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Confissões de Lou

Efeito Vida

Written by Lou Mello

Ontem, domingo, passei boa parte do dia revisando e completando minha linha do tempo.

A razão disso é meio desconfortável. No próximo dia 08 completarei 67 anos de vida, se tudo caminhar bem até lá. Não sei se não estou tão acabado como penso, mas as pessoas mais próximas ainda esperam de mim mais do que imagino fazer no meu tempo restante, sobretudo na questão trabalho.

Ainda não cheguei no fim desse trabalho (estranho chamar isso de trabalho), não sei como ninguém ainda perguntou se não era melhor parar com isso e arrumar um emprego. Se não falaram, pensaram, certeza.

O que já está devidamente mencionado, se somado, chega a quarenta e um anos de trabalho. Mas ainda não relacionei o tempo de trabalho com meu pai e o trabalho de técnico em informática. Aliás, esse último chegou a ser bem pródigo, em certo momento da vida.

Consertando micros, hardwares e softwares pudemos colocar muita comida em nossa mesa (modo de falar, claro). Se acrescentar esses itens (e outros devem haver) passaria fácil de cinquenta anos de trabalho.

Se levarmos em conta o tempo de escola, concluo ter tido jornada dupla de trabalho durante bom tempo. Pelo menos nos tempos do Centro Municipal de Esportes no Ibirapuera, isso se deu, mas até hoje não vi a bufunfa, do trabalho noturno.

Entretanto, o pessoal não está satisfeito. Alias, os mesmos que vivem me enchendo o saco toda vez que esqueço meu nome ou demoro para lembrar o nome dos meus filhos, são os que mais clamam ao pé dos meus ouvidos para eu voltar a trabalhar. Fácil né? Apesar de que, não sei se é por dinheiro ou para diminuir a minha presença, seja onde for.

Converso de vez em quando com o Stephen Kanitz. Ele é, ainda, um pouco mais velho em relação a mim. Se não me engano, nasceu em 1946, enquanto eu nasci em 1951. Não chega a ser uma conversa convencional. Ele fala pelo perfil Facebook ou pelo blog dele e eu respondo pelo mesmo caminho.

Outro dia enviei um ‘messenger’ prá ele e a resposta foi: ‘Estou em Miami e na volto olho’ (isso é uma mensagem programada, salvo engano.) Coxinhas são incríveis, invejo eles. Enfim, ele estava me dizendo algo do tipo: os homens encerram suas carreiras aos cinquenta e cinco anos, na média e as mulheres aos cinquenta.

O que? Você discordará, mas quando chegar sua vez, se já não chegou, perceberá essa realidade. Geralmente, homens são dispensados de seus postos de trabalho nessa idade e não me venha contar o caso do vizinho que tá com sessenta e dois e ainda está no posto de trabalho dele.

Dê um pulinho lá e pergunte a ele como isso se dá. Corto o meu… dedo mindinho se ele não responder: Estou só esperando dar o tempo de me aposentar. Certamente passa o dia no Facebook, jogando paciência ou escrevendo algum blog escroto, digo, chato.

Geralmente ele é convocado pelos diretores para atender algum ex-empregado que aparece para uma ‘visitinha’ por lá ou para coordenar uma campanha filantrópica qualquer para melhorar a impressão da empresa diante dos consumidores.

Os caras demitidos aos cinquenta e cinco anos, viram consultores, autores de livros tardios ou corretores, depende do pedigree deles. As mulheres de cinquenta resolvem empreender, fazer comida pra fora, vender Avon, Boticário, etc., ou manter um blog cheio de bebelozinhos.

Com raríssimas exceções, nada disso virará, fora a poupança jogada no lixo. Isso se não virarem comida elas mesmas. Desculpem, mas não estou num bom dia, segundo meu biorritmo, claro.

Pior é tentar argumentar com essas pessoas sobre esses probleminhas. Elas não fazem ideia de quantos ‘nãos’ já tomamos tentando acreditar no que elas nos fazem acreditar que acreditam. Chega uma hora, a gente se enche de um último sopro de amor próprio e decide não ouvir o próximo ‘não’. Já chega!

