Enganos e desenganos que nos afastam da fé

Anne Van Der Bijl ( Irmão André)

Queridos amigos, leitores e curiosos.

Imagino você como pessoa do século XXI, obviamente, mas com toda a bagagem pertinente nessa mochila aí nas suas costas detém a cosmovisão correspondente ao seu tempo, certo? Mas você não está só. No século passado, o pessoal já estava preocupado com a relevância da Bíblia. Veja as palavras do lendário teólogo Rudolf Bultmann, naquele tempo:

Evidentemente, a religião mítica oriental desfalece na medida em que a higiene e a medicina progridem; da mesma maneira, nós não podemos nos contentar com as ideias mitológicas do Novo Testamento, vivendo sob a influência de outra cosmologia. “

Como disse o Rudolf, se tomarmos o texto bíblico, em especial o Novo Testamento, de forma literal, correremos sérios riscos de sermos tachados de seres do além, “além-túmulo”. A discussão do cara em questão foi em outra direção, para se ter uma ideia, ele falou isso à fina classe dos honoráveis

 

                                             Rudolf K. Bultmann

teólogos ingleses da primeira metade do século XX, em um evento onde estavam os maiorais.

Meu negócio é menos ambicioso. A nossa cosmologia atual, transformou a Igreja e outras organizações religiosas em um grande mercado, assim como fizeram com a saúde e a educação, na maioria do planeta. Aliás, nem sei se há algum país onde não seja assim, talvez a Coreia do Norte e/ou Cuba, muito embora não sejam exemplo para nada.

Bom, aqui na Gruta, quero abordar o tema de olho no ser humano. Lá no outro blog onde escrevo mais sobre as coisas organizacionais, no LouHMello.com, discutindo mais sobre o caráter institucional das organizações à luz da Bíblia.

Entretanto, nos dois casos, pretendo fugir da interpretação literal, aliás isso ensejou todo o bla-bla-bla do Rudolf. To fora. Sou fã das Soluções Metafísicas e/ou Teológicas, nessa ordem. O objetivo é escrever um texto relevante e enxuto.

Tomando por base dois homens, missionários cristãos, cujo desempenho foi notável e, embora haja uma distância de mais de cem anos entre os dois, o uso correto do texto bíblico os uniu. Um deles, o Sr. George Miller, alemão, viveu no século XIX e tirou das ruas de Londres cerca de dez mil órfãos e lhes deu abrigo, encaminhamento e os ensinou os desígnios de Deus e Jesus Cristo. O outro, está vivo embora velhinho, mas muito lúcido, trata-se do Sr. Anne van der Bijl, também conhecido como Irmão André, holandes,

                            George Muller

fundador da Open Doors Mission e, talvez, a pessoa que mais contribuiu para a queda do famoso e infame muro de Berlin, em 1989. Há muitos outros, claro, mas para exemplificar nosso ponto, são grandes exemplos.


Pouco tempo atrás, citei os dois sob aspectos missionários. Agora vamos conversar, um pouco, sobre um tópico mais específico. Falo das escolhas mais individuais dos dois.

Esses dois senhores estudaram teologia e se ligaram a organizações não denominacionais na Inglaterra. “Sociedade de Londres para a Promoção do Cristianismo entre os Judeus”, no caso de Miller e o CEM, no caso do Irmão André, uma escola teológica para treinamento de missionários. Os dois andaram errantes como qualquer jovem, Miller chegou a ser preso por causa de uma farra e o Anne Van Der Bijl engajou-se no exército e foi para a Ásia lutar em uma guerra sem nexo para ele. Depois experimentaram conversões sinceras e se tornaram fiéis aos princípios bíblicos, entre eles, aqueles que diziam respeito a finanças.

Vejamos alguns métodos usados por esses homens de Deus:

Miller *¹

Após decidir tornar-se independente do pai, dizendo: “Não receberei mais nenhum dinheiro do senhor. Nunca! Enquanto viver.”

A isso seguiu-se: “De agora em diante ele dependeria de uma única Pessoa em todo o amplo Universo. Essa pessoa era Deus. E era assim que ele desejava que fosse.”

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“De agora em diante, ele dependia de uma única pessoa em todo o amplo Universo. Essa Pessoa era Deus. E era assim que ele desejava que fosse.”

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“Certa Manhã, enquanto tomava o café da manhã, ele empurrou a xicara e o biscoito para o lado e ajoelhando pôs os cotovelos na poltrona de estudo, apoiando nas mãos seu rosto delgado e ossudo.

– Deus (disse ele em voz alta) tu saber exatamente o tenho feito e o que isso significa. Sabers de minhas necessidades: dinheiro para pagar o aluguel, alimento, adquirir livros e liquidar meus compromissos com o próximo período escolar. Dependo de ti, Deus, para o conseguir. Em teu próprio nome. Ao teu próprio modo. Esperarei….

Hesitou um pouco por um minuto, ouvindo. Então concluiu:

– Se for de tua vontade. Em nome de Jesus. Amém. “

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“Estou escrevendo hoje mesmo à Sociedade para dizer-lhes que Deus me chama para levar o evangelho a todos os povos, em toda parte. Que eu servirei onde quer que Deus me ordene. “

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“O servo de Cristo tem apenas um Senhor. “

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“Além do mais, enquanto eu colocar o reino de Deus e sua justiça em primeiro lugar, terei recursos. “

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“Fixou uma caixa na parede do fundo da Igreja que pastoreava sob uma placa que dizia: Doravante, o ministro será sustentado somente pelas contribuições depositadas nesta caixa por cristãos generosos. Em tempo algum, nem por qualquer motivo, pedirá a qualquer homem sustento financeiro. Ele pedirá somente a Deus”.

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“Nem pais, nem autoridades, nem esposa, nem filhos, Deus! Eu me rebelo! Rebelo-me contra tudo e contra qualquer coisa que me impeça de andar no teu caminho. “

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Irmão André *²

“Diante da possibilidade de ir para CEM, lembrou das palavras do Sr. Wilson: Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias. Teologicamente eles estão muito certos, disse seu amigo Kees.”

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“Eu tinha as trinta libras que trouxera da Holanda para o pagamento do primeiro semestre. Depois eu teria que esperar para ver como Deus supriria o resto do dinheiro necessário”.

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“Era isso! Não é que eu precisasse da segurança de certa quantia de dinheiro, mas da segurança de um relacionamento”.

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“Senhor, disse eu, preciso saber se posso confiar em ti quanto às coisas práticas. Agradeço-te porque me permitiste ganhar o dinheiro para pagar o primeiro semestre. Peço-te agora para que supras o resto. Se eu precisar atrasar o pagamento, um dia que seja, ficarei sabendo que devo voltar para a fábrica de chocolate”. A propósito, ele nunca voltou a trabalhar na fábrica ou em qualquer outra coisa que não fosse sua missão celestial.

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“As semanas passaram tão depressa, que logo chegou a hora de sair para a primeira de várias viagens evangelísticas de treinamento. “Você vai gostar disso , André, disse o Sr. Dinnen. É um exercício de fé. As regras são simples. Cada aluno da sua equipe recebe uma nota de uma libra. Com ela, vocês saem em uma viagem missionária pela Escócia. Espera-se que paguem a condução, a hospedagem, a comida, qualquer propaganda que quiserem fazer, aluguel de salões…

Tudo com uma nota de uma libra? Perguntou André.

Pior que isto. Quando você voltar à escola depois de quatro semanas, espera-se que você devolva a nota.

Dei uma risada. Parece que precisaremos passar o chapéu o tempo todo…

Ah, também não será permitido levantar ofertas. Nunca. Não poderá nem mencionar dinheiro nas reuniões. Todas as suas necessidades deverão ser supridas sem qualquer esforço de sua parte, ou então, a experiência terá sido um fracasso. Observou o Sr. Dinen.

Permanecemos fiéis a duas regras: nunca mencionarmos uma necessidade diante de alguém e demos dízimo de tudo o que veio às nossas mãos, dentro de um prazo máximo de 24 horas, se possível.

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Notas:

*¹ Do livro Jorge Muller – Faith Coxe Bailey

*² Do livro O Contrabandista de Deus – Irmão André, John e Elizabeth Sherril

Quando trabalhei na Missão Portas Abertas, em São Paulo, início dos anos oitenta Sec. XX, no mesmo local funcionava outra missão, a UMHE. Certa vez, as duas missionárias que trabalhavam lá estavam de saída para uma viagem/missão internacional e há poucos dias do embarque estavam ansiosas pois achavam que não tinham dinheiro suficiente e outras coisas para o que tinham pela frente. Resolveram pedir minha opinião, nem sei por que eu. Pedi a Deus por sabedoria e logo me veio à mente o texto de Mateus 10:10:

Antes, dirijam-se às ovelhas perdidas de Israel.
Por onde forem, preguem esta mensagem: ‘O Reino dos céus está próximo’.
Curem os enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça; dêem também de graça.
Não levem nem ouro, nem prata, nem cobre em seus cintos;
não levem nenhum saco de viagem, nem túnica extra, nem sandálias, nem bordão; pois o trabalhador é digno do seu sustento.
“Na cidade ou povoado em que entrarem, procurem alguém digno de recebê-los, e fiquem em sua casa até partirem.
Ao entrarem na casa, saúdem-na.
Se a casa for digna, que a paz de vocês repouse sobre ela; se não for, que a paz retorne para vocês.
Mateus 10:6-13

Elas ficaram de olhos arregalados, olhavam para mim como se eu fosse Jesus. Acho que vi lágrimas caindo dos olhos delas. Elas viajaram e tudo correu muito bem. Não tiveram falta de nada e ainda trouxeram muito do que levaram, de volta. A primeira coisa que me disseram foi isso.

Agora pergunto: No que diferem as regras de Muller e André deste texto?

Se você ler os livros citados, ficará impressionado com a coincidência desse texto com o que eles viveram.

Eu mesmo experimentei muitas vezes essas orientações com muito sucesso. Claro, sou humano e errei muitas vezes, mas sempre por não observar as diretrizes bíblicas.

Então, o que está acontecendo com os missionários e pastores de hoje em dia? Será que tiraram Mateus 10 das bíblias deles?

Veja bem, nossa missão vai muito além de angariar dinheiro. Na verdade, isso é o que menos importa. Nosso trabalho é muito mais importante, inclui curar enfermos, ressuscitar mortos, purificar leprosos, expulsar demônios, etc.

Será que você incluiria essas coisinhas na lista de mitos listados pelo Bultmann? De fato, há muitos mitos permeando textos bíblicos, mas eles ajudam a contar as histórias e sua importância não é histórica, mas sim espiritual. Só que nesse caso, há uma instrução objetiva, não é poesia nem prosa é mandamento e mandamento de Deus, se não me engano.

Quando meu filho que eu amava imensamente faleceu e me esqueci que poderia ressuscitá-lo, algo que nem medicina humana é capaz. Eu tinha o amor de Deus e o humano para elevar minha consciência, alinha-la com a consciência divina e então deixar a fé trabalhar a partir dali. Mas falhei miseravelmente. Ainda bem que Deus não falhou quando o filho Dele morreu naquela cruz e o ressuscitou para nos salvar, resgatar e perdoar.

Meu, faça conforme está escrito na Bíblia, afaste-se dos enganos e desenganos que nos afasta da fé.

Author: Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc.

Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. Escolas e Universidades praticam o monopólio dos diplomas e a ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá.

Valorizo muito mais os meus mentores, tais como Dr. Russel P. Shedd, Dr. Zenon Lotufo Jr. e Dr. Dale W. Kietzman.

Meu espírito é missionário. Plagiando o Amir Klink, “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para desejar estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Eu viajei e ainda pretendo viajar.

Atualmente, continuo acalentando o Projeto Corações Valentes, embora ele não tenha vingado ainda. Talvez sinta falta do Thomas, tanto quanto eu sinto.

Além de lecionar (Ef. Física e Teologia), ensinei organizações não lucrativas a fazer amigos para ter sustento e, também, tentei ajudar as pessoas a crescerem através da mudança comportamental. Sonho em treinar professores em prática de ensino, quem sabe…

A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito com potencial para me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.

Gosto música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei).

Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável para mim, e ainda me surpreendo com as pessoas lendo meus escritos, comentando, enfim.

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