A Gruta do Lou

Endividados

Endividados
Endividados

Uma jovem foi rejeitada para uma vaga de trabalho aqui em Sorocaba, sob a justificativa de não poder ser aceita pela razão de seu nome fazer parte da lista de devedores do SERASA, em que pese o fato dessa atitude do empregador ser ilegal.

Junto com a divulgação da notícia, via TV, pudemos assistir a um advogado expressando sua opinião. Disse o defensor, precipitadamente, que só aos bancos e financeiras é dado esse direito. Na verdade, nem essas organizações poderiam fazê-lo.

Mais verdade ainda seria informar que tais organismos de controle dos devedores não deveriam, sequer, existir, pelo menos, não com o objetivo de vedar ou impedir o direito de trabalhar das pessoas. Talvez, nem o direito de informar a terceiros, sejam quais forem, eles teriam. Não há na constituição do país lei que disponha sobre a instituição de um organismo com atribuições desse tipo.

Essas organizações são concebidas por iniciativa de associações de classe, no caso dos bancos e do comércio, como forma de garantia aos seus negócios. O código de defesa do consumidor regulamenta alguns parâmetros a esses organismos peçonhentos, tais como o máximo de cinco anos para um nome constar desses arquivos, cobranças exclusivamente por correio e outras bobagens, nenhuma delas observadas com o rigor que um código desses mereceria, mesmo porque, não há quem os fiscalize.

Evidentemente, a pergunta que não quer calar é: Como um individuo pagará suas dívidas se não lhe for dado o direito de trabalhar para ganhar a condição de fazê-lo?

Além disso, na prática, estão permitindo a essas empresas de caráter privado o poder de julgar, compulsoriamente, o cidadão comum, como se elas (as empresas) fossem isentas do erro e dos equívocos. Todos nós sabemos o quanto isso não é verdade.

Assim, poderíamos inferir que um governo justo deveria banir tais instrumentos de opressão ao cidadão e trazer de volta o direito à defesa ao qual a constituição do país se refere, em alusão e obediência à carta dos direitos humanos, da qual somos signatários e, portanto, todo individuo tem direito.

Pessoalmente, entendo ser direito de cada empresa não vender a crédito a quem não lhe tenha pago dívida anterior, mas sou absolutamente contra a concessão do direito de todas as empresas excluírem de uma pessoa o crédito, por que uma empresa qualquer não recebeu sua dívida. Talvez o pagamento não tenha sido efetivado por motivo justo a favor do devedor.

Por outro lado, está mais do que na hora de obrigarmos a sociedade a evoluir nesses conceitos. Talvez usarmos o novíssimo método de Jesus Cristo, que nos convidou a abandonar a lei e entrar no mundo da graça.

Creio que pessoas de bom caráter, seriam capazes de criar e instituir novos caminhos para eliminar dívidas e ajudar ao endividado de forma justa e humana, sem coerções ou essas aberrações próprias da intolerância e da agressividade inconsequente e sempre arbitrária.

 morcego-12

4 thoughts on “Endividados

  1. Pingback: Lou Mello
  2. Pô, meu! Este texto está ótimo!!! Essa questão do direito individual contra o “julgamento” precipitado das empresas aflige a muitos. Me deu até vontade de postá-lo como meu…

    Fique à vontade. Esse assunto precisa ser mais discutido e quanto mais replicarmos melhor.

  3. E o que falar dos planos econômicos, enfiados guela abaixo? Eu, por exemplo, vendi casa, carro para saldar
    dívidas, justamente para não ter meu nome nessas ditas instituições. Querendo ou não,”elas”, com respaldo político/econômico, é que decidem se o cidadão merece ou não crédito.
    Direitos constitucionais? Quantos cidadãos já tiveram acesso, ou interesse em saber o que está escrito lá?
    Se a maioria, não sabe ao que tem direito, como pode se organizar e cobrar alguma coisa? Acho que só nos
    resta mesmo seguir o novíssimo método de Jesus: abandonar a lei e entrar no mundo da graça.

    Pois é, essas organizações com esse poder não é justo. O cidadão está desprotegido, embora seja necessário, sem o qual a empresas não existiriam, e isso é um grande paradoxo. Mas as empresas precisam entrar no novo mundo, também.

  4. Peraí.
    Falar de dívida e não falar de juros é como falar de futebol e não falar de Pelé.
    Muuuuito da dramática situação dos devedores provém da campeoníssima taxa de juros praticada no Brasil e que é administrada pelo inimigo público número 1 do Brasil que atende por Henrique Meirelles.
    Já não acreditava no Lulla. Quando vi que ele colocou o Meirelles no Banco Central aí eu vi que a vaca tinha ido pro brejo com seus bezerrinhos e boi e fazendeiro e…
    Agora, de boa Lou, você me deve algum aí, porque tempo é dinheiro (argh) e gasto preciosos minutos meus lendo você.

    Então, a questão é precisamente essa, o devedor costuma ser muito mais uma, talvez a maior, vítima do sistema e ainda por cima leva a culpa de tudo e fica sem crédito. Quanto a minha dívida com você pelo tempo gasto lendo por aqui, gostaria de pagar em mais textos e boas leituras, se me permitir e conseguir.

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