No meu caso, cometi vários errinhos durante a vida e, entre eles, não poupei para minha aposentadoria e, muito menos, paguei a previdência (INSS) com rigor necessário. No ano passado fui lá, todo faceiro, imaginando pegar uma aposentadoria de acordo com minhas realizações trabalhistas.

Só com uma das minhas empresas de consultoria (a primeira, abri em 1991, com 40 anos, imagine) tinha 25 anos de trabalhos. Claro, tinha dívida com o INSS, mas isso poderia ser acertado.

Então fiquei sabendo que a Anta Dilma, como vocês a chamam, havia ‘baixado’ minha empresa, sem falar comigo. Por que? Você diria isso e aquilo, mas na verdade ela baixou milhares de empresas como a minha, justamente para não nos pagar aposentadoria.

Acredite se quiser, caso contrário, não estou nem aí. O fato é, não havia nenhuma informação de recolhimento em favor da empresa e, obviamente, eu também não tinha mais os comprovantes. Reclamar como? Muito oportuno perder esses dados, né?

Ainda bem, peguei um atendente de mais ou menos cinquenta e cinco anos e ele me conseguiu um benefício ao idoso, com base na LOAS. Acredita? Assim é, e graças a Deus por isso, caso contrário, estaria morando com o Dino, sob uma ponte qualquer. Brincadeira.

Só não estou lá porque tenho Deus, Jesus, família, irmãos em Cristo e amigos. Só quero ver até quando eles terão paciência comigo. O Chaves, por muito menos, já tinha acabado o estoque de paciência dos outros. Logicamente não descartei a possibilidade de um milagre.

Mais uma coisinha, além desse babado do trabalho (auto-sustento), tem toda a indústria da ‘saúde’ com seus psiquiatras, medicamentos, procedimentos, hospitais, casas de repouso (sic), etc. a nos molestar. Essa gente descobriu os velhinhos para ganhar um bom dinheiro com suas mentiras. Quer saber, dá pra prolongar uma vidinha mais ou menos independente se não nos obrigarem a essas torturas.

Envelhecer, por si só, já é um processo bem sacana, agora, nos obrigarem essas torturas é muito demais. O que precisamos é amor, paz, tranquilidade, bondade, solidariedade,  sorrisos, respeito, otimismo, companhia, a nossa comidinha predileta, nosso cantinho e vai por aí. Espera você chegar até aqui pra por seus métodos em ação, com você mesmo ué (a).

Bom, me desculpe, mas tenho muito a fazer por aqui. Estou escrevendo dois ou três livros há alguns anos e espero termina-los ainda nessa vida. Também tenho uma lista nada modesta de livros a ler e continuo aguardando convites para uma consultoria ou para fazer palestras, muito embora ande pouco otimista com essas duas últimas possibilidades. Fazer o que? Ah, tenho os blogs também (A Gruta,  LouHMello e Projeto Corações Valentes), mas é trabalho não remunerado.

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Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc.
Pessoalmente, não ligo muito para isso. Valorizo muito mais os meus mentores, tais como Dr. Russel P. Shedd, Dr. Zenon Lotufo Jr. e Dr. Dale W. Kietzman. Esse blog está repleto das coisas aprendidas ao longo de minha vida e isso fala por si só.
Meu espírito é missionário. Plagiando o Amir Klink, "Um homem precisa viajar... simplesmente ir ver por si mesmo”. Eu viajei bastante e ainda pretendo viajar. Quem sabe não serei portador de boas novas por aí, mais um pouco?
Atualmente, continuo acalentando o Projeto Corações Valentes, embora ele não tenha vingado ainda. Sinto falta do meu filho Thomas, ele, através de seu sofrimento, me deu essa ideia, antes de partir para a próxima dimensão.
Além de ter lecionado (Ef. Física e Teologia), ensino organizações não lucrativas cristãs a conseguir sustento sem mendigar e, também, tento ajudar as pessoas a crescerem através da mudança comportamental. Sonho, ainda, treinar professores em prática de ensino, quem sabe...
A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de escrever e me livrar dessa coisa interior pressionando meu peito com potencial para me matar.
Também gosto música, literatura em geral, educação e astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei).
Pena o tempo perdido fazendo falta agora, mas isso não tem remédio.

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