir seu rumo; mas o homem, mais astuto que os animais selváticos, deseja represar o rio, dividir e até mudar o seu curso; o canal do trabalhador que o diga. Mas há um consolo: não somos rio, somos homens e estamos comprometidos com o senhor Jesus até os cabelos da cabeça.

    Abraços.

    …ou deixar o rio seguir o seu rumo…

  8. Quando você provar a eficiência das suas sugestões em si próprio, pode mandar para mim que serão bem vindas.

    Ok. Combinado. Acho isso muito razoável. Se você não se incomodar, acho que adotarei a mesma postura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *